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Comércio Brasil-China: neocolonialismo chinês ou relações de mercado?

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2014, o Brasil exportou USD 40,6 bilhões de mercadorias para a China e importou USD 37,3 bilhões, resultando em um saldo comercial (exportações – importações) de USD 3,3 bilhões para o Brasil e uma corrente de comércio (exportações + importações) de 78 bilhões.

Os números do comércio Brasil-China são impressionantes, sobretudo se considerarmos que, até os anos de 1990, os Estados Unidos eram de longe o parceiro comercial prioritário de praticamente toda a América Latina e Caribe. Desde 2009, porém, a China ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o principal parceiro comercial brasileiro.

Por estar situada do outro lado do mundo, é curioso pensarmos que fazemos mais negócios com a China do que com países mais próximos, como a Argentina (terceiro principal parceiro do Brasil), os Estados Unidos (segundo colocado), ou mesmo a Europa.

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Afinal, por que temos tanto comércio com a China?

Muitos analistas e pesquisadores têm se dedicado a entender a presença da China no continente latino-americano (a China também é o principal parceiro comercial do Chile e do Peru, e o segundo principal de Colômbia, Cuba, Uruguai e Venezuela.) e investigar quais são os reais motivos, interesses e, sobretudo, as vantagens e desvantagens que o Brasil e nossos vizinhos teriam nessa relação comercial.

Em meio a tantas interpretações, duas principais correntes se destacam. A primeira delas classifica as relações bilaterais como uma espécie de “neocolonialismo” chinês. Essa análise é defendida por historiadores, como Javier Vadell, que acreditam que a China está sugando a região, explorando nossos produtos estratégicos, como minérios e recursos naturais, comprando nossas matérias-primas e inundando nossos mercados de produtos chineses diversificados de maior valor, mas simultaneamente de baixa qualidade. Eles comparam o perfil da relação China-América Latina com a relação que a região tinha com a Europa no século XIX, nos tempos do colonialismo.

A segunda corrente, defendida por alguns economistas, como Philip Schellekens, do Banco Mundial, acredita que as relações comerciais bilaterais são, na verdade, criadas de acordo com a estrutura produtiva de cada país. Ou seja, se o Brasil vende soja e minério de ferro para a China, e compra produtos acabados e semi-acabados da China (como produtos químicos e aparelhos eletrônicos) é porque o Brasil é competitivo em soja e minério, mas não tem mesma competitividade em produtos de maior valor agregado, que seriam produzidos de forma mais eficiente e barata na China, e por isso a China não tem interesse de comprar esses produtos de nós.  

E aí? Com qual corrente você concorda? Ou você tem outra interpretação? Escreva-nos contando.

Publicado em 29 de outubro de 2015.
redatora-thais-moretz

Thais Moretz-Sohn Fernandes

Profissional em relações internacionais e comércio exterior. Trabalhou no governo brasileiro por 5 anos. Contribuiu com a publicação “Doing Business”, do Banco Mundial. Atualmente, mora em Shanghai, onde cursa mestrado em Teoria Política, na East China Normal University, e trabalha como pesquisadora e relações públicas no Centro de Estudos dos Países dos BRICS, na FUDAN University.