Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Print Friendly, PDF & Email

O que é escassez?

Ou: por que colocamos preços nas coisas

Prateleiras vazias em supermercado de Montgomery, NY, antes do furacão Sandy. Foto: Daniel Case/ Wikimedia Commons.

escassez-supermercado-prateleira-vazia

Este é o segundo post da trilha de conteúdos Economia Animada e aborda o que é escassez, desenvolvida em parceria com o portal Por Quê – Economês em bom português. Confira os demais conteúdos desta trilha: 123 – 45

Ao terminar de ler este conteúdo você terá concluído 40% desta trilha:)

No primeiro post desta trilha, explicamos de maneira simplificada o que é a economia. Comentamos que ela é o estudo sobre como pessoas utilizam seus recursos escassos para atender seus desejos, que são infinitos. Para prosseguirmos no nosso estudo sobre economia, é muito importante entendermos o que é a escassez. Afinal, o que significa um recurso ser escasso e quais as implicações disso no dia a dia?

Se preferir, ouça nosso episódio de podcast sobre esse assunto!

Listen to “#051 – O que é escassez?” on Spreaker.

Nem tudo está disponível para todos

Foto: Pixabay (domínio público).

mercado-escassez-precos

Em economia, escassez significa dizer que não há quantidade suficiente de um recurso para atender a todas as pessoas que o desejam ou o demandam, se ele não for cobrado (tiver preço zero). Pense nos carros, por exemplo. Para muita gente, ter um carro é um sonho de consumo. Mas, se os automóveis fossem distribuídos a preço zero, faltaria carro pra cobrir a demanda, certo?

Uma das soluções encontradas pela humanidade para lidar com a escassez de recursos é o sistema de preços. Ao se cobrar algo de valor (dinheiro, ouro, entre outros) em troca de recursos, bens ou serviços escassos, conseguimos adequar a demanda à oferta existente. Apenas aqueles dispostos a pagar o preço pelo bem em questão têm acesso a ele.

Por outro lado, existem recursos que não são escassos. São produtos que não precisam ser cobrados, porque estão disponíveis em quantidade suficiente para atender à demanda de todos. É o caso do ar respirável. Já parou para pensar por que ninguém precisa pagar para respirar? Simples: porque existe ar à vontade para todo mundo.

Portanto, podemos concluir que cobramos preços para que os recursos escassos sejam distribuídos de acordo com um critério (por quem está disposto a pagar, a oferecer algo de valor em troca deles). Em outras palavras, os preçoes existem para equilibrar a oferta de um recurso, bem ou serviço à sua demanda.

Vantagens e desvantagens do sistema de preços

Foto: Pixabay (domínio público).

posto-gasolina-precos-escassez

O sistema de preços é de suma importância para a economia atual. Vivemos em uma economia de mercado e, sem os preços, os mercados não podem funcionar. Sem o sistema de preços, seria muito improvável que o capitalismo existisse como o conhecemos hoje. É uma forma simples e prática de se lidar com o problema fundamental da economia, de utilização dos recursos escassos para atender a desejos ilimitados. Se existem fatores que limitam a oferta de um bem, o preço aumenta e assim a demanda tende a diminuir. E vice-versa.

Mesmo assim, esse não é um sistema perfeito. A partir dele, surgem outras questões. Uma delas é a desigualdade na distribuição da riqueza. Se apenas quem tem dinheiro para pagar por recursos tem acesso a eles, o que acontece com os que não têm dinheiro? Se a pobreza não surgiu a partir do momento em que passamos a colocar preços nas coisas, o fato é que ela continua a existir até hoje – e o sistema de preços, isoladamente, não oferece soluções para isso.

Além do problema da distribuição desigual, uma economia de mercado baseada no sistema de preços também apresenta um conjunto de imperfeições, que foram constatadas por economistas ao longo do tempo. Essas imperfeições são as falhas de mercado. Um exemplo de falha de mercado é quando uma pessoa, empresa ou grupo de empresas é poderosa o suficiente para afetar os preços de certo recurso. É o famoso monopólio, chamado de concorrência imperfeita. Nesse caso, o preço não responde apenas às flutuações da demanda e da oferta, e sim à influência que esse agente possui.

As chamadas externalidades são outra falha de mercado. Elas ocorrem quando a ação de um indivíduo afeta os demais (por exemplo, uma fábrica têxtil que polui rios). Por fim, existe também o problema da informação imperfeita, ou assimétrica. É quando uma das partes de uma troca (comprador ou vendedor) sabe de informações relevantes sobre o bem negociado que a outra desconhece. O exemplo mais clássico de informação assimétrica é o da venda de um carro usado. O dono do veículo pode deliberadamente esconder do comprador informações importantes sobre o carro, como um problema sério no motor. Com isso, ele deixa o comprador em desvantagem, distorcendo o preço pelo qual o carro deveria ser vendido.

E então, deu para entender o que é escassez e por que ela é um conceito-chave para o estudo da economia? Se quiser fixar tudo isso de uma maneira fácil e divertida, veja este vídeo do Por Quê:

No próximo post da trilha, vamos entender outro conceito fundamental da economia: os recursos!

Referências: Por Quê: o papel do Estado

crowdfunding
Publicado em 22 de março de 2017. Última atualização em 29 de março de 2017.
por-que-economes-logo

O Por Quê – Economês em bom português é uma iniciativa que busca descomplicar a economia para os brasileiros. Isenção, didatismo, precisão, clareza e criatividade. Essas são as nossas bases para traduzir o economês para bom português e transformar aversão em interesse. Vamos aprender mais?

Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e editor de conteúdo do portal Politize!.