SAÚDE MENTAL NA UNIVERSIDADE IMPORTA?

Painel pintado por alunos do 4º ano de medicina da USP no subsolo da faculdade (Fonte: F. São Paulo)

saúde mental na universidade

Em todo o Brasil, a preocupação com a saúde mental na universidade vem crescendo. O debate ganhou força depois de notícias de suicídios cometidos por universitários em grandes universidades do país ganharem os noticiários. Só na Universidade de São Paulo (USP), quatro estudantes cometeram suicídios, registrados em maio e junho de 2018. O Politize! já te explicou o que é saúde mental neste texto e agora vamos falar especificamente do contexto universitário. Afinal, são esses estudantes que estão popularizando a questão. Vamos lá?

POR QUE O DEBATE SURGIU?

Os mencionados casos de suicídio na USP reacenderam as discussões sobre como a saúde mental na universidade é deixada em segundo plano. A constante pressão para que trabalhos sejam entregues no prazo, centenas de páginas lidas semanalmente e noites gastas estudando para provas em que a maior parte da turma tira notas baixas são queixas que qualquer universitário já fez e/ou já ouviu. Além disso, a ideia de que um estudante de ensino superior deve se dedicar apenas ao seu curso leva alguns professores a ignorar o fato de que muitos universitários também trabalham, cuidam da casa e da família, tendo por vezes suas reclamações silenciadas.

Essa realidade é refletida no depoimento de Ana Batista, graduada em Relações Internacionais pelo Instituto Nacional de Pós-Graduação (INPG). A jovem relatou que desenvolveu ansiedade e ataques de pânico durante a faculdade, um esgotamento físico e psíquico agravado por sua rotina intensa. “Eu trabalhava em uma cidade, estudava em outra, fazia TCC [Trabalho de Conclusão de Curso], dava aula sábados e dormia em uma terceira cidade. Digo dormir porque passar apenas a madrugada em casa não é morar”, afirmou.

Nas palavras de Gustavo Gil Alarcão psicanalista e psiquiatra do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas de São Paulo – ambientes universitários “exigem cumprimento de uma série de tarefas com pouco espaço para trocas afetivas e relacionamentos entre os pares [colegas, amigos, família]. São exigências em um tempo do relógio que não acompanha o tempo do ser humano”.