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Talibã e sua atuação no mundo do terrorismo

Tropas do Talibã em 1996. Foto: AFP.

talibã

O Talibã é um grupo que atua no Afeganistão e no Paquistão desde os anos 1990. Conhecido pelas suas rígidas regras, o grupo responsável por inúmeros ataques tem retomado seu crescimento nos últimos anos. Quer saber como age o Talibã no terrorismo? Acompanhe este post!

Quer entender melhor o que é terrorismo? Confira aqui!

Como surgiu o Talibã?

Quando as tropas soviéticas deixaram o Afeganistão nos anos 1990, o país foi tomado por uma série de conflitos entre facções, que brigavam pelo controle da nação. Neste contexto de guerra civil, surge em 1994 o Talibã, sob a liderança do Mullah Mohammad Omar.

O grupo, criado no sul do Afeganistão, tem origem nas tribos que ocupavam a fronteira do país com o Paquistão. É formado principalmente pelos pashtun, um povo que lutou contra o imperialismo britânico, a invasão soviética e hoje se dedica a combater a intervenção do ocidente na região.

Em 1997, pouco tempo após o seu surgimento, o Talibã conquista o controle do Afeganistão, sendo muito bem recebido por significativa parte da população. Isto porque, após um longo período de guerras, o grupo estabeleceu a paz no território, combateu a corrupção e tornou as estradas mais seguras para o desenvolvimento do comércio. Apesar desse apoio interno, o Talibã só teve o seu governo reconhecido por três países: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão.

Após os ataques em 11 de setembro de 2001, o Afeganistão foi invadido pelas tropas estadunidenses. As alegações de que o Talibã protegia Osama Bin Laden – responsável pelo ataque – motivaram uma coalizão liderada pelos Estados Unidos a destituir o Talibã do poder. Mas isso não impediu o grupo de continuar exercendo influência, na época controlando quase 90% do Afeganistão. Os Talibãs continuaram sua luta, agora na clandestinidade.

Objetivos e ações do grupo

Quando surgiu, o Talibã tinha como objetivo restaurar a paz e a segurança em um Afeganistão marcado pela guerra civil. Mas não era só isso! O grupo também pretendia impor sua versão da Xaria, a lei islâmica. Com o tempo, suas motivações os levaram a cometer ações bastante rígidas e questionáveis, como execuções públicas, proibição de toda a influência ocidental, proibição do cinema, da música e da televisão, obrigatoriedade do uso da burca pelas mulheres e proibição de escolas para as meninas. Hoje em dia, as ações do Talibã são pautadas na recuperação do território e em expulsar os Estados Unidos e a OTAN do país, desde a ocupação em 2001.

A relação com a Al-Qaeda

O Afeganistão possui dois conhecidos grupos terroristas atuando em seu território: o Talibã e a Al-Qaeda. Inicialmente, esses dois grupos eram opositores, mas essa relação foi mudando ao longo do tempo. Após um encontro entre Osama Bin Laden e o Mullah Mohammed Omar, em 1996, os dois grupos estabeleceram uma aliança, principalmente para unir forças no controle do Afeganistão.

Mas apesar de serem aliados, existem enormes diferenças entre o Talibã e a Al-Qaeda. A principal delas é que o Talibã é uma organização provincial, que age apenas na sua região e não realiza ataques em países do ocidente, ao contrário da Al-Qaeda. Outra diferença é a o Talibã é composto por membros das tribos afegã, enquanto a Al-Qaeda é composta por árabes.

Qual a diferença entre terrorismo e islamismo? Descubra aqui.

O atentado a Malala Yousafzai

Malala Yousafzai venceu o Prêmio Nobel da Paz em 2014. Foto: Pietro Naj-Oleari/ European Parliament.

O Talibã é responsável por diversos ataques, mas sem dúvidas o mais conhecido deles aconteceu em outubro de 2012, quando a estudante Malala Yousafzai foi baleada ao sair da escola, na cidade de Mingora, Paquistão. Na época com 15 anos, Malala já se destacava no país por sua luta pela educação de meninas e adolescentes. O caso passou a ser acompanhado por todo o mundo e dois anos depois, aos 17 anos, Malala foi uma das vencedoras do Prêmio Nobel da Paz, por seu trabalho em defesa da educação feminina.

O Talibã hoje

Hoje o Talibã atua no Afeganistão e no Paquistão e tem como objetivo implementar a Xaria e recuperar o controle dos territórios, com ofensivas contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e os governos do Paquistão e Afeganistão. Para isso, o grupo utiliza táticas de guerrilha e ataques de homens-bomba. No Paquistão, o grupo recebe o nome de Tehrik-i-Taliban Pakistan.

O atual líder do grupo é o Mullah Haibatullah Akhunzada, que assumiu a liderança com a difícil missão de unificar as diversas facções do grupo. As táticas utilizadas para combater a organização terrorista são diferentes nos dois países: no Paquistão, o governo tenta dialogar com o grupo, sem sucesso, enquanto no Afeganistão, onde estimativas apontam que cerca de 20% do território já é controlado pelo Talibã, o governo recebe treinamento de contraterrorismo das forças dos Estados Unidos e da Otan.

Qual a sua opinião sobre a atuação do Talibã? Comente!

Publicado em 9 de agosto de 2017.

Isabela Souza

Estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e assessora de conteúdo do Politize!.