Alta do dólar: o que você tem a ver com isso?

O dólar chegou a mais de R$ 4,20 recentemente e continua a rondar o patamar dos R$ 4. A última vez que o dólar esteve tão alto foi em outubro de 2002, quando atingiu a marca de R$3,95. Mas tudo bem, afinal você não vai viajar para os Estados Unidos em breve, nem tem um salário em dólar. Por isso, você não precisa se preocupar com a alta do dólar, certo? Errado! É comum pensarmos que o dólar em alta não deve impactar nosso bolso, mas pensando desta forma, estamos completamente enganados e despreparados para contornar a crise.

O primeiro impacto que temos com a alta do dólar é o aumento da inflação, já que diversas matérias primas são importadas e o fornecedor deve repassar o custo para o consumidor final, ou seja, NÓS. Hoje o setor que mais depende dos importados é o de eletrônicos, que chega a importar 77% de seus insumos. No setor automobilístico, 34% das peças são importadas.

Já quando as matérias primas são nacionais, o produtor pode escolher manter o produto aqui ou exportá-lo, com a exportação ele ganha mais porém se escolher deixar o produto aqui o consumidor pagará mais por isso.

A alta do dólar também nos afeta de forma indireta. Imagine que você é dono de uma empresa e deseja investir em uma nova linha de montagem, para isso precisa comprar aquela máquina suíça que produz mais em menos tempo. Pois é, agora essa aquisição ficará mais cara talvez até inviável neste momento.

Outro ponto importante é que com a alta do dólar o real fica desvalorizado, fazendo com que os investidores estrangeiros fiquem mais inseguros ao investir em nossas empresas. Essa desconfiança só piorou depois que uma das agências de classificação de risco rebaixou nossa capacidade de pagamento das dívidas. Apesar de não ser o fator primordial, a desvalorização do real influiu na decisão de rebaixamento do grau de investimento brasileiro pela Standard & Poor’s. Para muitos investidores, o grau de investimento é condição obrigatória para aplicar recursos em determinado país. Se o Brasil perder o grau de investimento em mais uma agência, muitos fundos de pensão estrangeiros se verão obrigados a transferir seus recursos para outros países, o que afetará a realização de novos projetos.  

O que mais nos assusta é que tudo aconteceu de uma vez: a incerteza dos ajustes fiscais, a desaceleração da economia, os índices inflacionários elevados, as crises hídrica e energética, a operação Lava Jato e todo o cenário político. Mas vale o pensamento positivo e lembrar que não é a primeira crise que enfrentamos e uma hora ela tem que acabar, só nos resta saber quando.

Mas quem ganha e quem perde nesta história?

Quem ganha:

Exportações: empresas com produção e matéria prima local, quando exportam, vendem em dólar e se beneficiam com o aumento da moeda.

Empresas com fabricação e venda local: estas empresas ganham com a alta

do dólar, já que ficam mais competitivas frente aos produtos importados, que se tornam mais caros. Assim elas podem praticar preços mais altos no mercado interno.

Turismo nacional: com a alta do dólar ficou mais caro sair do país, por isso os turistas preferem viajar dentro do país, fazendo com que restaurantes, hotéis e agências de turismo lucrem com esta situação.

Veja também: o que é inflação?

crowdfunding

Quem perde:

Poder de compra: com o dólar em alta e a instabilidade econômica, o consumidor pensa duas vezes antes de fazer compras. Além disso, já falamos dos aumentos de preços, já que fica mais caro importar produtos, principalmente na alimentação, nos produtos eletrônicos e nos medicamentos.

Indústrias que importam matéria prima: mesmo que a venda seja local, para sua produção as empresas precisam comprar matéria prima. Por exemplo, para produzir uma geladeira a empresa precisa importar o aço, com a alta do dólar esta conta fica mais cara refletindo no preço final.

Empresas com dívidas em dólar: quanto maior a dívida, mais difícil de pagar em dólar. O que antes parecia o melhor caminho para um empréstimo em outra moeda, hoje se tornou um pesadelo.

alta do dólar pode gerar efeitos positivos e negativos para o Brasil, só que os efeitos negativos são bem mais expressivos do que os positivos. Agora que você já sabe que o dólar afeta e muito seu bolso, vamos torcer para que esta fase passe logo.

Publicado em 06 de novembro de 2015.

Ludmila Nóbrega

Formada em Logística Empresarial, tem interesse por assuntos relacionados ao meio ambiente, logística e administração.