Como identificar notícias falsas? O caso de Marielle Franco

Provavelmente você já ouviu falar sobre as notícias falsas, mas será que você saberia como identificá-las? As notícias falsas se tornaram muito comuns com as redes sociais e podem influenciar a opinião pública. Nesse conteúdo utilizamos o exemplo das notícias falsas disseminadas sobre Marielle Franco para explicar como elas podem ser identificadas e como podemos combater essa prática. Vem com a gente!

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Notícias falsas e pós-verdade: o mundo das fake news e da (des)informação

notícias falsas

Com certeza você tem ouvido falar muito sobre notícias falsas, as famosas fake news, correto? Afinal, vivemos numa avalanche de informações a cada segundo. O mundo inteiro está a um clique de distância. No celular, o whatsapp está o tempo todo alerta, com mensagens de amigos e de grupos sobre diversos temas; no Facebook, o painel de novidades – o newsfeed – está repleto de vídeos, notícias urgentes, postagens de páginas que você curte e comentários fazendo juízos de valor sobre qualquer assunto. Em meio a todo esse cenário, às vezes é difícil saber o que é verdadeiro ou não.

Nos últimos tempos, houve um aumento de notícias falsas, as famosas fake news, em inglês. Quantas vezes você sai falando sobre uma matéria de jornal e, na verdade, só leu a manchete? Quantas vezes você checa a informação que um colunista do qual você gosta publicou? Quantas vezes você assiste a um vídeo polêmico e o compartilha com seus amigos? Vamos conversar sobre o nosso mundo da (des)informação? 

Fake News: afinal, o que são notícias falsas?

Notícias falsas sempre existiram, não é mesmo? Principalmente no ramo da política, onde não é novidade um candidato plantar uma informação sobre seu adversário para que ele perca votos ou que boatos sobre a vida privada dessas figuras sejam espalhados. Historicamente, diversas fake news foram disseminadas com determinados objetivos. Mas fiquem tranquilos, não estamos deduzindo isso: tiramos essa informação de uma entrevista do historiador Robert Darnton para a Folha de São Paulo.

O historiador Robert Darnton, que é professor emérito da Universidade Harvard , conta que as notícias falsas são relatadas pelo menos desde a Idade Antiga, do século 6: “Procópio foi um historiador bizantino do século 6 famoso por escrever a história do império de Justiniano. Mas ele também escreveu um texto secreto, chamado “Anekdota”, e ali ele espalhou “fake news”, arruinando completamente a reputação do imperador Justiniano e de outros. Era bem similar ao que aconteceu na campanha eleitoral americana”, diz Robert Darnton ao jornal Folha de São Paulo.

Leia a entrevista completa aqui!

Notícias que aparentam ser verdadeiras, que em algum grau poderiam ser verdade ou que remontam situações para tentar se mostrar confiáveis: isso são as fake news que vemos atualmente. Por isso há de ser ter cuidado: as notícias falsas não são apenas aquelas extremamente irônicas, que têm o intuito de serem engraçadas e provocar o leitor. As notícias falsas atualmente buscam disseminar boatos e inverdades com informações que não estão 100% corretas sobre pessoas, partidos políticos, países, políticas públicas… Elas não vão aparentar ser mentira, ainda mais se nós acreditamos que elas podem ser verdadeiras – mas não são.

Isso se deve também a um fenômeno contemporâneo presente no mundo: a pós-verdade. Vamos entendê-la?

Pós verdade: o que tem a ver com as notícias falsas?

Pós-verdade foi eleita a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário Oxford. De acordo com o Dicionário Oxford, pós-verdade é: um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e crenças pessoais”.  

A explicação da palavra pós-verdade de acordo com o Oxford é de que o composto do prefixo “pós” não se refere apenas ao tempo seguinte a alguma situação ou evento – como pós-guerra, por exemplo –, mas sim a “pertencer a um momento em que o conceito específico se tornou irrelevante ou não é mais importante”. Neste caso, a verdade. Portanto, pós-verdade se refere ao momento em que a verdade já não é mais importante como já foi.

Para o  jornalista Matthew D’ancona, autor do livro “Pós verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news”, o ano de 2016 marcou o início da “era da pós verdade”, ou seja, o início de um período em que os fatos são cada vez mais desvalorizados, enquanto que paixões e crenças ganham força.

O termo pós-verdade já existe desde a última década, mas as avaliações do Dicionário Oxford perceberam um pico de uso da palavra exatamente no ano de 2016, no contexto do referendo de saída do Reino Unido da União Europeia – o Brexit – e das eleições estadunidenses. Além disso, é bastante usado com o termo política depois, então, pós-verdade política. Durante esses dois grandes eventos políticos, a pós verdade ganhou força através da massiva propagação de fake news na internet (afinal, as campanhas do Brexit e de Trump foram altamente digitalizadas, favorecendo a propagação de notícias falsas). 

Qual o real impacto das notícias falsas na política?

notícias falsas

Conforme mencionado, dois acontecimentos que tiveram relevância internacional em 2016 foram o Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia – e as eleições presidenciais estadunidenses. Além de serem os principais motivos do crescente uso da palavra pós-verdade, também foram onde o próprio fenômeno das notícias falsas foi muito intenso. Mas porque?

Bom, isso ocorreu especialmente em função da alta digitalização dessas campanhas políticas. A campanha pelo Brexit, bem como a campanha de Trump, foram desenvolvidas com foco em internet e redes sociais.  A estrutura desse ambiente digital é essencialmente favorável à propagação de notícias falsas. A principal razão para isso é que na internet é possível realizar campanhas personalizadas: Ou seja, enviar anúncios diferentes para cada pessoa, de acordo com o perfil de personalidade dos usuários. A campanha de Trump, por exemplo, chegou a utilizar dark posts, ou seja, anúncios enviados individualmente que depois desapareciam da rede. Se nem todo mundo receberá os mesmos anúncios, fica mais difícil fiscalizá-los, facilitando a propagação de fake news.  O impacto disso é o que veremos a seguir. 

O caso da eleição dos Estados Unidos

Em 2016, 33 das 50 notícias falsas mais disseminadas no Facebook eram sobre a política nos Estados Unidos, muitas delas envolvendo as eleições e os candidatos à presidência. Durante a campanha presidencial, notícias falsas foram espalhadas sobre os dois candidatos: o republicano Donald Trump – depois eleito – e a democrata Hillary Clinton. No monitoramento de 115 notícias falsas pró-Trump e 41 pró-Hillary, os economistas Hunt Allcott e Matthew Gentzkow concluíram que as postagens pró-Trump foram compartilhadas 30 milhões de vezes, enquanto as pró-­Hillary 8 milhões. 

Sobre Trump, a “notícia” de que o Papa Francisco havia apoiado sua candidatura e lançado um memorando a respeito foi a segunda maior notícia falsa sobre política mais republicada, comentada e a qual as pessoas reagiram no Facebook em 2016. Outra notícia falsa,  diretamente relacionada com Trump, afirmava que ele oferecia uma passagem de ida à África e ao México para quem queria sair dos Estados Unidos – a postagem obteve 802 mil interações no Facebook. Quanto à Hillary Clinton, uma notícia falsa com alta interação no Facebook – 567 mil – foi de que um agente do FBI (órgão de investigação federal) que trabalhava no caso do vazamento de e-mails da candidata foi supostamente achado morto por causa de um possível suicídio. 

O site PolitiFact, de checagem de informações e ganhador do Prêmio Pulitzer, 69% das declarações de Trump são ‘predominantemente falsas’, ‘falsas’ ou ‘mentirosas’. Quando pensamos que trata-se do Presidente da maior potência mundial, é possível imaginar que isso tenha consequências em todo o mundo.

Notícias falsas no Brexit

Nigel Farage, líder da campanha Leave EU, na inauguração de um outdoor de campanha. O outdoor apresenta a imagem de uma suposta fila de imigrantes turcos aguardando para entrar no país, junto a frase “A União Europeia falhou”. A notícia falsa de que 76 milhões de turcos entrariam na UE foi central na campanha pelo Brexit.

Quanto ao Brexit, houve diversas informações truncadas disseminadas pela campanha Vote Leave – em tradução livre, “vote para sair” – para a saída do Reino Unido da União Europeia. As questões envolviam principalmente as políticas de imigração da UE e questões econômicas. O jornal The Independent reporta que um dos líderes da campanha pelo Brexit afirmou que mais 5 milhões de imigrantes iriam ao Reino Unido até 2030 por conta de uma licença dada a 88 milhões de pessoas para viver e trabalhar lá – uma informação que não tem fundo de verdade. Um dos pôsteres da campanha clamava: “Turquia (população de 76 milhões) está entrando na UE” – quando, na verdade, o pedido de entrada na UE pela Turquia é antigo e não mostra sinal de evolução

O fenômeno das fake news no Brasil

Em 2018, foi a vez do Brasil de experimentar a proliferação de notícias falsas, que ganharam força durante a eleição presidencial. É provável que tenha sido durante as eleições que você tenha ouvido falar no termo fake news pela primeira vez. Ao contrário dos casos do Reino Unido e dos Estados Unidos, no Brasil a rede social que protagonizou a disseminação de notícias falsas foi o Whatsapp. Em especial, a campanha de Jair Bolsonaro destacou-se pela utilização de notícias falsas nessa rede social, como a notícia sobre um ‘kit gay’ supostamente distribuído pelo MEC sob à presidência de Haddad. Aqui você pode conferir 5 fake news que favoreceram a campanha de Bolsonaro.

Qual o papel da imprensa com as notícias falsas no mundo da pós-verdade? 

Podemos dizer que o jornalismo sempre foi o canal que disseminava as notícias e conteúdos às pessoas, seja a respeito da sua própria comunidade ou sobre o mundo. Hoje há, porém, um ruído na relação entre os jornalistas, os meios de comunicação tradicionais e o público. Em alguns casos, o público não quer mais ser informado por apenas o que uma emissora de TV, de rádio ou jornal impresso têm vontade de veicular. Em outros, acredita-se que a cobertura de situações é parcial e partidária para algum lado. 

Desde a massificação da internet, mas principalmente das redes sociais, não há mais filtro entre a informação e o público. O público pôde se emancipar da necessidade em se conectar com veículos tradicionais de informação e, portanto, há quem se informe somente pelas redes sociais e nunca abra um jornal. Aí reside o problema: muitas vezes são disseminadas informações inexatas, exageradas ou erradas de alguma maneira. Isso traz à tona a importância da imprensa, que tem a formação jornalística necessária para o combate a notícias falsas, pois envolve apuração dos fatos, a checagem de informações e as entrevistas com diversas partes envolvidas numa situação (pluralidade de fontes).

Em um estudo da USP sobre as “Eleições 2018 – Perspectivas da comunicação organizacional”, conclui-se que metade das empresas brasileiras não acredita que a imprensa está preparada para a cobertura das eleições de 2018. Por outro lado, a metade que acredita na capacidade da imprensa de cobrir as eleições do ano que vem o faz porque enxerga competência e tradição da mídia brasileira nesse tipo de cobertura.

O jornalismo tradicional, portanto, pode e deve encontrar novos formatos de conteúdo, inovar em suas abordagens para manter a sua credibilidade perante o público que já tem e adquirir o público que ainda não tem – exatamente a população que nasceu em meio à internet e às redes sociais. É papel de imprensa utilizar suas ferramentas para combater a disseminação das notícias falsas e da pós-verdade. Um dos meios para isso é a checagem de fatos feita em agências, redações e coletivos de jornalismo, sobre a qual você pode ler aqui!

Antes de prosseguir a leitura, que tal conferir um vídeo rápido? São dicas fáceis que te ajudam a reconhecer uma notícia falsa:

 

Porque notícias falsas são feitas?

Há diversos fatores para a criação de notícias falsas. Alguns deles são a descrença na imprensa e a utilização das fake news como um negócio, para atingir objetivos de interesse próprio. Em estudos sobre os motivos pelos quais são feitas as fake news, chegou-se ao seguinte resultado: os motivos podem ser um jornalismo mal-feito; paródias, provocações ou intenção de “pregar peças”; paixão; partidarismo; lucro; influência política e propaganda.

Quanto ao lucro, por exemplo, os estudos se referem às notícias falsas terem se tornado um negócio. Há realmente quem lucre com esse advento, com ferramentas de propaganda gratuitas e com as manchetes chamadas de “iscas de clique”. Foi o caso de um brasileiro que chegou a fazer 100 mil reais mensais de lucro com sites de notícias falsas, segundo um mapeamento da  Folha de São Paulo.

A respeito da veiculação desses conteúdos, podemos dizer que são disseminados principalmente pela internet, por meio de redes sociais, portais falsos de notícias e grupos de aplicativos de mensagem, amplificados até por jornalistas que passam informações truncadas às pessoas. Outras notícias falsas são disseminadas por grupos diversos – de política, de religião, de crenças variadas – que fazem comunidades, páginas de Facebook e sites para compartilhar suas crenças e (des)informar as pessoas de acordo com sua fé. Existem também outras maneiras mais sofisticadas, em que há uso de robôs e mecanismos da internet próprios para disseminar conteúdos falsos.

Vamos combater notícias falsas?

Para evitar um mundo que vive na pós-verdade, precisamos combater e prevenir a disseminação de notícias falsas. A pesquisadora Claire Wardle, em um artigo no First Draft News, acredita que para combater de fato as fake news precisamos entender três pilares:

  • Os diferentes tipos de conteúdos que estão sendo criados e compartilhados.
  • As motivações de quem cria esse conteúdo;
  • As maneiras com que esse conteúdo é disseminado.

No gráfico abaixo, você encontra essas informações:

 

Sugestões de aprofundamento 

Ficou interessado no assunto? Nos últimos anos, devido aos acontecimentos políticos mencionados no texto, surgiu uma crescente literatura sobre o tema. Abaixo, trouxemos duas sugestões de leitura:

notícias falsas

E aí, conseguiu entender o que são notícias falsas e o que é a “era da pós verdade”? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários! 

Carla Mereles
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize!.

 

 

Isabela Moraes
Assessora de conteúdo no Politize! e graduanda de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Quer ajudar a descomplicar a política e aproximá-la das pessoas, incentivando a participação democrática.

 

 

Publicado em novembro de 2017.  Atualizado em 16 de outubro de 2019.

 

REFERÊNCIAS

Historiador Robert Darnton – entrevista Folha de S. Paulo; “Fake news viraram um grande negócio” – Revista Época; Imprensa brasileira na cobertura das eleições de 2018 – Revista Época; O que são as fake news – Professor Doutor Diogo Rais (Mackenzie); Fake news: o novo espetáculo – João Pedro Piragibe, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Mackenzie); Blog Watch – Fake News Types; First draft news – Claire Wardle – 7 types of fake news; 6 tipos de fake news nas eleições dos EUA em 2016 – Claire Wardle – Columbia Journalism; O mundo das fake news – El País; Pós-verdade – Dicionário Oxford; Fact-check.org – Papa Francisco endossou Donald Trump?; Estadão – TSE, Abin e Defesa combatem fake news; New York Times – Como fake news se espalham; The Guardian – Fake news ajudaram Trump a se elegerBuzzfeed News – Top Fake News 2016; Relação Turquia e União Europeia – Exame; O império da pós-verdade – Época;  

 

Direito à Informação: um direito de todos os cidadãos

O direito à informação, além de ser uma garantia constitucional, está diretamente conectado à cidadania e, por isso, é um direito de todos os cidadãos.

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5 comentários para pensar a educação política

Comentário - Fonte: Pixabay

Se a missão do Politize! é levar educação política a qualquer pessoa em qualquer lugar, cuidando da experiência, proporcionando pluralidade de visões e uma linguagem acessível, alguns comentários da comunidade Politize! comprovam a importância desse trabalho.

Vamos conferir juntos 5 comentários para pensar a educação política no Brasil e como você pode pode utilizar este portal para formar opiniões, argumentos e ações próprias!

COMENTÁRIO 1: POLÍTICOS COMO RAPOSAS NO GALINHEIRO

O patrão ficou maluco e liberou geral! A sensação é de termos representantes que se corrompem fácil e legitimam o “jeitinho brasileiro”. Mas será que os políticos têm mesmo esse poder de definir valores? E você sabe quem determina seus salários e benefícios?

Essas informações estão ao alcance de um clique graças à Lei de Acesso à Informação e às regras determinadas pela Constituição de 1988. Está esperando o quê para conferir?

Para fiscalizar e acompanhar, confira quanto ganham os políticos brasileiros na nossa trilha de textos sobre as remunerações em cada cargo eletivo – o salário do vereador, do prefeito, do deputado estadual, do governador, do deputado federal, do senador e até do presidente.

Texto do comentário: quanto ganha um deputado federal?

COMENTÁRIO 2: NEM UM, NEM OUTRO – EVITANDO EXTREMOS

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O que você já ouviu falar por aí sobre pessoas que são “da direita” e “da esquerda”? Em mitos e preconceitos, evitamos que o assunto seja uma competição entre dois times de futebol rivais jogando um clássico na final do campeonato brasileiro.

Afinal, não vale chutar para o gol acertando na trave: existem diferentes posicionamentos ideológicos entre os extremos dessas duas correntes de pensamento, o que não se resume a torcedores do comunismo ou do capitalismo – como disse o leitor no comentário acima.

Nos nossos conteúdos sobre esquerda e direita, você aprende sobre os aspectos históricos e teóricos, sobre os valores individuais e coletivos e sobre as influências nas políticas econômicas de um Estado. Já imaginou ter esses conhecimentos para sustentar melhor seu argumento em uma conversa? Estamos aqui para isso! 🙂

Texto do comentário: esquerda e direita: conheça os mitos e preconceitos.

COMENTÁRIO 3: EXISTE VIDA FORA DO PRESIDENCIALISMO?

“Defensor do parlamentarismo, Temer agora sugere um semipresidencialismo no Brasil” foi uma manchete nos jornais em agosto de 2017. Mas por que o Presidente da República fez essa declaração sobre um sistema de governo que afetaria seu próprio cargo?

Bem, para entender o murmurinho e acabar com as dúvidas, eis uma informação que pouca gente sabe: existem sistemas de governo (parlamentarismo, presidencialismo e semipresidencialismo) e formas de governo (monarquia e república) que, combinados, geram configurações políticas diferentes. Hoje, o Brasil é uma república presidencialista.

Então, para responder ao comentário, precisamos entender dois pontos:

  1. No semipresidencialismo, há o presidente (chefe de Estado) e o primeiro-ministro (chefe de governo), com funções e posições diferentes;
  2. O mandato do presidente está em jogo: as propostas da reforma política de 2017 sugerem acabar com a reeleição e aumentar a duração do termo para 5 anos.

Você já deve ter percebido que não existe resposta pronta: é preciso acompanhar as propostas e se informar para ter opinião. Ah, já leu nossa trilha sobre a reforma política, né?

Texto do comentário: semipresidencialismo: aprenda tudo sobre este sistema.

COMENTÁRIO 4: VOCÊ É SOCIALISTA OU CAPITALISTA? VALENDO!

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Sabe quando você está em um grupo e alguém começa a criticar o socialismo ou o capitalismo? E, então, outra pessoa responde discordando e você fica no meio disso sem saber o que comentar? Péssimo! Quando o grupo já leu conteúdos ricos como os nossos – modéstia à parte -, o debate vai longe. Mas, se não for o caso, você sentirá a situação ficar meio assim:

Vamos entender?

O socialismo surgiu no final do século XVIII, em um contexto de grandes transformações sociais e econômicas a partir da Revolução Industrial na Europa. A realidade da época inspirou o surgimento dessa corrente de pensamento que busca a igualdade, podendo ter o olhar do socialismo utópico ou do socialismo científico. Inclusive, não exatamente se opõem a um sistema capitalista nem significam o mesmo que um regime comunista.

Já que a missão aqui é a educação política com pluralidade de ideias, que tal formular a sua própria opinião a partir da nossa trilha sobre correntes de pensamento político? 😉

Texto do comentário: você sabe mesmo o que é Socialismo? (sim, ainda não temos texto sobre o que é o capitalismo, mas já já vem!)

COMENTÁRIO 5: PRECISAMOS EDUCAR NOSSAS MENINAS E MULHERES

Violência contra a mulher. O problema está tão enraizado em nossa sociedade que o Plano Nacional de Segurança Pública considera o combate ao feminicídio uma prioridade nacional para os próximos meses, ao lado de tráfico de drogas e de homicídio doloso. Exagero?

Enquanto juízes não chegam a um consenso sobre o que é estupro e por vezes não condenam casos de assédio sexual nos ônibus, por exemplo, dezenas de mulheres tentam se educar sobre a conquista de seus direitos. Nas questões vitais sobre a violência contra a mulher, explicamos em detalhes o que são as violências moral, psicológica, sexual e doméstica.

E o que é considerado crime? A Lei Maria da Penha é vista como a terceira melhor lei contra violência doméstica do mundo, acolhendo quem sofre com as diferentes violências. Por outro lado, ainda temos muitos avanços e retrocessos nas políticas públicas brasileiras, principalmente no que se refere à representatividade das mulheres na democracia.

Texto do comentário: entenda tudo sobre a Lei Maria da Penha.

Gostou de saber como a educação política ajuda todo mundo a se manter bem informado? Então siga e compartilhe o Politize!

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Publicado em 15 de setembro de 2017.

 

Clarice Ferro

Graduada na Escola de Comunicação da UFRJ e editora de conteúdo no Politize!

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