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8 passos para escolher seu candidato nas eleições

checklist-escolher-candidato - Imagem ilustrativa

 

No período das eleições municipais, todos nós ouvimos falar sobre o quanto é importante escolher bem os candidatos em quem pretendemos confiar nosso voto. Isso porque são eles os principais responsáveis pelo futuro da nossa cidade nos próximos anos.

Mas como fazer essa escolha? Como decidir entre tantos candidatos e partidos? Sabemos que não é um processo tão simples. Por isso selecionamos alguns critérios que devem ser levados em conta na hora em que você escolher o seu voto. Veja que questões são essenciais para você decidir quais as pessoas mais indicadas para assumir uma tarefa tão importante.

Se preferir, você também pode conferir este conteúdo em formato de vídeo:

 

1) PESQUISE O HISTÓRICO PESSOAL

A primeira coisa a se fazer é obter o maior número de informações sobre o seu possível candidato. Para isso, um bom começo é fazer uma busca por ele no Google e ver quais as informações disponíveis. Talvez você encontre uma biografia, matérias de jornais, projetos já realizados, assim como as polêmicas, caso ele esteja envolvido em alguma.

Procure se informar sobre o histórico pessoal e profissional do candidato, sua postura ética e a forma com que ele se relaciona com a sociedade. Este é um caminho que vai lhe ajudar a descobrir se o discurso feito por ele realmente condiz com a atuação dele em outros momentos da vida, fora do período eleitoral.

Observe também a situação do candidato perante a justiça. Pela internet é possível identificar se há algum processo criminal contra ele. É importante que ele não tenha um histórico de mau uso do dinheiro público ou outras práticas ilegais. Um bom candidato deve respeitar a legislação, especialmente no caso de concorrer a um cargo legislativo, como o deputado ou de vereador, uma vez que, se eleito, ele trabalhará na manutenção das nossas leis.

Mas não se esqueça de, ao longo da pesquisa, escolher boas fontes, que tragam informações confiáveis. Dê preferência para os sites oficiais da Justiça Eleitoral – como o site de divulgação de candidaturas e contas eleitorais do TSE – ou paginas de meios de comunicação mais conhecidos. Lembre-se também que é bem provável que, durante as eleições, apareçam várias notícias falsas. Então, antes de compartilhar uma notícia que você achou ou recebeu no whatsapp, verifique se ela é verdadeira. No vídeo abaixo trazemos algumas dicas para isso.

Confira também algumas  sugestões de fontes por onde você pode pesquisar o histórico dos candidatos.

2) PESQUISE O HISTÓRICO POLÍTICO

Em muitos casos, o candidato nestas eleições ocupa ou já ocupou alguma função parlamentar. Este é um segundo ponto importante, já que, para saber se o seu candidato irá desenvolver bem esse trabalho, nada melhor do que descobrir como ele desempenhou a função anteriormente.

Caso seu candidato tenha ocupado um cargo legislativo, veja se ele foi um parlamentar presente ou se foi ausente, faltando a muitas sessões. Veja também que projetos ele apresentou, como ele votou em outros projetos, especialmente aqueles mais polêmicos, e se você concorda ou não com os posicionamentos tomados por ele.

Os eleitores podem acompanhar estas informações nos portais de transparência das câmaras e assembleias legislativas. Digite no Google “Transparência” e o nome do seu município, que você deverá encontrar o portal. E, caso não encontre as informações que está buscando, você pode encontrar em contato com a Câmara de seu município para solicitá-las.

Se o candidato exerceu um cargo no poder executivo –  como o de presidente, governador, ou, no caso das eleições de 2020, prefeito – analise quais investimentos ele realizou, se foram bem executados, como foi usado o dinheiro público em sua gestão e como as pesquisas de opinião o avaliaram (se com alto ou baixo índice de aprovação). Estas informações também são fornecidas nos portais de transparência, das prefeituras e dos governos estaduais.

Se o candidato está concorrendo a um primeiro mandato parlamentar, veja quais temas ele trata em sua vida profissional. Se ele é médico, que tipo de serviço presta? Se é advogado, atua para quais organizações? A forma com que ele exerce sua profissão é um bom indicador de como ele desempenhará o cargo ao qual está concorrendo.

3) BUSQUE AFINIDADE DE PENSAMENTO

Outro fator importante é que os seus candidatos possuam valores parecidos com os seus e compartilhem do seu ponto de vista ideológico. Lembre-se que eles serão os seus representante. Portanto, é importante que defendam o caminho que você acredita ser o melhor para a coletividade no seu município, estado ou país. Por isso, antes de votar, reflita sobre o que você gostaria de ver ser colocado em prática, e escolha alguém que possua as mesmas prioridades.

4) CONHEÇA O PARTIDO DO CANDIDATO

Além de saber sobre o histórico dos candidatos, é necessário conhecer também o passado e as bandeiras do partido ao qual ele é filiado. Analise qual é conjunto de ideias que o partido defende e que programa ele tem para a sua cidade, estado ou país. Pesquise também se ele tem algum histórico de corrupção ou envolvimento em outros crimes eleitorais. Lembre-se que se o seu candidato for eleito, ele terá que governar seguindo os ideais do partido do qual ele faz parte.  Assim, se seu candidato estiver concorrendo por um partido que defende o oposto do que ele defende, é bom ficar com um pé atrás.

No caso de um cargo do executivo (prefeito, governador ou presidente), considere estes mesmos critérios quando for pesquisar os outros partidos da coligação que está apoiando o candidato, caso ela exista. A composição das coligações é um bom indicio de quais legendas o partido do seu candidato tem mais afinidade, e com quais partidos ele provavelmente fará alianças caso seja eleito.

Já para o caso de eleições para cargos legislativos (deputados e vereadores), a partir das eleições de 2020, já não é possível fazer coligações entre os partidos. Essas coligações eram chamadas de coligações proporcionais.

Na prática, elas funcionavam da seguinte forma: o partido que fazia parte de uma coligação não contava somente com os votos destinados a ele, mas também com os votos destinados aos partidos coligados. Era como se a coligação fosse um único partido. Através do total de votos recebido, a coligação conseguia um número de vagas na casa legislativa, que eram distribuídas entre os candidatos mais votados dessa coligação. Contudo, isso já não é mais possível. Agora os partidos concorrem individualmente. Confira um pouco mais sobre isso em nosso texto sobre o fim das coligações proporcionais.

5) CONHEÇA AS PROPOSTAS

Depois de conferir o histórico do candidato, chegou a hora de analisar suas promessas de campanha. As propostas devem ser possíveis de realização, bem elaboradas e é importante que deixem claro quais mecanismos serão usados para colocá-las em prática e de onde virá a verba para sua execução. Normalmente, os candidatos disponibilizam suas ideias em suas redes sociais, sites, discursos e planos de governo.

Através destes meios, assim como dos atos de campanha, também é possível que você os questione sobre temas do seu interesse. Ao fazer suas perguntas, observe se o candidato fornece respostas completas ou genéricas, e se ele foge ou não das questões polemicas. É importante saber de que forma ele se posiciona, e se ele tem receio de opinar sobre aquilo que você considera importante.

Outra forma de acompanhar as propostas é por meio da propaganda eleitoral gratuita e pelos debates. Neles você pode comparar as promessas que o seu candidato faz com as promessas feitas pelos outros candidatos.

6) ENTENDA AS ATRIBUIÇÕES DE CADA CARGO

Para saber identificar se as promessas do seu candidato são válidas, é preciso que você conheça quais as funções do cargo que ele está disputando. Por exemplo, é necessário entender que um candidato a vereador, caso eleito, terá a função de legislar e fiscalizar o trabalho do prefeito. Se o seu candidato está prometendo realizar obras ou ampliar as vagas em creches, saiba que esta promessa não é válida, pois ambas são atribuições do prefeito. Além disso, as promessas devem ser possíveis de serem cumpridas no período de mandato, que é de quatro anos.

Promessas que não são realizáveis podem significar duas coisas: ou o candidato não tem conhecimento do cargo que pretende ocupar, ou ele está agindo de má fé, fazendo promessas simplesmente porque ele sabe que dão mais votos. Ambos os casos são sinais de que o candidato não é o mais indicado para assumir uma função tão importante.

Você sabe bem o que fazem um prefeito e um vereador? Teste seus conhecimentos.

7) OBSERVE OS GASTOS DE CAMPANHA

Com a Reforma Eleitoral realizada em 2015, ficou determinado o fim das doações empresariais para as campanhas. Isto implica em uma drástica redução no financiamento das corridas eleitorais. Agora as campanhas dependem somente do Fundo Partidário, do Fundo Eleitoral e das doações de pessoas físicas, desde que dentro de um limite de gastos.

Com a redução das doações, as campanhas deverão ser muito menores do que costumavam ser até 2014. Por isso, o eleitor deve ficar atento. Sinais de que uma campanha está sendo muito cara pode indicar uso de dinheiro indevido, como nos casos de Caixa 2.

8) COBRE UM DIAGNÓSTICO DA CIDADE

Uma outra forma de avaliar o seu candidato é saber se ele tem um bom conhecimento acerca das necessidades do seu município, uma vez que as promessas devem ser baseadas naquilo que a cidade e os moradores precisam.

Observe quais problemas ele considera prioritários e se esses problemas convergem com aquilo que você percebe e com o que as enquetes elaboradas pelos institutos de pesquisa afirmam. Se o seu candidato faz um diagnostico errado das necessidades da cidade, é sinal de que ele não está bem preparado para assumir o cargo. É preciso haver compatibilidade entre as necessidades da cidade e aquilo que o candidato propõe.

E você, já decidiu em quem vai votar nas próximas eleições? Usou algum destes critérios ou tem outro para recomendar? Deixe seu comentário!

Publicado em 13 de setembro de 2016. Última atualização em 04 de setembro de 2020.

Isabela Souza

Estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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