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O que são recursos? 

O que são recursos

Curvas do Parque Nacional de Anavilhanas. Recursos naturais são indispensáveis para a economia. Foto: Lincoln Barbosa/ Wikimedia Commons.

Este é o terceiro post da trilha de conteúdos Economia Animada, desenvolvida em parceria com o portal Por Quê – Economês em bom português.

Confira os demais conteúdos desta trilha:

  1. O que é economia 
  2. O que é escassez 
  3. O que são recursos 
  4. Qual a diferença entre macroeconomia e microeconomia
  5. O que é o PIB

Em textos anteriores desta trilha, entendemos o que é economia e sua importância para a política, além do conceito de escassez, central para o estudo econômico. Agora, chegou a hora de explicarmos o que são os tão falados recursos, outra palavra usada o tempo todo pelos economistas.

Se preferir, ouça nosso episódio de podcast sobre esse assunto!

Listen to “#053 – O que são recursos?” on Spreaker.

O conceito de recursos

Para a economia, recursos são tudo aquilo que é produtivo, ou seja, tudo que produz algo novo e valioso para as pessoas – novos bens e serviços que precisamos ou queremos em nosso dia a dia.

Aqui cabe uma ressalva muito importante: o dinheiro não é um recurso pela ótica da ciência econômica, mesmo que muitos se refiram a ele como tal no dia a dia. Na verdade, ele é apenas um meio para que ocorram trocas de bens e serviços entre as pessoas.

Leia também: como esquerda e direita se diferem em temas econômicos?

Os tipos de recursos

O que são recursos

Existem inúmeras formas de gerar bens e serviços, o que significa que existem muitos tipos de recursos diferentes. As categorias de recursos, mesmo que analisadas separadamente pelos economistas, são usadas em conjunto pela humanidade todos os dias.

É muito difícil afirmar que um tipo de recurso é mais importante que outro, simplesmente porque sem qualquer um desses tipos, é impossível que a economia funcione normalmente.

Trabalho

Pessoas, por exemplo, são vistas como uma categoria de recursos (o trabalho). É através do trabalho humano que se produzem inúmeras coisas valiosas para a economia. Esse trabalho pode ser tanto físico, quanto intelectual. O capital humano certamente é um dos ativos mais importantes para a economia – e algo em que todos os setores econômicos investem cada vez mais.

Entende-se por capital humano as habilidades, conhecimentos e atributos de uma pessoa. Por meio desse conjunto de capacidades, o indivíduo pode gerar valor para a sociedade. O capital humano pode e deve ser aprimorado continuamente por meio de estudo, capacitação e pela prática.

Confira: qual a diferença entre Estado de bem estar social e Estado liberal?

Recursos naturais

Água, petróleo e a terra são classificadas como recursos naturais, usados para inúmeros fins de maior relevância no nosso dia a dia. São considerados recursos naturais todos os insumos disponíveis na natureza e que podem ser usados economicamente.

Nem seria necessário explicar o porquê da água ser vista como um recurso. Necessária para a sobrevivência de todos os seres vivos, a água também é usada na produção de praticamente todos os bens e serviços.

O petróleo, por sua vez, serve de combustível para a maior parte dos automóveis, indispensáveis para a economia global – e para o nosso dia a dia. Outros produtos derivam do petróleo, como o gás natural, a parafina, o plástico, óleos, querosene, asfalto, entre outros.

Já a terra evidentemente é um recurso porque é nela que se instalam fábricas, empresas, residências e todos os outros tipos de estabelecimentos – sem contar que é nela que se desenvolvem a agricultura e a pecuária.

Os recursos naturais podem ser renováveis (no sentido de que, mesmo após utilizados, reaparecem na natureza por meio de processos naturais, em um período razoável de tempo), como a energia solar, o vento e a água, ou não renováveis (tais como o petróleo, o carvão e o ferro).

Bens de capital

Máquinas, equipamentos e fábricas também são considerados recursos. Chamados de bens de capital (ou de produção), é a partir deles que são criados inúmeros produtos. Pense nos vários aparelhos eletrônicos presentes na sua casa: televisão, computador, celular, geladeira, micro-ondas… Eles foram produzidos em fábricas, que provavelmente usaram máquinas (sem contar o trabalho físico e intelectual de milhares de pessoas e recursos naturais de toda ordem) para isso.

O mesmo raciocínio vale para tudo que você consome durante a sua vida. Em economês, os produtos que consumimos são chamados bens de consumo. Praticamente tudo precisou ser produzido antes de alguma forma por alguém. E para isso, muito provavelmente bens de capital foram usados.

Foi a partir de um momento de grande evolução dos bens de capital que a humanidade experimentou um salto significativo de qualidade de vida. A revolução industrial, que se iniciou por volta do século XVIII, foi um dos passos mais importantes para que hoje possamos desfrutar de tantos produtos que facilitam o nosso dia a dia.

Quer um resumo prático deste post? Então confira este vídeo dos nossos parceiros do Por Quê? – Economês em bom português:

Até este ponto da trilha, aprendemos os objetos básicos do estudo da economia: os recursos e o problema da escassez. No próximo post, vamos entender duas perspectivas diferentes para se estudar a economia: a macroeconomia e a microeconomia.

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Publicado em 29 de março de 2017. Atualizado em 31 de outubro de 2019.

Por que economêsO Por Quê – Economês em bom português é uma iniciativa que busca descomplicar a economia para os brasileiros. Isenção, didatismo, precisão, clareza e criatividade. Essas são as nossas bases para traduzir o economês para bom português e transformar aversão em interesse. Vamos aprender mais?

 

 

 

Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-editor de conteúdo do portal Politize!.

 

 

 

 

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Estado de bem estar social e Estado liberal: qual a diferença? 

Estado de bem estar social e o Estado liberal são os dois principais modelos de atuação seguidos pelos Estados-nação hoje em dia. Entenda as diferenças entre esses modelos

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Escassez: você sabe o que significa este conceito?

O que é escassez

Prateleiras vazias em supermercado de Montgomery, NY, antes do furacão Sandy. Foto: Daniel Case/ Wikimedia Commons.

Este é o segundo post da trilha de conteúdos Economia Animada e aborda o que é escassez, desenvolvida em parceria com o portal Por Quê – Economês em bom português.

Confira os demais conteúdos desta trilha:

  1. O que é economia? 
  2. O que é escassez? 
  3. O que são recursos? 
  4. Qual a diferença entre macroeconomia e microeconomia? 
  5. O que é PIB?

No primeiro post desta trilha, explicamos de maneira simplificada o que é a economia. Comentamos que ela é o estudo sobre como pessoas utilizam seus recursos escassos para atender seus desejos, que são infinitos. Para prosseguirmos no nosso estudo sobre economia, é muito importante entendermos o que é a escassez. Afinal, o que significa um recurso ser escasso e quais as implicações disso no dia a dia?

Se preferir, ouça nosso episódio de podcast sobre esse assunto!

Listen to “#051 – O que é escassez?” on Spreaker.

O princípio da escassez: nem tudo está disponível para todosO que é escassez

Em economia, escassez significa dizer que não há quantidade suficiente de um recurso para atender a todas as pessoas que o desejam ou o demandam, se ele não for cobrado (tiver preço zero). Pense nos carros, por exemplo. Para muita gente, ter um carro é um sonho de consumo. Mas, se os automóveis fossem distribuídos a preço zero, faltaria carro pra cobrir a demanda, certo?

Uma das soluções encontradas pela humanidade para lidar com a escassez de recursos é o sistema de preços. Ao se cobrar algo de valor (dinheiro, ouro, entre outros) em troca de recursos, bens ou serviços escassos, conseguimos adequar a demanda à oferta existente. Apenas aqueles dispostos a pagar o preço pelo bem em questão têm acesso a ele.

Por outro lado, existem recursos que não são escassos. São produtos que não precisam ser cobrados, porque estão disponíveis em quantidade suficiente para atender à demanda de todos. É o caso do ar respirável. Já parou para pensar por que ninguém precisa pagar para respirar? Simples: porque existe ar à vontade para todo mundo.

Portanto, podemos concluir que cobramos preços para que os recursos escassos sejam distribuídos de acordo com um critério (por quem está disposto a pagar, a oferecer algo de valor em troca deles). Em outras palavras, os preçoes existem para equilibrar a oferta de um recurso, bem ou serviço à sua demanda.

Leia mais: o que é taxa de juros e como ela afeta sua vida? 

Vantagens e desvantagens do sistema de preços

O sistema de preços é de suma importância para a economia atual. Vivemos em uma economia de mercado e, sem os preços, os mercados não podem funcionar. Sem o sistema de preços, seria muito improvável que o capitalismo existisse como o conhecemos hoje. É uma forma simples e prática de se lidar com o problema fundamental da economia, de utilização dos recursos escassos para atender a desejos ilimitados. Se existem fatores que limitam a oferta de um bem, o preço aumenta e assim a demanda tende a diminuir. E vice-versa.

Mesmo assim, esse não é um sistema perfeito. A partir dele, surgem outras questões. Uma delas é a desigualdade na distribuição da riqueza. Se apenas quem tem dinheiro para pagar por recursos tem acesso a eles, o que acontece com os que não têm dinheiro? Se a pobreza não surgiu a partir do momento em que passamos a colocar preços nas coisas, o fato é que ela continua a existir até hoje – e o sistema de preços, isoladamente, não oferece soluções para isso.

Além do problema da distribuição desigual, uma economia de mercado baseada no sistema de preços também apresenta um conjunto de imperfeições, que foram constatadas por economistas ao longo do tempo. Essas imperfeições são as falhas de mercado. Um exemplo de falha de mercado é quando uma pessoa, empresa ou grupo de empresas é poderosa o suficiente para afetar os preços de certo recurso. É o famoso monopólio, chamado de concorrência imperfeita. Nesse caso, o preço não responde apenas às flutuações da demanda e da oferta, e sim à influência que esse agente possui.

As chamadas externalidades são outra falha de mercado. Elas ocorrem quando a ação de um indivíduo afeta os demais (por exemplo, uma fábrica têxtil que polui rios). Por fim, existe também o problema da informação imperfeita, ou assimétrica. É quando uma das partes de uma troca (comprador ou vendedor) sabe de informações relevantes sobre o bem negociado que a outra desconhece. O exemplo mais clássico de informação assimétrica é o da venda de um carro usado. O dono do veículo pode deliberadamente esconder do comprador informações importantes sobre o carro, como um problema sério no motor. Com isso, ele deixa o comprador em desvantagem, distorcendo o preço pelo qual o carro deveria ser vendido.

E então, deu para entender o que é escassez e por que ela é um conceito-chave para o estudo da economia? Se quiser fixar tudo isso de uma maneira fácil e divertida, veja este vídeo do Por Quê:

No próximo post da trilha, vamos entender outro conceito fundamental da economia: os recursos!

Publicado em 22 de março de 2017. Última atualização em 29 de março de 2017.

Por que economês

O Por Quê – Economês em bom português é uma iniciativa que busca descomplicar a economia para os brasileiros. Isenção, didatismo, precisão, clareza e criatividade. Essas são as nossas bases para traduzir o economês para bom português e transformar aversão em interesse. Vamos aprender mais?

 

 

Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-editor de conteúdo do portal Politize!.

 

 

 

 

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Afinal, o que é economia?

O que é economia

Este conteúdo sobre o que é economia é o primeiro post da trilha de conteúdos Economia Animada, desenvolvida em parceria com o portal Por Quê – Economês em bom português.

Confira os demais conteúdos desta trilha:

  1. O que é economia?
  2. O que é escassez? 
  3. O que são recursos?
  4. Qual a diferença entre macroeconomia e microeconomia?
  5. O que é PIB?

A economia é hoje um tema central para a sociedade. Justamente por ser tão importante, ela não pode ser banalizada ou negligenciada. É preciso compreendê-la na sua essência. Neste texto, desenvolvido em parceria com o portal Por Quê – Economês em bom português, vamos explicar o que é economia e qual o objeto primário desta ciência.

Se preferir, ouça nosso episódio de podcast sobre esse assunto!

Listen to “#049 – O que é economia?” on Spreaker.

O que é Economia?

Na visão popular, a economia se limita a ser um estudo sobre dinheiro, investimentos e finanças. Com certeza, esses são elementos estudados por essa ciência. Mas ela não se limita apenas a isso. Em sua essência, a economia trata principalmente das escolhas feitas pelas pessoas todos os dias. A ciência econômica é uma ciência social, porque observa o comportamento humano.

Duas constatações centrais guiam o estudo econômico. O primeiro é o fato de que todos nós temos desejos, muitos desejos. Eles são virtualmente ilimitados. Além da satisfação de nossas necessidades básicas, nós podemos ainda ter interesse em muitos bens e serviços que atendem a diversos outros desejos que, se não são fundamentais, tornam a nossa vida muito melhor (pelo menos do nosso ponto de vista). Podemos querer um carro para se locomover com mais rapidez e comodidade no dia a dia; uma casa para morar com tranquilidade e em segurança; um celular para se comunicar de maneira fácil e instantânea; entre infinitas outras coisas.

A segunda constatação essencial é que os recursos disponíveis para satisfazer esses desejos não são infinitos. Na verdade, a maior parte desses recursos tem oferta limitada. Pense quanto dinheiro ou quanto tempo seria necessário para que você pudesse realizar todos os desejos que você já teve. Isso seria praticamente impossível, não é mesmo?

Desses dois fatos, surge a pergunta-chave: como atender a desejos ilimitados com recursos limitados? Essa tensão existente entre nossas vontades e as restrições que a realidade nos impõe é o objeto central de estudo da economia. O comportamento das pessoas diante do desafio fundamental de viver neste mundo permeia todo o estudo da ciência econômica.

Por isso, da próxima vez que você ouvir sobre economia, não pense apenas em dinheiro ou números. Lembre-se que, enquanto ciência, a economia se preocupa em observar o resultado de ações tomadas por milhões e milhões de pessoas que precisam decidir a todo momento o que fazer com os recursos escassos à sua disposição.

Qual a importância da política para a economia?

O que é economia

O presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Foto: Marcos Corrêa/PR (15/12/2016).

Você já deve ter notado que a economia anda de mãos dadas com a política. Nenhum governante brasileiro pode ignorar a dimensão econômica, simplesmente porque o Estado brasileiro tem papel fundamental para o bom andamento da economia. A política, em certo sentido, pode ser entendida como o gerenciamento e a tomada de decisões coletivas, com toda a complexidade envolvida nesse processo. Da mesma forma que na esfera individual, não podemos atender a todos os desejos coletivos ou sociais que existem, não só porque os recursos para atendê-los são escassos, mas porque podem existir (e de fato existem) desejos conflitantes, antagônicos entre si.

Pense em quantos interesses o governo brasileiro precisa dar conta de atender todos os dias: pagamento de juros para investidores, de aposentadorias para pensionistas, de salários para o funcionalismo público, investimentos em melhorias na área de educação, saúde, defesa, saneamento, mobilidade… As demandas são tantas que os trilhões de reais no orçamento público parecem pouco. Uma vez que são questões que dizem respeito a todos os cidadãos brasileiros, precisamos decidir em conjunto como usar esses recursos – e para isso adotamos os critérios que consideramos mais justos: a democracia representativa, para elegermos representantes que devem defender nossos interesses no Executivo e Legislativo, a separação de poderes, para que nenhum governante tenha poder excessivo nem o controle sobre a Justiça e o Poder Legislativo, e assim por diante.

Percebeu como política e economia se relacionam? Com este exemplo fica mais fácil de entender o que é economia, já que ambas lidam com o gerenciamento de recursos e de interesses. Não é à toa que existe até mesmo a economia política, subárea da ciência econômica que estuda as relações sociais econômicas. Ou então que existam políticas econômicas, um conjunto de ações que varia de acordo com cada governo em relação à economia (por exemplo, meta de superávit do orçamento, taxa de juros, meta de inflação, etc).

Além disso, é importante perceber como os indicadores econômicos influenciam e muito a política contemporânea. Resultados como evolução do PIB, nível de desemprego, inflação, câmbio e juros fazem toda a diferença para a vida de um governante. Afinal, se a economia não está bem, é porque possivelmente não está sendo bem administrada (uma vez que as ações dos governos têm grande impacto nos resultados econômicos). Bons indicadores econômicos podem melhorar a imagem do governante, enquanto os maus indicadores podem custar caro para ele.

Por tudo isso, é essencial que você busque entender não apenas a política, mas também a economia – e, naturalmente, sua relação com a política. Sem dúvida, esse é mais um passo necessário para quem está em busca de ser um cidadão mais consciente e comprometido com o desenvolvimento do nosso país.

Gostou deste conteúdo que explica o que é economia? Então você com certeza vai gostar também deste vídeo do Por Quê, que explica de forma muito didática e dinâmica o que é economia:

Confira o segundo conteúdo desta trilha, sobre o conceito de escassez.

Publicado em 21 de março de 2017. Última atualização em 29 de março de 2017.

Por que economêsO Por Quê – Economês em bom português é uma iniciativa que busca descomplicar a economia para os brasileiros. Isenção, didatismo, precisão, clareza e criatividade. Essas são as nossas bases para traduzir o economês para bom português e transformar aversão em interesse. Vamos aprender mais?

 

 

 

Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-editor de conteúdo do portal Politize!.

 

 

 

 

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