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Vacinação no Brasil

Vacina contra sarampo - fonte: fotos públicas

Vacina contra sarampo – fonte: fotos públicas

As vacinas são uma forma de prevenção para doenças que, historicamente, geravam uma quantidade enorme de vítimas e que, atualmente, estão praticamente erradicadas graças ao surgimento das campanhas de vacinação no Brasil. Contudo, com o surgimento de movimentos contrários às vacinas, esse assunto está gerando polêmica na comunidade científica e na sociedade em geral.

Quer saber mais sobre como as vacinas agem no nosso organismo e por que elas estão sendo causa de debates? Sim? Então, continue conosco.

O que são as vacinas e como elas funcionam?

Para que possamos entender mais sobre o que é uma vacina, precisamos ter uma pequena noção de como funciona o nosso sistema imune. Vamos lá?

Para que nosso corpo consiga nos defender de doenças, ele dispõe de células de defesa que detectam o causador do distúrbio e o eliminam. Porém, para que esse mecanismo de defesa possa solucionar o problema de maneira mais eficiente é preciso que ele conheça o inimigo. É a partir desse principio que as vacinas são desenvolvidas.

Uma vacina é basicamente um vírus ou bactéria causadora de uma doença, previamente morta ou enfraquecida – sem potencial para causar a doença. Ao entrar no nosso organismo, esses patógenos são facilmente reconhecidos e eliminados pelo nosso sistema imune. Dessa forma, cria-se o que chamamos de memória imunológica. Por consequência, na próxima vez que o nosso organismo entrar em contato com esse tipo de vírus ou bactéria, ele conseguirá combate-la de maneira muito mais eficiente.

É interessante notar também, que as vacinas não protegem somente quem as recebe, mas também a sociedade como um todo, afinal, quanto mais pessoas forem vacinadas, menor a quantidade de pessoas afetadas por determinada bactéria ou vírus e, consequentemente, menor a probabilidade de transmissão desse patógeno. É dessa forma que as doenças são erradicadas. Um exemplo disso é a varíola, que teve seu ultimo caso registrado em 1977 e é considerada mundialmente extinta.

Como funcionam as vacinas com validade?

Algumas vacinas – como as vacinas trivalentes e quadrivalentes que previnem alguns tipos de gripe – têm validade de um ou dois anos. Isso causa um pouco de confusão, afinal, acabamos de aprender que fazemos uso dessas tecnologias para que nosso corpo reconheça o causador da doença previamente. Então, por que é necessário estar constantemente renovando algumas vacinas? A explicação para essa dúvida está na capacidade de mutação que os vírus causadores de enfermidades têm. Complicado? Calma, o Politize! vai tentar esclarecer.

Fazendo uma analogia: os vírus espalhados por aí estão constantemente “mudando de roupa”. Esse fenômeno, chamado de mutação, faz com que nosso organismo deixe de reconhecer o patógeno, sendo necessário que a vacina seja renovada para que continue tendo eficácia. Por esse motivo, temos campanhas de vacinação para algumas doenças com uma determinada frequência.

Campanhas e rotina de vacinação no Brasil

Caderneta de vacinação - fonte: flickr

Caderneta de vacinação – fonte: flickr

Historicamente, as vacinas foram descobertas há mais ou menos 200 anos. Com o passar do tempo elas foram aprimoradas cada vez mais, tanto que, hoje em dia, são feitas em laboratórios modernos, de onde saem para que sejam distribuídas à população. Nesse contexto, há uma estratégia para que as vacinas alcancem seu objetivo de proteger as pessoas contra doenças: o Ministério da Saúde adota os métodos de campanhas e rotina de vacinação.

A rotina de vacinação é feita por meio do calendário de vacinação – disponibilizado online e em unidades públicas de saúde. Esses calendários apresentam quais vacinas devem ser tomadas em quais épocas da vida e possibilitam um controle pessoal por parte do paciente.

Além disso, existem as campanhas de vacinação, que são feitas de tempos em tempos, a partir de grupos de risco. Esses grupos são selecionados pelo Ministério da Saúde, por meio de critérios que selecionam os integrantes, a partir da probabilidade de contração de uma determinada doença por pessoas com determinadas características. A exemplo disso, temos a campanha de vacinação do HPV que é disponibilizada para meninas de 9 a 14 anos de idade e meninos de 11 a 14 anos de idade. Essa faixa etária é escolhida, pois é quando o primeiro possível contato com o vírus ocorre, estatisticamente falando. Dessa maneira, se vacinado esse grupo de risco, além de estarem protegidos os vacinados, estarão também diminuídas as probabilidades de transmissão do vírus para outras pessoas da sociedade.

Outra iniciativa do Ministério da Saúde é o calendário de vacinação dos povos indígenas. Essa é uma das políticas de saúde pública que busca proteger esses grupos minoritários de enfermidades como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano e coqueluche – doenças que já são praticamente erradicadas da sociedade graças ao advento das vacinas, mas que trataremos mais adiante.

Possíveis efeitos colaterais de uma vacina

Dentre os possíveis efeitos colaterais que as vacinas podem gerar estão: febre, dor de cabeça, inchaço ou vermelhidão no local da aplicação. Considerando que as vacinas previnem inúmeras enfermidades, os efeitos colaterais são algo muito pequeno quando comparados às possíveis complicações que as doenças podem causar. Sendo assim, a imensa maioria dos especialistas da saúde recomenda que toda população seja vacinada.

Entretanto, ultimamente, alguns grupos têm se posicionado contra as campanhas de vacinação. Quer saber mais sobre as causas desse movimento e quais consequências isso pode ter? Continue conosco!

Movimento antivacina: como surgiu?

O movimento antivacina surgiu pouco tempo depois da publicação de um estudo lançado em uma revista científica que relacionava a vacina tríplex – utilizada contra rubéola, caxumba e sarampo – ao autismo – transtorno que afeta o sistema nervoso. No entanto, pouco tempo depois, diversos outros estudos foram publicados desmentindo a teoria.

Apesar disso, algumas pessoas começaram a propagar a teoria antiga e isso acabou se espalhando pela sociedade geral. Dessa maneira, é correto afirmar que o movimento antivacina está crescendo no Brasil e em outros países, devido ao reduzido conhecimento popular sobre essas tecnologias.

As consequências do movimento antivacina

Segundo especialistas que são referência em saúde, como, por exemplo, o Dr. Drauzio Varella, as consequências desse movimento podem ser desastrosas. Caso a população pare de vacinar seus filhos, algumas doenças que já são erradicadas podem voltar a aparecer.

Casos de sarampo – doença que era considerada erradicada do Brasil desde 2016 – foram registrados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que apontou um surto no país. Juntamente com o sarampo, estão doenças como a poliomelite, a rubéola e a difteria. Todas elas consideradas erradicadas, e que, atualmente, correm o risco de voltar a tona.

Essas consequências são decorrentes dos baixos índices de vacinação no Brasil. Nos últimos anos, a meta de cobertura populacional foi de 95%, entretanto, segundo a OMS, na maioria dos estados brasileiros, não atingiu-se nem 75% da população. Para mudar dados como esse que o Ministério da Saúde está tentando conscientizar as pessoas por meio de campanhas, entretanto, o movimento antivacina está caminhando na direção contrária ao incentivar seus seguidores a não se vacinarem.

Perante essa situação, médicos, como o Dr. Drauzio Varella, se manifestaram contra esse movimento que foi considerado, na visão de Drauzio, como criminoso. Em entrevista para a BBC, o doutor aponta como uma das causas da força do movimento a falha na comunicação entre médicos e pacientes, que são os principais responsáveis por difundir as informações sobre as vacinas.

Agora que você já aprendeu muito sobre vacinas, já pode propagar o conhecimento e ajudar outras pessoas a entenderem mais sobre esse assunto que é pouquíssimo difundido. Compartilhe esse texto com seus amigos e comente!

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Publicado em 05 de Setembro de 2019

 

Matheus Silveira

Assessor de conteúdo no Politize! e graduando de Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Acredita que o fim da discriminação por raça, gênero e sexualidade é um dos caminhos para uma sociedade mais justa e igualitária.

 

REFERÊNCIAS

educação sexual

Educação Sexual: o que é e como funciona em outros países?

Educação - Fonte: Pixabay

Com a nova série da Netflix, Sex Education, muito tem se falado sobre educação sexual. O tema também bastante comentado durante as Eleições presidenciais de 2018, em função da polêmica do “kit gay” . Embora o suposto kit não existisse, a história demonstrou que a educação sexual é, ainda, um tema cercado por tabus.

Neste post, o Politize! esclarece algumas questões fundamentais relacionadas ao tema.

O QUE É E QUAL O OBJETIVO DA EDUCAÇÃO SEXUAL?

Educação sexual é um termo utilizado para se referir ao processo que busca proporcionar conhecimento e esclarecer dúvidas sobre temas relacionados à sexualidade. Por sexualidade entende-se o conjunto de comportamentos relacionados ao desejo sexual.

Este processo de educação sobre sexualidade tem sua importância relacionada à prevenção de diversas situações indesejadas, como doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), gravidez na adolescência e experiências sexuais traumáticas.

Educação sobre sexualidade como um programa de ensino nas escolas é, muitas vezes, chamado de orientação sexual – o que pode causar confusão com a ideia de preferência sexual de cada indivíduo. Em função disso, neste post utilizaremos o termo educação sexual para tratar, especificamente, do programa adotado em escolas.

A Organização das Nações Unidas (ONU) considera que a educação sexual está relacionada à promoção de direitos humanos – direitos das crianças e jovens e o direito que toda pessoa tem à saúde, educação, informação e não discriminação. Por essa razão, a ONU é favorável a implementação de um currículo para educação sexual nas escolas:

“Educação sexual é um programa de ensino sobre os aspectos cognitivos, emocionais, físicos e sociais da sexualidade. Seu objetivo é equipar crianças e jovens com o conhecimento, habilidades, atitudes e valores que os empoderem para: vivenciar sua saúde, bem estar e dignidade; desenvolver relacionamentos sociais e sexuais respeitosos; considerar como suas escolhas afetam o bem estar próprio e dos outros; entender e garantir a proteção de seus direitos ao longo da vida.” (UNAIDS, Guia técnico para educação sexual)

Veja o que mais a ONU diz sobre a educação sexual em escolas, no vídeo abaixo:

O PAPEL DA ESCOLA NISSO TUDO

Mas, afinal, a escola tem algo a ver com essa história? Essa é uma questão que divide opiniões.

Os argumentos dos favoráveis à educação sexual

Os defensores da aplicação de programas de educação sexual nas escolas entendem que educadores e instituições de ensino não só devem falar sobre o assunto como também estão inevitavelmente ligados ao tema.

Eles argumentam que a escola deve tratar do assunto por que:

  • criação de hábitos saudáveis e noções de cuidado com a saúde devem ser incentivadas desde a infância. Por isso a importância da educação sexual nas escolas, pois ela está relacionada a questões que afetam a saúde reprodutiva, sexual ou mental de jovens (gravidez, aborto, HIV/AIDS, casamento infantil, violência sexual).
  • A conversa sobre educação sexual nem sempre acontece em casa. Muitos jovens não recebem instruções importantes para prevenção de DSTs e gravidez. Por isso a escola deveria oferecer as informações necessárias.
  • Sexualidade é parte da vida humana. A defesa da abordagem da educação sexual nas escolas também parte do entendimento de que a sexualidade é parte natural da vida humana e de nossa vivência social. Logo, não haveria razão para a exclusão do tema dos ambientes de ensino. Além disso, a educação para a sexualidade ajuda jovens a compreender e lidar melhor com experiências naturais como puberdade, menstruação e virgindade.
  • Há uma necessidade de direcionar o assunto. Desde gestos de conotação sexual e brincadeiras entre si até o início de relacionamentos afetivos, são situações frequentemente observadas no ambiente escolar. É por isso que especialistas da saúde e da educação entendem que a escola deve direcionar o assunto, com uma abordagem educativa.

A visão de quem se opõe

Por outro lado, há quem defenda que educação sexual não é um assunto apropriado para o ambiente escolar. Essas pessoas acreditam que:

  • Sexualidade é assunto da família. A escola não deve tratar de temas relacionados à sexualidade por não haver um consenso com relação ao assunto. A forma como a sexualidade é enxergada e tratada diverge entre pessoas de diferentes culturas, vivências e crenças. Por isso, cabe à família, e não à escola, educar a criança sobre o assunto da forma que julgar mais adequada. O próprio Presidente da República, Jair Bolsonaro, é adepto dessa linha de pensamento, conforme afirmou em entrevista.
  • A escola exerce influência sobre a sexualidade do jovem. Os educadores podem transmitir para os alunos seus próprios valores, crenças ou preferência sexual. Isso pode, inclusive, afetar a orientação sexual de crianças e jovens ou incentivá-los a ter relações sexuais.
  • Erotização infantil. De acordo com Damares Alves, Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, essa é a maior preocupação do governo. A Ministra, bem como o atual presidente, acreditam que crianças não devem ser expostas a imagens de genitálias e outras consideradas eróticas.

COMO APLICAR EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS? 

Também no que diz respeito ao currículo de educação para a sexualidade não há um consenso.

A Organização das Nações Unidas oferece instruções de como desenvolver e aplicar um currículo para o tema:

  • No processo de criação de um programa para educação sexual em escolas deve haver a participação de especialistas em saúde, afinal, trata-se de uma ciência.
  • Devem ser considerados outros aspectos importantes da sexualidade para além da saúde, como questões de gênero e diversidade, com o objetivo de promover respeito na sociedade.

  • Jovens e pais devem ter participação no processo de criação do programa – pois é fundamental que o currículo de educação sexual seja orientado pelas necessidades dos jovens e das famílias.

  • As aulas devem oferecer informações científicas sobre doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.

  • Os temas devem ser tratados em sequência lógica: consenso e prevenção devem ser abordados antes das instruções sobre a atividade sexual.

  • Oferecer informações sobre os serviços de saúde disponíveis na comunidade e como acessá-los.

  • A educação sexual pode ser abordada em uma disciplina específica ou de forma transversal, dentro de outras disciplinas.

Entretanto, essas instruções não são aceitas pela totalidade de pessoas que concorda com a aplicação de educação sexual em escolas. Para algumas pessoas, os educadores devem se restringir a proporcionar apenas as informações mais relacionadas à saúde, como prevenção de DSTs e de gravidez na adolescência, sem abordar tópicos como gênero, orientação sexual e consentimento.

DE ESTADOS UNIDOS À CHINA: COMO OUTROS PAÍSES TRATAM DO TEMA? 

Ao redor do mundo, a educação sexual recebe tratamentos diversos: nos países mais liberais da Europa o tema é considerado completamente natural e necessário, já em alguns países Islâmicos do Oriente o assunto é proibido.

Na Europa, os Estados geralmente estabelecem algumas instruções básicas sobre pautas relacionadas ao tema que devem ser tratadas nas escolas. Mas as abordagens de educação sexual diferem entre as unidades federativas e até mesmo entre escolas. A média de idade para o início da aplicação de currículos de educação sexual é entre 11 e 13 anos, e geralmente adota-se uma abordagem transversal: ou seja, não é ministrada uma disciplina específica de educação sexual, invés disso o tema é abordado dentro de outras disciplinas. No contexto europeu o tema é majoritariamente abordado nas aulas de biologia e, eventualmente, em alguma outra disciplina.

Vejamos alguns exemplos de como a educação sexual é abordada ao redor do mundo:

Holanda

O país entende a sexualidade como algo completamente natural e saudável, e aplicação de programas de educação sexual é compulsória em todo o país. O tema é tratado desde os quatro anos de idade, porém com abordagens diferenciadas de acordo com a faixa etária. O programa de educação sexual do país foca em construção de respeito pelo corpo e sexualidade próprios e dos outros, e inclui lições sobre consenso, DSTs e prazer. A taxa do país de gravidez na adolescência no país está entre as mais baixas do mundo.

Outros países que também adotam educação sexual compulsória nas escolas são Bélgica, Nova Zelândia, Inglaterra e Escócia.

Estados Unidos

A educação sexual tem apoio de mais de 90% dos pais nos Estados Unidos, mas as regras para aplicação nos currículos escolares variam entre os Estados. Em quase metade dos Estados não é obrigatório instruir jovens sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, estudos realizados no país apontam que aproximadamente metade dos adolescentes afirmam não terem recebido instruções sobre preservativos e contraceptivos antes da primeira relação sexual.

China e Índia

A China apresenta um quadro controverso apesar de ter taxas crescentes de doenças sexualmente transmissíveis, programas de educação sexual são quase ausentes. As escolas não oferecem instruções sobre prevenção de DSTs, mas as Universidades fornecem testes de HIV – devido a alta incidência da doença no país.

Assim como na China, a Índia também não incentiva a adoção de programas de educação sexual. No entanto, o currículo de educação sexual desenvolvido no país é considerado o melhor do mundo – o problema é que ele quase não é adotado nas escolas indianas.

Como você pode ver, o tratamento que a educação sexual recebe varia muito ao redor do mundo.

O CENÁRIO DA EDUCAÇÃO SEXUAL NO BRASIL

O caso do Brasil é semelhante ao dos Estados Unidos. Aqui, a aplicação de um programa de educação sexual também não é compulsória aos currículos escolares.

As diretrizes para a educação no Brasil estão contidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), desenvolvida pelo Ministério da Educação (MEC). A BNCC serve para nortear os currículos das redes de ensino em todo o Brasil, ela estabelece uma base de temas que devem ser tratados na educação. Não consta na Base Nacional um currículo para educação sexual (ou orientação sexual, termo que costuma ser usado no Brasil).

Nos últimos governos, o Ministério da Educação adotou uma posição de incentivar, mas não obrigar, a aplicação de programas de educação sexual nas escolas. No Brasil o assunto vem sendo tratado de forma transversal, ou seja, é sugerido que o tema seja abordado dentro de outras disciplinas.

Desde 2007, os Ministérios da Educação e da Saúde atuam em conjunto por meio do Programa Saúde na Escola para instruir jovens sobre prevenção e promoção de saúde. O programa dá instruções relacionadas ao uso de drogas e a sexualidade. Em fevereiro de 2019, os ministérios assinaram uma carta de compromisso para prevenção da gravidez na adolescência, que pretende atualizar o Programa Saúde na Escola.

Apesar desse avanço na direção de maior promoção da educação sexual, são recorrentes projetos de lei pela proibição do assunto no ambiente escolar. O projeto do Programa Escola sem Partido (EsP) é o exemplo mais notório. O programa defende que aspectos relacionados à educação moral, religiosa e sexual devem ser tratados apenas no âmbito privado (na família), e não devem ser abordados no ambiente escolar.

Confira nossos textos sobre o Escola sem Partido

Conforme mencionado anteriormente, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, já deu declarações contrárias à educação sexual. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro fez declarações sobre um “kit gay” supostamente distribuído em escolas públicas. Mais recentemente, o presidente também afirmou que “Educação sexual tem que ser feita por pai e mãe.” e ainda incentivou que pais rasgassem cartilhas de educação sexual.

DADOS E RESULTADOS: EDUCAÇÃO SEXUAL FUNCIONA?

A UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) realizou uma série de estudos sobre os efeitos da educação sexual: foram 87 estudos ao redor do mundo em 2008 e 99 em 2016. A Organização apresenta os resultados dos estudos, e também instruções para programas de educação sexual, em seu Guia internacional sobre educação sexual (International technical guidance of sexuality education). A partir dos resultados, a UNESCO averiguou que estes programas contribuem para:

  • Que a iniciação das atividades sexuais ocorram mais tarde;

  • Redução da frequência da atividade sexual entre jovens;

  • Redução de relações arriscadas;

  • Aumento do uso de preservativos;

  • Aumento no uso de contraceptivos.

  • Maior conhecimento sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs);

  • Prevenção, de baixo custo, do HIV.

Entretanto, esses estudos analisam indicadores mensuráveis, os efeitos mais indiretos da educação sexual são mais difíceis de observar.

Especialistas do tema acreditam que estes programas também contribuem para melhorias na saúde a longo prazo, para redução da violência doméstica e da discriminação e para promoção da igualdade de gênero.

Por outro lado, há setores da sociedade receosos de que a educação sexual exerça uma influência negativa sobre crianças e jovens, expondo-os a sexualização precoce ou incentivando determinados comportamentos sexuais.

Como você pode ver, educação sexual é um tema frequentemente discutido em todo o mundo! Qual a sua opinião sobre o assunto? Conta pra gente nos comentários! 🙂

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Conseguiu entender o que é educação sexual? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários!

Aviso: mande um e-mail para contato@politize.com.br se os anúncios do portal estão te atrapalhando na experiência de educação política. 🙂

Publicado em 14 de março de 2019.

 

Isabela Moraes

Assessora de conteúdo no Politize! e graduanda de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Quer ajudar a descomplicar a política e aproximá-la das pessoas, incentivando a participação democrática.