médicos sem fronteiras
Médicos Sem Fronteiras durante epidemia de Ebola no oeste da África. Foto: Tommy Trenchard/ IRIN/Fotos Públicas.

Médicos Sem Fronteiras ficou conhecido como um projeto responsável pela prestação de apoio em diversas localidades ao redor do mundo, auxiliando populações em casos de emergência, como questões naturais, conflitos políticos, problemas sociais, entre outros. 

Nesse conteúdo, o Politize! te explica a história dos Médicos Sem Fronteiras e como esse projeto organiza as suas atividades.

Médicos Sem Fronteiras, o que é? 

Médicos Sem Fronteiras é uma entidade responsável por levar serviços humanitários a sociedades que atravessam dificuldades em tempos de crise. Porém, além de prestar essa ajuda, a MSF tem também como missão chamar a atenção mundial para os problemas enfrentados pelas populações que estão recebendo esse amparo, com o intuito de gerar o engajamento social na luta. 

A MSF possui 21 escritórios nacionais e 11 filiais, sendo cinco seções operacionais. Cada um desses conta com um Conselho de Administração, formado quase que integralmente por profissionais da área da saúde, que tem como objetivo garantir que as decisões tomadas nas Assembleias – realizadas para discussões a respeito de pautas e atuações que demandam urgência – sejam efetivadas. 

O escritório internacional e oficial dos Médicos Sem Fronteiras é localizado na cidade de Genebra, na Suiça, onde se encontra o Presidente atual da organização, eleito em junho de 2019, Christos Christou

Ainda existem cinco seções operacionais localizadas na Bélgica, França, Holanda, Espanha e Suiça com o poder de decidir sobre atividades, quando e onde atuar, o momento de iniciar e terminar.

Conhecendo os Médicos Sem Fronteiras 

As primeiras formações do que viria a ser esse grande projeto se deram em 1971, na França, por médicos e jornalistas que estavam atuando voluntariamente na Nigéria em virtude da Guerra Civil. No conflito, os voluntários se deram conta da precariedade em torno das ajudas humanitárias em razão da dificuldade de acesso a locais remotos e pela burocracia embargadora. 

Apesar da ação médica ser o principal serviço prestado pela MSF, quando essa sozinha não basta, a organização se prontifica a ajudar de outras formas, como por meio do fornecimento de alimentos e água, abrigando populações em colapso, garantindo condições mínimas e outros, a fim de  impedir o desaparecimento da dignidade humana.

A ação humanitária 

Sendo marcado pela união entre a ajuda humanitária, as instituições políticas e a mídia, o principal mecanismo usado pelo médicos sem fronteiras é o “conhecimento”, coletando informações em conjunto a fim de promover um amparo direcionado à real necessidade da população. Isso significa que a organização e seus integrantes buscam conhecer a sociedade, procurando relatos e opiniões das pessoas a quem estão levando a ajuda a fim de compreender a realidade que vivenciam. 

Ao conhecer as dificuldades e os obstáculos dessas populações, como afirma a MSF, cria-se um laço de coletividade e solidariedade, permitindo que soluções sejam encontradas de maneira mais rápida e eficaz para os problemas presentes naquele espaço. 

Organização do projeto 

Devido ao caráter independente da organização, uma avaliação a respeito do local de atuação é feito pela própria equipe, definindo onde, como e quando atuar. Entretanto, em alguns casos, a ajuda pode ser levada de imediato – sem essa avaliação prévia – dependendo do grau de urgência. 

Assim, em função de diferentes atuações, como: catástrofes naturais, epidemias, refugiados e conflitos armados, existem diferentes tempos de resposta para o fornecimento da ajuda. Diante disso, com o intuito de agilizar o processo, a Médicos Sem Fronteiras usa desde 1980, kits de ajuda personalizados. Esses são separados de acordo com as emergências citadas anteriormente e contem medicamentos, suprimentos e outros itens básicos.  

Por exemplo, em caso dos desastres naturais, compreende-se que em questão de minutos uma grande população é afetada. Assim, em virtude da MSF possuir bases de auxílio em torno de 70 países ao redor do mundo controladas pelos escritórios oficiais, é comum que já tenham trabalhadores humanitários próximos ao local do desastre – o que, juntamente com os kits personalizados, otimizam o tempo necessário para fornecer o apoio. 

Serviços e atividades  

Combate a doenças

Entre as prestações de serviço da Médicos Sem Fronteiras está o combate a inúmeras doenças que vão desde campanhas de vacinação até cirurgias reconstrutivas. Entre as doenças combatidas estão: Chikungunya, Cólera, Dengue, Ebola, Desnutrição, Doença do sono e outras. 

Um dos exemplos dessa atividade se deu em 2016, durante a epidemia de Chinkungunya no Quênia, em que a MSF enviou equipes médicas para dividir o serviço e, assim, apoiar o Ministério da Saúde do país, tendo como resultado o controle da epidemia em um período de dois meses. Além dessa ação, outro trabalho também realizado em 2016 foi voltado para o combate da maior ocorrência de Ebola da história em Guiné, Serra Leoa e Libéria, em que a lenta resposta internacional à epidemia que teve inicio em 2014 levou à infecção de 28.700 pessoas e 11.300 mortos. 

Diálogos Sem Fronteiras

Entre as atividades realizadas pelos MSF, destaca-se o Diálogos Sem Fronteiras, em que são realizados debates, palestras, oficinas e orientações acerca de assuntos polêmicos e que necessitam de visibilidade no contexto atual. Observa-se na edição do Diálogos sem fronteiras de 2020 os conflitos armados como principal tema a ser debatido e analisado pela organização, tendo um foco especial no caso do Iémen.

Desastres naturais

Pode-se citar aqui o trabalho realizado pelo MSF no Haiti em 2010. De acordo com os Médicos Sem Fronteiras, o terremoto que abalou o Haiti em 2010 foi a maior resposta de emergência da organização até hoje. O evento, que causou a morte de 220 mil pessoas e desabrigou 1,5 milhões, começou a ser solucionado pelo projeto por meio do recrutamento de milhares de novos profissionais, inclusive haitianos, os quais passaram a trabalhar em 26 centros médicos e em um hospital inflável. 

Ademais, a MSF afirma que as ajudas e respostas de emergência vão muito além das realizações de curto prazo (cirurgias, primeiros socorros e etc). Dessa forma, o projeto inclui também medidas a longo prazo, nas quais eles precisam conter a disseminação de doenças infecciosas entre a população, reestabecer o sistema de saúde que havia sido destruído e fornecer auxílio às pessoas desabrigadas. 

Vale ressaltar que além dessas atividades existem diversas outras realizadas pelos Médicos Sem Fronteiras desde a sua criação na década de 70, as quais incluem o fornecimento de suporte para prejudicados na Guerra no Afeganistão, Fome na Etiópia e Guerra Civil no Sri Lanka

Trabalhando e participando 

É importante ressaltar que os integrantes da Médicos Sem Fronteiras não são voluntários, eles são remunerados e passam por diversos testes até a aprovação para o trabalho. 

De acordo com a MSF, o principal motivo para os trabalhadores ingressarem no projeto não são os salários, mas sim os ideais da organização, baseados na ética, igualdade, empatia, alteridade e respeito ao próximo. 

Você já conhecia a atuação da organização Médicos Sem Fronteiras? Comenta aqui!

REFERÊNCIAS

MSF: atividades

Politize!: crise no Iêmen

MSF: Diálogos sem fronteiras 2020 

MSF: Nossa historia

 

 

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