Até o século XVIII os meios de produção tinham como característica principal a fabricação artesanal e manual, resultando em uma montagem pequena e inviável diante de uma população em crescimento. Com o surgimento das indústrias, a produção tornou-se volumosa e rápida. E com o passar do tempo, os processos produtivos tiveram que evoluir para atender as necessidades do mercado que cresciam perante o desenvolvimento da sociedade de cada época.

Tais transformações no ramo industrial, que causaram impactos econômicos, sociais e políticos significativos ao corpo social, foram convencionalmente chamadas de revoluções industriais. Nos dias de hoje, com o progresso do consumismo, as indústrias precisaram não apenas se reinventar, mas também passar por um processo de atualização. Assim, elas passam por uma fase de transformação tecnológica, conhecida como 4º Revolução Industrial ou Indústria 4.0

Vamos entender mais sobre o assunto?

Histórico das Revoluções Industriais

Durante o fim do século XVIII e início do século XIX, houve o surgimento da indústria em um período que ficou conhecido como a 1ª Revolução Industrial. Essa época foi marcada pela criação e utilização da energia a vapor nos maquinários de produção, simbolizando a substituição do sistema tradicional artesanal pela produção mecanizada. Além disso, foi com a 1ª Revolução Industrial que surgiram as locomotivas a vapor que trouxeram para o mercado a possibilidade de transporte de grandes quantidades em um espaço curto de tempo, desde matérias primas a produtos industrializados.

Já no século XIX e início do XX, teve-se a 2ª Revolução Industrial. Ela simbolizou a evolução da melhoria técnica, com o inicio da produção da energia elétrica. É daquele momento, por exemplo, a invenção da lâmpada incandescente, que representou não apenas mais um produto para o consumo, mas também a possibilidade de aumentar o tempo de trabalho, visto que o turno noturno poderia a partir daquela invenção ser iluminado.

Houve também a criação do telefone e demais meios de comunicações, ampliação das ferrovias e outros produtos. Aqui, a indicação para o leitor que quiser saber mais sobre o período é assistir a obra cinematográfica “Batalha das Correntes” do diretor Alfonso Gomez – Rejon. Neste filme, há o retrato perfeito da Indústria 2.0 e as criações proveniente de Thomas Edison, George Westinghouse, Nikola Tesla e Samuel Insull – como, por exemplo, a criação da energia elétrica como utilizamos atualmente, com postes de energia e corrente alternada, e ainda os primeiros rascunhos das hidrelétricas.

Durante a 3° Revolução Industrial, no século XX, teve-se a incorporação de sistemas eletrônicos e de tecnologia da informação nos processos de produção e gerenciamento de indústria. Um exemplo que marcou esse momento é o uso de computadores, internet e automação na fase de fabricação de bens de consumo. Além disso, uma característica muito forte desta era foi a substituição do trabalho humano por uma máquina especializada. Antigamente, na etapa de produção de pasta dentais, esmaltes, shampoos e outros produtos de cosméticos, por exemplo, a tampa era colocada por intermédio de um funcionário, de modo manual; a partir da 3º Revolução Industrial, passou-se a ser utilizada a Máquina de Injeção de Tampa Plástica. Desta forma, a máquina possibilitou encaixar uma maior quantidade de tampas em um menor tempo!

E a Indústria 4.0?

Em sintonia com a evolução, tem-se atualmente no século XXI a 4º Revolução Industrial ou Indústria 4.0. Esta nova proposta de indústria surgiu por meio da necessidade de se desenvolver um sistema de produção inteligente, automatizado e autônomo e que resulte em mais praticidade para o usuário.

Este tipo de indústria usa tecnologias como:

  • Inteligência Artificial, relacionada à capacidade dos dispositivos eletrônicos de aprender, perceber, raciocinar e reproduzir. Um exemplo prático seria os sistemas de recomendações do YouTube e Netflix. Há também aplicativos como Google Maps e Waze onde são capazes de cruzar dados de inúmeros lugares para encontrarem as melhores rotas e, assim, otimizar o tempo do motorista  e evitar problemas de trânsito.
  • Impressão 3D, série de técnicas que reproduzem objetos, desenhos ou planos em três dimensões. Este processo encurtou o caminho entre a criação e teste do produto. É o que chama-se protótipo.
  • Nanotecnologia, habilidade de manipular átomos e moléculas individualmente. É utilizado na criação de tratamentos estéticos, tecnologia para produtos mais seguros e duráveis como objetos impermeáveis, autolimpantes, com antirreflexo e outros.
  • Robótica, ligada a criação de robôs. Hoje em dia tem-se os robôs aspiradores residenciais, TVs e geladeiras por comando de voz e até mesmo robôs que auxiliam no tratamento de câncer.
  • Biotecnologia, ramo que desenvolve tecnologias a partir de organismos vivos. Como por exemplo, reprodução humana assistida, cultivo de plantas transgênicas, alimentação animal como a ração líquida para suínos.
  • Ciência de materiais, relativo ao estudo e produção das propriedades dos materiais em relação a estrutura. Neste caso, tem-se a criação de plásticos com origem diferente do petróleo, como é o caso do plástico feito do amido de milho.
  • Internet das coisas, relacionada a conexão de objetos inteligentes ao celular ou computadores. Um caso análogo seriam os relógios inteligentes e casas inteligentes onde os eletrodomésticos são comandados por intermédio de comandos do celular.

Impactos da Indústria 4.0

A quarta revolução industrial trouxe fortemente a característica do imediatismo. Afinal, devido ao fator rapidez da automação, os produtos podem ser produzidos em larga escala e distribuídos da mesma forma, gerando um aumento de consumo e até mesmo na produção de lixo.

Como a Indústria 4.0 é fortemente marcada pela digitalização e robotização, houve um crescimento nos Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (EEE). Em tese, é o que Vanessa Forti, Vice-Reitora do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa comenta em seu estudo:

Na prática, as estimativas da Universidade das Nações Unidas (UNU) mostram que o consumo de EEE aumentou rapidamente nos últimos anos. E, esta crescente é explicada pelo fato de que a sociedade da informação está crescendo em grande velocidade no mundo.

Além disso, sempre há uma atualização no sistema de produção. Um exemplo é a quantidade de modelos de celulares, tablets, aparelhos televisivos que são produzidos em um lapso temporal pequeno, e que podem acarretar em produtos com obsolescência planejada, ou seja, objetos com o término de condições de funcionamento programados para que o usuário consuma um novo produto lançado.

REFERÊNCIAS

SAKURAIS, R.; ZUCHI, J. D. As Revoluções Industriais Até a Indústria 4.0. Revista Interface Tecnológica. Volume: 15, nº 2, p. 480-491, 2018. DOI: 10.31510/infa.v15i2.386.

Indústria 4.0 – A moda a caminho do futuro. Cartilha de Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro, 2018. Sebrae – RJ

FORTI, Vanessa. O Crescimento do Lixo Eletrônico e Suas Implicações Globais. Revista Panorama Setorial da Internet. Número: 4, ano 11 de Dezembro de 2019.

Deixe um Comentário








Enter Captcha Here :