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Retrospectiva Politize!: Junho de 2020

Todos os meses o Politize! lança a retrospectiva do mês anterior. Essa é uma forma de lembrar e registrar alguns dos principais acontecimentos no Brasil e no mundo. Em tempos de paradoxo entre zilhões de informações nas redes e uma desinformação constante (cada vez mais pessoas acreditam em notícias falsas), o registro de fatos é um bom caminho para nos atermos à realidade. Além disso, com elas, esperamos auxiliar vestibulandos e concurseiros a se manterem atualizados para provas futuras.

Além das retrospectivas, você também pode acompanhar acontecimentos diretamente no nosso portal (textos de segunda à sexta) e nas redes sociais: Youtube; Twitter (@_politize), Facebook, Instagram (@_Politize)

O que aconteceu na Política Nacional?

Bandeira do Brasil

1) Trocas no Ministério da Educação

No dia 18 de junho, o então Ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou sua saída do governo em vídeo ao lado do presidente Jair Bolsonaro. A decisão aconteceu em meio ao inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga a divulgação em massa de notícias falsas, prejudiciais à democracia, no qual Weintraub é investigado.

A relação de Weintraub com o STF já vinha desgastada desde a divulgação do vídeo da reunião ministerial, em maio, na qual Weintraub afirmou que “colocava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”. A permanência no cargo se tornou ainda mais difícil com a participação de Weintraub, sem máscara, em uma manifestação de apoio ao governo, um dia após terem sido lançados fogos de artifício contra o prédio do STF, também por grupos de apoiadores. Após a saída do MEC, Weintraub foi indicado pelo Ministério da Economia para um cargo de Diretor Executivo, representando o Brasil no Banco Mundial.  No dia seguinte ao anúncio da saída do MEC, Weintraub também deixou o país, levantando polêmicas sobre as condições de sua saída.

O Nexo preparou um resumo com os 12 principais atos de Weintraub no MEC. Confira!

Alguns dias depois, no dia 25, o professor e economista Carlos Alberto Decotelli foi indicado ao Ministério da Educação. Contudo, antes mesmo de tomar posse, Decotelli pediu demissão no dia 30. O motivo foram as polêmicas envolvendo fraudes em seu currículo Lattes (que registra atividades acadêmicas). Decotelli apresentava ter concluído doutorado na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, e ter feito um pós-doutorado Universidade de Wuppertal, na Alemanha. Ambas as informações foram negadas pelas instituições. A suspeita de plágio na dissertação de mestrado do professor também contribui para a saída, antes mesmo da posse.

Antônio Paul Vogel ocupou o cargo interinamente até o anúncio de Milton Ribeiro como novo ministro da educação, em 10 de julho.

Que tal aproveitar esse momento para entender melhor o que faz o Ministério da Educação?

Carlos Alberto Decotelli da Silva, nome que havia sido indicado para o cargo de Ministro da Educação (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Carlos Alberto Decotelli da Silva, nome que havia sido indicado para o cargo de Ministro da Educação (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

 

2) Aparição de Queiroz

Outro acontecimento também marcou o dia 18 de junho. A prisão do policial militar aposentado e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, em Atibaia. Queiroz estava em uma propriedade que pertence a Frederick Wassef, até então advogado da família Bolsonaro.

Queiroz vinha sendo investigado desde 2018, quando o Coaf apontou movimentações financeiras suspeitas feitas por ele, que levaram a abertura de uma investigação sobre um possível esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, enquanto Flávio era deputado estadual. Não sabe o que é rachadinha? Nós te explicamos neste vídeo.

Queiroz é apontado como operador do esquema de rachadinhas. Sua prisão foi decretada por percepções de que ele estaria atuando para destruir provas e sob alegações de sua “influência [de Queiroz] sobre milicianos” no Rio de Janeiro. É importante lembrar que, apesar de seu sumiço nos últimos anos, Queiroz não estava foragido, pois não havia um mandado de prisão sobre ele.

Você conferir os detalhes do caso nessa retrospectiva da BBC, assim como nesse resumo em 11 perguntas do G1.

Fabrício Queiroz na Polícia Civil de SP (Fotos Públicas)

Fabrício Queiroz na Polícia Civil de SP (Fotos Públicas)

 

3) Pesquisa Datafolha sobre a democracia

No dia 29 de junho, o Instituto Datafolha divulgou uma nova pesquisa sobre as percepções do brasileiro em relação à democracia. A pesquisa, realizada nos dias 23 e 24 de junho de 2020, com 2.016 entrevistas por telefone apontou que:

  • 75% dos entrevistados concordam que a democracia é a melhor forma de governo (13 pontos percentuais a mais que na pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2019). Para 12%, tanto faz uma democracia ou uma ditadura (era 22%). Para 10%, em certas circunstâncias uma ditadura é melhor do que um regime democrático (era 12%).
  • 46% dos entrevistados afirmaram acreditar haver chances de uma nova ditadura no Brasil. 49% afirmaram acreditar que não há chances.

A pesquisa também abordou temas como percepções da ditadura, direitos que um governo deve ou não ter, notícias falsas, entre outros. Confira todos os dados na pesquisa na íntegra.

Imagem dos prédio do Congresso em Brasília. Conteúdo poder legislativo

Foto: Agência Brasil.

4) Outras trocas de cadeiras

No dia 10 de junho, a atriz Regina Duarte foi oficialmente exonerada de seu cargo de secretária da cultura. A saída de Regina havia sido anunciada no dia 20 de maio. Nesse post do G1 você pode conferir um pouco da trajetória de Regina desde que assumiu o cargo em 4 de março. Para seu lugar, foi anunciado, no dia 23, o também ator Mário Frias. Frias é o quinto secretário da cultura do governo Bolsonaro. Que tal entender um pouco melhor sobre pra que serve a Secretaria da Cultura?

Outra saída, anunciada no dia 15, foi do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. Mansueto deve deixar as funções públicas e atuar na área privada. Para seu lugar foi anunciado o economista Bruno Funchal. O nome de Mansueto ficou conhecido por conta do chamado Plano Mansueto. Que tal conferir o que foi esse plano em nosso post?

E, se uns saíram, outros chegaram. No dia 10 de junho Bolsonaro anunciou a recriação do Ministério das Comunicações, que foi entregue ao deputado federal  Fabio Faria (PSD-RN). Até então, a pasta das Comunicações estava integrada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, de responsabilidade do ministro Marcos Pontes.

O ministro das Comunicações, Fábio Fária, durante a cerimônia de Inauguração do Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P) ( Foto: Alan Santos/PR)

O ministro das Comunicações, Fábio Fária, durante a cerimônia de Inauguração do Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P). (Foto: Alan Santos/PR)

 

5) Continuidade do Inquérito das Fake News

Por 10 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal optou por manter, no dia 18, o inquérito 4871 (inquérito das fake news), que investiga ameaças a membros do STF, e disseminação de notícias falsas. A investigação existe desde 2019, quando foi assinada pelo presidente do STF, Dias Toffoli, com a escolha do Ministro Alexandre de Moraes como relator. Dessa forma, o inquérito teve início no STF, e não no Ministério Público Federal, como normalmente acontece.

O inquérito em si é polêmico. Por um lado, existem aqueles que defendem sua necessidade e importância de o STF agir no combate a fake news, como ‘guardião da Constituição’, e por outro existem os que colocam em dúvida a imparcialidade do julgamento por parte do STF, quando ele é vítima das fake news que investiga, assim como acusação.

O ministro do STF Alexandre de Moraes durante solenidade de posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro do STF Alexandre de Moraes durante solenidade de posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

 

E o que aconteceu na Política Internacional?

 

1) Mundo em combate ao coronavírus

O mundo já apresenta mais de 12 milhões de casos e meio milhão de mortes relacionadas ao novo coronavírus, de acordo com a Universidade John Hopkins. No dia 12 de junho, o Brasil ultrapassou o Reino Unido e se tornou o segundo país com mais mortes causadas por coronavírus no mundo. Apesar disso, o país já toma medidas de flexibilização da quarentena, por conta dos impactos econômicos por ela causados. Segundo relatório do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado no dia 30, mais da metade dos brasileiros com idade de trabalhar está fora do mercado do trabalho.

Enquanto isso, segue um esforço global para a descoberta de uma vacina ainda em 2020, que seria a mais rápida da história. (Confira nosso texto sobre as principais candidatas). De acordo com a presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, a chance de uma vacina ser descoberta ainda em 2020 é grande. A Índia, por sua vez, vai mais longe, e acredita que a vacina pode estar pronta em agosto, apesar de essa previsão ser considerada irreal por boa parte da comunidade científica.

 

Mapa da John Hopkins em 10 de julho de 2020

Mapa da John Hopkins em 10 de julho de 2020

2) Novos protestos antirracismo pelo mundo

Os movimentos antirracistas inspirados pela morte de George Floyd, que foram fortes nos Estados Unidos no mês de maio, se espalharam pelo mundo em junho. Na Europa, no dia 13, de acordo com o G1, ocorreram manifestações em Londres e Newcastle, na Inglaterra; em Paris, na França; em Praga, na República Tcheca, em cidades australianas; em Taipei, Taiwan; e em Zurique, na Suíça. Manifestações a favor do movimento Black Lives Matter e contra violência policial também aconteceram na Austrália, Coreia do Sul e Japão.

Em paralelo a isso, a ONU aprovou uma resolução condenando o racismo e a violência policial. O texto original da resolução propunha uma comissão internacional de inquérito para investigar o racismo nos Estados Unidos, mas essa parte foi retirada, com apoio do Brasil.

Protestos Antirracistas em Queensland, Austrália, em 6 de junho. (Foto: AndrewMercer via Wekimedia Commons)

Protestos Antirracistas em Queensland, Austrália, em 6 de junho. (Foto: AndrewMercer via Wekimedia Commons)

3) 79 milhões de pessoas deslocadas no mundo

No dia 18, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) divulgou o relatório Tendências Globais, na qual aponta que o deslocamento forçado (por guerras, conflitos e perseguições) atinge cerca de 1% da humanidade (1 a cada 97 pessoas), algo em torno de 79,5 milhões de pessoas. O relatório também apontou que caiu, nas últimas décadas, a média de pessoas que conseguem voltar pra casa. Enquanto na década de 90, um milhão e meio de refugiados conseguia voltar pra casa por ano, nas últimas décadas essa média caiu para 390 mil.

Entenda um pouco mais da crise de refugiados pelo mundo

Imagem ilustrativa. Acampamento na Eritreia (Foto: David Mark/Pixabay)

Imagem ilustrativa. Acampamento na Eritreia (Foto: David Mark/Pixabay)

4) Tensão entre China e Austrália

China e Austrália, dois dos principais países do Oceano Pacífico, tem vivido tensões nos últimos meses. Tudo começou em abril, quando a Austrália pediu uma investigação internacional  independente sobre a origem do novo coronavírus em Wuhan, na China, o que também tem o apoio dos Estados Unidos. O pedido australiano provocou forte reação contrária por parte dos chineses. Em resposta a isso, a China vem, desde então, retaliando economicamente a Austrália, com aumento de tarifas sobre cevada e carnes. Em julho, a China também aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens para a Austrália, por  conta de “aumento significativo” de ataques racistas contra asiáticos no país. Você pode conferir essa disputa diplomática em detalhes nesta matéria da BBC.

A Austrália, por sua vez, anunciou em junho que está sofrendo uma onda de ataques cibernéticos, atribuídos a “um país estrangeiro”. O nome do país, contudo, não foi citado. Nessa linha, que tal conferir o que é uma ciberguerra?

(Foto: S. Hermann & F. Richte/Pixabay)

(Foto: S. Hermann & F. Richte/Pixabay)

5) Paus e pedras na fronteira entre China e Índia

“Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com paus e pedras”. A famosa frase atribuída ao físico Albert Einstein se materializou, em menor escala, em junho. Não houve uma guerra, mas sim um conflito na fronteira entre China e Índia, envolvendo paus e pedras. Isso porque Índia e China possuem um acordo que data de 1996, no qual se comprometem a não utilizar armas de fogo e explosivos na fronteira, para manter boas reações. Vale lembrar que ambos os países possuem armamentos nucleares, então uma escalada de tensões poderia ser ruim para ambos.

O confronto ocasionou a morte de 20 soldados indianos e um número desconhecido de soldados chineses, e é mais um capítulo da longa história de tensões fronteiriças entre China e Índia. Você pode conferir um pouco mais dessa história nesse post da BBC.

 

Primeiro-ministro Narendra Modi e Xi Jinping, Presidente da China durante a cúpula informal de Chennai em Mamallapuram (Foto de outubro de 2019, via Fotos Públicas)

Primeiro-ministro Narendra Modi e Xi Jinping, Presidente da China durante a cúpula informal de Chennai em Mamallapuram (Foto de outubro de 2019, via Fotos Públicas)

6) O debate sobre estátuas pelo mundo

Tem acontecido, em diversos países do mundo, um forte debate relacionado à derrubada de estátuas de personagens históricos controversos, com ligação com a escravidão. Esse debate não começou agora, mas foi retomado com força em meio aos recentes protestos antirracistas pelo mundo.

A retomada do debate começou no dia 07, no Reino Unido, com a derrubada da estátua do traficante de escravos e membro do parlamento no século 17, Edward Colston.  Na Bélgica, no dia 09 foi retirada da prefeitura da Antuérpia a estátua do rei Leopoldo II, acusado de genocídio no Congo, o qual detinha como ‘propriedade particular’. Nos Estados Unidos, um dos principais alvos foi o colonizador Cristóvão Colombo, mas a estátua de Theodore Roosevelt, no Museu de História Natural de Nova York, também será retirada após protestos por sua simbologia racista. No Brasil, os principais alvos são os bandeirantes, em especial, a figura de Borba Gato, por conta das mortes de indígenas que teriam provocado.

De um lado, estão aqueles que acreditam que os monumentos não devem ser removidos, mas preservados como um objeto de estudo e reflexão sobre os erros do passado.

De outro, estão aqueles que acreditam que os monumentos devem ser removidos, pois sua existência é uma exaltação das figuras que eles representam

7) Explosão de prédio na Coreia do Norte

No dia 16 de junho, o governo norte-coreano explodiu o prédio de negociações de paz com a Coreia do Sul. A construção havia sido feita em 2018, na cidade fronteiriça de Kaesong, em meio aos esforços de reaproximação das Coreias.  A construção possuía escritórios separados para norte e sul coreanos, assim como um espaço comum. O prédio estava fechado desde janeiro, por contada da pandemia de COVID-19.

A decisão de explodir o prédio vem em meio a uma aumento de tensões por conta de panfletos em balões e mensagens em garrafas, vindos do sul, fazendo críticas ao regime de Kim Jong-Un.

 

Alguns outros acontecimentos:

1) A volta do futebol

O mês também foi marcado pelo retorno de alguns dos principais campeonatos de futebol do mundo, como a Premier League (Liga Inglesa), La Liga (Liga Espanhola) e a Liga Italiana. No entanto, a atmosfera é diferente. Em meio a pandemia, os jogos ocorrem com portas fechadas, sem torcida, e as equipes precisam se adaptar aos novos protocolos de segurança para os atletas, como a realização de testes frequentes e mudanças nos centros de treinamentos e vestiários.

E no Brasil? No dia 18, tivemos o retorno do campeonato carioca, com o jogo entre Flamengo e Bangu. A decisão pelo retorno foi polêmica e enfrentou a oposição de clubes como Fluminense e Botafogo. Em meio a isso, também estão sendo muito discutidos os direitos de transmissão das partidas de futebol, com a MP 984.

Fla-Flu no Maracanã em 08 de julho de 2020 (Foto de Mailson Santana/FLUMINENSE FC via Fotos Públicas)

Fla-Flu no Maracanã em 08 de julho de 2020 (Foto de Mailson Santana/FLUMINENSE FC via Fotos Públicas)

2) Boicote ao Facebook

Em meio às reticências do Facebook em atuar contra discursos de ódio na plataforma, grandes empresas como Starbucks, Unilever, Coca-Cola, Honda e Verizon iniciaram uma campanha de boicote, retirando seus anúncios do Facebook. A campanha começou no dia 17 e, de acordo com o EL País, até o dia 28 de junho mais de 160 empresas já haviam anunciado sua adesão. Os boicotes provocaram fortes quedas nas ações do Facebook na Bolsa da Valores e geraram expectativas por medidas a serem tomadas por parte da plataforma.

Entenda o que são discursos de ódio e o que é uma notícia falsa

 

Imagem ilustrativa do Facebook. (Foto: Willian Iven/Pixabay)

Imagem ilustrativa do Facebook. (Foto: Willian Iven/Pixabay)

3) Festival de Cannes

No dia 03 de junho, o festival francês de Cannes, um dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo, anunciou a lista dos 56 filmes que compõem sua seleção oficial. O filme brasileiro “Casa de antiguidades”, do diretor João Paulo Miranda foi um dos selecionados. Que tal conferir a lista completa?

Câmera fotográfica. Imagem ilustrativa (PublicDomainPictures/Pixabay)

Câmera fotográfica. Imagem ilustrativa (PublicDomainPictures/Pixabay)

Gostou da retrospectiva? Lembrou de algum assunto que ficou de fora? Não deixe de trazer pra nós nos comentários!

 

Publicado em 10 de julho de 2020.

 

Danniel Figueiredo

Um dos coordenadores do Portal e da Rede de Redatores do Politize!. Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonado por política internacional e pelo ideal de tornar a educação política cada vez mais presente no cotidiano brasileiro.

 

Referências:

Vídeo da saída de Weintraub – BBC (Sobre o inquérito das fake news) – G1 (Participação de Weintraub em manifestação) – G1 (Fogos de artifício contra o STF) – G1 (Indicação de Weintraub ao Banco Mundial) – G1 (Saída de Weintraub do país) – Nexo (Resumo do período Weintraub) – Nexo (Polêmicas no currículo de Decotelli) – G1 (Sobre Antônio Paul Vogel) – OGlobo (Sobre Milton Ribeiro) – G1 (Caso Queiroz) – BBC (Caso Queiroz) – Datafolha (Pesquisa sobre democracia no Brasil) – G1 (Regina Duarte na Secretaria da Cultura) – BBC (Quem é o novo secretário da cultura) – Agência Brasil (Sobre o novo secretário do Tesouro) – Agência Brasil (Sobre a recriação do Ministério das Comunicações) – Inquérito 4871 (inquérito das fake news) – Conjur (Apoio ao inquérito) – Senado (Críticas ao inquérito) – OGlobo (Brasil se torna o segundo com mais mortes) – Notícias Uol (Flexibilização da quarentena) – IBGE (Dados do desemprego no Brasil) – Uol (Declaração da presidente da FIOCRUZ) – Correio Braziliense (Índia promete vacina pra agosto)  – G1 (Manifestações antirracistas pela Europa) – G1 (Manifestações antirracistas pelo mundo)  – ONU (Resolução contra o racismo)ONU (Sobre relatório Tendências Globais) – Público (Sobre pedido de investigação da origem do virus) – BBC (Sobre retaliações chinesas à Austrália) – BBC (Ataques cibernéticos na Austrália) – Acordo sobre armamentos em fronteiras de China e Índia – BBC (Sobre confronto na fronteira entre China e Índia)  – GaúchaZH (Sobre os debates de estátuas pelo mundo) – Veja (Sobre a retirada da estátua de Rooselvelt) – OGlobo (Sobre os ataques a estátuas de Colombo nos EUA) – Tab.Uol (Sobre Borba Gato)G1 (Sobre a explosão de prédio na Coreia) – G1 (Panfletos contrários ao regime na Coreia do Norte)Globo Esporte (retorno da Premier League)GaúchaZH (Retorno da Liga Espanhola) – Gazeta Esportiva (Retorno da Liga Italiana)Agência Brasil (Retorno do campeonato carioca)ElPaís (Sobre o boicote ao Facebook)Infomoney (Sobre quedas nas ações do Facebook)G1 (Lista de filmes de Cannes)

Retrospectiva Politize: Maio 2020

Todos os meses o Politize! lança a retrospectiva do mês anterior. Essa é uma forma de lembrar e registrar alguns dos principais acontecimentos no Brasil e no mundo. Em tempos de paradoxo entre zilhões de informações nas redes e uma desinformação constante (cada vez mais pessoas acreditam em notícias falsas), o registro de fatos é um bom caminho para nos atermos a realidade. Além disso, com elas, esperamos auxiliar vestibulandos e concurseiros a se manterem atualizados para provas futuras.

Além das retrospectivas, também estamos lançando duas outras iniciativas:

O Polinews: um compilado das principais notícias da semana, disponível no youtube e nas nossas redes sociais (não deixe de nos seguir no@_politize)

Segue o Fio: uma série que foca em um tema a cada episódio, passando pelas conexões entre os acontecimentos- seguindo o “fio” – para facilitar o seu entendimento.

O que aconteceu na Política Nacional?

Bandeira do Brasil

1) Depoimento de Sérgio Moro

Por determinação do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello,  no dia 02 de maio, o ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, prestou depoimento à Polícia Federal. O depoimento teve duração de 9 horas (das 14h às 23h), e teve como seu principal foco as acusações de interferência na Polícia Federal por parte do presidente da República, feitas por Moro no dia 24 de abril (dia de sua saída do governo). Vale lembrar que no dia 27 de abril, por autorização do STF, foi aberto um inquérito para investigar a suposta interferência. O inquérito ainda está em andamento.

A íntegra do depoimento de Moro se encontra disponível para leitura. No dia 11 de maio, o ex-diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, cuja troca foi um dos pontos que motivou a saída de Moro, também prestou depoimento. Também prestaram depoimento entre os dias 11 e 12, Alexandre Ramagem (diretor geral da Agência Brasileira de Inteligência, que havia sido nomeado para a vaga de Valeixo), Ricardo Saadi (ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro) e os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Braga Netto (Casa Civil).

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala à imprensa. Foto de 24/04/2020 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala à imprensa. Foto de 24/04/2020 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

2) Liberação do vídeo da Reunião Ministerial

No dia 22 de maio, o Ministro Celso de Mello (STF) tornou público o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, que havia sido apontado por Sérgio Moro como uma prova da interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, e faz parte do inquérito que investiga o caso. A íntegra  da reunião pode ser acompanhada tanto em documento quanto em vídeo.

Para apoiadores do presidente, o vídeo teve efeito de reforçar esse apoio, conforme apontado pela BBC, em conversa com pesquisadores que acompanham manifestações em grupos políticos de whatsapp. De acordo com os pesquisadores, o principal efeito do vídeo nos grupos bolsonaristas foi de orgulho.

Já para os críticos do governo, foram destacados pontos para a acentuação dessa crítica, como: a defesa do armamento da população por parte do governo; a manifestação da vontade de trocas da “gente da segurança nossa no Rio” para proteger família e amigos; as falas do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, contra o Congresso e o STF; da Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, sobre “pedir a prisão de governadores e prefeitos”; e do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre aproveitar o momento da pandemia para “ir passando a boiada, ir mudando todo regramento, do Iphan, da Agricultura, do Meio Ambiente”.

 

Reunião Ministerial de 22 de abril. (Print do vídeo da reunião, disponível no canal do Estadão)

Reunião Ministerial de 22 de abril. (Print do vídeo da reunião, disponível no canal do Estadão)

3) Nova troca no Ministério da Saúde

Mais um Ministro da Saúde deixou o cargo em meio a pandemia da COVID-19. Depois da saída de Luiz Henrique Mandetta, em 16 de abril, foi a vez de seu substituto, Nelson Teich, deixar o cargo em 15 de maio, menos de um mês após assumir em 17 de abril. Os principais pontos de discordância entre Teich e o presidente, que motivaram sua saída, foram em relação ao uso da cloroquina para o tratamento da COVID-19, à ampliação das atividades definidas como essenciais, e à flexibilização do isolamento social.

Saiba mais sobre a gestão pública da saúde no Brasil.

O médico Nelson Teich, fez um pronunciamento de despedida, no qual fez um balanço da sua curta atuação à frente da pasta. Foto de 15/05/2020 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O médico Nelson Teich, fez um pronunciamento de despedida, no qual fez um balanço da sua curta atuação à frente da pasta. Foto de 15/05/2020 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

4) Operações da Polícia Federal

Duas operações realizadas pela Polícia Federal tiveram destaque em maio. A primeira delas aconteceu no dia 26, na chamada Operação Placebo, autorizada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que investiga desvios de verba na área da Saúde no estado do Rio de Janeiro, durante a pandemia do coronavírus. Nela, foram realizados 12 mandados de busca e apreensão, que, entre outras, envolveram as residências do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Você pode acompanhar os detalhes do caso nesta matéria do G1.

A segunda delas, por sua vez, foi feita em meio a investigação sobre notícias falsas (fake news) conduzida pelo Ministro Alexandre de Moraes (STF), no inquérito 4.781. Foram realizados 29 mandados de busca e apreensão envolvendo o Distrito Federal e os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. A operação atingiu alguns aliados do presidente Bolsonaro, como Luciano Hang (proprietário da Havan) e Allan dos Santos (blogueiro do canal Terça Livre). Você pode acompanhar a operação em detalhes nesta matéria do El País.

Sede da Polícia Federal em Brasília. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Sede da Polícia Federal em Brasília. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

 

5) Fraudes no Auxílio Emergencial

O Auxílio Emergencial, criado para complementar a renda de famílias de baixa renda durante a pandemia, apresentou novos problemas em maio. O principal deles é relacionado a pessoas que não se enquadram nos requisitos estarem recebendo o benefício. Além de casos como o do jogador Neymar Jr., um dos mais bem pagos do mundo, ter tido seus dados utilizados e o auxílio aprovado (apesar de sua fortuna), um levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva aponta que 3,9 milhões de integrantes das classes A e B (a parcela mais rica do Brasil) foram aprovados no recebimento do auxílio de R$ 600.

Aplicativo do Auxílio Emergencial. (Foto: Leonardo Sá/Agência Senado)

Aplicativo do Auxílio Emergencial. (Foto: Leonardo Sá/Agência Senado)

 

6) Jornais anunciam que deixarão de cobrir o presidente

Alguns dos maiores veículos de comunicação do país anunciaram, no dia 25 de maio, que suspenderão temporariamente a cobertura diária do presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada. A principal alegação é a falta de segurança aos repórteres para a realização do acompanhamento, em meio a hostilidades que tem acontecido.

Entre esses veículos estão: o Grupo Globo, a Folha de São Paulo, o portal Uol, o Grupo Bandeirantes e o portal Metrópoles, de acordo com o jornal Estado de Minas.

Saiba mais sobre a importância as diferenças entre liberdade de expressão e liberdade de imprensa.

Microfone. Imagem ilustrativa para imprensa. ( Foto Rudy e Peter Skitterians /Pixabay)

Microfone. Imagem ilustrativa para imprensa. ( Foto Rudy e Peter Skitterians /Pixabay)

 

7) Manifestações pelo Brasil

O fim do mês também ficou marcado por manifestações de rua, tanto por parte de apoiadores do presidente Bolsonaro quanto por parte de seus críticos. Em São Paulo, parte das manifestações contrárias ao presidente veio de grupos de torcidas organizadas de Corinthians e Palmeiras, que se autodenominam antifascistas.  Saiba mais: o que é fascismo?

O portal Uol selecionou uma série de fotos das manifestações de ambos os lados. Que tal dar uma olhadinha?

 

E o que aconteceu na Política Internacional?

 

1) Mundo em combate ao coronavírus

O mundo já conta com mais de 7 milhões de casos de coronavírus (dados de 09 de junho). O Brasil é o segundo país com mais casos, atrás apenas dos Estados Unidos (707 mil) e o terceiro país com mais mortes no mundo (37.134), tendo ultrapassado a França no dia 30 de maio e a Itália no dia 04 de junho. O país se encontra atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido, em número de mortes.

A Nova Zelândia, por sua vez, em 8 de junho anunciou não ter mais nenhum caso ativo de coronavírus, iniciando uma retomada das atividades.

Enquanto isso, segue a busca global por uma vacina, coordenada pela Organização Mundial da Saúde com o apoio de 44 países, no chamado ACT (Access to Covid-19 Tools) Accelerator. O Brasil, apesar de inicialmente não fazer parte da iniciativa, se juntou a ela no dia 02 de junho. De acordo com o Chanceler, Ernesto Araújo, conforme trazido pela Agência Brasil, “decidimos que o Brasil vai entrar no chamado acelerador de vacinas, que é um projeto aí de vários países e empresas privadas que estão buscando investir e trabalhar em conjunto para o desenvolvimento de uma vacina para o Covid-19”.

Se por um lado, estamos mais próximos de uma vacina, por outro os efeitos da pandemia ainda estão para ser sentidos. De acordo com o Banco Mundial, a pandemia pode resultar em 60 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema.

Mapa de monitoramento da COVID-19 pela Universidade John Hopkins. Print de 09 de junho de 2020.

Mapa de monitoramento da COVID-19 pela Universidade John Hopkins. Print de 09 de junho de 2020.

 

2) Estados Unidos anunciam rompimento com a OMS

No dia 25 de maio, os Estados Unidos anunciaram seu rompimento com a Organização Mundial da Saúde. No mês anterior, o governo Trump já havia anunciado a suspensão de repasses para a Organização.  A justificativa de Trump para isso, conforme trazido pela DW, é a de que “eles fracassaram em fazer as reformas pedidas e imensamente necessárias” e “a China tem controle total sobre a OMS, apesar de pagar apenas 40 milhões de dólares por ano, enquanto os EUA pagam aproximadamente 450 milhões”.

A decisão foi alvo de críticas internacionais. Conforme trazido pelo G1, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe de relações internacionais da União Europeia, Josep Borrell,  pediram que Trump reconsidere a decisão, através de um comentário conjunto, no qual apontavam que: “A OMS deve continuar a ser capaz de coordenar a resposta internacional a pandemias, atuais e futuras. Por isso, a participação e o apoio de todos são necessários e indispensáveis”.

Saiba mais: como funciona o financiamento da OMS?

Brasão da Organização Mundial da Saúde (OMS)

Brasão da Organização Mundial da Saúde (OMS)

 

3) George Floyd e os protestos antirracismo

No dia 25 de maio, George Floyd, um homem negro de 46 anos, foi morto asfixiado por um policial, que já o tinha rendido, e manteve o joelho sobre o pescoço de George por nove minutos, mesmo após protestos de George, afirmando que não conseguia respirar. George havia sido acusado de utilizar uma nota falsa de US$ 20, o que levou a polícia a ser chamada. A morte aconteceu no  condado de Hennepin, Minnesota, nos Estados Unidos, mas foi  gravada e o vídeo viralizou o mundo, sendo o pivô de uma série de protestos, dentro e fora dos Estados Unidos, que pedem pela devida punição dos responsáveis e pelo respeito a vidas negras (#BlackLivesMatter)

Os movimentos tem levantado debates sobre as desigualdades raciais, ainda existentes pelo mundo. A Revista Época mapeou 6 áreas de desigualdade racial no Brasil e nos Estados Unidos. Que tal dar uma olhada?

No Brasil, além de Floyd, foram lembrados nomes de vários negros vítimas de violência policial, como o menino João Pedro (14 anos), morto em uma operação policial no Rio de Janeiro. O Politize! preparou um vídeo que trata dessas manifestações, que tal conferir?

 

Manifestação nos Estados Unidos pelo respeito às vidas negras. (Foto: Pixabay)

Manifestação nos Estados Unidos pelo respeito às vidas negras. (Foto: Pixabay)

4) Ciberataques aumentam durante a pandemia

De acordo com matéria  da Folha de São Paulo, os ciberataques (ataques que acontecem em ambiente cibernético) tem aumentado durante a pandemia, envolvendo espionagem, roubos de dados e desinformação. Você pode acompanhar alguns exemplos desses ataques na matéria da folha. Mas, antes disso, que tal conferir o texto que preparamos para você sobre  o que é e quais as possibilidades de uma ciberguerra?

(Foto: S. Hermann & F. Richte/Pixabay)

(Foto: S. Hermann & F. Richte/Pixabay)

5) Mercenários na Venezuela

A Venezuela passou por um cenário digno de filmes de ficção no começo de maio. No dia 03, o governo de Nicolás Maduro anunciou ter interceptado uma missão de um grupo de mercenários estrangeiros que tentaram entrar no país de barco, através da Colômbia. Cerca de 8 foram mortos e 19 presos. Três dias depois, no dia 06, foi exibido na TV Estatal venezuelana um vídeo no qual um deles, que afirma ter nacionalidade estadunidense, diz que foi contratado pela empresa SilverCorp para treinar grupos na Colômbia, invadir a Venezuela, capturar Maduro e levá-lo aos Estados Unidos.

O chefe do Comitê de Estratégia de Juan Guiadó (autodeclarado presidente da Venezuela) afirmou ter participado das negociações para a operação. Guaidó, por sua vez, nega envolvimento, acusando Maduro de montar uma encenação.

Bandeira da Venezuela pintada em um muro. Imagem ilustrativa (Pixabay)

Bandeira da Venezuela pintada em um muro. Imagem ilustrativa (Pixabay)

6) EUA deixam o tratado Open Skies

No dia 21 de maio, os Estados Unidos anunciaram que deixarão o tratado Open Skies,  negociado desde 1955,  assinado em 1992 e que entrou em vigor em 2002. O tratado conta com 35 países, e tem como principal objetivo ser um gerador de confiança entre seus participantes, permitindo que, de tempos em tempos, sejam realizadas missões de monitoramento entre os países, através de vôos desarmados.

Conforme apontado por Filipe Figueiredo, na Gazeta do Povo, um dos principais motivos para essa saída, assim como foi com a do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), assinado em 1987 e o que os EUA denunciaram em 2019, é a ausência da China nos mesmos. Sendo tratados pensados no âmbito da Guerra Fria, seu principal objetivo era a relação entre Rússia e Estados Unidos. No cenário atual, no entanto, a segunda potência mundial é a China e essa pode ser uma boa oportunidade de renegociar tratados com ela envolvida.

Imagem Ilustrativa (Pixabay)

Imagem Ilustrativa (Pixabay)

 

7) Limbo Político na Bolívia

Você deve se lembrar que no ano passado nós te explicamos a Crise política na Bolívia, em meio a acusações de fraudes nas eleições. E, caso não lembre, você sempre pode conferir nosso texto sobre o assunto.

O fato é que, seis meses depois, a crise continua, devido a impossibilidade de realizar novas eleições, por conta da pandemia do coronavírus.  As eleições estavam marcadas para o dia 03 de maio, mas foram adiadas e não há uma data marcada. Enquanto isso, o governo interino de Jeanine Áñez enfrenta forte oposição do Movimento ao Socialismo (MAS), partido do ex-presidente Evo Morales.  O Parlamento boliviano estabeleceu o prazo de 90 dias, contados a partir de 3 de maio, para uma nova data.

Jeanine Áñez, presidente interina da Venezuela (Foto: Zaconeta Caballero Reinaldo via Fotos Públicas)

Jeanine Áñez, presidente interina da Venezuela (Foto: Zaconeta Caballero Reinaldo via Fotos Públicas)

 

Alguns outros acontecimentos:

1) Facebook e o combate à Fake News

Em meio aos debates mundiais sobre notícias falsas, o CEO do Facebook (maior rede social do mundo), Mark Zuckerberg afirmou no dia 21 de maio que a rede está tomando providências para remover notícias falsas sobre o coronavírus. Mark deu como exemplo uma postagem do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, na qual era afirmado haver uma cura para o coronavírus, que foi removida pelo Facebook.

O mesmo tipo de atitude, no entanto, não foi adotada em relação ao presidente estadunidense, Donald Trump, que também é acusado de disseminar notícias falsas. Tal postura tem sido alvo de críticas e pedidos de demissão no Facebook.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Fotos Públicas)

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Fotos Públicas)

2) Lançamento do Falcon 9

No dia 30 de maio, a SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, se tornou a primeira empresa privada da história a lançar um foguete tripulado ao espaço. A operação foi realizada em parceria com a NASA e o destino foi a Estação  Espacial Internacional. Você pode acompanhar esse e ourtos detalhes nessa matéria do Nexo.

Lançamento do foguete Falcon 9 ((NASA / Bill Ingalls, via Fotos Públicas)

Lançamento do foguete Falcon 9 (NASA / Bill Ingalls, via Fotos Públicas)

3) Aldir Blanc, Flávio Migliaccio e tantos outros…

No dia 04 de maio, morreu, por COVID-19, o escritor e compositor brasileiro Aldir Blanc, compositor, entre outras grandes obras, de “O Bêbado e o Equilibrista”, música eternizada na voz de Elis Regina. Saiba um pouco mais sobre quem foi Aldir Blanc nesta matéria do El País.

No dia 04 também nos deixou o grande ator, produtor, diretor e roteirista brasileiro Flávio Migliaccio. Flávio participou de mais de 30 novelas e deixou um legado para a cultura brasileira. Saiba um pouco mais sobre quem ele foi.

O Politize! manifesta profunda solidariedade a família, amigos e fãs dos dois artistas. Também manifestamos nossa solidariedade aos familiares das mais de 37 mil vítimas de coronavírus no Brasil.

Vela em fundo preto, simbolizando luto. (Foto: Pixabay)

Vela em fundo preto, simbolizando luto. (Foto: Pixabay)

Gostou da retrospectiva? Lembrou de algum assunto que ficou de fora? Não deixe de trazer pra nós nos comentários!
Publicado em 09 de junho de 2020.

 

Danniel Figueiredo

Um dos coordenadores do Portal e da Rede de Redatores do Politize!. Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonado por política internacional e pelo ideal de tornar a educação política cada vez mais presente no cotidiano brasileiro.

 

Referências:

El País (Acusações de Moro ao deixar o governo) G1 (Abertura de inquérito sobre interferência na PF) – Correio Braziliense (Íntegra do depoimento de Moro) – G1 (Íntegra do depoimento de Valeixo) – G1 (Depoimento de Ministros)G1 (Apontamento do vídeo da reunião ministerial como prova por Moro)Íntegra da Reunião Ministerial em textoÍntegra da Reunião Ministerial em vídeoBBC (Efeito da reunião ministerial nos apoiadores de Bolsonaro)Nexo (Pontos principais da Reunião Ministerial)G1 (Teich opta por deixar o Ministério da Saúde)Uol Notícias (Discordâncias entre Bolsonaro e Teich sobre a cloroquina)Época (Teich é informado pela imprensa sobre ampliação de atividades essenciais) –  G1 (Discordâncias entre Bolsonaro e Teich sobre isolamento social)G1 (Operação Placebo) – El País (Operação sobre a investigação das fake news)Metrópoles (Sobre aprovação do auxílio para Neymar)Ecomomia. Uol (Levantamento do Instituto Metrópoles) – Estado de Minas (Sobre a suspensão da cobertura diária do presidente por veículos jornalísticos)Correio Braziliense (Manifestação de apoiadores de Bolsonaro) – GaúchaZH (Manifestação de críticos de Bolsonaro) – Notícias.Uol (Fotos das Manifestações)Correio Braziliense (Brasil ultrapassa a França em número de mortos)G1 (Brasil ultrapassa a Itália em número de mortos)Notícias.Uol (Nova Zelândia anuncia não ter mais casos ativos) – OMS (Projeto ACT) – Agência Brasil (Brasil se junta ao projeto ACT)Folha de SP (Banco Mundial aponta para risco de 60 milhões de pessoas na pobreza) – G1 (Sobre a suspensão de repasses dos EUA para a OMS) – DW (Sobre o rompimento dos EUA com a OMS) – G1 (Sobre a repercussão global do rompimento dos EUA com a OMS) – BBC (O caso George Floyd) – G1 (Manifestações antirracismo pelo mundo) – Época (6 áreas de desigualdade racial no Brasil e nos EUA) – Folha (Sobre o aumento de cyberataques) – Folha (Mercenários na Venezuela) – Folha (Vídeo de um dos mercenários na Venezuela) – BBC (O que se sabe sobre a SilverCorp?) – Folha (Aliado de Guiadó afirma ter participado de planejamento dos mercenários) – Folha (Estados Unidos deixarão o Open Skies) – Gazeta do Povo (Análise de Filipe Figueiredo sobre a saída dos EUA) – O Globo (Sobre a continuidade da crise política na Bolívia) – Uol (Zuckerberg cita post de Bolsonaro para exemplificar combate à fake news) – Correio do Povo (Sobre as críticas a postura do Facebook para com Donaldo Trump) – Nexo (Sobre o lançamento da Falcon 9) – ElPaís (Quem foi Aldir Blanc)TveFamosos (Quem foi Flávio Migliaccio)

Retrospectiva Politize: Abril 2020


Todos os meses o Politize! lança a retrospectiva do mês anterior. Essa é uma forma de lembrar e registrar alguns dos principais acontecimentos no Brasil e no mundo. Em tempos de paradoxo entre zilhões de informações nas redes e uma desinformação constante (cada vez mais pessoas acreditam em notícias falsas), o registro de fatos é um bom caminho para nos atermos a realidade. Além disso, com elas, esperamos auxiliar vestibulandos e concurseiros a se manterem atualizados para provas futuras.

Além das retrospectivas, também estamos lançando duas outras iniciativas:

O Polinews: um compilado das principais notícias da semana, disponível no youtube e nas nossas redes sociais (não deixe de nos seguir no@_politize)

Segue o Fio: uma série que foca em um tema a cada episódio, passando pelas conexões entre os acontecimentos- seguindo o “fio” – para facilitar o seu entendimento.

O que aconteceu na Política Nacional?

Bandeira do Brasil

1) Renda Básica Emergencial: sancionada e imperfeita

O mês começou com o Auxílio Emergencial de R$ 600, debatido durante do mês anterior, sendo publicado no diário oficial no dia 02. Inicialmente estimado em R$ 98 bilhões, para atender 54 milhões de brasileiros – diminuindo os impactos da pandemia e das paralisações de atividades nos grupos mais vulneráveis – hoje, com novos dados o valor já foi corrigido para R$ 124 bilhões, podendo alcançar até 70 milhões de brasileiros. Você pode entender o auxílio em detalhes no nosso texto sobre a Renda Básica Emergencial.

De acordo com a Caixa Econômica Federal, cerca de 50 milhões de pessoas receberam a primeira parcela do auxílio, em abril. Contudo, mais de um mês depois, cerca de 17 milhões de pessoas ainda aguardam pela análises de seus dados, para saber se irão ou não receber o benefício. O aplicativo desenvolvido para lidar com a questão apresentou alguns problemas técnicos, que variaram, desde o não aproveitamento dos dados fornecidos pelos usuários entre 7 e 10 de abril, até apontar a ocupação de uma capixaba como “presidente da República“.

Aplicativo do Auxílio Emergencial (Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)

Aplicativo do Auxílio Emergencial (Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)

2) O cabo de guerra entre Bolsonaro e Mandetta

Abril foi um mês marcado por duas demissões de Ministros no governo Bolsonaro. A primeira delas foi a do então Ministro da Saúde, Henrique Madetta e a segunda, de Sérgio Moro, que lembraremos mais adiante. Mandetta foi demitido no dia 16 de abril, e, em seu lugar, foi colocado o atual Ministro Nelson Teich.

Alguns fatores ficaram marcados como pontos de atrito entre o presidente e o ex-ministro. O primeiro deles foi a questão do isolamento social. Enquanto o presidente manifestou críticas a essa prática, por conta de seus prejuízos econômicos, Mandetta a defendia abertamente, seguindo as recomendações da OMS. O mesmo aconteceu no caso do uso da cloroquina. Enquanto o presidente chegou a fazer um vídeo defendendo o aumento da produção, o Ministro não o recomendava por conta de não haver comprovação científica sobre a eficácia do medicamento naquele momento. Outro fator que pode ter pesado é o fato de o Ministério da Saúde de Mandetta, segundo o Datafolha, ter apresentado popularidade superior à do presidente durante a gestão da crise.

3) Fim do acordo Boeing – Embraer

Em 2018, a americana Boeing Company acertou a compra de 80% dos jatos comerciais da empresa brasileira Embraer, com sede em São José dos Campos – SP. Seria criada uma joint venture, de nome Boeing Brasil-Commercial. Eram mais de US$ 4,2 bilhões em jogo.

 O principal debate sobre esse tema, na época, era o de que, por mais que a fusão pudesse ser boa para a empresa – a colocando em contato com investimentos e tecnologia de ponta – ela poderia não ser tão boa para o Brasil, pois, com isso, o país perderia o controle sobre sua empresa mais avançada em termos de tecnologia. Você pode relembrar um pouco dessa história nesta matéria do G1.

E por que estamos falando disso agora? Bom, porque no final de abril, dia 25, a Boeing desistiu da compra. De acordo com a empresa, ela ”exerceu seu direito de rescindir o contrato, após a Embraer não ter atendido às condições necessárias”, mas não detalhou quais condições teriam sido essas. A Embraer, por sua vez, afirmou que vai entrar na justiça em busca de ressarcimento por quebra de contrato.

Vale lembrar que essa decisão vem em um momento no qual companhias aéreas no mundo todo vem enfrentando uma série de dificuldades , devido às quedas de demanda por passagem e aos fechamentos de fronteiras, por conta da pandemia do coronavírus.

Foto de 2017 de um avião da Embraer. (Sgt.Batista/ Agência FAB)

Foto de 2017 de um avião da Embraer. (Sgt.Batista/ Agência FAB)

4) A saída de Moro do governo

No dia 24, o então Ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, surpreendeu muita gente ao anunciar sua saída do governo. Em um pronunciamento de 40 minutos, que você pode ler na íntegra no G1. Moro acusou o presidente de tentar interferir na Polícia Federal. Um dos principais pontos de atrito foi a troca de comando da Polícia Federal, desejada por Bolsonaro, mas não apoiada por Moro.

No mesmo dia, a tarde, o presidente Bolsonaro fez um pronunciamento público no qual abordou a demissão de Moro, além de diversos outros pontos. Você também pode conferir a íntegra do discurso no G1.

No dia 02 de maio, Moro deu um longo depoimento à Polícia Federal sobre o caso, que também pode ser acessado na íntegra.

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, recebe o presidente eleito Jair Bolsonaro.Foto José Cruz/Agência Brasil

Foto de 2018. O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, recebe o presidente eleito Jair Bolsonaro.Foto José Cruz/Agência Brasil

5) A operação de filme para conseguir respiradores

Um dos principais problemas causados pela COVID-19 é que cerca de 5% das pessoas infectadas acaba desenvolvendo a chamada SDRA (Síndrome do Desconforto Agudo Respiratório). Essa é uma resposta inflamatória dos pulmões ao vírus. Quando há essa inflamação, o processo de contração do diafragma para bombear oxigênio para os nossos pulmões (respiração), comum no dia a dia, acaba se tornando muito difícil e gastando muita energia. É justamente para isso que servem os respiradores artificias. Eles são capazes de bombear ar diretamente para dentro dos pacientes, permitindo com que eles continuem recebendo oxigênio sem a necessidade da contração do diafragma, e podem representar a diferença entre a vida e a morte do paciente. Se quiser entender mais sobre, indicamos esse texto da BBC.

Tendo isso em vista, fica mais fácil de entender o porquê de o governo do Maranhão ter montado uma verdadeira operação de guerra para consegui-los, em abril. De acordo com o governador do Maranhão, Flávio Dino, o estado teria reservado a compra de respiradores por três vezes e nas três teria tido essa compra atravessada: pela Alemanha, pelos Estados Unidos e pelo próprio governo federal brasileiro.

O Secretário estadual de indústria e comércio, Simplício Araújo, com apoio de empresários maranhenses, então, realizou a compra de respiradores direto da China. De lá, sua fabricação foi acompanhada de perto e eles foram escoltados até o aeroporto. Foi feita uma parada para reabastecimento na Etiópia e, ao chegar no Brasil, em Guarulhos (SP), não houve comunicação com a Receita Federal – o que poderia resultar no confisco dos equipamentos. De Guarulhos, a carga embarcou para São Luís, no Maranhão, onde foi recebida por uma comitiva que garantiu a segurança dos equipamentos.  Ao saber da operação, a Receita Federal brasileira a classificou como ilegal, declarando que iria processar o governo do Maranhão.

A disputa global por respiradores é um dos elementos que levanta uma série de perguntas sobre como ficará o mundo pós-corona. Haverá possibilidade de retomar a cooperação ou as disputas entre nações são, novamente, a regra? Em meio a tantas perguntas, o Politize! lançou o projeto Coronavírus: o hoje e o amanhã, que tem o objetivo de promover conversas voltadas para a construção de projetos para o mundo pós coronavírus. Já realizou a sua?

 

6) Centrão de volta ao centro da política

Em fevereiro de 2021, o deputado Rodrigo Maia – um dos principais adversários políticos do presidente – deixará a presidência da Câmara. E qual a relação disso com o momento atual? Bom, ao que tudo indica, planos para sua possível sucessão já estão no horizonte do planalto. E esses planos envolem  articulação com o chamado “Centrão” – entendido como um grupo de partidos sem uma orientação ideológica específica, que tenta se aproximar do executivo (tais como PP, PL, Solidariedade, Republicanos, etc.). Maia, contudo, também tenta desenvolver uma estratégia de sucessão, contando com apoio do MDB e do PSDB. Nos próximos meses, ao que tudo indica, teremos uma visão mais clara de como se darão as alianças no Congresso.

 

E o que aconteceu na Política Internacional?

 

1) Mundo em combate ao coronavírus

No dia 02 de abril, os casos de coronavírus atingiram a marca de 1 milhão de infectados. Em maio, na data dessa retrospectiva, já passamos dos 4 milhões. Os países com mais casos são: Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, Rússia e Itália. O Brasil aparece em oitavo nessa lista, com mais de 169 mil casos confirmados (12 de maio). Já em número de mortes, que, ao todo, alcançam a casa dos 286 mil, aparecemos em sexto, com 11.653, atrás de Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Espanha e França.

Mais de 100 projetos para a produção de vacinas estão em desenvolvimento pelo mundo. E, enquanto elas não saem, estão sendo feitos vários estudos sobre possíveis medicamentos para auxiliar no combate ao vírus. Em relação à hidroxicloroquina, pivô de polarizações políticas no Brasil, de acordo com um estudo realizado com mais de 1.300 pessoas na Universidade de Columbia, no Estados Unidos,  o medicamento não é eficaz no combate à doença. Ou seja, não houve diferença nas respostas entre pacientes que tomaram e  que não tomaram o medicamento.

Mapa montado pela John Hopkins

Mapa do COVID-19 montado pela John Hopkins

2) Kim Jong-Un mais vivo do que nunca

Durante o mês de abril, surgiram diversos rumores pelo mundo sobre uma possível morte ou estado grave de saúde do ditador norte-coreano Kim Jong-Un. Isso porque Kim não participou de uma importante celebração anual – no dia 15 – que relembrava o nascimento de seu avô, Kim Il-Sung, antecessor e importante nome da dinastia Kim.

A partir daí, informações de que Kim Jong-Un teria morrido por conta de uma cirurgia no coração ou estava em estado vegetativo por consequência dela foram apontados em diversos jornais pelo mundo e esse chegou a ser um dos tópicos mais comentados do Twitter. Você pode conferir no Nexo as principais versões que circularam. No dia 30 de abril, contudo, a mídia norte-coreana divulgou imagens de Kim inaugurando uma fábrica em Pyongyang, capital do país, afastando rumores sobre sua morte.

É importante lembrar que a Coreia do Norte é um dos regimes mais fechados do mundo. As informações que recebemos de lá são ou da mídia norte-coreana a serviço do regime Kim, ou de espiões, dissidentes e opositores do regime, na mídia da Coreia do Sul e do Japão. Por isso é tão difícil ter plena confiança nesse tipo de informação.

Kim em inauguração de fábrica na Coréia do Norte (KCNA/Via FotosPublicas)

Kim em inauguração de fábrica na Coréia do Norte (KCNA/Via FotosPublicas)

3) A queda nos preços do petróleo americano

O petróleo nos Estados Unidos, pela primeira vez na história, alcançou valores negativos no mercado futuro. Conforme trouxemos nas retrospectivas anteriores, no início de 2020, o preço do petróleo já passava por instabilidades em meio a desacordos entre os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), em especial Arábia Saudita e Rússia. A crise do coronavírus, com as quedas de demanda por combustíveis, agravou ainda mais esse cenário, pois com armazéns cheios, a tendência é o preço cair.

Um terceiro elemento, para piorar mais ainda a crise, foi que muitos dos contratos de entrega de petróleo nos Estados Unidos estavam para vencer em abril e precisariam ser renovados.  O resultado, como já dissemos, foi um preço negativo. Ou seja, as operadoras de petróleo pagaram para que investidores assumissem novos contratos.

Ainda tem dúvidas? Nessa reportagem, a DW esclarece em detalhes tudo o que aconteceu. Não deixe de conferir também nosso texto sobre a importância política do petróleo no Brasil.

Imagem ilustrativa. Nota de dólar em frente a uma imagem do coronavírus, refletindo o impacto do vírus na economia. (Jorge Araújo\FotosPublicas)

Imagem ilustrativa. Nota de dólar em frente a uma imagem do coronavírus, refletindo o impacto do vírus na economia. (Jorge Araújo\FotosPublicas)

 

4) Tentativa de cessar fogo no Iêmen

Em meio a crise do coronavírus, foi acordada no dia 9 uma trégua, de duas semanas, entre os rebeldes Houthis no Iêmen e a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que estão em conflito no país desde 2015. A medida foi tomada no contexto do apelo do Secretário-Geral da ONU, António Guterrez, por um cessar fogo global durante a pandemia. No dia 24, contudo, em meio a continuação de ataques, a trégua não foi renovada.

O conflito no Iêmen hoje é uma das principais crises humanitárias do mundo. Você pode conferir um pouco mais do que vem acontecendo por lá no texto que preparamos sobre o tema.

Distribuição de alimentos no Iêmen pela Cruz Vermelha. (Foto: ICR/ Via Fotos Públicas)

Distribuição de alimentos no Iêmen pela Cruz Vermelha. (Foto: ICR/ Via Fotos Públicas)

5) Discurso da Rainha Elizabeth II

Na Inglaterra, abril foi marcado por um raro acontecimento: um discurso da rainha Elizabeth II (93 anos), no dia 05. Em mais de 68 anos, esse foi apenas o 5º pronunciamento em escala nacional realizado por ela. O intuito foi o de tranquilizar e confortar os súditos. Vale lembrar que o Reino Unido vem sendo um dos países com maior número de mortes causados pela COVID-19. Você pode conferir, abaixo, o vídeo legendado do discurso.

 

6) Estados Unidos e OMS

No dia 14 de abril, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a suspensão temporária de repasses da verba de apoio dos Estados Unidos a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os repasses chegavam a casa dos US$ 58 milhões de acordo com o presidente.

Conforme apontado pelo portal Uol, mais cedo naquele dia ,Trump já havia criticado a organização pelo Twitter por, segundo ele, não ter alertado anteriormente sobre os perigos de se manter fronteiras abertas com a China e de estar muito centrada no país asiático. : “A OMS realmente estragou tudo. Por alguma razão, financiada em grande parte pelos Estados Unidos, mas muito centrada na China. Daremos uma boa olhada nisso. Felizmente, rejeitei o conselho deles de manter nossas fronteiras abertas à China desde o início. Por que eles nos deram uma recomendação tão falha?”

Indo no caminho oposto, no dia 09, a Organização das Nações Unidas (ONU) apontou 5 razões pelas quais o mundo precisa da OMS para superar a pandemia. De acordo com a ONU, a organização tem o papel de: 1) Ajudar os países a se preparar e responder; 2) Fornecer informações precisas e desconstruir mitos perigosos; 3) Garantir que suprimentos vitais cheguem a profissionais de saúde; 4) Treinar e mobilizar profissionais de saúde; 5) Buscar por uma vacina. Vale lembrar que a organização já tem coordenado esforços de pesquisa globais, através de programas como o Solidarity II, que envolve 10 países.

Brasão da Organização Mundial da Saúde

Brasão da Organização Mundial da Saúde

 

7) A guerra de narrativas entre China e Estados Unidos

Já não estamos mais na Guerra Fria, mas a propaganda e disputa de narrativas, tão típica daquele período, continua a exercer um papel importante no mundo de hoje. E um exemplo claro disso pode ser percebido na pandemia.

Por um lado, os serviços de inteligência dos Estados Unidos alegaram que a China escondeu uma série de informações a respeito do coronavírus, que poderiam ter ajudado a diminuir os impactos da epidemia. Você pode conferir declarações a esse respeito nessa reportagem do Diário de Notícias de Portugal, em português, ou diretamente no portal Bloomberg, que as divulgou, em inglês.

A China respondeu a isso divulgado um vídeo em que rebate e satiriza as declarações do governo dos Estados Unidos. O vídeo, disponível no Youtube, já teve mais de 2.000.000 de visualizações. Você pode conferi-lo abaixo:

Alguns outros acontecimentos:

1) O festival One World: together at home

Artistas do mundo todo participaram, no dia 18 de abril, do maior festival online já realizado na história. O intuito foi reunir alguns dos maiores artistas do mundo para conscientizar sobre a pandemia e incentivar com que as pessoas ficassem em casa. Nomes como Lady Gaga, Paul McCartney, Elton John, Rolling Stones, Stevie Wonder, Billie Eilish, entre outros estiveram presentes.

Não conseguiu assistir aos shows? Calma que eles foram gravados e organizados em uma playlist para você assistir quando quiser. Confira abaixo o primeiro dos vídeos, gravado pela cantora Lady Gaga, uma das organizadoras do festival.

 

2) Animais de volta as ruas

Em meio as medidas de isolamento social para os seres humanos, viralizaram em abril imagens de animais, em vários centros urbanos pelo mundo, onde eles não são comumente vistos. Leões marinhos, macacos, guaxinis, búfalos, cavalos, entre outros foram fotografados. Você pode conferir algumas dessas imagens nesse álbum da Uol,

 

3) Páscoa em meio a pandemia

Pela primeira vez em muito tempo, o feriado da Páscoa teve de ser celebrado à distância, devido à necessidade de isolamento social. E além de vídeo conferências familiares para amenizar esses efeitos, cerimônias religiosas também tiveram de ser adaptadas para se manter. Como exemplo, várias igrejas transmitiram ao vivo suas celebrações. E em relação aos famosos ovos de páscoa, a alternativa das fabricantes foi se adaptar ao comércio online. E por aí, como foi a páscoa?

Gostou da retrospectiva? Lembrou de algum assunto que ficou de fora? Não deixe de trazer pra nós nos comentários!
Publicado em 12 de maio de 2020.

 

Danniel Figueiredo

Um dos coordenadores do Portal e da Rede de Redatores do Politize!. Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonado por política internacional e pelo ideal de tornar a educação política cada vez mais presente no cotidiano brasileiro.

 

Referências:

Olhar Digital (Problemas no app do Auxílio) – G1 (Sobre os dados no app entre 7 e 10 de abril) –  AGazeta (Capixapa “presidente da República) – Saúde (Quem é Nelson Teich) – Notícias.Uol (Os atritos entre Bolsonaro e Mandetta) – Datafolha (Aprovação de atores em relação ao enfrentamento da crise) – Folha (Acordo Embraer – Boeing) – G1 (Acordo Embraer – Boeing) – G1 (Boeing desiste de comprar Embraer) – Estadão (Embraer vai entrar na Justiça por quebra de contrato) – G1 (Sobre as dificuldades do setor aéreo global) – G1(Íntegra do discurso de demissão de Moro) – G1 (Íntegra do pronunciamento de Bolsonaro em resposta) – G1 (Depoimento de Moro à PF) – BBC (Pra que servem os respiradores) – Exame (A operação de guerra no Maranhão para  conseguir respiradores) – Diário de Pernambuco (Reação da Receita Federal aos respiradores no Maranhão) – G1 (Articulação entre governo e centrão) – O Tempo (As manobras no Congresso)Exame (1 milhão de infectados em 2 de abril) – Mapa John Hopkins (Casos de corona pelo mundo) – Notícias.Uol (Projetos de vacinas pelo mundo) – Estudo sobre o uso de cloroquina – Nexo (As versões sobre a morte de Kim Jong-Un)DW (Sobre o preço negativo do petróleo nos EUA) – ONU (Apelo do Secretário Geral por cessar-fogo) – AlJazeera (Trégua não renovada no Iêmen) – Uol (Suspensão de verba dos EUA para a OMS) – ONU (5 razões pelas quais o mundo precisa da OMS) – Galileu (O projeto Solidarity II) – Diário de Notícias (Inteligência dos Estados Unidos diz que China escondeu informações) – Bloomberg (Inteligência dos Estados Unidos sobre China) – G1 (Sobre o ONE WORLD) – Uol (Animais nas ruas com a pandemia) – Estado de Minas (Celebrações religiosas online) – Mercadodeconsumo (E-commerce na Páscoa)

Retrospectiva Politize: Março 2020

Achou que não ia ter retrospectiva de março? Calma, calma, que ela está saindo do forno quentinha para você nessa quarentena, trazendo os principais acontecimentos do últimos mês! E, caso você queira acompanhar as notícias semanais, fique de olho no IGTV do Instagram. O primeiro #polinews semanal já está no ar!

 

O que aconteceu na Política Nacional?

Bandeira do Brasil

1) Os números do PIB e Carioca

Março começou com a divulgação dos números de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2019. O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos por um país em um determinado período de tempo e é um dos principais indicadores de crescimento econômico. Caso queira entender em mais detalhes, confira nosso texto sobre o que é o PIB.

E o que os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam é que, em 2019, o PIB brasileiro cresceu 1,1%. Por um lado, é o terceiro crescimento consecutivo, após duas quedas nos anos de 2015 e 2016, que tiveram queda de 3,5% e 3,3% respectivamente. Em 2017 e 2018, o crescimento foi de 1,3% ao ano.  Por outro lado, é bem abaixo dos números esperados no final de 2018, pelo Boletim Focus, do Banco Central, que alcançavam a casa dos 2,5%.

No dia que os números oficiais de 2019 foram divulgados, um fato curioso aconteceu. Na entrevista coletiva do presidente Jair Bolsonaro pela manhã, no Palácio da Alvorada, os jornalistas encontraram o humorista “Carioca”, caracterizado como o presidente, distribuindo bananas para a imprensa.

2) Debates sobre orçamento no Congresso

O começo de março também foi marcado por debates no Congresso Nacional sobre as divisões do Orçamento nacional entre os poderes da República. Uma das grandes questões debatidas era se o Congresso manteria ou não o veto nº52 do Executivo, que derrubava a destinação de R$ 30 bilhões em emendas parlamentares destinadas ao relator do Orçamento no Congresso. (Não sabe o que são emendas parlamentares? Nesse post a gente te explica!)

No dia 04, por fim, em meio a um novo acordo, que concedia R$ 15 bilhões ao Congresso – para serem utilizados independente da vontade do Executivo – os parlamentares optaram por manter o veto presidencial. Você pode ver os detalhes da questão, da negociação, dos acordos e suas consequências nesta matéria do Nexo.

Outro veto presidencial, por sua vez, que tinha a intenção de impedir o aumento de 1/4 para meio salário  da renda familiar per capta para que idosos e portadores de deficiência tivessem acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) não teve o mesmo destino do primeiro. No dia 11, o Congresso derrubou o veto, mantendo o crescimento. As previsões eram de um custo adicional de R$ 20 bilhões. No dia 03 de abril, no entanto, o Ministro do STF Gilmar Mendes suspendeu esse aumento até que haja uma indicação sobre de onde sairão esses R$ 20 bilhões.

3) Manifestação de apoio a Bolsonaro

No dia 15 de março, cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Belém, entre outras, registraram atos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Você pode ver imagens das principais manifestações nesse post do G1.

Um dos principais intuitos das manifestações era o de fortalecer a imagem do presidente frente ao Parlamento. A grande polêmica em torno delas, contudo, se deu por conta de terem acontecido em meio a uma pandemia viral, na qual diversos especialistas e a Organização Mundial da Saúde recomendam evitar aglomerações e contato físico entre as pessoas, para desacelerar a propagação do COVID-19. O próprio presidente, contudo, rompeu seu isolamento e cumprimentou manifestantes.

Presidente Jair Bolsonaro durante declaração à imprensa. (Foto: Isac Nóbrega/ Agência Brasil)

Presidente Jair Bolsonaro durante declaração à imprensa. (Foto: Isac Nóbrega/ Agência Brasil)

4) Decretação de Estado de Calamidade

No dia 20 de março, o Senado aprovou – na primeira votação por vídeo conferência de sua história – e entrou em vigor o decreto de Estado de Calamidade Pública no Brasil. Mas o que isso significa?

Entre outras coisas, esse decreto permite que o governo aumente os gastos públicos, ignorando, a princípio, as metas fiscais presentes na Lei de Responsabilidade Fiscal. Ou seja, o governo passa a poder ter um déficit primário (diferença entre o que gasta e o que arrecada, descontado os pagamentos de dívida) superior aos R$ 124, 1 bilhões que estavam previstos no Orçamento Anual, definido no final de 2019. Confira em mais detalhes, esse post do Nexo.

A ideia, com isso, é que o governo possa investir mais nos Sistemas de Saúde e em benefícios emergenciais para trabalhadores e empresários, que possam amenizar os efeitos da pandemia de COVID-19 no país.

5) Quarentena Nacional e a política dos governadores

Em meio a pandemia de coronavírus, o Brasil fechou suas fronteiras terrestres com todos os vizinhos, e, no dia 27, fechou fronteiras aéreas para estrangeiros de todas as nacionalidades. Essas medidas, sem precedente histórico, vem sendo adotadas no mundo inteiro e fazem parte da estratégia para evitar a propagação ainda maior do COVID-19.

Mas não é só externamente que o país se fechou. Internamente, foram adotadas uma série de medidas para incentivar ao isolamento social (que as pessoas evitem ao máximo o contato umas com as outras), como interrupção de comércio e transportes públicos, que colocaram em conflito o presidente Jair Bolsonaro e governadores, como, por exemplo, João Dória (SP), Wilson Witzel (RJ).

Enquanto o presidente acredita que o melhor caminho para combater a pandemia é o isolamento vertical (apenas das pessoas em grupos de risco), que poderia diminuir os prejuízos econômicos, os governadores, o Ministro da Saúde, a OMS, e diversos estudos apontam que o isolamento total é o melhor caminho para minimizar as mortes que serão causadas pela pandemia, pois evita a sobrecarga dos sistemas de saúde. Em São Paulo, por exemplo, é esperado que o isolamento evite 89.000 mortes.

 

6) A PEC 927/2020 e a regulamentação do trabalho

No dia 22 de março, foi lançada a Medida Provisória 927/2020, que se tornou a principal regulamentação no que diz respeito a regras trabalhistas durante o período em que estivermos enfrentando a pandemia do coronavírus. O artigo 18 dessa medida previa a possibilidade de suspensão de contratos de trabalho por um período de até 4 meses e, em meio a polêmica que causou, acabou sendo revogado.

A MP, contudo, continua em vigor, tratando de temas como “teletrabalho”, “antecipação de férias”, “banco de horas”, entre outros. Você pode conferir mais sobre ela no nosso texto sobre o que é a MP 927.

E o que aconteceu na Política Internacional?

 

1) Mundo em combate ao coronavírus

No dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde decretou que o coronavírus (COVID-19) atingiu o status de pandemia (uma doença que se propaga simultaneamente em diversas regiões do globo terrestre). Todos os países do mundo já apresentam ao menos um caso e, no total, a doença já supera 1 milhão de infectados. Você pode conferir os números exatos e constantemente atualizados nesse mapa da John Hopkins.

Os principais caminhos que vem sendo adotados internacionalmente são o do isolamento social e/ou a realização de testes em massa. Você pode conferir mais sobre isso no nosso texto sobre o coronavírus. Atualmente, a Europa e os Estados Unidos tem sido os países mais afetados.

2) Recompensa por Maduro

No dia 26 de março, os Estados Unidos apresentaram uma acusação criminal por narcotráfico a Nicolás Maduro, um dos presidentes da Venezuela. A Venezuela enfrenta, desde longa data, uma severa crise econômica e política. Desde o início do ano passado, o país possui dois presidentes (Maduro e Juan Guaidó), que disputam entre si poder e reconhecimento internacional.

A acusação dos Estados Unidos foi acompanhada da promessa de uma recompensa de $ 15.000.000  por informações que levem à sua prisão, a lá filmes de velho oeste

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3) A queda nos preços do petróleo

Março foi marcado por uma grande queda no preço internacional do petróleo (a maior em décadas), por conta do aumento generalizado da produção realizado pela Arábia Saudita. Maior exportador de petróleo do mundo, o país é o único com capacidade de rapidamente aumentar a produção diária em mais de 10 milhões de barris. (Conheça mais sobre a Arábia Saudita).

A decisão da Arábia se deu em meio a desentendimentos com a Rússia sobre qual deveria ser a estratégia para a produção de petróleo da OPEP em meio a pandemia de coronavírus. Você pode conferir a análise completa nessa matéria do G1 e, caso leia em inglês, nesta do Financial Times.

No início de abril, por sua vez, os países chegaram a um novo acordo para a manutenção dos preços do petróleo. A medida é importante em meio às previsões de queda mundial de demanda por petróleo em 2020.

4) Um novo rolê aleatório

Desde o dia 06 de março, se encontram presos no Paraguai nada mais, nada menos, do que o campeão do mundo em 2002 e um dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos, Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Roberto Assis. Os dois são acusados de usar documentos falsos em solo paraguaio. Entenda o caso nesse resumo do Estadão. Nesse tempo, chegou a ser artilheiro no campeonato de futebol da prisão, dando origem a uma série de memes. Atualmente, o ex-jogador se encontra em prisão domiciliar.

Confira outros “rolês aleatórios” que Ronaldinho já fez ao longo da vida.

5) Joe Biden vencendo a Superterça

No começo de março, o pré-candidato a presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, teve sua mais importante vitória nas primárias do partido democrata, quando venceu a Superterça (que reúne primárias de  14 estados dos Estados Unidos). Com a vitória, Biden se consolidou à frente do outro pré-candidato, Bernie Sanders, seu principal concorrente na disputa pela candidatura.

Um mês depois, no início de abril, em consequência desta e de outras derrotas, Sanders abriu mão de sua candidatura e Joe Biden irá representar o partido Democrata na disputa eleitoral contra o Republicado Donald Trump.

Alguns outros acontecimentos:

1) Adiamento das Olimpíadas

As Olimpíadas, maior evento esportivo do mundo, que estavam marcadas para começar em 24 de julho, no Japão, foram oficialmente adiadas para 2021, em meio à pandemia de coronavírus, no dia 24 de março. A medida traz uma série de consequências com que o país terá de lidar no próximo ano.

2) O fenômeno das lives

Você viu alguma live nas redes sociais nos últimos dias? É bem provável que sim. Desde a segunda quinzena de março têm se multiplicado as lives de artistas, com o intuito de incentivar as pessoas a permanecerem em casa, sem abrir mão de ouvir e interagir com seus artistas favoritos. A live da dupla Jorge e Matheus, por exemplo, conseguiu reunir cerca de 3 milhões de pessoas. Você pode conferir como as lives se tornaram centrais para os artistas nesta matéria do Nexo, e veja o que vem por aí em abril.

3) Correntes do bem

Em meio ao isolamento social, a ONU já escreveu um artigo defendendo o quão importante é proteger os mais pobres. Em meio a tudo isso, uma série de iniciativas de solidariedade tem surgido, como, por exemplo, as correntes do bem de São Paulo. Que tal procurar uma iniciativa assim na sua cidade e ajudar como puder para que possamos sair dessa crise o mais rápido possível? Mas lembre-se que você já ajuda muito evitando sair de casa sem necessidade. Então, se puder, #fiqueemcasa.

Publicado em 13 de abril de 2020.

 

Danniel Figueiredo

Um dos coordenadores do Portal e da Rede de Redatores. Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonado por política internacional e pelo ideal de tornar a educação política cada vez mais presente no cotidiano brasileiro.

 

Referências:

IBGE (Números do PIB) – G1 (Previsão pro PIB de 2019) – Nexo (debates do Orçamento Impositivo) – Câmara (Os custos do BPC) – Conjur (STF suspende aumento da renda mínima para o BPC) – G1 (Manifestações do dia 15) – GazetadoPovo (razões das manifestações)OGlobo (Bolsonaro cumprimenta manifestantes) – Nexo (Estado de calamidade) – R7 (Fechamento de fronteiras terrestres) – Economia.Uol (fechamento de fronteiras aéreas) – G1 (Ministério da Saúde sobre o isolamento) – SBP (OMS sobre o isolamento) –  Estadão (porque precisamos seguir em isolamento) – Notícias.Uol (Quarentena evitará 89.000 mortes em SP) – Medida Provisória 927/2020 – G1 (Status de pandemia pela OMS) – ElPaís (Recompensa por Maduro) – G1 (A queda nos preços do petróleo) – Financial Times (Sobre a crise do petróleo) –  ElPaís (Novo acordo entre Rússia e Arábia Saudita) – Estado de Minas (Previsões sobre a demanda por petróleo) – Estadão (Caso Ronaldinho) – Uol (Ronaldinho artilheiro) – Uol (Rolês aleatórios)G1 (Biden vence a superterça) – G1 (Sanders abre mão de candidatura)Olimpiadatododia (consequências do adiamento das Olimpíadas)Nexo (o fenômeno das lives) – Metrópoles (As lives que vem por aí) – ONU (A importância de cuidar dos mais pobres em meio à pandemia) Veja (Correntes do bem em São Paulo)

 

Retrospectiva Politize: Fevereiro 2020

Achou que não ia ter retrospectiva esse mês? Calma, que o Politize! não te deixa na mão! Vem com a gente relembrar os principais acontecimentos de fevereiro.

O que aconteceu na Política Nacional?

1) Polêmica na CPMI das Fake News

Criada em setembro do ano passado com o principal intuito de investigar ataques cibernéticos e o uso de perfis falsos para influenciar as eleições de 2018, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News deu o que falar em fevereiro (confira o que faz uma CPI). Isso aconteceu por conta do depoimento de Hans River do Nascimento, ex – funcionário da empresa de marketing digital Yacows (investigada por sua atuação nas eleições).

Hans afirmou que a empresa fazia uso não autorizado de dados (como o nome e CPF de pessoas) para a compra e cadastro de chips de celular, com o intuito de disseminar conteúdo político no whatsapp. Mas a parte mais polêmica de seu depoimento foi quando negou ter sido fonte de uma matéria escrita pela jornalista Patrícia Campos Mello em dezembro de 2018, que denunciava o caso e o apontava como fonte. Hans afirmou ainda que a repórter teria se insinuado sexualmente para ele na tentativa de obter informações. Confira mais detalhes no resumo da Câmara.

Em resposta, a Folha de São Paulo publicou, no dia 11 de fevereiro, matéria com todas as trocas de mensagens envolvendo Hans River, que comprovariam que ele teria mentido em suas declarações na CPMI. Centenas de mulheres jornalistas, por sua vez, fizeram um abaixo assinado repudiando os ataques à Patrícia Campos Mello. A CPMI segue seus trabalhos, com previsão de se encerrar em 13 de abril, mas podendo ser estendida.

E por falar em Fake News, você sabia que, de acordo com uma pesquisa  de 2018 do Instituto Ipsos , 62% dos brasileiros entrevistados declararam já ter acreditado em alguma notícia falsa? Mas calma, aqui no Politize! a gente te explica o que são Fake News e como combatê-las.

2) Dança das cadeiras no governo

Dois postos importantes no governo tiveram seus comandos alterados em fevereiro: a Casa Civil e o Ministério da Cidadania. O deputado federal licenciado Onyx Lorenzoni, até então o chefe da Casa Civil, substitui o também deputado federal Osmar Terra no Ministério da Cidadania.

Isso acontece em meio a investigações no Ministério da Cidadania sobre a contratação de uma empresa acusada de desviar R$ 50 milhões dos cofres públicos entre 2016 e 2018. Conforme trazido pelo Estadão, a empresa assinou um contrato com o Ministério em 19 de julho de 2019, na gestão de Osmar Terra. Confira a matéria completa do Estadão.  Já a Casa Civil vinha se enfraquecendo desde o final de janeiro com a transferência do Programa de Parceria de Investimentos, importante função da pasta, para o Ministério da Economia.

Para assumir a Casa Civil, foi convidado o general Walter Braga Netto. Braga Netto é o quarto militar no governo, ao lado do general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional),  general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e do major da Política Militar Jorge Oliveira (Secretaria – Geral).

 

3) A greve dos petroleiros

Com início no dia 1º de fevereiro, a greve dos petroleiros do Brasil durou 20 dias até a construção de um acordo entre os grevistas e a Petrobras. Durante esse período, mais de 20 mil petroleiros, em 13 estados e mais de 118 unidades da Petrobras ficaram paralisados. Conforme trazido pelo Nexo, a greve foi motivada por conta do fechamento de uma fábrica de fertilizantes e subsidiaria da Petrobras (Araucária Fertilizantes), que resultou em centenas de demissões, contestadas pelos sindicatos. Você pode ver todos os detalhes sobre isso nesta matéria do Nexo.

No dia 21 de fevereiro foi feito um acordo entre a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Petrobras, com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).  Você pode ver todos os detalhes nessa reportagem da Folha.

Que tal aproveitar esse contexto para entender o que é e a importância da Petrobras

Petroleiros em manifestação em 2020. (Fotos Públicas)

Petroleiros em manifestação em 2020. (Fotos Públicas)

4) O caso Adriano

Foi morto, no dia 9 de fevereiro, na Bahia, o ex-policial do Bope Adriano de Nóbrega, acusado de interagir com as milícias do Rio de Janeiro. Adriano estava foragido há mais de um ano. A polêmica em torno do caso se deu por conta de ele ter sido morto pela polícia, levantando hipóteses de “queima de arquivo” (quando alguém é morto para evitar que preste depoimento que possa incriminar outras pessoas”).

Conforme trazido pelo G1 “De acordo com o Ministério Público, Adriano era um integrante da organização criminosa que agia no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro. E recebia parte de recursos vindos da rachadinha. Segundo as investigações, o esquema seria operado pelo amigo de Adriano dos tempos da PM, Fabrício Queiroz”. Você pode conferir tudo no matéria completa do G1 sobre o caso. 

Não sabe o que é uma milícia? Confira nosso texto sobre isso! 

 

5) Greve da PM e Cid Gomes

A Polícia Militar do Ceará iniciou uma paralisação (ou motim) no dia 18 de fevereiro, que durou por todo o restante do mês. Durante esse período, pessoas encapuzadas ocuparam batalhões, esvaziaram pneus de viaturas, determinaram fechamento do comércio, entre outros, agravando a situação da Segurança Pública no estado. A paralisação teve início em meio a negociações por um reajuste de salário para a categoria. O projeto de lei em tramitação na Assembléia Legislativa do Ceará falava em um aumento em três etapas que elevaria o salário dos atuais 3.475 para 4.500 até 2022.

É importante lembrar que, pela Constituição de 1988, policias militares não possuem direito à greve. Quer entender melhor o direito à greve? Confira nosso texto sobre ele!

Outro ponto polêmico nesse tema foi quando, no dia 19 de fevereiro, o senador Cid Gomes (PDT -CE) foi baleado ao avançar com uma retroescavadeira contra as grades que protegiam os PMs grevistas em um quartel. O senador vem se recuperando desde então. No dia 20, as forças armadas foram enviadas ao Ceará para tentar acalmar a situação. Você pode conferir com mais detalhes toda a cronologia do caso nesta matéria do G1.

6) Censura nos clássicos em Rondônia

Um acontecimento inusitado nesse mês foi a circulação de um memorando da Secretaria de Educação de Rondônia, no dia 06, que determinava o recolhimento, nas escolas de Rondônia, de uma série de livros clássicos da literatura brasileira, por terem “conteúdos inadequados” à crianças e adolescentes. Dentre os 43 títulos citados, apareciam “Macunaíma”, de Mário de Andrade e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, frequentemente exigidas em vestibulares. Autores como Caio Fernando Abreu, Carlos Heitor Cony, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca também apareciam na lista. Você pode conferir todos os títulos nesta matéria da Folha.  Após a divulgação e repercussão da medida, a Secretaria voltou atrás em sua decisão.

O recolhimento de livros tem nome, e é censura. Confira tudo sobre o que é censura e o que diz a lei brasileira!

7) Bolsonaro e as manifestações

No dia 25, a jornalista Vera Magalhães, do Estadão e do Brasil político, publicou uma matéria na qual apontava que o presidente Jair Bolsonaro teria compartilhado dois videos que convocavam para manifestações pró governo previstas para acontecer no dia 15 de março. A polêmica em torno dessas manifestações está no fato de alguns grupos enxergarem nelas um caráter anti-Congresso e anti-STF.

O presidente Jair Bolsonaro, em uma live, afirmou que o vídeo divulgado pela jornalista teria sido compartilhado em 2015. Em resposta, a jornalista publicou no twitter prints dos vídeos, que mostrariam o contrário.

Em meio ao clima de polarização política no país, ataques de ambos os lados são cada vez mais frequentes e é cada vez mais difícil dialogar. De acordo com pesquisa do Instituto Ipsos, para 32% dos brasileiros entrevistados ““Não vale a pena tentar conversar com quem pensa diferente de mim”. Levando em conta que o diálogo é fundamental na democracia, o Politize! criou o Despolarize, um projeto que incentiva e fornece ferramentas para o diálogo mesmo com quem pensa diferente de você. Confira!

E o que aconteceu na Política Internacional?

 

1) Brasil “desenvolvido” e no TPI

Começamos pelos acontecimentos ligados ao Brasil! No dia 10, os Estados Unidos publicaram uma medida que altera o status do Brasil, assim como de outros 24 países, de “em desenvolvimento” para “desenvolvido”. Os critérios utilizados no caso brasileiro foram a participação em 0,5% do comércio mundial e a presença no G20 (entenda o G20), desconsiderando aspectos sociais. Essa mudança traz tanto ganhos como perdas. Você pode conferir todos os detalhes nesta matéria do Nexo.

Outro ponto relacionado à política externa brasileira foi o alinhamento com Israel no Tribunal Penal Internacional (confira tudo sobre o TPI) para se opôr à investigação de crimes cometidos no território ocupado da Palestina  por Israel. A medida foi tomada no dia 14, por meio de ofício encaminhado ao TPI pela embaixadora brasileira na Holanda, Maria Regina Cordeiro.

Não é de hoje que a relação entre Israel e Palestina movimenta tensões. Confira mais dessa história.

 

2) Encontro entre Lula e Francisco

Outro acontecimento que dividiu o país nesse mês foi o encontro do ex-presidente Lula com o Papa Francisco, no Vaticano, no dia 13. Lula afirmou no twitter que “encontrou o Papa para conversar sobre um mundo mais justo e fraterno”. Além da questão social, a questão ambiental também foi tratada na conversa com o Papa. Conforme relatado pelo Notícias Uol, Lula disse que “Há uma má vontade, apesar dos discursos, dos governantes preocupados com a questão ambiental. (…) Enquanto a gasolina for barata, enquanto o petróleo for barato, não há interesse em mudar a matriz energética da maioria dos países“.

O general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional do governo, por sua vez, conforme trazido pelo OTempo, ironizou o encontro. “Parabéns ao Papa Francisco pelo gesto de compaixão. Ele recebeu Lula, no Vaticano. Confraternizar com um criminoso, condenado, em 2ª instância, a mais de 29 anos de prisão, não chega a ser comovente, mas é um exemplo de solidariedade a malfeitores”.

Lula e Francisco. (Fotos Públicas)

3) Primárias nos Estados Unidos

Esse é um ano de eleição presidencial nos Estados Unidos e os Democratas se organizam para decidir quem será o candidato que irá enfrentar o Republicano Donald Trump em sua tentativa de se reeleger. Após uma série de primárias e retiradas de candidaturas, a disputa fica cada vez mais entre Joe Biden e Burnie Sanders. Biden é advogado e foi o vice-presidente de Barack Obama em seus does mandatos. Sanders, por sua vez, é senador pelo Estado de Vermont e tem a alcunha de ser um candidato mais radical.

Confira neste texto do El País quem está ganhando as primárias democratas.

Bandeira dos Estados Unidos

 

4) Novos conflitos na Síria

Após 9 anos de guerra, novos conflitos continuam aparecendo na Síria. Desta vez, o final de fevereiro foi marcado pelo aumento de tensões entre Síria, Rússia e a Turquia na região de Idlib, no noroeste da Síria, último reduto da oposição de Bashar Al-Assad. No dia 27, 33 militares turcos foram mortos em um ataque na região e especulações apontam que o ataque vindo de forças de Assad e russas (que apoiam o governo Assad).

Em resposta, no dia 02 de março, a Turquia lançou uma ofensiva à Idlib e derrubou dois aviões Sírios. Confira mais sobre os últimos acontecimentos nas análises do G1 e do El País, e caso queira entender um pouco mais das origens do conflito na Síria, confira nosso texto sobre ele.

 

5) FMI e Argentina: novo capítulo de uma antiga relação

No último ano, nós te explicamos a crise econômica na Argentina. Pois bem, em 2020 ela continua longe de um fim. No dia 19 de fevereiro, o Fundo Monetário Internacional (entenda o FMI) declarou que a dívida da Argentina é insustentável e pediu a colaboração de credores internacionais para evitar um nova moratória (o país já soma 8 em sua história). Ao FMI, a Argentina deve US$ 44 bilhões, mas o total de sua dívida externa chega na casa dos US$ 311 bilhões.

6) MIT e as eleições na Bolívia

A Bolívia é outro país que vem enfrentando uma crise desde o final do ano passado. Nesse caso, no entanto, a crise é mais política que econômica. No ano passado, as eleições que elegeram Evo Morales em primeiro turno para mais um mandato tiveram suspeitas de fraudes levantadas pela oposição e Evo acabou sendo forçado a renunciar e sair do país. Confira tudo sobre a Crise na Bolívia.

Um dos principais argumentos que sustenta a tese da fraude nas eleições foi um relatório da OEA (Organização dos Estados Americanos) que apontava indícios de que elas haviam sido fraudadas, divulgado em dezembro. Confira o relatório.

No dia 27 de fevereiro, por sua vez, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), divulgaram um estudo que contesta os resultados apresentados pela OEA, apontando que não é possível identificar fraude estatística na eleição, reacendendo os debates sobre a questão. Confira o resumo do estudo nesta matéria do Washington Post.

 

Alguns outros acontecimentos marcantes …

1) Oscar 2020

O Oscar 2020 aconteceu no dia 9 de fevereiro e surpreendeu a muitos. O filme sul-coreano “Parasita” foi o grande vencedor, sendo o primeiro filme longa metragem na história a ganhar nas categorias de melhor filme estrangeiro e melhor filme. Você pode conferir os vencedores em todas as categorias nesse post do Omelete.

O representante brasileiro no Oscar, o documentário Democracia em Vertigem, acabou não levando a estatueta de melhor documentário, que ficou com o filme “Indústria Americana”.

Ficou curioso com Parasita? O Politize! tem um vídeo comentando sobre esse e outros filmes, confira!

2) SuperBowl

Um dos maiores eventos esportivos do mundo, a final da Liga de Futebol Americana (NFL), popularmente conhecida como “SuperBowl”, aconteceu no dia 02 de fevereiro. O grande vencedor foi o Kansas City, derrotando os 49ers, e conquistando a taça após 50 anos. O evento, como de costume, também contou com a apresentação de artistas consagrados em seu intervalo. Os nomes da vez foram as cantroas Shakira e Jennifer Lopez, que dividiram o palco e fizeram um grande show.

3) Carnaval 2020

Pra terminar, não poderíamos deixar de falar da maior festa brasileira, o Carnaval. Aqui no Politize! nos te falamos um pouco da relação entre a política e o carnaval, que tal dar uma olhada? O G1, por sua vez, fez uma análise dos principais números do carnaval de rua em 6 cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Olinda e Belo Horizonte).

Nos dois principais desfiles de escolas de samba no país (no Rio de Janeiro e em São Paulo), as vencedoras foram as escolas Águia de Ouro (SP) e Viradouro (RJ). Mesmo não sendo vencedora, a Mangueira (RJ) foi bastante comentada e dividiu opiniões sobre seu desfile que trouxe a figura de Jesus Cristo representando minorias sociais.

Viradouro, campeã do carnaval no Rio 2020

É coisa que não acaba mais, não é? E pra você, como foi fevereiro? Lembra de algum acontecimento importante que não foi citado? Deixe nos comentários!

Publicado em 03 de março de 2020.

 

Danniel Figueiredo

Coordenador do Portal e da Rede de Redatores. Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonado por política internacional e pelo ideal de tornar a educação política cada vez mais presente no cotidiano brasileiro.

 

 

Referências

Folha (Matéria de Patrícia Campos Mello em 2018) – Câmara (Sobre o depoimento de Hans River) – Folha (Print de conversas com Hans) – Instituto Ipsos (Pesquisa sobre Fake News) – Estadão (Sobre a troca de Ministros) – Folha (Sobre o esvaziamento da casa civil) – G1 (Militares no governo) – Nexo (Sobre a greve de petroleiros) – Folha (Sobre o acordo com os petroleiros) – G1 (Sobre o caso Adriano) –  G1 (Cronologia da greve da PM no Ceará) – Folha (Sobre a censura de clássicos) – BRPolítico (Matéria de Verã Magalhães sobre o compartilhamento de vídeos por Bolsonaro) – Correio Braziliense (Live de Bolsonaro sobre a matéria) – Nexo (Brasil com status de desenvolvido)Folha (Alinhamento Brasil – Israel no TPI) – Uol (Declaração de Lula sobre encontro com Francisco) – OTempo (Declaração de Heleno sobre o encontro) – ELPais (Quem está ganhando as primárias nos EUA)G1 (Conflito em Idlib) – ElPais (Resposta da Turquia em Idlib) – G1 (FMI sobre dívida argentina) – OEA (Relatório sobre eleições na Bolívia) – Washington Post (Resumo de estudo do MIT sobre eleição na Bolívia)Omelete (Vencedores do Oscar 2020) – Folha (SuperBowl) – Folha (Shakira e Jennifer Lopez) – G1 (números do carnaval de rua)

 

Retrospectiva Politize: Janeiro 2020

O povo pediu, e, como no Politize a voz dos nossos usuários é a voz que nos move, as Retrospectivas estão de volta!

No último dia de cada mês, traremos para você um resumo dos principais acontecimentos que o marcaram. Desejamos  um 2020 de muito sucesso, conquistas, e, é claro! educação política e defesa da democracia. E então, pronto(a) para relembrar o que aconteceu neste mês? Vem com a gente!

O que aconteceu na Política Nacional?

1) O Brasil e a democracia

O ano já começou com uma péssima notícia para os defensores da democracia. Segundo pesquisa do instituto Datafolha, caiu de 69%  para 62% o percentual de entrevistados que declararam que a democracia é melhor que qualquer outra forma de governo. Nessa mesma pesquisa, subiu de 13% para 22% aqueles que afirmam não se importar se o governo é uma democracia ou uma ditadura. Uma boa forma de ir contra essa tendência é ter bem claro o que é uma democracia e o que é uma ditadura.

Já em relação ao Índice da Democracia de 2019, promovido pela revista The Economist, – que varia de 0 a 10 e leva em conta os critérios de Liberdades Civis, Cultura Política, Participação Política, Funcionamento do Governo e Processo Eleitoral e Pluralismo – a média global dos 167 países analisados caiu de 5,48, em 2018, para 5,44.

No caso brasileiro, caímos duas posições, passando a ocupar a 52ª posição no ranking global e o 10º lugar na América Latina. Quando o índice foi lançado, o país ocupava a posição 42. Em 2008, subimos para 41 e desde então temos caído no ranking. A atual nota brasileira é 6,86, o que coloca o país como uma Democracia Falha. O relatório completo se encontra disponível para download em inglês.

Quer ajudar o Politize! no ideal de tornar o Brasil uma democracia plena? Confira nosso programa de Embaixadores, que em fevereiro abrirá novas inscrições ou seja um Redator Voluntário.

2) Os anos passam e a polarização permanece!

A indicação de “Democracia em Vertigem” ao Oscar de melhor documentário demonstrou que a polarização política no Brasil continua viva. O documentário mostra a visão da cineasta brasileira Petra Costa sobre os acontecimentos envolvendo o impeachment de Dilma Rousseff (que tal uma retrospectiva do impeachment?). Enquanto para os críticos o documentário tem um claro viés ideológico, distorce alguns acontecimentos e omite outros, para seus apoiadores ele é uma clara denúncia do que entendem ter sido um “golpe” para a retirada da então presidente, que culminou no enfraquecimento da democracia brasileira.

Em relação à pesquisas de popularidade do governo, a pesquisa da Confederação Nacional de Transportes apontou aumento da popularidade do atual presidente Bolsonaro entre agosto de 2019 e janeiro de 2020. De acordo com a pesquisa, 34, 5% dos apoiadores consideram o governo ótimo ou bom e 31% o consideram ruim ou péssimo. Já segundo o Instituto Datafolha, em pesquisa realizada em dezembro, a aprovação de Bolsonaro é de 30% e sua rejeição de 36%.

De uma forma ou de outra, a polarização está presente e provoca uma ‘guerra’ de opiniões e informações nas redes sociais e nas conversas do dia a dia, o que torna muito difícil ouvir o outro lado e ter conversas construtivas. Pensando nisso, o Politize! lançou o Despolarize, um projeto que fornecerá uma série de materiais de boas práticas para diálogos construtivos mesmo com quem pensa diferente de você.

3) Brasil: a caminho da OCDE?

No dia 15 de janeiro, durante uma reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em Paris, os Estados Unidos entregaram uma carta aos demais membros apoiando que o Brasil seja o próximo a iniciar um processo de entrada na OCDE. Essa vem sendo uma das maiores bandeiras da política externa de Bolsonaro desde que foi eleito.

Em outubro do ano passado, os Estados Unidos haviam enviado uma carta semelhante à OCDE, mas apontando apenas Argentina e Romênia como os próximos países que deveriam entrar. Possivelmente, a vitória de Alberto Fernandez nas eleições na Argentina (que aconteceram em outubro), substituindo Macri (tradicional aliado de Trump) pode ter levado à mudança de postura estadunidense. Entenda o que é a OCDE.

4) Gleen Greenwald denunciado pelo Ministério Público

O jornalista Gleen Greenwald, fundador do jornal The Intercept Brasil, foi denunciado pelo Ministério Público Federal junto a outras seis pessoas sob a acusação de hackeamento dos celulares de autoridades da República, como o Ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Veja a íntegra da denúncia.

Em 20 de dezembro do ano passado, a Polícia Federal encerrou o inquérito sobre o caso, inocentando Gleen Greewald. Mesmo sem o aval da PF, o procurador do Ministério Público Federal, Wellington Oliveira, entendeu que Gleen, ao orientar por mensagem de texto o grupo de hackers a apagar mensagens, teria auxiliado no delito. Confira mais detalhes na matéria completa da Folha sobre o caso.

Cabe agora à Justiça decidir se aceitará ou não a denúncia do MPF. Ela será analisada pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara de Justiça Federal de Brasília. Enquanto críticos de Gleen enxergam a denúncia a Gleen como justa, seus defensores a veem como um ataque á liberdade de imprensa. Confira mais sobre o que é liberdade de imprensa.

Gleen ficou conhecido internacionalmente com a divulgação dos casos de espionagem do governo dos Estados Unidos revelados pelo ex-agente da CIA e NSA Edward Snowden, pela qual ganhou um prêmio Pulitzer (maior prêmio do jornalismo mundial). No Brasil, se tornou uma figura polêmica após a divulgação da série de reportagens “Vaza Jato”, na qual aponta, por meio de mensagens de texto obtidas de celulares de autoridades, uma suposta parcialidade da Operação Lava Jato. Confira as reportagens do The Intercept sobre a Vaza Jato.

5) Juiz de garantias, longe de estar garantido

Uma das medidas do Pacote Anticrime, sancionado no final de 2019, é o chamado Juiz de Garantias, que seria um segundo juiz do processo penal brasileiro. Suas funções seriam “controle de legalidade da investigação criminal” e “salvaguarda dos direitos individuais”.

Na prática, os processos penais passariam a contar com um juiz responsável por promover investigações e realizar decisões que dizem respeito à investigações, como pedidos de prisão preventiva, por exemplo, e outro juiz seria responsável pelo julgamento do caso.

O acúmulo dos dois papéis é uma das maiores críticas sofridas por Sérgio Moro, enquanto juiz da Lava Jato, nas reportagens do The Intercept citadas acima. Moro inclusive já manifestou publicamente suas críticas à figura do Juiz de Garantias. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por sua vez, defende a aplicação da figura.

No dia 15 de janeiro, o presidente do STF, Ministro Dias Toffoli, havia suspendido a aplicação da maior parte dos pontos sobre o juiz de garantias por 180 dias. Por sua vez, o Ministro Luiz Fux, próximo presidente do STF, no dia 22, passou por cima da decisão de Tófolli, suspendendo o Juiz de Garantias por tempo indeterminado.

6) Problemas no ENEM e SISU

Este foi um mês complicado para o Ministério da Educação. Por um lado, o pouco divulgado novo processo de consulta popular do Future-se, que terminou no último dia 24, pode representar avanços nas intenções do Ministério para as Universidades e Institutos Federais. Por outro, os problemas no Exame Nacional do Ensino Médio e no Sistema de Seleção Unificado colocaram em xeque a confiança do atual Ministro Abraham Weintraub e sua equipe em conduzir a pasta.

Aproximadamente 6.000 candidatos teriam percebido erros nas correções de suas provas que não haviam sido notados pelo MEC. Para a Folha, funcionários do MEC teriam afirmado que o resultado do ENEM não é 100% confiável. O SISU, sistema no qual os jovens utilizam suas notas para entrar nas universidades também foi contestado. No dia 24, foi acatado um pedido de liminar provisória da Defensoria Pública da União para que os resultados do programa não fossem divulgados.  No dia 28, por sua vez, a liminar foi derrubada pelo STJ. Com a apresentação dos resultados, estudantes relataram erros para acessar a lista de espera dos cursos.

Em meio às críticas, aliados de Weintraub iniciaram uma campanha incentivando sua permanência.

7) O discurso de Goebbels e Regina Duarte

O então Secretário da Cultura, Roberto Avim, no dia 16 de janeiro, gravou um vídeo no qual fazia um discurso muito semelhante ao do braço direito de Hitler, o ministro da propaganda Joseph Goebbels, em 1933. Além do discurso, ao fundo do vídeo podia-se ouvir a ópera favorita de Adolf Hitler.

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo. Ou então não será nada” (Discurso de Avim)

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada” (Discurso de Goebbels)

A aproximação ao discurso Nazista levou à demissão de Avim e a pedidos para que seja responsabilizado criminalmente. O acontecimento também levantou uma série de críticas ao governo pela escolha de Avim para o cargo. Confira nosso conteúdo sobre o que foi o Nazismo.

Para o lugar de Avim, Bolsonaro chamou a atriz Regina Duarte, conhecida por ser uma de suas maiores apoiadoras entre as celebridades. Mesmo criticada por alguns apoiadores de Olavo de Carvalho, Bolsonaro manifestou diversas vezes apoio a Regina, afirmando acreditar que ela será capaz de implementar as mudanças na Cultura esperadas por ele e seus apoiadores.

8) Desmonte de um Super Ministério?

Um dos rumores que perpassou o mês foi o de uma possível recriação do Ministério de Segurança Pública. Atualmente, a pasta da Segurança Pública está alocada no Ministério da Justiça (confira nosso texto sobre esse ministério), sob o comando de Sérgio Moro. Caso fosse recriada, a pasta poderia diminuir o poder de Moro e até foram levantados boatos de sua saída do governo.

De acordo com o jornal O Antagonista, Bolsonaro teria recebido pressões para a recriação do Ministério. Outra teoria, como trazido pela BBC, é a de que essa seria uma tentativa de enfraquecer Moro, que poderia ser adversário nas eleições de 2022.

No dia 24, enquanto fazia uma visita oficial à Índia, Bolsonaro voltou atrás em declaração anterior e descartou a recriação do Ministério da Segurança Pública no momento, assim como qualquer atrito com Moro.

Você sabe quais são os Ministérios do Governo? Confira nosso post!

Quanto a Moro, neste mês o ministro apareceu bastante na mídia, em entrevistas ao Roda Viva e ao Pânico. Entre os temas abordados em entrevistas, sua possível indicação ao STF foi vista por ele como uma “perspectiva natural e interessante“.

9) Previdência, reformada mas ainda deficitária

Mesmo com a Reforma da Previdência aprovada no último ano (confira tudo em nosso texto ou vídeo), a previdência brasileira terminou 2019 com o seu maior rombo da história.  O valor chegou a 318, 4 bilhões, 10% maior que o de 2018. A expectativa do governo é a de que em 2020 os efeitos da Reforma sejam sentidos, diminuindo o déficit até o fim do ano.

E o que aconteceu na Política Internacional?

1) Incêndios na Austrália

2019 foi um dos anos mais secos da história da Austrália. Como uma das consequências, o país enfrentou uma série de incêndios, que atingiram 6,3 milhões de hectares (1 hectar = 10.000m²), mais de 1.000 casas e mataram ao menos 25 pessoas e 480 milhões de animais.

O tamanho da tragédia ambiental ainda está sendo mensurado. O governo da Austrália tem usado helicópteros para sobrevoar as áreas queimadas jogando alimentos para os animais sobreviventes.

No Brasil, o assunto gerou comparações com os incêndios na Amazônia. Confira as diferenças nesta matéria do G1 e entenda melhor o panorama dos incêndios nesta do Nexo.

Animais mortos nos incêndios da Austrália. Foto: ABC News

Animais mortos nos incêndios da Austrália. Foto: ABC News

2) Impeachment de Trump

Nos Estados Unidos, segue o processo de Impeachment do presidente Donald Trump. Aprovado na Câmara, de maioria Democrata, cabe ao Senado, de maioria Republicana (partido do presidente) decidir dar ou não prosseguimento ao caso.

Tudo aponta para uma absolvição do presidente, mas ainda há tentativas entre os Democratas do Senado para ouvir John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional, que estava para lançar seu livro The Room Where It Happened: A White House Memoir, que, segundo rumores, poderia conter informações que incriminam Trump.

No dia 29, a Casa Branca suspendeu a publicação do livro de Bolton por alegar que ele continha informações confidenciais.

Para saber mais, confira nosso texto sobre como funciona um processo de impeachment nos Estados Unidos e veja um resumo detalhado do caso nesta matéria da BBC.

3) Fim da novela do Brexit

Depois de uma série de impasses internos e externos, no dia 29 de janeiro, o Parlamento Europeu aprovou o acordo do Brexit negociado com o Primeiro-Ministro britânico Boris Johnson. O acordo já havia sido aprovado internamente, em meio à vitória de Boris Johnson na última eleição para o parlamento britânico, no qual conquistou a maioria.

Após o resultado da votação, membros do Parlamento Europeu cantaram juntos Auld Lang Syne, uma tradicional canção escocesa de despedida.

4) Mudanças na Família Real britânica

Continuando na Inglaterra, o casal Príncipe Harry e Meghan Markle anunciou, no dia 08 de janeiro, sua renúncia aos cargos de membros sêniores na família real inglesa. Com isso, eles deixam de representar oficialmente a rainha e de receber dinheiro para cumprir deveres reais. Harry era o sexto na linha de sucessão ao trono.

O casal perde seus títulos de “sua alteza real” e ambos concordaram em ressarcir os cofres públicos com o valor da reforma de sua residência (aproximadamente R$ 13 milhões), pela qual pagarão aluguel.

Quem provavelmente ficou feliz com isso foram os redatores de The Crown, série sobre a realeza inglesa, que tem tudo para ganhar novas temporadas. E você, entenda bem as diferenças entre Monarquia e República?

5) Fórum Econômico Mundial

Dia 21 de janeiro, teve início o 50º encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Como sempre acontece na cidade, é comum ouvirmos falar do encontro pelo nome “Davos”. O encontro acontece desde 1971 e reúne algumas das principais autoridades da economia política mundial. Confira um histórico dos principais acontecimentos dos últimos 50 anos montado pelo Estadão.

Em 2020, o fórum contou com a presença de nomes como Donald Trump (presidente dos Estados Unidos), Angela Merkel (chanceler da Alemanha), Emmanuel Macron (presidente da França) e Boris Jhonson (primeiro ministro da Inglaterra) e apresentou uma série de painéis, com questões que vão da economia ao clima, educação, tecnologia, entre outros. Você pode assistir aos principais acontecimentos no youtube do Fórum.

No caso brasileiro, dois nomes se destacaram:  o Ministro da Economia Paulo Guedes e o apresentador e possível candidato à presidência Luciano Huck. No caso de Guedes, o grande destaque foi o anúncio da intenção do Brasil de aderir ao Acordo de Compras Governamentais, da OMC, que permite a participação de empresas estrangeiras em licitações no país e das brasileiras em licitações de outros países (Não sabe o o que é uma licitação? A gente explica!). Se quiser se aprofundar nesse e outros pontos, confira essa matéria do Nexo.

Já Huck participou, no dia 23, do painel sobre desigualdades na América Latina, tratando de temas como desigualdade, educação e meio ambiente e cobrou maior participação do Brasil em outros painéis para além dos painéis econômicos. Huck chegou a ser chamado em voz alta de “próximo presidente” por membros da plateia.

Vale lembrar que em 2017, o Politize! foi premiado pelo Fórum. Confira!

 

6) Irã e Estados Unidos: terceira guerra?

O ano começou com um ataque dos Estados Unidos ao Iraque, que resultou na morte do general iraniano Qasem Soleimani. O acontecimento foi visto por muitos com um possível risco de escalada para algo ainda maior. O ex-chanceler brasileiro Celso Amorim chegou a apontar o ataque como o “fato mais grave desde a Crise dos Mísseis” (momento da Guerra Fria onde Estados Unidos e URSS estiveram mais próximas de um conflito direto). E, no Twitter, hashtags apontando para uma 3ª Guerra Mundial se proliferaram.

No dia 7, em retaliação, o Irã atacou duas bases dos Estados Unidos no Iraque. No dia 8, no entanto, a queda de um avião ucraniano perto de Teerã (capital iraniana) que vitimou 176 pessoas acabou desviando o foco das atenções, principalmente quando o governo iraniano admitiu tê-lo derrubado por acidente.

Que tal conferir nosso texto sobre o Irã e sobre a relação entre Irã e Estados Unidos da pesquisadora em Oriente Médio Helena Cherem?

Muitos especialistas enxergam uma arrefecida nas tensões e que o principal campo deste conflito será o campo cibernético. Para uma análise completa sobre esse evento, confira esse podcast do Xadrez Verbal.

7) Putin manobrando na Rússia

No dia 15 de janeiro, o presidente Russo, Vladmir Putin, anunciou algumas propostas de emendas constitucionais (entenda o que é uma emenda constitucional) na Rússia. A principal mudança é o fortalecimento da figura da Duma (câmara baixa do parlamento) e do primeiro-ministro.

Putin propôs que a Duma não só concordasse, mas fosse responsável pela aprovação do primeiro-ministro, assim como a aprovação dos ministros do gabinete de ministros. O presidente, por sua vez, ficaria impossibilitado de se opôr à formação do gabinete de ministros, podendo, contudo, retirá-los no caso de moções de confiança ou caso não exerçam bem suas obrigações. Confira mais detalhes nesta reportagem do Sputinik.

No dia 23, as mudanças foram aprovadas por unanimidade por todos os presentes na Duma. Analistas apontam que as mudanças podem ser parte de uma manobra de Putin para se manter no poder após o fim de seu mandato presidencial em 2024.

Confira nosso texto sobre como funciona o país de Putin!

8) Luanda Leaks

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), no mês de janeiro, divulgou uma investigação envolvendo a empresária Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África. Filha de um ex-presidente angolano, Isabel é acusada de ter se aproveitado do poder político do pai para, com empresas de fachada e informações privilegiadas, construir sua fortuna. O dinheiro desviado chegou, inclusive, a vir parar na Paraíba.

Membros do ICIJ, a revista Piauí, o portal Poder360 e a Agência Pública publicaram uma série de reportagens sobre o caso. Confira!

Capa da reportagem "O império de Isabel", da Agência Pública

Capa da reportagem “O império de Isabel”, da Agência Pública

9) O coronavirus. Uma nova pandemia?

Um novo vírus chinês tem preocupado o mundo. No dia 30 de janeiro, a Organização Mundial da Saúde (entenda a OMS) declarou o coronavirus uma emergência internacional. Na China, ações para o isolamento da cidade de origem do vírus foram tomadas, desde a proibição de vôos, a orientações para que as pessoas não saiam de casa. Neste vídeo apresentado pelo Diário de Pernambuco, ruas da cidade aparecem desertas.

O G1 preparou uma matéria bem completa sobre tudo o que sabe até o momento sobre o vírus. No momento da escrita deste texto, estima-se que o vírus tenha matado 213 pessoas. Já o Brasil apresenta 9 casos suspeitos, identificados pelo SUS, sem mortes até o momento.

Entenda o que é o SUS e sua importância.

Ao clicar na imagem abaixo, você pode acompanhar em tempo real o mapa de casos confirmados montado pela Universidade John Hopkins.

10) Trump e a proposta de acordo Israel – Palestina

Um dos conflitos mais duradouros de nosso tempo, o conflito entre Israel e Palestina ainda parece longe de um fim. Caso você não entenda o porquê desse impasse, temos uma série de textos sobre Israel e Palestina que explicam.

No final de janeiro (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma proposta de acordo de Paz, a qual foi pensada em parceria com Israel, mas sem consultar os palestinos. O plano, entre outros pontos, incluiria mudanças de fronteiras e uma “Jerusalém Oriental” palestina, sem abrir mão, contudo, de considerar Jerusalém integralmente a capital de Israel. (Entenda as disputas histórias por Jerusalém).

Em nota, o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores brasileiro) endossou o plano de Trump. Os palestinos, por sua vez, rejeitaram completamente o plano de Trump e o consideraram “uma piada“.

Vale lembrar que Israel, desde setembro de 2019, vive um impasse político onde os principais partidos não conseguem formar maioria no parlamento. Ao anunciar a tentativa de acordo ao lado de Benjamin Netanyahu, Trump pode ter tentado fortalecer sua posição.

11) Protestos no Chile

Na América Latina, seguem os protestos no Chile. No ano passado nós já explicamos para você “o que está acontecendo no Chile” e neste ano a situação não está mais estável. No último dia 30 um torcedor do Colo-Colo (clube de futebol tradicional do país) foi morto atropelado por um caminhão da polícia, desencadeando uma nova onda de protestos e até mesmo pedidos para a paralisação do futebol.

Alguns outros acontecimentos marcantes…

1) Grammy e Billie Ellish

No dia 26, aconteceu o Grammy 2020, uma cerimônia da Academia de Gravação dos Estados Unidos que premia anualmente profissionais destaque na indústria da música.

O grande destaque dessa edição foi a cantora Billie Ellish, que, aos 18 anos, ganhou 5 das 6 categorias em que foi indicada (Álbum do ano, Gravação do ano, Canção do ano, Artista Revelação e Melhor álbum vocal de pop). A cantora se tornou, também a primeira mulher a levar os 4 prêmios principais (Álbum do ano, Gravação do ano, Canção do ano, Artista Revelação) em uma mesma edição.

Não sabe quem é Billie Ellish? Se for o caso, o omelete preparou o texto “Quem raios é Billie Ellish?” para te explicar. O omelete também te mostra todos os vencedores do Grammy 2020.

2) Globo de Ouro

No dia 5 de janeiro aconteceu, nos Estados Unidos, a 77ª edição do Globo de Ouro, prêmio que premia profissionais de cinema e televisão dentro e fora dos Estados Unidos.  Você pode conferir os 25 vencedores (14 do cinema e 11 da televisão) nesta matéria do G1.

E, no dia 9 de fevereiro, acontecerá o Oscar 2020. Até lá, o Politize! preparará vídeos sobre alguns dos filmes indicados, comentando sua relação com temas políticos. Fique de olho em nossas redes sociais e confira o primeiro dos vídeos!

 

3) Kobe Bryant, a partida de uma lenda

No dia 26 de janeiro, o mundo perdeu, aos 41 anos, Kobe Bryant, por 20 anos astro do Los Angeles Lakers e uma das maiores lendas do basquete mundial, partindo o coração de milhares de fans e amantes do esporte pelo mundo. Caso não o conheça, confira quem foi Kobe Bryant!

O Politize! manifesta solidariedade a todos os familiares, fans e amigos de Kobe. 

Capa da Revista Time em homenagem a Kobe Bryan

Capa da Revista Time em homenagem a Kobe Bryan

 

Ufa! Bastante coisa, né? E ainda assim estamos longe de cobrir tudo o que aconteceu. E aí? O que achou da retrospectiva? Lembra de algum acontecimento importante que não foi citado? Deixe seus comentários! =D

Publicado em 31 de janeiro de 2020.

 

Danniel Figueiredo

Coordenador do Portal e da Rede de Redatores. Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonado por política internacional e pelo ideal de tornar a educação política cada vez mais presente no cotidiano brasileiro.

 

 

Referências:

Pesquisa DataFolha – Índice da Democracia – Pesquisa da CNT – G1 (Carta de apoio ao Brasil na OCDE) – G1 (Novas taxas dos EUA ao aço e alumínio) –  Íntegra da Denúncia a Gleen – Folha (sobre a denuncia a Gleen) –  G1 (Caso Snowden) – TheIntercept(VazaJato) – G1(Aprovação do pacote anticrime) – Veja(Moro sobre juiz de garantias) – G1 (Oab sobre juiz de garantias) – Diário Popular (Sobre o Future-se) – Folha (Funcionários do MEC sobre ENEM) – Congressoemfoco (Suspensão do SISU) – Educação.uol (Derrubada da suspensão do SISU) – Correio Braziliense (sobre erros na lista de espera do SISU) – Coreio Braziliense (Campanha de apoio a Weintraub) – Nexo (Discurso de Roberto Avim) – Gazeta do Povo (Pedido de criminalização de Avim) – Notícias.uol(Regina Duarte e críticas olavistas)OAntagonista (Pressão apra recriação de MSP) – BBC (MSP para enfraquecer Moro) – Agência Brasil (Bolsonaro descarta MSP) –Roda Viva (Entrevista de Moro) – Pânico (Entrevista de Moro) – Metrópoles (Moro sobre STF) – Folha(Rombo da previdência) – G1(Incêndios na Austrália)G1 (Diferenças entre incêndio na Austália e Amazônia) – Nexo(Incêndios na Austrália) – Estado de Minas (Suspensão do livro de Bolton) – BBC (O processo de ipeachment de Trump) – Agência Brasil (vitória de Boris Johnson) – Estadão (histórico de Davos) – Folha (Huck em Davos) – Nexo (Guedes em Davos) – G1(Ataque do Irã a bases dos EUA) – NY Times (Conflito Cibernético Irã – EUA) – Xadrez Verbal (Podcast sobre Irã – EUA) – Sputnik (Emendas de Putin) – Aljazeera (Aprovação das emendas de Putin) – Agência Pública (Luanda Leaks) – G1 (OMS declara emergência internacional)G1 (Tudo sobre o Coronavirus)Estadão (Mortes por coronavirus) – G1 (Casos suspeitos no Brasil) – John Hopkins (Mapa em tempo real do corona) – BBC (Plano de paz de Trump) – Aljazeera (Resposta dos Palestinos) – Omelete (Billie Ellish)Omelete (Vencedores do Grammy)G1 (Vencedores do Globo de Ouro) – Globoesporte (Kobe Bryant)