O que trânsito tem a ver com cidadania?

Campanha de conscientização no trânsito, em Brasília. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

transito-cidadania

Este é o primeiro texto de uma trilha de conteúdos sobre Cidadania no trânsito. Confira os demais posts da trilha: 12 – 345

Ao terminar de ler este conteúdo, você terá concluído 20% desta trilha 🙂

Todos os espaços nos quais circulamos e interagimos no nosso dia a dia exigem o desenvolvimento da nossa postura como cidadãos. Um dos quais menos lembramos ao nos referimos a esses espaços é o trânsito, apesar de fazermos parte dele constantemente, seja como condutores ou como pedestres.

Entretanto, muitas vezes, deixamos de ser coerentes com a postura de cidadão que exigimos do outro, pois não a exercemos da forma que a cobramos, e no trânsito isso pode ser visto de forma nítida. A questão, então, é: como traçar um paralelo entre a cidadania e o trânsito?

A resposta é bem mais simples do que imaginamos. Ela pode ser dada ao nos referirmos à cooperação para um trânsito seguro, cumprindo as normas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ao desenvolvimento de práticas de uma direção defensiva e ao respeito com as outras pessoas – condutores e pedestres – que compõem o sistema de trânsito.

Você sabe como agir em um acidente de trânsito? Confira as dicas!

Atitudes para colaborar com a cidadania no trânsito

Conforme já apontado, diversas atitudes compõem o papel do cidadão no trânsito. A primeira que podemos citar é a cooperação mútua e o respeito ao assumir o volante.

Com base nas regras estabelecidas pelo CTB, o condutor deve assumir posturas que evitem prejudicar outros condutores e pedestres no fluxo de trânsito. Pensar na segurança do todo e não apenas na individual é uma das posturas de respeito mútuo com outros motoristas e pedestres. Para isso, o condutor deve seguir as normas que visam manter a segurança do sistema de trânsito e que podem prejudicar diretamente outro condutor ou pedestre caso não sejam cumpridas.

Dar sinal quando for realizar alteração de direção ou de pista parece uma atitude muito pequena, mas faz muita diferença na segurança do pedestre e de veículos que estão próximos. Diminuir a velocidade ao se aproximar de uma faixa de pedestres também é uma atitude que, na maioria das vezes, pode não fazer diferença alguma para o próprio condutor, mas é um sinal de respeito ao pedestre, permitindo que ele se sinta seguro ao atravessar a faixa.

Outra ação que está refletida em respeito e cooperação entre os que compõem o sistema de trânsito é o ato de exercer a paciência com as atitudes de outros condutores ou pedestres. Sabemos que alertar o outro condutor ou o pedestre de que a sua atitude está errada quando ele comete um erro é uma forma de cooperar para que o fluxo de trânsito se mantenha organizado. Entretanto, perder a paciência por qualquer deslize cometido por outro condutor, por exemplo, que pode, muitas vezes, ser um recém-habilitado e por isso não ter tanta prática ao conduzir o veículo, é um comportamento que vai contra a manutenção de um trânsito pacífico.

Promover a paz no trânsito, ser paciente com outros condutores e pessoas que andam a pé e aceitar os pedidos de desculpas quando o condutor ou o pedestre percebe que cometeu um erro são atitudes de cidadania básica. A promoção da paz, em sua totalidade, faz parte das atitudes de um cidadão.

Quando eu deixo de exercer a cidadania no trânsito?

Estrada de São Paulo. Foto: Antony Sappres / Fotos Públicas

transito-cidadania

Tendo em vista que exercer a cidadania consiste em tomar atitudes pensando, na maioria das vezes, mais no outro do que em si, pode parecer, para alguns motoristas, que nada muda para eles ao deixarem de se preocupar com as outras pessoas que compõem o sistema de trânsito. Entretanto, o conjunto de fatores que forma um cidadão traz benefícios para quem os pratica assim como traz para quem deles usufrui.

Seguir as normas de trânsito é um ato de cidadania, e o cumprimento dessas normas é capaz de garantir a segurança do condutor, muitas vezes antes mesmo de garantir a dos demais motoristas e a dos pedestres.

Desrespeitar o direito à passagem, estipulado pela sinalização, do pedestre ou do veículo, é exemplo de atos que se pode citar cuja prática não permite que a cidadania seja exercida e a segurança seja mantida. Desrespeitar a sinalização vai contra as leis de trânsito, infringindo o artigo 208 da Lei 9.503 do Código de Trânsito Brasileiro.

Quando acidentes são causados por embriaguez ao volante (art. 165 do CTB), excesso de velocidade (art. 218 do CTB) ou ultrapassagem indevida (art. 203 do CTB), por exemplo, a cidadania no trânsito está deixando de ser exercida. Toda atitude no trânsito capaz de trazer prejuízos a alguém representa uma quebra na postura como cidadão, pois são consideradas infrações pelo CTB.   

Além disso, quando um condutor comete as infrações como as citadas, ele coloca não só a vida de outras pessoas em risco mas também a sua. Com base nos exemplos de infrações que vão contra a cidadania no trânsito, pode-se afirmar que os atos de cidadania beneficiam quem os pratica tanto quanto as demais pessoas.

É importante apontar, no entanto, que os prejuízos de não ser um cidadão no trânsito se somam a outros prejuízos com os quais o condutor tem de arcar, mais especificamente, no que se refere às penalidades. A cidadania em prática é sinônimo do cumprimento das normas que mantêm a segurança e a organização no trânsito. Ao deixar de seguir as regras estipuladas, além de prejudicarem o sistema de trânsito em sua totalidade, condutor e pedestre recebem penalidades, caracterizadas pelas bem conhecidas multas de trânsito e pontuação na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O ser cidadão no trânsito

Exercer a cidadania no trânsito não é pensar somente na própria segurança ou na segurança do outro, mas sim em um sistema seguro como um todo. E é nesse ponto que se pode afirmar que um indivíduo só será capaz de cooperar para o bom funcionamento desse sistema, que é o trânsito, se, além de motorista ou pedestre, ele for também um cidadão.  

Onde há cidadania, há cooperação mútua para a manutenção da organização e da segurança de um sistema. Um sistema que apresentar organização e segurança apresentará também o funcionamento esperado por cada uma das pessoas que o utiliza.

crowdfunding
Publicado em 18 de julho de 2017.

Doutor Multas

O Doutor Multas começou em 2008, entre um chimarrão e outro, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas/RS. Uma conversa entre os amigos Gustavo Fonseca e seu sócio o Rodrigo Gonzalez, desde o início da faculdade, estavam insatisfeitos com o sistema atual. Passaram mais de 9 anos estudando muito as leis e resolveram agir e iniciar uma mudança. Foi criado o Doutor Multas a fim de fazer a diferença e mudar o Direito de Trânsito no Brasil.