Entenda o que foi a Coluna Prestes

Publicado em:

Compartilhe este conteúdo!

A Coluna Prestes foi um movimento revolucionário que buscou denunciar as irregularidades do governo e a tentativa de promover mudanças políticas durante a Primeira República.

Neste texto, a Politize! te conta detalhes deste movimento.

O que foi a Coluna Prestes?

A Coluna Prestes foi uma revolta política-militar ocorrida entre 1924 e 1927. Liderado por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, o movimento foi liderado por militares tenentistas e civis que percorreram mais de 25 mil quilômetros pelo interior do país para protestar contra as oligarquias da República Velha, e estava demonstrando a fraqueza de que a Primeira República estava se enfraquecendo com o tempo.

O movimento rapidamente ganhou apoio de setores descontentes da população, especialmente em regiões rurais, onde as condições de vida eram precárias. Durante dois anos de jornada, a Coluna enfrentou inúmeras dificuldades, desde confrontos armados com forças leais ao governo até as adversidades naturais.

Luis Carlos Prestes foi um dos principais lideres no movimento Coluna Prestes/Costas.
Luis Carlos Prestes, foi um dos principais lideres dentro do movimento Coluna Prestes – Costa. Crédito: Wikimedia Foundation.

Quem foram Luís Carlos Preste e Miguel Costa?

Luis Carlos Prestes, nascido em Porto Alegre (RS), em 3 de janeiro de 1898, militar e político, foi um dos líderes da Coluna Prestes e líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos. Luis Carlos Prestes foi uma das figuras importantes da América Latina.

Cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro e depois foi transferido para o Rio Grande do Sul, onde liderou uma revolta tenentista contra o governo de Artur Bernardes em 1924, composta por jovens oficiais do Exército. A marcha terminou em 1927, quando os revoltosos se exilaram na Bolívia.

Lá, ele conheceu Astrojildo Pereira, um dos fundadores do PCB. Convertido ao marxismo, viajou para Moscou (ex-URSS) em 1931. Retornou clandestinamente ao Brasil em 1935, casado com a comunista judia alemã Olga Benário. Depois de comandar o fracassado golpe conhecido como Intentona Comunista, em 1935, com o intuito de derrubar o então presidente Getúlio Vargas e instalar um governo socialista, foi preso e sua mulher foi entregue grávida à Gestapo, polícia política nazista. Na Alemanha, ela morreu num campo de concentração, em 1942.

Miguel Alberto Crispim da Costa Rodrigues nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 3 de dezembro de 1874, filho de Jaime Costa e de Dolores Costa, ambos imigrantes catalães.

Ainda criança veio ao Brasil com seu país onde se iniciou o ensino básico. Onde se fixaram na cidade de Piracicaba (SP) e, posteriormente, na capital paulista, onde se naturalizou brasileiro.

Aos 15 anos, iniciou na carreira militar como soldado na Força Pública do Estado de São Paulo (atual Polícia Militar). Foi considerado como um aluno que se destacava e que se formou na primeira turma do Curso Complementar da instituição. Com o passar dos anos, ele foi subindo de cargo, chegando a ser Major, em 1922.

Miguel foi uma das figuras importantes na conspiração e execução do levante de julho de 1924 em São Paulo, juntamente com o governo do Presidente Artur Bernades, com o comando geral do Marechal Isidoro Dias Lopes.

Origem do movimento tenentista

A Coluna Prestes (1925-1927) nasceu do movimento tenentista, sob liderança dos tenentes liderados pelo gaúcho Luís Carlos Prestes e dos tenentes paulistas liderados pelo Miguel Costa no Rio Grande do Sul para derrubar as oligarquias, criticar a corrupção, exigindo o voto secreto, e a tentativa de enfraquecer o governo até levar à Revolução de 1930.

O levante direto começou com a Revolta Paulista de 1924, um grande levante tenentista em São Paulo que foi duramente reprimido. Enquanto os revoltosos em São Paulo eram cercados, no Rio Grande do Sul, no final de outubro de 1924, o capitão Luís Carlos Prestes liderou seu próprio levante com o 1º Batalhão Ferroviário em Santo Ângelo. O plano era criar um novo foco de revolta e depois se unir aos paulistas para seguir resistindo.

Em abril de 1925, essas duas forças se encontraram em Foz do Iguaçu, no Paraná. Foi nesse encontro que se formou oficialmente a 1ª Divisão Revolucionária, que ficou conhecida para a história como Coluna Prestes ou Coluna Miguel Costa-Prestes, em referência aos seus dois principais comandantes.

A ideia deixou de ser ocupar uma capital e passou a ser uma guerra de movimento pelo interior do Brasil, percorrendo milhares de quilômetros para tentar desgastar o governo e incitar a população à revolta.

Participação feminina na Coluna Prestes

A participação das mulheres na Coluna Prestes foi notável, embora muitas vezes em um papel secundário. As esposas dos líderes, como Olga Benário Prestes, foram figuras preeminentes, enfrentando as dificuldades ao lado de seus companheiros.

A participação feminina na Coluna Prestes foi um marco de grande importância para a época em relação às lutas sociais e políticas. Embora houvesse diversas mulheres participando na Coluna, as que mais marcaram foram Olga Benário Prestes, Maria Werneck de Castro, Elza Fernandes e Maria Rosa Machado.

Como funcionou o exílio da Coluna Prestes?

A decisão de exílio dos líderes da Coluna Prestes ocorreu em parte como uma resposta à perseguição do governo de Artur e Bernardes, que via o movimento como uma instabilidade política do país. Luis Prestes foi um dos líderes que optaram pelo exílio.

Luis Prestes exilou-se na ex-URSS. Ele buscou refúgio devido a sua simpatia pelo comunismo e ao desejo de buscar apoio internacional para as causas políticas que defendia.

Após sua volta ao país, Prestes tornou-se membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e de outros movimentos de esquerda.

Além disso, a maioria dos integrantes optou por ter o exílio na Bolívia, enquanto outros foram para a Argentina e o Uruguai, onde continuaram a luta contra o governo Vargas, culminando na migração de Prestes para a União Soviética, onde se aprofundou no comunismo.

Quais foram as consequências?

A longa marcha de 25 mil quilômetros veio demonstrando como a Primeira República estava enfraquecida e a sua insatisfação com o governo. Essa exposição contribuiu diretamente para o desgaste do regime, criando um clima de crise e deslegitimação que foi essencial para a vitória da Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, que pôs fim à Primeira República.

Mesmo sem ter derrubado a República Velha, o movimento contribuiu para o seu desgaste ao expor as fragilidades do sistema oligárquico, abrindo caminho para a Revolução de 1930. As denúncias de corrupção e as propostas por reformas influenciaram medidas posteriores, como a instituição do voto secreto e as políticas para a educação primária no governo Vargas, além de moldar uma visão que incentivava a valorização do interior do país.

E aí, já conhecia a história da Coluna Prestes? Deixe suas dúvidas e opiniões nos comentários!

Referências:

WhatsApp Icon

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe
este
conteúdo!

ASSINE NOSSO BOLETIM SEMANAL

Seus dados estão protegidos de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

FORTALEÇA A DEMOCRACIA E FIQUE POR DENTRO DE TODOS OS ASSUNTOS SOBRE POLÍTICA!

Conteúdo escrito por:

Sheila Muniz

Sheila Muniz Lima

Amante de livros, músicas e história do mundo, já fiz relações internacionais e comércio exterior, gosto de desvendar novas curiosidades um dos meus maiores interesses e paixões são história, direito e desvendar como funciona o sistema política, da história.
Lima, Sheila. Entenda o que foi a Coluna Prestes. Politize!, 24 de março, 2026
Disponível em: https://www.politize.com.br/coluna-prestes/.
Acesso em: 24 de mar, 2026.

A Politize! precisa de você. Sua doação será convertida em ações de impacto social positivo para fortalecer a nossa democracia. Seja parte da solução!

Secret Link