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Imagem: cientistas negros. Imagem: Unsplash.com
Imagem: Unsplash.com.

A invisibilidade dos cientistas negros e sua contribuição a ciência é notável. Quando se pensa no Prêmio Nobel – que é considerado o maior reconhecimento nas áreas de literatura, medicina, física, química, economia e ativismo – dos 943 laureados, apenas 17 eram negros (1,8%).

Os negros receberam prêmios em três das seis categorias de prêmios: doze em Paz (70,6% dos destinatários negros), quatro em Literatura (23,5%) e um em Economia (5,9%).

Ou seja, nenhuma pessoa negra ainda ganhou um prêmio Nobel pela sua contribuição científica e a busca por reconhecimento é uma luta de muito tempo, já que muitas das suas contribuições foram apagadas dos livros de história.

O reflexo da desigualdade social e o preconceito pode ser vista até os dias atuais, já que esta população ainda se vê sub representada nos espaços acadêmicos.

A Universidade de São Paulo (USP), que é uma das principais instituições de ensino superior do Brasil, tem apenas 129 professores que se declaram negros – cerca de 2,2% do total de docentes.

Pensando em uma maneira de resgatar o nome destes cientistas negros e o seu legado, neste texto você vai conhecer um pouco mais da contribuição dos negros para essa àrea crucial para a humanidade.

Cientistas negros e negras desde a antiguidade

Segundo o livro “A História Preta das Coisas”, escrito pela pesquisadora Bárbara Carine Soares Pinheiro, várias tecnologias que utilizamos nos dias atuais foram inventadas por criadores negros desde a época do Egito Antigo.

“Existem vários eventos que utilizamos no nosso dia-a-dia. Um grande exemplo típico do brasileiro é a cerveja. Ela é um invento criada na região da Mesopotâmia há 5 mil anos antes de Cristo, mas sofreu diversas modificações até chegar a forma como conhecemos hoje”.

Elane Corrêa, administradora da página Ciência Tá Preta, que busca divulgar o fazer científico negro.

Para além destas importantes invenções que utilizamos no dia-a-dia, os egípcios também colaboraram com conhecimentos fundamentais para o desenvolvimento do campo das exatas e da medicina.

Cientistas negros na área de exatas

Em relação à área das exatas, por exemplo, quando se pensa em matemática logo vem à mente nomes como Pitágoras e Arquimedes.

No entanto, o Papiro de Rhind, ou papiro de Amósis, é um documento egípcio que surgiu em cerca de 1 650 a.C. que já detalhava a solução de 85 problemas de aritmética, frações, cálculo de áreas, volumes, progressões, repartições proporcionais, regra de três simples, equações lineares, trigonometria básica e geometria.

É válido ressaltar que a maior parte do que se entendia sobre matemática surgiu a partir deste documento, mas com o decorrer do tempo essa área de conhecimento foi apropriada por outras populações, principalmente a população europeia.

Cientistas negros na medicina

“Os conhecimentos acerca da matemática e da física que já eram estabelecidos desde o Egito Antigo. Inclusive, instrumentos cirúrgicos foram coletados no Papiro Ebers em 1.700 anos antes de Cristo e foi nele que a gente pôde perceber as primeiras manifestações da Medicina”.

Elane Corrêa

O documento citado por ela é um dos tratados médicos mais antigos e importantes que se conhece e atualmente se encontra preservado e em exibição na biblioteca da Universidade de Leipzig. O papiro recebeu esse nome após ter sido adquirido por um monge alemão chamado Georg Ebers, em 1873.

Segundo a especialista, os egípcios preservaram os seus feitos e manifestações científicas nestes papiros e o que se deu do Papiro de Ebers é um grande símbolo da apropriação cultural e apagamento dos conhecimentos científicos gerado por pessoas negras nos dias atuais.

“Infelizmente, ele está guardado em um museu europeu. Então muitas criações de egípcios negros foram apropriadas e até hoje em dia estão guardadas em locais que não são seus lugares de origem”.

Elane Corrêa

Leia também: O que é apropriação cultural?

A atuação das mulheres negras na ciência

Corrêa destaca que ao realizar o recorte racial para falar sobre negros na ciência, também é preciso falar sobre a invisibilidade das mulheres negras e destacar o seu trabalho que deixou de ser reconhecido por anos.

Tratando do campo da medicina, Merit Ptah é considerada a primeira mulher médica da história. Estima-se que ela teria sido alegada médica chefe da corte do faraó, na Segunda Dinastia, em cerca de 2700 a.C.

“Ela liderava grupos medicinais, mas perdeu espaço para o reconhecimento como precursora para Hipócrates, que até hoje é considerado o pai da medicina. Somente em 1831 que uma mulher negra foi reconhecida como médica, que foi a Rebecca Davis”.

Elane Corrêa

Existiram outras cientistas negras de grande destaque ao longo da história.

Outro exemplo foi Valerie LaVerne Thomas (1943 – presente), que criou em 1978 um aparelho transmissor de ilusão enquanto trabalhava na NASA. O dispositivo foi o primeiro capaz de criar, transmitir e receber imagens 3D de um objeto em tempo real.

A química Alice Ball (1892 – 1916) também se destacou por desenvolver um óleo injetável que foi o método mais eficiente para o tratamento da hanseníase até os anos 40.

Outra cientista que criou uma invenção que mudou a vida das mulheres foi Mary Beatrice Davidson Kenner (1912 – 2006), que inventou o primeiro modelo de absorvente que se tem conhecimento, em 1957. No entanto, ela foi impedida de obter a sua patente por 30 anos.

“A gente pensa que a Grécia e o Egito antigo foi a não sei há quantos anos antes de Cristo e que já se passou muito tempo, mas quase nada mudou. Infelizmente, ainda precisamos lutar, levantar bandeiras e lutar por projetos de interseção das mulheres na ciência”.

Elane Corrêa

Panorama das mulheres na ciência

E essa é uma realidade que continua, pois as mulheres são minoria nas ciências e representam apenas 28% das pesquisadoras de todo o mundo. A informação foi divulgada no estudo “Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática”,elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Elas também são as que menos têm reconhecimento. Apenas 17 receberam o Prêmio Nobel de Física, Química ou Medicina desde Marie Curie, em 1903, em comparação a 572 homens.

O estudo aponta que, apesar do aumento do acesso à educação para as mulheres, ainda existem muitos obstáculos socioeconômicos e culturais que impedem que as alunas concluam os estudos e se beneficiem de uma boa qualidade educacional.

Tais barreiras incluem responsabilidades domésticas, casamento e gravidez precoces, normas culturais que priorizam a educação dos meninos, violência escolar relacionada ao gênero, entre outras.

“Atualmente tem se ouvido muito sobre a importância de apoiar a ciência por conta da pandemia de Covid-19, mas ela é necessária desde que o mundo é mundo. Tudo que a gente pode usufruir hoje foi em detrimento da ciência, por isso que o incentivo deve existir em todo o momento: na escola, nos meios de comunicação de massa e em todo o lugar”.

Elane Corrêa

O que você acha que poderia ser feito para aumentar o reconhecimento de cientistas negros e negras na sociedade? Fala para nós nos comentários!

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Isabela Alves

Graduada em jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Homenageada no 1º Prêmio Neusa Maria de Jornalismo e repórter da periferia.

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