Faltam poucos meses para as Eleições Gerais de 2026, quando mais de 155 milhões de eleitores vão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. E, pela primeira vez em larga escala, esse processo vai acontecer com ferramentas de inteligência artificial generativa amplamente disponíveis e capazes de criar vídeos, áudios e imagens muito próximas da realidade.
Isso muda o jogo eleitoral de duas formas ao mesmo tempo: a IA pode tornar campanhas mais eficientes e acessíveis, mas também pode ser usada para manipular o eleitor em uma escala nunca vista antes. Entender os dois lados é essencial para votar com mais consciência.
Saiba mais: Pesquisa IA e eleições 2026 – Projeto Brief
Como a IA está sendo usada em campanhas eleitorais?
Candidatos e partidos já usam IA para produzir conteúdo, segmentar públicos e analisar dados de eleitores. Isso inclui desde chatbots que respondem dúvidas de eleitores até roteiros de vídeo gerados automaticamente e análises preditivas sobre quais mensagens funcionam melhor com determinados públicos. Usada de forma transparente, a tecnologia pode baratear campanhas e ampliar o alcance de candidaturas com menos recursos.
Um bom exemplo é o “eleitor sintético“, algumas campanhas já estão substituindo pesquisas qualitativas tradicionais com grupos focais em que eleitores reais opinam sobre temas, por ferramentas de IA chamadas de “eleitor sintético”, da SVA Solutions–Galaxies.
A tecnologia usa dados de grupos reais de eleitores para criar perfis sintéticos que reúnem características de segmentos específicos do eleitorado. Por exemplo, um perfil de eleitoras de centro-direita que historicamente votavam no PSDB, mas rejeitam Bolsonaro, ou de eleitores de esquerda frustrados com o PT. Esses perfis são usados pelas equipes de campanha para testar mensagens antes de divulgá-las e até para simular reações e gerenciar crises.
Essa estratégia também reduz o tempo de produção de conteúdo: vídeos e publicações que antes levavam um dia e meio, e até semanas para ficar prontos agora são finalizados em poucas horas, graças à IA.
Regras do TSE para o uso de IA nas eleições
Para conter os riscos, o TSE aprovou a Resolução nº 23.755/2026, que exige rotulagem obrigatória em conteúdo eleitoral feito com IA, proíbe deepfakes maliciosos e restringe certos usos da tecnologia perto da votação, uma das diversas novas regras eleitorais de 2026 que passam a valer neste pleito, ao lado de mudanças trazidas pelo novo Código Eleitoral. Plataformas digitais e empresas de IA também assumiram compromissos com o Tribunal para conter a desinformação durante o período eleitoral.
Saiba mais: Regras e legislações para limitar os efeitos da IA nas eleições de 2026
A relação entre IA e fake news
A relação entre inteligência artificial e fake news é de mão dupla: a mesma tecnologia que turbina a desinformação também pode ser usada para combatê-la.
Como a IA potencializa a desinformação
- Escala e velocidade: antes, produzir fake news exigia tempo e alguma habilidade técnica. Hoje, um único gerador de texto, imagem ou voz cria centenas de peças de conteúdo falso em minutos, tornando a desinformação muito mais barata e rápida de produzir.
- Realismo: deepfakes de voz e vídeo tornam conteúdos manipulados difíceis de distinguir do real a olho nu, elevando o poder de persuasão da mentira.
- Personalização e microtargeting: algoritmos de IA permitem segmentar mensagens falsas para grupos específicos, explorando vieses e vulnerabilidades particulares de cada público.
- Automação de perfis falsos: a IA generativa cria e opera bots que simulam engajamento humano, dando a impressão de que uma narrativa falsa tem mais apoio popular do que realmente tem.
Como a IA também ajuda a combater
- Detecção de conteúdo sintético: ferramentas de IA são treinadas justamente para identificar padrões típicos de imagens, áudios e vídeos gerados artificialmente.
- Checagem de fatos em escala: modelos de linguagem ajudam agências de fact-checking a cruzar informações e verificar afirmações mais rapidamente.
- Rotulagem automática: é a base técnica por trás de exigências como a rotulagem obrigatória de conteúdo eleitoral feito por IA, prevista na Resolução nº 23.755/2026 do TSE.
No fundo, a IA não cria a desinformação do zero, ela amplifica um problema que já existia tornando-o mais rápido, mais convincente e mais difícil de rastrear até a fonte original.
Leia também: Como a polarização alimenta a desinformação?
O que os cidadãos podem fazer?
Diante desse cenário, o papel do eleitor também mudou. Antes de acreditar ou compartilhar um conteúdo político chocante demais para ser verdade, vale parar e checar: o conteúdo tem o aviso de que foi gerado por IA? A fonte é confiável? Outros veículos estão noticiando a mesma coisa? Em caso de dúvida, é possível denunciar conteúdo suspeito diretamente ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE), do TSE.
A inteligência artificial não é, em si, uma ameaça à democracia, mas o uso irresponsável dela pode ser. Quanto mais eleitores entenderem como essas ferramentas funcionam e quais são os limites legais para seu uso em campanha, mais difícil fica para a desinformação decidir uma eleição.
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Referências
- Jornal de Brasília – Inteligência artificial provoca terremoto em campanhas eleitorais de 2026
- Migalhas – IA nas campanhas eleitorais 2026: veja o que TSE autoriza ou proíbe
- Senado Verifica – Inteligência artificial nas eleições? Veja o que ficou decidido pelo TSE
- Techtudo – IA nas eleições 2026: veja o que é permitido e proibido nas campanhas
- Tribunal Superior Eleitoral – Resolução nº 23.755, de 2 de março de 2026

