Pessoa utilizando um smartphone, em meio a uma imagem ilustrativa de rede de dados. A rede de dados faz referência à infodemia.
Foto: Pixabay

Primeiro, antes de começarmos com o conteúdo do texto, quero convidar você a fazer um exercício imaginativo. Imagine que você vive em uma Matrix, uma realidade fictícia, onde toda comunicação e interação humana é feita através das redes sociais.  E qualquer pessoa pode publicar, produzir, consumir e compartilhar conteúdos. Nessa situação, surge um fenômeno desconhecido para os usuários denominado “excesso de informação”, criando um cenário de incertezas, medo e dúvidas de qual informação é confiável. Mas, afinal, como lidar com esse excesso de informação? Neste texto, o Politize! te explica o que é infodemia.

Entendendo o que é infodemia

O excesso de informação é um fenômeno que nasceu nos anos 2000 e vem crescendo com a popularização do acesso à internet. Afinal, todos dias, nós recebemos uma enxurrada de informações em diversos meios de comunicação, principalmente nas mídias sociais.

Em 2020, esse fenômeno ganhou uma maior clareza devido a pandemia da COVID-19, sendo definido como infodemia, ou seja, uma epidemia de informações. Isso porque a pandemia de coronavírus estimulou um comportamento na sociedade: as pessoas passaram a consumir e compartilhar diversas informações, pois estavam lidando com uma situação desconhecida, contudo, apesar da intenção de se informar, a prática acabou resultando em desinformação.

Apesar de ter ganhado mais atenção na pandemia, a infodemia não é um fenômeno novo. O jornalista americano David J. Rothkopf é o criador do termo, mencionando-o pela primeira vez na sua coluna sobre a epidemia da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no jornal Washington Post, em 2003. 

Em sua coluna no jornal Washington Post, Rothkopf definiu a infodemia como

“Alguns fatos, misturados com medo, especulação e boato, amplificados e transmitidos rapidamente em todo o mundo pelas modernas tecnologias da informação, afetaram as economias nacionais e internacionais, a política e até a segurança de maneiras totalmente desproporcionais às realidades básicas”.

Ainda, a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu e classificou a infodemia em 2020: um excesso de informações, algumas precisas e outras não, que torna difícil encontrar fontes idôneas e orientações confiáveis quando se precisa.

Dessa forma, a desinformação, a desorientação, as teorias conspiratórias e as fake news são resultados negativos da infodemia. 

Leia também: Coronavírus: o que é e seus impactos no Brasil e no mundo

E quais são as causas da infodemia?

Pense na infinidade de mensagens, vídeos, áudios, podcasts, vlogs, blogs, redes sociais, stories e memes que somos expostos ao longo do nosso dia. Muitas vezes, essas informações que consumimos e compartilhamos podem estar incompletas ou terem sido produzidas por fontes duvidosas. 

Segundo Mendonça (2015), “a internet fornece uma quantidade incomensurável de informações em todas as áreas do conhecimento sem que haja qualquer tipo de avaliação”. Portanto, esse excesso de informação em rede pode prejudicar a compreensão do cidadão no momento da busca e afetar a sua tomada de decisão sobre um assunto. Conforme a autora descreve,

O usuário precisa compreender o que encontra na rede e acreditar no que lê. A avaliação da qualidade das informações […] encontradas na internet é um problema que muitas instituições e pesquisadores têm procurado resolver (MENDONÇA, p. 1, 2015).

Um estudo da Kaspersky, realizado em 2021, aponta que 78% dos brasileiros sentem-se saturados de informações. Como relevam as conclusões do estudo, durante a pandemia da Covid-19, mais de 50% dos brasileiros consumiram “mais ou muito mais” notícias em comparação a um ano normal. Além disso, três quartos sentiram-se saturados por causa da grande quantidade de informações sobre um mesmo tema. 

Uma das consequências da infodemia, por exemplo, foi o compartilhamento de notícias faltas e informações incorretas sobre a vacina como combate contra o COVID-19. Esse cenário motivou muitos brasileiros a decidirem por não tomar as doses.  

VEJA TAMBÉM: Notícias falsas e pós-verdade: o mundo das fake news e da (des)informação

Como eu posso ajudar a combater  infodemia?

A melhor forma de combater a infodemia é obter informações de fontes confiáveis. Veja as nossas dicas!

Desenvolva quatro hábitos antes de ler e compartilhar qualquer informação:

  1. Não leia apenas o  título da notícia e sim todo o conteúdo. É importante também que você busque diferenciar o tipo de informação (opinião, fato, etc).
  2. Pesquise sobre a fonte que você está lendo.
  3. Confira se o veículo de informação é confiável.
  4. Verifique a data de publicação da informação.

Lembrando que essa pluralidade de informações é positiva, mas exige que estejamos preparados para entender e identificar todas as informações que recebemos diariamente.

Nos últimos dois anos você vem recebendo várias notícias sobre a pandemia da  COVID-19. Como você tem lidado? Nos contem nos comentários. 

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REFERÊNCIAS

Daiane Batista dos Santos Almeida. Literacia em saúde: Estudo das práticas de consumo de informação e desinformação no contexto da pandemia da covid-19.

 David J Rothkopf. The Washington post, when the buzz bites.

Disseminação de fake news sobre covid-19 pode levar “infodemia” às redações

Educamídia. como combater a infodemia, 2020

Kaspersky. Avalanche de informações na pandemia gera sobrecarga mental

Kaspersky. Pesquisa: a infodemia e os impactos na vida digital

Ana Paula Bernardo Mendonça e André Pereiraneto. Critérios de avaliação da qualidade da informação em sites de saúde: uma proposta

Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS. Repositório Institucional para Troca de Informações

Tab UOL. Telefone sem fio’: como estudos sérios acabam virando boatos de WhatsApp

UOL viva bem. Movimento antivacina avança na web: e por que ela é ameaça à saúde pública

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