Este conteúdo é uma parceria do Politize! com o Youth Voices Brasil. O Youth Voices Brasil é uma iniciativa independente, composta por jovens líderes de todo o país, e apoiada pela Y2Y Community e escritório do Banco Mundial no Brasil, com o propósito de erradicar a exclusão produtiva da juventude brasileira. As visões aqui apresentadas são da Youth Voices e não necessariamente refletem a visão do Politize!.

Ao longo das próximas semanas, traremos textos para refletir sobre a juventude e o mercado de trabalho. Você também pode baixar o Ebook “Juventude Empregada: evidências e práticas“, que é a base dos textos.

Imagem ilustrativa de alguém tendo uma ideia. Reprodução: Pixabay
Imagem ilustrativa. Reprodução: Pixabay

O Banco Mundial realiza anualmente a avaliação “Doing Business”, que avalia sob 10 principais aspectos, a facilidade de se empreender e fazer negócios no país. Apesar da visão absolutamente limitada do perfil do país ao analisar apenas São Paulo e Rio de Janeiro, a pesquisa permite estabelecer uma percepção comparativa do desempenho das maiores capitais econômicas do país versus demais capitais econômicas do planeta.

No perfil brasileiro, é possível identificar as principais dificuldades em fazer negócios no país: hoje, mesmo as principais capitais econômicas estão em posições pouco competitivas mundialmente para empreender. Os piores indicadores estão bem no início do processo,  em que, entre 190 países, o Brasil ocupa a 138ª posição, com processos mais longos, burocráticos, inseguros e caros.

Mesmo assim, em 2018, observamos uma crescente iniciativa jovem em torno do empreendedorismo. Segundo o GEM (Global Entrepreneurship Monitor), mais de 50% dos novos empreendimentos brasileiros, neste ano, eram liderados por jovens entre 18 e 34 anos.

Qual o perfil dos novos empreendedores?

O perfil dos novos empreendedores brasileiros aponta para maior retorno social, ambiental e econômico, além de busca por protagonismo e liderança

A Confederação Nacional de Jovens Empresários do Brasil, CONAJE, apresentou, em 2018, um breve perfil sobre os jovens empreendedores do Brasil:  apenas 35% são mulheres, que especificamente optam por começar a empreender mais tarde (maioria a partir dos 30 anos) e com mais qualificação (43% delas possuem pós graduação).

Dentre mais de 5 mil participantes do estudo, 49,5% estão localizados no sudeste do país, 21,9% no Sul e apenas 4,3% no Norte, 8,8% no Centro-Oeste e 15,6% localizados no Nordeste.

O perfil dos empreendimentos, segundo esta pesquisa, é, majoritariamente, de microempresas do setor de serviços, de faturamento de até R$360 mil por ano e que empregam até nove funcionários (73% das empresas).

Segundo as Consultoras da Duon Digital, empresa lançada em 2021 voltada a gerenciamento de comunicação e consultoria administrativa para micro e pequenos empreendedores, Thaís e Roberta, também empreendedoras de 23 e 27 anos, enxergam a busca por propósito como principal ponto nos empreendimentos de jovens empreendedores que recebem, destacando um engajamento emocional bastante forte

“Os jovens que atendemos hoje apresentam seus empreendimento como seus grandes sonhos em que eles são protagonistas, buscando ver o impacto real na sociedade daquilo que trabalhamos, de forma direta! Eles dão tudo por aquilo”

Além disso, entendem a importância da transversalidade dos conhecimentos nos empreendimentos de quem atendem, e confirmam que a dificuldade por conhecimentos administrativos e burocráticos dificultam o trabalho das mais diversas áreas, desde consultórios à startups bem jovens.

Segundo a CONAJE, os jovens brasileiros entre 15 e 29 anos que estão empreendendo consideram que empreender é ter um propósito, conseguir colocar em prática seus sonhos, liderar ideias criativas e ser protagonista da própria vida. Assim, 60% deles entendem como sucesso ter um negócio de impacto, trazendo benefícios pessoais e para a sociedade. Isso é um reflexo fiel do perfil das Gerações jovens, hoje, Y e Z, que buscam estilos de gestão mais colaborativos, e tem como metas de carreiras trabalharem para si mesmos, com construção de múltiplas carreiras.

Como os jovens empreendedores se capacitam?

Apesar das grandes dificuldades encontradas, as novas gerações de empreendedores se apresentam mais independentes na criação e desenvolvimento mas ainda dependem de conhecidos 

O Sebrae, em 2019, publicou uma pesquisa acerca do perfil empreendedor, e analisou que os empresários mais jovens do país são aqueles que buscaram e realizaram mais cursos empreendedores antes de iniciarem suas jornadas. Além de buscarem por mais conhecimento, marca praticamente registrada da geração Z, esse grupo de jovens empreendedores, segundo o CONAJE, busca independência através de  empreendimentos (30%), uma boa oportunidade profissional (18%) e flexibilidade no uso de seu tempo (11%).

Além disso, mais de 50% dos empreendedores entrevistados pela CONAJE dizem não terem contado com ajuda de outros órgãos, e somente cerca de 31% deles contaram com investimentos de terceiros para começarem seus empreendimentos. Isso conversa diretamente com a característica da geração Z e Millenials de busca por mais acesso à informação, ao imediatismo e à resolução de problemas de forma holística.

Os entraves para criação dos empreendimentos no Brasil atingem todos os empreendedores, como a alta burocracia, alta carga tributária, morosidade na regulação documental, entre outros. Entretanto, incomodam os empreendedores jovens a falta de capacitação generalizada, e a retenção de mão de obra qualificada, destacando, mais uma vez, a grande necessidade por qualificação escolar, técnica e ainda superior da mão de obra brasileira, em todas as suas faixas etárias.

Um aspecto que parece ser mais enfrentado pelos jovens empreendedores, e acaba sendo a principal barreira para abertura ou não das empresas, é a falta de financiamento para o lançamento de suas ideias. As faixas etárias mais baixas que se arriscam ao lançar suas empresas dependem muito de investimentos ou empréstimos de familiares e amigos, somente 31% deles recorrem a crédito bancário, financiamento de anjos ou fundos de investimentos mais especializados, também destacando a falta de maturidade do mercado de empreendedorismo no país.

É fundamental destacar que esse aspecto da imaturidade do mercado de investimentos, no Brasil, torna o empreender cada vez mais uma atividade restrita a um nível socioeconômico mais alto, segregando iniciativas de jovens que não detém de uma rede de suporte que financeiramente pode arriscar um capital em torno de uma inovação.

Os empreendimentos mais jovens, caracterizados como Startups ou não, carecem de investimentos de maior risco nesse estágio inicial de desenvolvimento, para que, assim, à medida que crescem como empresa e organização, vão entregando menores riscos ao dinheiro aplicado a elas. E é justamente essa aversão grande ao risco do mercado brasileiro que acaba por submeter jovens empreendedores a baixos e quase nulos investimentos para o início de suas ideias. 

Mais uma vez,  jovens que não possuem essas redes de pessoas que assumem os riscos desses primeiros passos, são segregados. Portanto, é fundamental proporcionar ao trabalho engajado, inovador e diferenciado desses jovens empreendedores a possibilidade de superarem essas barreiras incrementais, que pouco tem a ver com competência, viabilidade e competitividade de seus empreendimentos, mas com o lugar de onde veio e com quem esse empreendedor nasceu e cresceu. 

Gráfico de necessidade de capital por tempo de desenvolvimento de empresas

Os desafios no caminho…

 A construção de um ambiente de negócios brasileiro que possibilite mais oportunidades de empreendimentos e inovações de jovens pobres, mulheres, das mais diversas regiões do país carece de investimentos para se fortalecer. Além disso, os investimentos precisam ter uma visibilidade de maior prazo nas empresas lideradas pelos jovens, principalmente buscando contemplar o tempo de aprendizado e rampagem desses empreendedores, assumindo riscos inerentes a ambientes mais inovadores e competitivos.

O empreendedorismo jovem no Brasil vem se provando frente às diversidades do árduo ambiente econômico que todas e todos nós estamos submetidos, mas é justamente a grande promessa desse futuro mais engajado, mais sonhador e mais compartilhado que temos que investir como sociedade, pois o futuro está chegando. Um futuro no qual esperamos que sonhos não sejam limitados pela cor da pele, gênero e CEP.

Referências:

Ebook “Juventude Empregada: evidências e práticas

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