A palavra oligarquia tem origem grega cujo significado é “governo de poucos”.

Não é de hoje que temos uma sensação de que existem grupos de pessoas privilegiadas na sociedade, mesmo em lugares que são democráticos. Quando ocorre uma concentração de poder no governo por uma elite socioeconômica, nós chamamos de Oligarquia.

Neste artigo, vamos buscar explicar o conceito por trás desse tipo de regime, indo desde a sua origem etimológica até a sua presença em governos brasileiros e de outros países.

O que é uma oligarquia?

A palavra oligarquia tem origem grega cujo significado é “governo de poucos”. Essa palavra era usada pelos gregos como uma forma de criticar determinado governo em que um pequeno grupo pertencente a uma mesma família, um mesmo partido político ou grupo econômico, controlasse todas as ações do regime. Além disso, uma das características desse tipo de governo era de exercer seu poder em busca de interesses próprios.

Oligarquia, aristocracia e plutocracia: qual a diferença?

Esses 3 termos costumam ser usados como sinônimos, mas por mais parecidos que eles sejam, é bom ficar de olho para as suas diferenças.

Quando se quer dizer que um regime é comandado pelas classes mais abastadas, deve-se usar o termo Plutocracia, que também vem do grego, e tem o seu significado como “governo dos ricos”. A diferença desse conceito para oligarquia reside na questão de que um “governo de poucos” não precisa ser, necessariamente, oriundo das classes mais abastadas, pois ele pode ser originado de uma família ou partido político, por exemplo.

Em relação ao termo Aristocracia, que foi definido pelos gregos como o “governo dos melhores”, a sua formação ocorreria através de um grupo de pessoas distintas do restante da sociedade, na qual seria determinado através da linhagem, da riqueza ou herança. Logo, a diferença desse conceito com a oligarquia está na hereditariedade dos cargos, pois na aristocracia o poder é passado entre gerações, enquanto que nos regimes oligárquicos, essa relação não é obrigatória.

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Oligarquia no Brasil

A primeira república brasileira, que é conhecida como República Oligárquica, ou Velha, foi o período em que mais esse conceito de “governo de poucos” ficou claro. Nesse momento histórico, havia uma grande concentração de poder nas mãos de uma elite socioeconômica rural, especialmente, dos grandes latifundiários que residiam em São Paulo e Minas Gerais.

Como São Paulo contava com a maior produção de café do país, e em Minas Gerais era abrigado uma forte produção de leite, a organização política da época acabou ficando conhecida como a “Política do Café com Leite”. Na prática, essa elite agrária paulista e mineira se organizava para controlar a Presidência da República, sendo que o seu primeiro político a ocupar o cargo máximo do executivo foi Campos Salles em 1898.

Entretanto, para conseguir com que o poder da elite agrária paulista e mineira permanecesse intacto, sem que as elites de outros Estados fossem contra a esse domínio, foi-se necessário criar a “Política dos Governadores”, que consistia em uma troca de favores do Governo Federal para com as elites locais.

Como forma de controlar a população local, garantindo assim os votos e a obediência dos mesmos, as elites locais se faziam do uso da coerção, e essa configuração acabou ficando conhecida como o Coronelismo. Vale lembrar que os grandes latifundiários recebiam títulos de coronéis, o que lhe davam poderes para formar milícias de forma legítimas, e assim se valer da força para com o povo.

Esse modelo governamental só foi ter um fim por causa da Revolução de 1930.

E você já imaginou uma sociedade sem Estado? Para entender melhor, confira nosso vídeo sobre anarquismo

Oligarquia pelo Mundo

Um dos exemplos mais clássicos ao se falar em oligarquia é o de Esparta, na qual se caracterizava por ser um regime militarista e que permaneceu por um longo tempo sob domínio de um grupo específico. Essa pólis grega era regida por dois reis e foi controlada por um pequeno grupo de famílias importantes.

Entretanto, trazendo para o mundo moderno, podemos citar o período Meiji no Japão, e o Russo, após a queda da União Soviética.

A Era Meiji, que dominou o Japão de 1868 até 1912, foi importante para o processo de transição de um país meramente feudal para um que se tornou uma das maiores potências capitalistas até os dias de hoje. Os membros que faziam parte desse governo acabaram decidindo por restaurar o poder da família imperial japonesa, fazendo com que esse período fosse dominado pela oligarquia Meiji.

Por mais que esse período tenha sido positivo em alguns pontos para os japoneses, essa época também se caracterizou por decisões autoritárias, até às vezes despóticas, a mando de uma elite socioeconômica que comandava o país.

Um outro caso de oligarquia, dessa vez mais recente, ocorreu na Rússia. Após a queda da União Soviética, um grupo de homens de negócios se aproveitou da fragilidade financeira do país e adquiriu diversas empresas estatais por um preço muito barato. Dessa forma, as grandes estatais soviéticas, que figuravam nos setores de petróleo e gás, meios de comunicação etc, acabaram ficando nas mãos desse pequeno grupo de magnatas russos, que usaram desse poderio financeiro para controlar o sistema político do país.

O auge dos oligarcas se deu em 1996, durante o governo de Boris Yeltsin, quando grandes empresários como Berezovsky e Vladimir Gusinsky, começaram a ser ativos na vida pública. Entretanto, com a renúncia de Yeltsin, e a ascensão de Vladimir Putin, os oligarcas aliados a Yeltsin foram totalmente excluídos do círculo do poder, pois Putin começou a investigá-los rigorosamente, fazendo com que esses oligarcas tivessem que fugir da Rússia.

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Fontes:

Brasil Escola: oligarquia 

Stoodi: diferença entre oligarquia e aristocracia 

Toda matéria 

Mundo Educação: Restauração Meiji 

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