6 coisas sobre as Olimpíadas e o combate ao terrorismo

11 mil atletas, 65 modalidades esportivas, 70 mil voluntários, 30 mil profissionais de mídia, 204 países participantes. Esses são alguns dos números de um dos eventos mais esperados do ano: as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016, os quais ocorrerão entre os dias 5 e 21 de agosto e 7 e 18 de setembro na cidade do Rio de Janeiro. São muitas as variáveis que determinarão o sucesso dos jogos. Uma das variáveis mais importantes, sem dúvida, é a segurança, especialmente no que diz respeito ao combate ao terrorismo, que é o uso deliberado da violência, terror e ameaça contra governos e/ou indivíduos.

Se a preocupação com o terrorismo já existia naturalmente, as ameaças feitas pelo grupo autodenominado Estado Islâmico pela rede social Twitter na semana passada apenas reforçou ainda mais o tamanho da responsabilidade que o país tem em suas mãos. A veracidade das ameaças foi confirmada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

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Tweet em que o terrorista Maxime Hauchard faz ameaça ao Brasil.

Por tudo isso, o Politize! traz 6 pontos importantes sobre o planejamento do governo brasileiro contra o terror nas olimpíadas e também de uma forma geral.

Qual o plano para combater o terrorismo nos Jogos?

O governo brasileiro irá atuar de forma conjunta com o Ministério da Justiça, Ministério da Defesa, Forças Armadas e Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e de forma articulada com dezenas de instituições estaduais e municipais, além de parceiros privados. Tais organismos terão como principal referência o Plano Estratégico de Segurança Integrada dos Jogos Rio 2016 (PESI), o qual tem como objetivo traçar o planejamento das ações de segurança pública, defesa e inteligência, abordando também as atividades anti-terroristas. Além disso, cada instituição tem desenvolvido ações específicas dentro de suas atribuições contra essas ameaças, o que é abordado no Plano Tático Integrado (PTI) para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

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Mas sobre o que esses planos falam especificamente?

Eles instituem ações que visam prevenir e combater o terrorismo, assim como medidas de cooperação internacional e atividades de inteligência relacionadas à prevenção de ameaças terroristas. Essas ações também incluem medidas adotadas pela polícia administrativa e judiciária, além de promover a repressão de atos terroristas através da investigação criminal e do gerenciamento de incidentes críticos. Lembrando que todas as ações antiterrorismo sempre giram em torno de 3 pilares: segurança pública, defesa e inteligência.

Fonte: Abin

Ok, e como vai funcionar na prática?

Vamos citar abaixo algumas medidas tomadas pelo governo para garantir a segurança durante os Jogos Olímpicos.

– Criação do Centro Integrado Antiterrorismo (CIT), que será coordenado pela Polícia Federal e conta com representantes de diversas agências de inteligência estrangeiras, para que o Brasil receba alertas contra possíveis ameaças com agilidade. Entre as nações envolvidas estão Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França, Argentina, Colômbia, Israel, Japão e China.

– Programa de observadores, por meio do envio de agentes policiais para alguns dos principais eventos esportivos do mundo, como a Maratona de Boston e o Mundial de Atletismo.

– Especialistas no combate ao terrorismo do Exército, Abin e Polícia Federal vão treinar agentes de seguranças, voluntários da Rio-2016 e integrantes da sociedade civil, como taxistas, para identificar possíveis ameaças terroristas durante o evento. O intuito é mostrar quais são as pistas que podem representar um ameaça terrorista e como agir nessa situação. Na prática, o objetivo é aumentar o controle antiterror, uma vez que milhares de pessoas atuarão nas Olimpíadas e poderão identificar riscos – e não apenas o grupo especializado em terrorismo formado por componentes do Exército e da Abin, por exemplo. As parcerias com outros países também impulsionaram treinamentos: a ATA (Escritório de Assistência Antiterrorismo), agência dos Estados Unidos, ofereceu, neste mês de Março, uma capacitação aos profissionais das áreas operacionais quanto à resposta inicial a incidentes terroristas.

– Realização de eventos-teste. São 45 disputas esportivas, que acontecem majoritariamente nas mesmas instalações dos Jogos, com o objetivo de testar todas as operações que envolvem as competições. Se você quiser conferir, um dos próximos eventos-teste ocorrerá durante os dias 15 e 24 de Abril, durante a Competição de Tiro Esportivo no Rio!

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Mas esse plano não tem problemas?

Desde a sua criação, alguns questionamentos foram colocados em pauta. Além disso, qualquer ação terrorista sempre põe em cheque os procedimentos de segurança adotados pelo governo brasileiro. Primeiramente, um dos pontos levantados em relação ao planejamento antiterror foi a integração de órgãos públicos. Um levantamento do TCU (Tribunal de Contas da União) mostrou que em 68% das secretarias estaduais de segurança pública não há troca de informações ou comunicação. Dos 25 estados analisados, 20 estão em estado de atenção e cinco no vermelho: com graves problemas de falta de comunicação. O controle das fronteiras também foi apontado como preocupante. Há falhas no policiamento das fronteiras, como no Acre, por onde já entraram milhares de pessoas sem controle adequado, o que pode ser porta de entrada para grupos terroristas. A Secretaria Nacional de Segurança Pública afirmou, nesse sentido, que tem realizado muitas operações a fim de combater o crime e a imigração ilegal.

Não menos importante, temos ainda a isenção de vistos para turistas no período dos Jogos. Esta decisão libera turistas da Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão da exigência de visto entre 1º de junho a 18 de setembro de 2016, válida para permanência em território nacional por até noventa dias. O governo ressalta que o impacto será zero em termos de segurança, mas questiona-se que tal isenção possa facilitar a entrada de terroristas durante os Jogos.

É importante lembrar, ainda, que o governo frisa que a realização da Conferência Rio+20, da Copa das Confederações FIFA 2013 (FCC 2013), da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e Copa do Mundo FIFA 2014 (FWC 2014) permitiu ao Brasil acumular expertise e melhor se preparar para promover os Jogos Rio 2016 com segurança.

E o que será necessário para colocar esse plano em prática?

Para responder, vamos voltar um pouco aos números! Quanto ao pessoal, para os Jogos Rio 2016, um contingente estimado em mais de 85 mil homens – sendo 47 mil de segurança, defesa civil e ordenamento urbano (entre eles, policiais, guardas de trânsito, bombeiros e outros agentes civis) e 38 mil das Forças Armadas – está sendo preparado para garantir a segurança no maior evento já realizado na América do Sul. Financeiramente, o investimento do Ministério da Justiça para os Jogos Rio 2016 é de cerca de R$ 350 milhões, sendo que R$ 100 milhões foram empregados na compra de equipamentos de proteção individual, ferramentas de treinamento e reforço dos ambientes de capacitação das forças de segurança. Esse valor se soma ao R$ 1,1 bilhão investido para a Copa do Mundo, cujo legado está sendo aproveitado para as Olimpíadas e Paralimpíadas, como os Centros de Comando e Controle (fixos e móveis).

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Afinal, pensando na história do Brasil, existe um real risco de ataque terrorista?

Estudiosos indicam que há um risco baixo de ataque terrorista nas Olimpíadas, mesmo que as ameaças feitas semana passada tenham sinalizado a necessidade de atenção. De todo modo, o Brasil não é um alvo direto de ações terroristas e a grande mobilização de forças policiais e militares tende a desencorajar a realização de atentados de grandes grupos terroristas durante os Jogos.

No entanto, é importante frisar que embora seja baixo, o risco de um ataque existe. A probabilidade de uma ação dos chamados “lobos solitários” – extremistas não vinculados a organizações conhecidas e monitoradas que realizam ações pontuais – é maior do que de um grande atentado. Além disso, ataques como aqueles ocorridos em Paris, que mataram 129 pessoas ao final de 2015 e a ameaça terrorista identificada durante a final da Copa do Mundo de 2014 pela Abin, mostram que o país precisa continuar em alerta a tais ameaças terroristas e acompanhar atentamente toda a situação mundial.

E aí, você acha que com as medidas acima, o Brasil terá a medalha de ouro no quesito segurança?

Fontes:

JusBrasil – Plano de Segurança dos Jogos do Rio – Abin – Época – BBB – Estadão – Ministério da Justiça – Treinamento antiterrorismo para os Jogos – Globo Esporte – Aquece Rio – Isenção de vistos para 4 países nas Olimpíadas

Publicado em 22 de abril de 2016.

Julia de Macedo Meira

Formada em Relações Internacionais pela UNESP-Franca.