Monitor da evolução de casos da covid-19 no mundo. Conteúdo sobre pandemias.

Com a eclosão da pandemia do coronavírus, as ações antrópicas e a política adotada pelos países começaram a ser questionadas, uma vez que exercem grande influência e aumentam potencialmente as chances de manifestações de novas doenças e pandemias.

Neste artigo, mostraremos como isso pode acontecer e quais são os comportamentos responsáveis por essa problemática.

O que é uma pandemia?

Antes de compreender como surgem novas pandemias, é crucial entender o que é uma pandemia. Nessa lógica, pode-se dizer que o pior cenário de propagação de doenças é o da pandemia (do grego παν [pan = tudo/ todo(s)] + δήμος [demos = povo]), haja vista que para receber essa classificação é necessário que uma doença infecciosa manifeste-se em todos os continentes. Ou seja, a disseminação global de uma doença é caracterizada como uma pandemia.

Justamente por isso, no dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou pandemia da COVID-19, a qual já passou a marca de mais de 38.172.523 casos e contabilizou mais de 1.086.918 mortes ao redor do mundo.

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Mas… Como surge uma pandemia?

Agora que já entendemos o que é uma pandemia, vamos falar sobre o surgimento delas na natureza. Ao longo dos anos observamos um aumento considerável na manifestação de doenças zoonóticas, ou seja, oriundas dos animais e que migraram para o ser humano. Estima-se, por exemplo, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que 70% das novas doenças em humanos tiveram origem animal.

Isso ocorre, basicamente, devido às mudanças no comportamento humano e a forma que tratamos a natureza. Cada vez mais os seres humanos invadem os espaços que abrigam variadas espécies de animais – e, consequentemente, vários vírus desconhecidos. Com isso, doenças infecciosas que antes eram restritas à natureza conseguem se espalhar mais facilmente, e sem o hospedeiro natural – geralmente os animais – os vírus buscam novos hospedeiros, aspecto que deixa o ser humano mais vulnerável à contaminação.

Inclusive, apesar da origem do novo coronavírus (SARS-CoV-2) ainda não ter sido encontrada, existem algumas evidências de que a doença é derivada do coronavírus dos morcegos, que supostamente atingiu um animal intermediário ainda desconhecido. Todavia, apesar da doença ser proveniente dos morcegos, eles não são os responsáveis pela contaminação, haja vista que são os humanos que invadem o habitat deles e possibilitam a migração do vírus.

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Conheça algumas zoonoses que já se manifestaram na nossa sociedade:

  • Ebola: A doença Ebola é uma zoonose transmitida por um vírus do gênero Filovírus extremamente infeccioso. Apesar do morcego ser considerado o principal hospedeiro da doença, outros animais como os chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinhos também já apresentaram sinais de contaminação. Acredita-se que o vírus chegou até os seres humanos por meio do contato com o sangue, órgãos e fluídos corporais de animais infectados. O período de incubação da doença dura de 2 a 21 dias e a metade dos pacientes infectados vão a óbito. Por ser altamente infecciosa, a doença pode ser transmitida até mesmo depois da morte do hospedeiro. Não existe ainda um tratamento específico para a doença e tampouco uma vacina. Ainda que o surto do ebola tenha atingido apenas alguns países da África, como método de prevenção da doença, indica-se lavar sempre as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel, comer alimentos exóticos apenas quando conhecer a origem e evitar o contato com pessoas infectadas.
  • Aids: Aids é a doença causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), um retrovírus, classificado na subfamília dos Lentiviridae. Supõe-se que o vírus tenha sido passado dos macacos para o ser humano por meio de tribos africanas que se alimentavam de macacos. O HIV é responsável por atacar o sistema imunológico, que possui a função de defender o nosso organismo de doenças. É válido salientar que nem todas as pessoas que possuem o vírus HIV possuem a doença Aids, há muitos indivíduos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas da doença e tampouco desenvolvê-la, mas, ainda assim, eles podem contaminar outras pessoas. Como principal forma de prevenção, indica-se o uso de preservativos durantes as relações sexuais, além de evitar práticas que possam viabilizar a contaminação, como o uso compartilhado de seringas.
  • Dengue: A dengue é uma doença causada por um arbovírus, ou seja, um vírus que é transmitido por meio da picada de insetos. Existem quatro tipos diferentes de vírus (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) e uma pessoa pode ter os 4 sorotipos da doença, no entanto, a infecção de um sorotipo específico gera imunidade permanente para ele. O contágio da doença ocorre através da picada do mosquito Aedes aegypti, o qual se prolifera em águas paradas. Por isso, o principal método de prevenção da doença é evitar água parada todos os dias. 

Como o ser humano influi nessa questão?

Como foi dito anteriormente, o comportamento do ser humano possui papel fundamental no surgimento de novas pandemias. Isso porque, ao invadir espaços dominados pelos animais, especialmente por meio do desmatamento, ocorre a potencialização das doenças zoonóticas.

Desse modo, separamos algumas atividades humanas que podem influenciar na eclosão de novas doenças:

  • A crescente demanda por proteína animal: a busca por alimentos de origem animal é um fator que incentiva e fomenta a intensificação e industrialização da produção animal. Como consequência, o setor agropecuário confina cada vez mais animais, com um perfil genético semelhante, o que aumenta as chances desses animais contraírem e disseminarem novas doenças. A gripe suína, por exemplo, foi uma doença que surgiu em decorrência da criação de porcos em confinamento.
  • Expansão agrícola intensiva e não sustentável: a expansão agrícola intensiva é considerada um dos principais motores do desmatamento e da perda da diversidade florestal. Consequentemente, com o desmatamento, ocorre a alteração dos ecossistemas, aspecto que favorece a disseminação de doenças entre os próprios animais. Além disso, com a perda dos seus habitats naturais, os animais acabam vivendo mais próximos do ser humano e, com a aproximação, os seres humanos tornam-se mais suscetíveis às contaminações.
  • Aumento da exploração da vida selvagem: como cada espécie possui um papel específico no ecossistema, a substituição de uma espécie por outra pode aumentar os riscos relacionados ao surgimento de doenças. Logo, quando animais do topo da cadeia alimentar desaparecem, os animais na base da cadeia alimentar, como ratos e camundongos que são transmissores de muitas doenças, tendem a se multiplicar. Esse cenário é prejudicial porque com a mudança nos habitats os animais e seus patógenos podem migrar para outros lugares, como áreas ocupadas por humanos.

Como a política adotada pelos países influi nessa questão?

Com o atual momento pandêmico é possível perceber a degradação do planeta e a vulnerabilidade da política ambiental global. 

Esse cenário é o resultado direto de políticas ambientais que não respeitam a natureza, destroem ecossistemas e, consequentemente, viabilizam a migração de vírus desconhecidos para os espaços urbanos. Ou seja, quando os países afrouxam as medidas protecionistas do meio ambiente e permitem práticas como o desmatamento e a caça de animais silvestres, os próprios seres humanos correm riscos de serem contaminados por doenças antes desconhecidas.

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REFERÊNCIAS

Drauzio Varella: ebola

Dra Keilla Freitas: tipos de hiv

IHU Unisinos: crescente demanda por carne impulsiona pandemias 

UN: preventing the necx pandemic 

Uol: pandemia revela destruição da vida selvagem e ecossistemas 

Brasil de Fato: novas pandemias

Tempo: o comportamento humano seria culpa pela disseminação do coronavírus

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