moedas. conteúdo sobre recessão econômica

Você certamente já deve ter ouvido falar que algum país entrou em recessão. Mas o que isso significa? O conceito de recessão econômica é dado quando a economia de um país se contrai por dois trimestres consecutivos. Mais precisamente, quando o produto interno bruto (PIB) para de crescer e começa a cair.

Esses  dois primeiros trimestres de queda são chamados de recessão técnica, calculada com base na  comparação  feita com o semestre anterior. O agravamento dessa contração na economia, somado a um grande impacto no desemprego e na renda, junto com o encolhimento dos setores, representa de fato uma recessão econômica, que é essencialmente onde nascem as grandes crises.

Características de uma recessão

As principais características que definem uma recessão são: (a) o aumento do desemprego;  (b) a queda no poder de compra, ou seja, os cidadãos com uma renda familiar menor consumem menos, e (c) uma queda na produtividade das empresas, que passam a produzir menos.

Há também uma diminuição no número de investimentos, pois as pessoas ficam mais retraídas, por medo, e a insegurança faz com que elas esperem o mercado se estabilizar para  investir novamente.

As causas de uma recessão econômica

Frequentemente, tanto catástrofes ambientais como crises de saúde pelo mundo têm afetado a economia de diversos países. A pandemia de Covid-19 é o exemplo mais recente, onde todos os setores da economia tiveram drásticas reduções em vários países.

Só no Brasil houve uma queda histórica no PIB de 9,7% no segundo trimestre de 2020. Nos Estados Unidos essa queda foi de 9,5% no segundo trimestre. No Japão foi de 7,8%, na Alemanha, 10,1%, na França 13,8% e no Reino Unido o PIB caiu 20,4%.

Um dos fatores que também causa a recessão econômica é o mau desempenho na administração pública. O elevado gasto público de forma desenfreada, somada ao baixo desempenho de estatais, como também o ato de não fechar as contas públicas, acarreta em graves problemas econômicos para o estado, que por vez, se não controlados, acabam se refletindo também na iniciativa privada.

Outro fator que pode frear o crescimento de um pais são as crises políticas mundiais que afetam diretamente ou indiretamente os setores de importação e exportação. Por exemplo, se grande parte da  economia de um país depende da exportação de determinado produto para outro país e uma crise política ou diplomática faz com que essa exportação seja suspensa, a economia do Estado dependente estará seriamente impactada.

Os problemas financeiros internos de uma nação também podem levar ao encolhimento da economia. Um exemplo muito conhecido foi a bolha imobiliária dos Estados Unidos em 2008, na qual foi concedido créditos para que a população tivesse condições de financiar seu imóvel no pais. Porém, uma parcela muito grande de pessoas financiaram seus imóveis sem ter a condição necessária para adquiri-las. No decorrer do processo, muitas dessas pessoas não conseguiram quitar seus débitos com o estado, ocorrendo um calote coletivo no país, impactando diretamente a economia.

Como saber se um pais está em recessão?

Para que a equipe econômica de um país  aponte uma recessão econômica, é necessário que se analise o Produto Interno Bruto (PIB) do país, que nada mais é do que a soma de toda a sua produção.

PIB é uma medida do crescimento de uma economia ao longo do tempo. Em geral, se uma economia tem crescimento positivo, o PIB se encontra em expansão. Quando o crescimento da economia é negativo, o valor do PIB se contrai. A partir de dois trimestres consecutivos de PIB negativo, o crescimento é referido como uma recessão técnica.

Para calcular o PIB de um pais, todos os custos de uma produção são subtraídos pelo preço de venda da mesma. O valor dessa subtração determina o montante final. Apenas o valor final é contabilizado nos cálculos, pois os custos, chamados de bens e itens primário e intermediário, não são considerados, para não haver uma dupla contagem no processo.

Períodos de recessão econômica

Um dos episódios mais conhecido de recessão econômica no  mundo foi a crise de 1929. Conhecida como a Grande Depressão, essa crise foi considerada o pior e o mais longo período de queda econômica do século 20, persistindo até meados da Segunda Guerra Mundial. Essa crise devastou a economia dos Estados Unidos e impactou o mundo inteiro, já que os EUA eram grandes importadores e credores de outros países.

O processo da crise de 1929 se deu no cenário pós Primeira Guerra Mundial. A Europa se encontrava enfraquecida em virtude dos gastos elevado da guerra, e  situações de fome e desemprego eram bem comuns. Sem condições de produzir, começaram a importar alimentos e produtos industrializados dos EUA, que se encontrava em rápido crescimento. Esse processo elevou os ânimos dos americanos e o sentimento de prosperidade colaborou para que cidadãos comprassem ações, gerando um clima de euforia e estabilidade.

Porém, a Europa se estabilizou economicamente após planos de investimentos na economia interna e não teve mais necessidade de importar produtos americanos. Esse fator acabou acumulando um estoque muito grande nas fábricas. O excesso de produtos disponíveis em relação ao consumo da população fez com que houvesse uma queda dos preços dos produtos e aumento do desemprego. Nesse cenário desfavorável, sobrou a desconfiança dos investidores, que retiraram ações e investimentos  da bolsa de Nova York, gerando o famoso Crack da bolsa.

A Grande Depressão teve um impacto muito grande no PIB brasileiro. A economia retraiu -4,3% no triênio 1929-1931. Isso aconteceu por causa da suspenção da compra do café brasileiro, que na época era nosso principal produto de exportação. Com grande acúmulo e baixas vendas, o preço  do café começou a cair, obrigando governo brasileiro a queimar milhares de sacas café, com intuito de diminuir a oferta elevar o preço do produto.

As principais recessões no Brasil desde os anos 80

O Brasil teve um histórico muito grande de recessões econômicas em um curto espaço de tempo, mais precisamente desde os anos 80. Nos anos de 1981 a 1983, durante o governo Figueiredo, o país teve nove trimestres negativos, o que resultou em 8,5% de queda na economia. Isso foi provocado principalmente pela crise da dívida externa, inflação elevada e a desvalorização da nossa moeda.

Leia também: qual a diferença entre política fiscal, monetária e cambial?

Durante os anos de 1987 e 1988, no período do governo de José Sarney, o Brasil teve uma recessão de seis trimestres consecutivos, que resultou numa queda de 4,2% da economia. A principal causa dessa recessão foi a hiperinflação que chegou a mais de 300 % ao ano. Todos os pacotes de medidas que o governo fez para contornar a recessão falharam, e com alguns incentivos `a economia , o pais teve uma trégua por dois trimestres, fazendo a economia se estabilizar.

Outra recessão econômica ocorreu durante o governo de Fernando Collor de 1989 a 1992. Tivemos uma recessão de 11 trimestres, que resultou numa queda de 7,7% da nossa economia. O motivo dessa recessão veio da continuidade da hiperinflação do governo Sarney. Esse período ficou conhecido  pelo confisco das reservas econômicas, tanto das pessoas físicas como de empresas, paralisando a economia.

No  primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil teve dois trimestres de recessão na casa dos 2,8%, causado pela Crise da Tequila no México que acabou afastando os investidores e  todo o crédito do mercado. Nos anos seguintes do governo, de 1998 a 1999, o país teve mais cinco trimestres de recessão, que resultou numa queda de 1,6% da economia. O fator dessa queda foi o colapso dos tigres asiáticos e a quebra de alguns bancos de investimento americanos que fez o dólar disparar, obrigando o Brasil a mudar o regime cambial de fixo para flutuante.

Quando Lula foi eleito em 2003,  tivemos uma recessão de 2 trimestres, resultando na queda de 1,3% na economia, causado pelos receios da população em relação ao novo governo. O dólar disparou, chegando a R$ 4,00, sendo necessário um ajuste nas contas públicas.

Ainda no governo lula, mais dois trimestres de recessão aconteceram em 2008, resultando numa queda de 6,2% da economia. A causa da queda foi implosão do SubPrime – explosão da bolha econômica – no mercado imobiliário americano. A queda generalizada acabou afetando todo o mundo.

E entre os anos de 2014 e 2016, nos governos de Dilma e Temer, o Brasil teve onze trimestres de recessão, que teve como resultado, uma queda de 8,6% da economia. As principais causas dessa recessão foram o fim da era das commodities e a crise política e fiscal que o pais enfrentou. O período foi caracterizado pelas fortes instabilidades econômicas e políticas até o impeachment.

Impactos da recessão no cotidiano das pessoas

As consequências de uma recessão econômica se refletem diretamente no cotidiano da população de um país. Na prática, com a recessão, há uma elevação do número de pedidos de concordata e falência por parte das empresas. Nessa situação, elas acabam reduzindo os salários e benefícios dos funcionários e passam a não contratar pessoas novas. Assim, o poder de compra das famílias diminuem e elas passam a consumir menos. Por exemplo, os mercados de varejo e serviços  com baixa produção acaba gerando desemprego.

Os investimentos em um país com a economia em negativo também sofrem alterações. Os investidores, por consequência das crises,  se preocupam com o  fechamento das contas. Grandes setores do mercado estrangeiros e até nacionais acabam ficando em estado de alerta e não tomando nenhuma decisão de investimento até que uma situação se defina dentro do país. Portanto, diminui-se os investimentos e uma das causas dessa diminuição são as migrações de multinacionais, que preferem investir em um país com mais estabilidade política e econômica.

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REFERÊNCIAS

 Estadão: entenda o que e recessão técnica e o que ela significa para a economia brasileira

O Globo: As recessões brasileiras nas últimas quatro décadas 

ISTOÉ: Coronavírus provoca recessão recorde na economia mundial

Gazeta do Povo: PIB do Brasil em 2020: histórico e evolução em gráficos

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