Renda per capita: o que é esse conceito?

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renda básica universal

Você já deve ter ouvido falar do PIB, certo? Sempre é notícia nos jornais e está na boca do economistas de vez em sempre. Se ouviu falar no Produto Nacional Bruto, talvez você já tenha lido algum texto sobre economia ou ouvido no telejornal o termo renda per capita. Você sabia que eles estão diretamente conectados? Vamos entender como?

O que é renda per capita?

O termo é muito utilizado na área de economia e também de política, pois serve como medidor de desenvolvimento de um país. Renda per capita significa renda por cabeçaper capita é uma expressão do latim, que significa exatamente por cabeça. A renda per capita mede a renda de cada indivíduo dentro de uma determinada população, calculando uma média geral desse valor. É possível, portanto, medir a sua renda com relação ao seu país, ao seu estado e à sua cidade. 

Quais fatores são utilizados no cálculo de renda per capita?

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renda per capita

Para entender o cálculo de renda per capita, precisamos primeiro destrinchar o significado de alguns termos da economia. O primeiro deles é o famoso PIB.

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos num determinado período, que normalmente é de um ano. Com esse indicador, é possível observar se a economia interna está crescendo ou diminuindo, por exemplo. Para calcular o PIB brasileiro, é levado em consideração tudo o que é produzido dentro de país, quer de empresas propriamente brasileiras ou de multinacionais operando dentro do território brasileiro.

Para saber mais sobre o PIB, leia este conteúdo!

O PIB é diferente do PNB, que significa Produto Nacional Bruto. O Produto Nacional Bruto do Brasil leva em conta tudo o que é produzido por empresas de origem brasileira, mesmo que operem em outro país. Uma maneira comum de calcular o PNB é considerar o conjunto de riquezas geradas dentro do país – o PIB –, subtraindo as riquezas enviadas para fora por empresas estrangeiras que estão no seu território e somando as riquezas enviadas ao país pelas empresas nacionais que atuam no exterior.

Entendidos esses conceitos, é hora de entender o cálculo de renda per capita.

Como é calculada a renda per capita?

Podemos medir a renda per capita nas cidades, nos estados e nos países. O mais comum é o cálculo da renda per capita nacional, em que o valor do Produto Nacional Bruto é dividido pelo número de habitantes do país. Normalmente, países desenvolvidos têm uma renda per capita maior do que a de países subdesenvolvidos. Não é uma regra que isso aconteça, porque o número de habitantes é uma variável. Um país pode ser bastante desenvolvido socioeconomicamente e ter uma população expressiva, mas ainda assim ter renda per capita baixa.

É o caso da China: a segunda maior economia do mundo, cujo PIB é de 2,44 trilhões de dólares (dados de 2016), não tem uma renda per capita tão alta, quando comparada ao seu PIB. A renda per capita chinesa foi de 7,4 mil dólares em 2014 (dados do Banco Mundial). A explicação disso é a gigantesca população da China, que é de 1,3 bilhão de pessoas; para realizar a média de renda por pessoa, o resultado não será muito chamativo.

O contrário também é verdadeiro: os Emirados Árabes, por exemplo, têm renda per capita altíssima, de 43 mil dólares. Há algumas pessoas bilionárias no país, que tem uma população pequena – de aproximadamente 4 milhões – e, na hora de calcular a renda por pessoa, o resultado é alto.

Essas informações nos levam a concluir que, apesar de a renda per capita ser um indicador de desenvolvimento de um país, ela não traduz a realidade do país. Não leva em conta fatores importantes ao desenvolvimento das nações, como a desigualdade social e concentração de renda. É o caso dos Emirados Árabes: a renda está concentrada em uma parcela ínfima da população e, por isso, a renda per capita não corresponde à realidade da maioria das pessoas – já que uma parcela mínima delas terá renda compatível ao valor da renda per capita daquele país.

Como é a renda per capita no Brasil?

Foi apresentado o Relatório de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) em março de 2017 e foi notícia em todos os jornais que o Brasil estava estagnado no seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que é o indicador mais importante em termos de desenvolvimento humano. O IDH é medido levando em conta expectativa de vida, média de anos de estudo e, inclusive, a renda nacional bruta per capita.

Embora o IDH do Brasil tenha passado de 0,755 para 0,744 – a medição é de zero a um, sendo um a pontuação mais alta –, o país ficou estagnado. Permaneceu em 79º lugar no ranking de desenvolvimento humano, sendo ultrapassado por países como Geórgia, Albânia e Azerbaijão. Apesar de ter tido aumento na expectativa de vida – de 74,5 para 74,7 anos –, a renda per capita do brasileiro caiu bastante: de 14.858 dólares passou para 14.145.

No Brasil, a renda per capita também não traduz a realidade da maioria das pessoas. Como grande parte dos países em desenvolvimento, há bastante concentração de renda: poucas pessoas têm grande parte da riqueza no país. Das 27,5 milhões de pessoas que declaram seu imposto de renda no Brasil, menos de 0,3% detém 15% da renda total declarada no país e 22,3% dos bens e riquezas declarados á Receita Federal, de acordo com o G1. Esse 0,3% dos declarantes brasileiros é dono de 360,9 bilhões de reais e tem patrimônio de 1,47 trilhão de reais.

A renda per capita no Brasil era de R$1.226,00. Em 2017, dos 27 estados brasileiros, 20 têm uma renda per capita mensal por domicílio própria abaixo dessa média. Além disso, 15 estados têm renda per capita mensal por domicílio menor do que o salário mínimo — fixado em R$ 937,00 em 2017.

O indicador de renda per capita é, sim, muito importante. Mas para ter uma visão do todo, do desenvolvimento real de um país, é preciso levar em conta outras questões – como faz o IDH. Sabe-se que, apesar de 28,6 milhões de pessoas terem saído da condição de pobreza extrema, que diminuiu 63% no Brasil desde 2004 (Ipea) – renda per capita de até R$ 70 mensais –, ela está longe de ser erradicada. Apesar do avanço, a projeção do Banco Mundial é que aumente de 2,5 a 3,6 milhões de pessoas vivendo em condições de miséria até o fim de 2017.

Fontes:

Produto Nacional Bruto; Produto Interno Bruto; Renda per capita – infoescola; Renda per capita – Wikipédia; Renda per capita – mundo educação; PIB e renda per capita da China – G1; Emirados Árabes – Brasil escola; Distribuição de renda – infoescola; Renda per capita – Brasil escola; IDH Brasil – g1; IDH Brasil – BBC; IDH – Anhembi Morumbi; Queda da pobreza extrema no Brasil – Valor; Pobreza no Brasil – BBC; Projeção Banco Mundial – ONU; Renda per capita por estado brasileiro em 2017 – Folha de S. Paulo.

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Publicado em 24 de agosto de 2017.

Carla Mereles

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize!.