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O que é PIB?

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil.

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Este conteúdo que aborda o conceito de PIB é o quinto post da trilha de conteúdos baseada na série Economia Animada, do portal Por Quê – Economês em bom português. Confira os demais conteúdos desta trilha: 12345

Ao terminar de ler este conteúdo, você terá concluído 100% desta trilha. Parabéns! 🙂

Você já deve ter ouvido um milhão de vezes sobre o tal do PIB, não é mesmo? Basta ligar o noticiário e lá estará ele, descendo ou subindo, determinando qual a situação da economia no país. Neste texto, você pode tirar todas as suas dúvidas sobre esse importantíssimo indicador econômico, o que ele representa, como é determinado e como se relaciona com a sua qualidade de vida. Você vai chegar à conclusão de que ele é mais do que simplesmente um número: tem tudo a ver com o seu dia a dia! 

O conceito

O Produto Interno Bruto (ou apenas “PIB”) é a soma de todos os bens e serviços produzidos em uma economia durante um certo período. Portanto, o PIB nos ajuda a avaliar se a economia está crescendo e se o padrão de vida está melhorando.

Que tal baixar esse infográfico em alta resolução?

Como se calcula o PIB?

Em geral, quando falamos de PIB estamos tratando da produção anual de um país. Nada impede, porém, que analisemos o PIB de uma cidade, de um bairro ou de um setor econômico (como a agropecuária, por exemplo). Também é possível medir o PIB em um semestre ou mês, se for preciso. Esses casos, entretanto, são pouco comuns porque somente são úteis para quem estuda algum tema mais específico, de maneira aprofundada.

Vamos às contas: há várias maneiras de calcular o PIB. A maneira mais fácil e intuitiva de estimá-lo é pela chamada ótica da produção: devemos somar o valor de todos os produtos e serviços finais que foram produzidos numa economia. Isso é, devemos computar o valor de todas as vendas que foram feitas para o consumidor final. Por “finais” entendemos aqueles produtos que não serão utilizados durante o processo de produção: os bens intermediários. Em outras palavras: as matérias-primas. Se somássemos as matérias primas, estaríamos fazendo dupla contagem. Agora sabemos, portanto, de onde vem o “P” do “PIB”.

Já o “I” vem de “interno“: o PIB está relacionado aos bens e produtos vendidos dentro da área que estamos analisando. Por isso, consideramos tanto a produção de empresas locais quanto a de multinacionais que operam lá. Se os cálculos não levassem em conta o território, mas apenas a nacionalidade, estaríamos tratando do Produto Nacional Bruto (PNB). O PNB, em contraste com o PIB, leva em conta a produção vendida por empresas nacionais que operam fora do país, e desconsidera a atuação de empresas estrangeiras dentro do país.

Outra maneira de definir o PIB é pela ótica da renda, já que todo o produto ou serviço que foi adquirido corresponde a uma remuneração às pessoas que, de uma forma ou de outra, contribuíram para o produto. A essa relação os economistas chamam de identidade do produto e renda. Por exemplo: ao comprar um pãozinho, estamos pagando pelo serviço e lucro do padeiro, pelo custo dos equipamentos da padaria e, claro, pela farinha de trigo. Quando o padeiro pagou pela farinha, estava remunerando os insumos do produtor de farinha: o trabalho dos operários, o lucro do dono e o custo do trigo. O produtor de trigo, por sua vez, também recebeu um montante que remunerou seu trabalho e os insumos que usou para produzir o grão. No fim das contas, como ilustrado no gráfico abaixo, o valor do pãozinho é equivalente à soma da renda de todas as pessoas envolvidas na sua produção: o padeiro, o dono e os operários na indústria de farinha e o produtor de trigo.

Porém, repare: não estamos considerando o valor da depreciação dos equipamentos da padaria. Depreciação é o custo do desgaste físico dos bens imóveis, como casas, máquinas, computadores etc. O curioso é que a depreciação não é, em si, um custo monetário, mas somente o efeito do tempo: é a tinta da parede de casa descascando, o óleo do motor envelhecendo, a mesa enferrujando, o computador ficando obsoleto… enfim, todos os problemas que nos levam a, de vez em quando, gastar dinheiro com reparos, reposições ou reformas. Apesar de ser um componente do custo que todos comerciantes repassam para os consumidores, a depreciação é muito difícil de ser estimada. Por isso, os economistas e estatísticos preferem deixá-la de lado ao calcular o valor da produção. Daí a origem do “B” do PIB: ele é a estimativa de Produto Bruto, pois não considera o efeito da depreciação. Quando a depreciação é estimada, temos o Produto Líquido.

PIB nominal e PIB real: qual a diferença?

Existem dois modos de calcular o PIB: o primeiro é considerar o valor do produto a preços correntes. Esse valor, chamado PIB nominal, considera a variação dos preços da economia (seja inflação ou deflação), causando uma distorção no cálculo da quantidade de bens e serviços produzida. É por isso que economistas preferem calcular o PIB real, em que é escolhido um ano-base para calcular a variação da produção (por exemplo: para calcular a produção de 2015, toma-se o ano de 2014), desconsiderando a inflação do período.

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E como o PIB está relacionado ao crescimento econômico?

De maneira geral, quando os analistas se referem a crescimento econômico, estão falando da variação percentual do PIB de um ano em relação a outro. E por que se preocupar com o crescimento da economia? Em primeiro lugar porque, via de regra, a renda é proporcional à qualidade de vida. Populações com maior renda têm acesso a melhores serviços de saúde, educação e lazer. O crescimento da renda, portanto, é fundamental para que cada vez mais pessoas tenham melhores condições de vida. Esse aspecto é o mais relevante quando tratamos de países mais pobres.

Não devemos, entretanto, concluir que a renda é o único fator que importa para determinar a qualidade de vida. Há muitas críticas em relação ao uso do PIB como indicador de bem-estar, pois ele nada diz sobre a distribuição de renda, a degradação do meio ambiente ou os outros efeitos negativos do modelo de vida consumista geralmente associados com o crescimento da economia.

De modo bastante relacionado com a melhora do bem-estar, o crescimento do PIB também é um indicador da geração de empregos. Em uma economia que cresce, a demanda por trabalho tende a se acelerar, o que é um outro modo de enxergar a relação entre PIB e qualidade de vida.

Por fim, o crescimento da renda permite que as poupanças e investimentos sejam maiores. Isso é benéfico por vários motivos: dá mais segurança financeira para os trabalhadores, ajuda empreendedores a criar novas empresas, aumenta o saldo disponível para que os bancos e o governo financiem mais investimentos e, dessa forma, impulsionem a economia e contribua para um ciclo virtuoso de crescimento – mas esta é uma história complexa e foge do nosso escopo aqui.

Conceitos relacionados

Além de entender o que é PIB, vale também descobrir algumas expressões que têm tudo a ver com ele. Veja a seguir alguns deles:

PIB per capita: como sabemos, a população mundial deve continuar crescendo nas próximas décadas. Por isso, o crescimento da renda deve ser suficiente para que essas pessoas que estão chegando ao mundo tenham um padrão de vida ao menos tão bom quanto o da nossa geração. Para avaliar se a economia está indo nessa direção, analistas olham para o PIB per capita, que nada mais é do que o PIB dividido pela população. Se o PIB aumenta menos do que o crescimento população, o PIB per capita cai, implicando que, na média, a renda por pessoa está menor.

Distribuição de renda: no nosso exemplo da padaria, vimos que o valor do produto remunera o trabalho do padeiro, o lucro do dono da fábrica e do produtor de trigo. À medida que aproximamos esse exemplo da realidade, vamos perceber que os juros do banco e o aluguel do ponto comercial, por exemplo, também contribuem para a formação do preço do pãozinho. A maneira com a qual esse valor é distribuído, em forma de renda, às diversas pessoas que colaboraram com a sua produção, é o que se denomina distribuição de renda. Um indicador célebre para analisá-la é o índice de Gini.

Recessão: é um período de crescimento econômico negativo. Em níveis moderados, a recessão é usualmente chamada de estagnação. Por outro lado, uma longa fase de crescimento negativo é caracterizada como uma depressão. Para identificar uma recessão, o critério técnico mais usado é o de dois trimestres em crescimento negativo. As recessões têm como consequências o aumento do desemprego e a redução do nível de investimentos privados.

Estagflação: é uma recessão (ou estagnação) conjugada com aumento do nível de preços, ou seja, inflação. A estagflação é um dos piores tipos de crise: o desemprego fica alto e o poder de compra dos salários é corroído pela inflação, afetando duplamente o nível de bem-estar da população.

Para entender o PIB de maneira didática e divertida, veja este vídeo dos nossos parceiros do Por Quê – Economês em bom português:

E como anda o PIB brasileiro?

Todos os anos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica o resultado do Produto Interno Bruto brasileiro e a variação desse resultado em relação ao ano anterior. Em 2016, segundo o IBGE, o PIB diminuiu 3,6% no Brasil. É o segundo ano seguido que registramos recessão (diminuição do nosso produto), o que não acontecia desde o biênio 1930-1931 (auge da crise econômica mundial iniciada em 1929). Em 2015, já havíamos registrado um recuo de 3,8%. Em valores absolutos, o Brasil possui um PIB de R$ 6,266 trilhões. Já o PIB per capita está em R$ 30.407.

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Para saber mais sobre o PIB, confira o vídeo a seguir, desenvolvido pelo Por Quê – Economês em bom português, parceiro do Politize!:

Fontes: Olivier Blanchard: Macroeconomia (4ª edição, 2007) –  The Economist: economia de A a Z

Publicado em 16 de fevereiro de 2016. Última atualização em 30 de maio de 2017.

Eduardo Constantini

Redator voluntário do Politize!.

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O Por Quê – Economês em bom português é uma iniciativa que busca descomplicar a economia para os brasileiros. Isenção, didatismo, precisão, clareza e criatividade. Essas são as nossas bases para traduzir o economês para bom português e transformar aversão em interesse. Vamos aprender mais?