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Afinal, por que o jovem sai da escola?

O que podemos aprender ouvindo jovens que saíram da escola.

Saída da escola. Fonte: Domínio Público / Pexels.com

por que o jovem sai da escola

Este é o quarto texto de uma trilha de conteúdos sobre Evasão escolar. Confira os demais posts da trilha: 12345

Ao terminar de ler este conteúdo, você terá concluído 80% desta trilha 🙂

Temos hoje quase 3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos que anualmente deixam o Ensino Médio pelos mais diversos motivos, e temos avançado muito pouco como nação para reverter esse quadro. Isso é o que aponta o estudo “Políticas Públicas para a Redução do Abandono e da Evasão Escolar de Jovens”, conduzido pelo economista Ricardo Paes de Barros e resultado da parceria entre Instituto Ayrton Senna, Instituto Unibanco, Insper e Fundação Brava. Mas por que isso acontece?

O GESTA – Engajamento Escolar conversou com jovens que saíram da escola para contarem suas histórias como protagonistas deste desafio nacional de evasão escolar. As entrevistas foram transformadas em uma série de curtas-metragens disponíveis neste site. Contamos aqui os principais aprendizados com essas entrevistas!

AFINAL, POR QUE O JOVEM SAI DA ESCOLA?

A vida real é complexa e, portanto, vários fatores estão presentes simultaneamente. Muitas vezes, aqueles que têm dificuldade de acesso à escola vivem em uma condição de pobreza, aqueles que alegam ter saído da escola para entrar no mercado de trabalho já tinham uma defasagem idade-série muito grande ou não viam significado, nem valor, na educação que recebiam. Até mesmo nos casos de gravidez e maternidade, fatores socioeconômicos podem ser definidores na continuação ou não daquela jovem na escola.

Mas existem alguns motivos em comum! Todos os jovens entrevistados, independente do fator que pesou mais, concordam que:

  1. Suas escolas não proviam um serviço de qualidade;
  2. O ambiente escolar não era nada acolhedor;
  3. Não havia conexão entre a maioria do conteúdo passado em sala de aula e o que os esperava no “mundo real”;
  4. Terminar o Ensino Médio era importante para ter um diploma, um “papel”, mas não seria capaz de formá-los como pessoas ou profissionais melhores;
  5. Professores deixam uma marca eterna – para o bem ou para o mal – em seus alunos.

Sempre tive convicção na minha vida pessoal que o professor é muito valioso e, ao longo das entrevistas, isso se provou um valor compartilhado. Do mais “endiabrado” dos jovens até o mais “focado”, todos contaram sobre um professor incrível que tiveram. Cheguei a ouvir em mais de uma ocasião: “Se não fosse pelo Fulano, meu professor daquela matéria, eu teria saído bem antes”.

Infelizmente, igualmente poderosos foram os maus professores que colaboraram com a não continuidade do jovem na escola. Foi marcante ouvir um jovem com déficit de aprendizagem, o Paulo, contar que tinha professores que zombavam dele por “ser lento” para aprender, enquanto os professores do reforço escolar foram importantes para seu aprendizado, por darem atenção personalizada e o motivarem constantemente, apesar de sua alfabetização em idade avançada.

Assista ao Paulo falando sobre déficit de aprendizagem:

O QUE O JOVEM VÊ DE SOLUÇÃO?

Não há ninguém que saiba mais sobre o que pode ajudar o jovem a ficar na escola do que o próprio jovem que sai da escola. Uma coisa muito interessante que ficou evidente durante as entrevistas é que esses jovens têm muita clareza do que poderia ter sido diferente para fazer com que eles ficassem. Eles têm ideias de soluções, inclusive, para casos que parecem estar fora da alçada da escola, como problemas pessoais e gravidez precoce.

Em uma entrevista recente, o professor Ricardo Paes de Barros disse que “a evasão não é uma lâmpada que queima”. É uma linda metáfora sobre o desengajamento escolar ser um processo. Ele tem um começo e apresenta sinais. Os próprios jovens entrevistados – sem exceção – conseguem enxergar o que poderia ter sido diferente durante todo este caminho: onde eles erraram, onde a escola errou, onde os pais erraram, e tudo aquilo que em diferentes etapas da sua trajetória escolar poderia ter sido feito para que seu próprio futuro não fosse comprometido. Eles são verdadeiros experts naqueles assuntos, independente dos títulos acadêmicos e do domínio sobre a norma culta. Experiência própria importa.

Assista à Maira falando sobre gravidez e maternidade:

Em resposta ao estudo e às histórias que estes jovens contaram, muitas pessoas nas redes sociais — cheias de certezas e discursos de ódio — consideram os jovens que saem da escola “folgados”, “vagabundos”, que “faltou apanhar” ou “ajoelhar no milho”. São frases que mostram que há muito preconceito contra o jovem e que o jovem não é levado a sério.

No fundo, há muita resistência para encarar o problema e admitir que a forma de se fazer educação precisa mudar. É preciso ressignificar a educação. Se pararmos para ouvir o que o jovem está realmente dizendo, vamos ver que os jovens foram muito mais desengajados pelo que é a escola e como é feita a educação, hoje, do que se desengajaram do processo escolar porque quiseram. Eles não desejam não estar na escola. Na verdade, o que eles mais desejam é que a promessa da escola de educar e ser capaz de prover um futuro melhor para eles seja verdadeira.

Assista ao Valmir falando sobre mercado de trabalho:

Os outros vídeos você pode encontrar lá no nosso site seguindo a gente na nossa página do facebook.

E aí, o que achou dos depoimentos de jovens que saíram da escola? Você acha que existem outros motivos? Confira a trilha completa sobre evasão escolar e comente!

Publicado em 14 de dezembro de 2017.

Somos uma vitrine de conteúdos de interesse público: um espaço virtual que apresenta de forma clara e dinâmica os principais desafios do Brasil, suas causas e consequências, e os possíveis caminhos para melhorar e transformar nossa sociedade.

Rodrigo Vaz de Almeida

Graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP e confiante em um Brasil melhor a partir de iniciativas públicas eficientes.