Conselho da Amazônia e Força Nacional Ambiental: o que são?


Foto área da Floresta Amazônia. Conteúdo sobre "Conselho da Amazônia e Força Nacional Ambiental: o que são"

Foto: Ascom Ideflor-Bio/Fotos Públicas.

O número expressivo de queimadas na Floresta Amazônica nos últimos meses trouxe consigo muitas controvérsias, que envolveram desde displicência na fiscalização até a possível atuação de grupos criminosos. Mas, principalmente, trouxeram questionamentos à gestão ambiental do governo de Jair Bolsonaro. 

Em resposta a tantos olhares desconfiados, nacionais e internacionais, o Governo anunciou a criação de duas entidades para integrar a administração e a defesa da floresta: o Conselho da Amazônia e a Força Nacional Ambiental.

Neste artigo, explicaremos um pouco do funcionamento destas recém-criadas entidades. 

O que é o Conselho da Amazônia?

O Conselho da Amazônia foi criado em 1995 (Decreto nº 1.541/95) pelo ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Seu objetivo era controlar e coordenar as atividades dos ministérios federais e dos Governos de Estado que compunham a Amazônia Legal. Era um órgão subordinado ao Ministério do Meio Ambiente, e nunca chegou a ser realmente utilizado. 

Depois das crises envolvendo a Floresta no final do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a reativação do Conselho em janeiro de 2020 por meio das suas redes sociais. A mensagem comunicava a transferência de comando do Conselho, que era do Ministério do Meio-Ambiente, para a Vice-presidência da República. Como na antiga formulação, o órgão teria por objetivo

“[…] coordenar as diversas ações em cada ministério voltadas para a proteção, defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia.” (Jair Bolsonaro em postagem no Facebook no dia 21/01/2020).

Até aqui, apenas sabíamos que ele funcionaria como um órgão de controle e coordenação de atividades já exercidas por outros setores governamentais. Mas o que seria “controle e coordenação”?

Segundo o Vice-presidente da República e chefe do Conselho, Hamilton Mourão, muitos setores diferentes do Governo realizam atividades diferentes, mas conexas, relacionadas à Amazônia. O Ministério da Defesa, por exemplo, entre outras atividades, cuida da atuação do exército na mata amazônica, protegendo seu território; o Ministério da Ciência e Tecnologia, entre muitas outras atividades, propõe diretrizes de pesquisa e avanço tecnológico na região. 

Para que todos começassem a “falar a mesma língua” e cooperar nestas mais diversas realizações, criou-se um órgão de cúpula com o objetivo de reunir os chefes de todos esses setores para deliberar e decidir sobre assuntos que envolvem a Floresta Amazônica. Isto, segundo Mourão, possibilitará, inclusive, ações mais rápidas de controle emergencial, o que faltou para as queimadas que ocorreram no fim do ano passado.

Assim “renasceu” o Conselho Nacional da Amazônia Legal, oficialmente reativado no dia 12/02 com a publicação do Decreto nº 10.239/2020. Este Decreto estabeleceu as competências, o funcionamento e a composição do órgão, assuntos que veremos a seguir.

Por que Amazônia Legal?

Amazônia Legal é uma porção da Floresta Amazônica definida como tal pelo Governo Brasileiro ainda na década de 1950. É uma definição feita para atender a fins jurídicos, por isso pode ou não corresponder ao que outros campos de estudo reconhecem como “floresta amazônica”. Os estados que percorrem a Amazônia Legal são Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. 

Leia também: o que os dados mostram sobre o desmatamento no Brasil?

Qual a composição do Conselho?

Um conselho é um órgão colegiado que delibera sobre alguns assuntos e toma decisões. Colegiado significa ser formado por um “colégio”, isto é, membros que se relacionam como “colegas”, com a mesma dignidade. São canais de discussão e debate democrático.

Segundo o Decreto 10.239/2020, são membros do colegiado que forma o Conselho da Amazônia Legal, além do Vice-presidente, os chefes dos seguintes ministérios: Casa Civil, Justiça e Segurança Pública, Defesa, Relações Exteriores, Economia, Infraestrutura, Agricultura, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional, Secretaria-Geral da Presidência, Secretaria de Governo e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência.

A maior crítica envolvendo o novo Conselho foi a exclusão dos Governadores de Estado dentre seus membros. Na formação antiga, participavam das deliberações os governadores dos estados que compunham a Amazônia Legal. Agora, participam, além do Vice-presidente da República, apenas chefes de Ministérios do Poder Executivo Federal. O Presidente do Conselho, no entanto, afirmou que os governadores continuarão sendo consultados, embora não participem oficialmente do colegiado.

Como funciona o Conselho?

Já sabemos que o Conselho é um órgão colegiado, formado pela Vice-presidência da República e por 14 ministérios.  Segundo o Decreto nº 10.239/2020, este grupo de pessoas se reunirá a cada três meses, e excepcionalmente quando o seu Presidente (isto é, o Vice-presidente da República) o convocar.

Eles discutirão, em relação à Amazônia Legal, assuntos como proteção ambiental, coordenação e integração de ações dos mais diversos setores governamentais, desenvolvimento científico e inovação, repressão e prevenção de atividades ilícitas etc. 

Um conselho, além de deliberar, decide sobre alguns assuntos. Normalmente, as decisões de um conselho são colegiadas, isto é, se resolvem pelo número de votos dos seus membros. Mas, no caso do Conselho da Amazônia, os membros não possuem poder de voto. A última decisão sempre ficará a cargo do seu Presidente, após a manifestação dos outros membros (art. 5º do Decreto nº 10.239/2020).

Quais são as competências do Conselho?

Na imagem, Bolsonaro assina decreto para a criação do Conselho da Amazônia em frente dos demais ministros. Conteúdo sobre Conselho da Amazônia e Força Nacional Ambiental

Cerimômia de assinatura do decreto de criação do Conselho Amazônia. Foto: Isaac Amorim/MJSP/Fotos Públicas.

As competências do Conselho da Amazônia estão definidas no art. 3º do Decreto nº 10.239/2020 e são bastante autoexplicativas. 

As competências definidas são bastante abrangentes, como “fortalecer a presença do Estado na Amazônia Legal” (art. 3º, V) ou “coordenar as ações destinadas à infraestrutura regional” (art. 3º, IX), regras que possibilitam muitas medidas diferentes. 

Algumas das principais competências do Conselho da Amazônia são:

  • Coordenar e integrar as ações governamentais relacionadas à Amazônia Legal;
  • Propor políticas e iniciativas relacionadas à preservação, à proteção e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal;
  • Opinar, quando provocado pelo Presidente da República ou por quaisquer de seus membros, sobre propostas de atos normativos do Governo federal relacionados à Amazônia Legal;
  • Acompanhar a implementação das políticas públicas com vistas à inclusão social e à cidadania na Amazônia Legal;
  • Apoiar a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a inovação;
  • Coordenar ações de prevenção, fiscalização e repressão a ilícitos e o intercâmbio de informações;
  • Acompanhar as ações de desenvolvimento sustentável e o cumprimento das metas globais em matérias de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.

A Força Nacional Ambiental

A Força Nacional Ambiental foi mencionada na mesma mensagem que reativou o Conselho da Amazônia. No entanto, pouco se sabe ainda sobre o seu funcionamento. A informação repassada pelo Governo em coletivas de imprensa é a de que ela estará subordinada ao Conselho e funcionará nos moldes da Força Nacional de Segurança Pública, mas voltada à proteção da Amazônia. 

A Força Nacional de Segurança Pública foi criada em 2004 e funciona como uma tropa de elite em casos emergenciais ou de grande importância para a ordem pública. É formada por policiais militares, civis, bombeiros militares e profissionais de perícia dos estados e do Distrito Federal. Ela também atua em casos de calamidades ambientais e proteção do meio-ambiente.  

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Publicado em 03 de abril de 2020.

Bridje

BRIDJE 

O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Justiça e Equidade  é uma associação criada para resolver injustiças entre o Estado e o cidadão. Alguns dos nossos objetivos são o fim dos privilégios públicos e uma administração mais transparente e acessível ao cidadão brasileiro.

REFERÊNCIAS

Agência Brasil: Conselho da Amazônia vai unificar ações do governo, diz Mourão. Agência Brasil.

E-Cycle: o que é a Amazônia Legal?  

G1: Bolsonaro exclui governadores do Conselho da Amazônia.

Ministério da Justiça: saiba mais sobre a atuação da Força Nacional de Segurança Pública 

Quarentena: qual é a sua importância?

Na imagem, uma placa na Emergência de um hospital que informa: surto de coronavirus. Conteúdo "quarentena"

Foto: Pexels.

Com a pandemia da Covid-19, diversos países como a Espanha, França e Itália anunciaram várias medidas para conter a disseminação da doença, entre elas a quarentena. Abaixo, vamos falar sobre esta medida de saúde pública que acaba por desempenhar um papel muito relevante para a contenção de doenças altamente infecciosas, como é o caso do novo coronavírus.

O que é a quarentena?

Segundo o dicionário Priberam, quarentena é o “período que devem passar num lugar isolado pessoas, animais ou mercadorias, provenientes de país atacado de epidemia”. Em outras palavras, é o afastamento de pessoas ou animais que podem ter tido contato com doenças altamente infecciosas, de modo a reduzir a transmissão da doença.

De acordo com o Centro para a Prevenção de Doenças e Controle (CDC), a quarentena como a conhecemos hoje começou na Idade Média. No século XIV, os navios que chegavam em Veneza de lugares afetados pela Peste Negra eram obrigados a esperar 40 dias antes de atracar no porto. Os italianos chamavam esse processo de “quaranta giorni”, que significa 40 dias e evoluiu para “quarantino”.

O tempo de quarentena é determinado pelo tempo de incubação da doença, que corresponde ao tempo entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas. Por exemplo, a tuberculose possui um tempo de incubação de 4 a 12 semanas, então caso haja um surto de tuberculose, o período de quarentena é definido em 12 semanas, porque é o tempo necessário para o aparecimento dos primeiros sintomas.

Leia também: o que é Estado de Calamidade Pública.

Qual é a diferença entre quarentena, isolamento e distanciamento social?

Segundo o Departamento de Saúde e dos Serviços Humanos dos EUA (HHS), o isolamento (quarentena, isolamento em casos de infectados e distanciamento social) é uma medida de saúde pública para limitar ou parar a disseminação da doença, porém possui algumas diferenças conforme a situação.

  • quarentena separa ou restringe a circulação de pessoas saudáveis mas que podem ter sido expostas à uma doença, de modo a evitar a disseminação da mesma. As pessoas que estão em quarentena podem ter sido expostas à doença e ainda não o sabem, ou podem estar infectadas e não apresentar sintomas. Esta medida dura o tempo suficiente para garantir que a pessoa não foi infectada.

  • isolamento separa as pessoas doentes ou já infectadas daquelas que estão saudáveis. Geralmente, o isolamento é feito por prescrição médica. Por exemplo, muitos hospitais acabam por recorrer ao isolamento de um paciente que tem tuberculose, de modo a evitar o contágio de outras pessoas com a doença.

  • distanciamento social é uma medida voluntária, na qual as pessoas evitam de interagir de modo tão próximo para evitar a difusão da doença infecciosa. Escolas, faculdades, locais religiosos, entre outros, podem fechar durante o período de distanciamento social.

Quando a quarentena é recomendada?

A quarentena geralmente é colocada em prática em situações de transmissão comunitária, quando não é possível identificar a origem da infecção. Além de ajudar a controlar o número de casos numa determinada região, a quarentena auxilia no controle da doença, visto que as restrições de circulação impedem que o vírus se espalhe para outras regiões.

De acordo com o comunicado da Organização Mundial da Saúde (OMS), os países devem pautar a sua estratégia face à pandemia do novo coronavírus em quatro áreas principais:

  1. Se preparar e estar pronto;
  2. Detectar, proteger e tratar os casos;
  3. Reduzir a transmissão (através de medidas como a quarentena, por exemplo);
  4. Inovar e aprender.

Para além da atuação nas áreas referidas, existem outras recomendações, tais como a comunicação com a população sobre riscos e proteção, o isolamento dos casos confirmados, distanciamento social e proteção e treinamento de pessoal da saúde.

Durante o período de quarentena, é recomendado que as pessoas fiquem em casa, evitando aglomerações, o contato com outras pessoas e locais fechados com pouca circulação de ar. Essa medida de precaução torna um pouco mais fácil o controle da disseminação da doença.

Posicionamento do Ministério da Saúde

Com o crescimento de casos do novo coronavírus no Brasil, a Lei 13.979, de 6 de fevereiro, traz medidas que podem ser usadas para o combate da pandemia no Brasil.

Quarentena

De acordo com a portaria n.º 356 do Ministério da Saúde, a quarentena tem como objetivo “garantir a manutenção dos serviços de saúde em local certo e determinado”, sendo adotada por até 40 dias ou podendo ser estendida pelo período necessário para diminuir a transmissão comunitária.

Para além disso, esta medida deve ser decretada por um “ato administrativo formal” e ser editada pelos secretários municipal ou estadual de Saúde, o ministro da Saúde ou por prefeitos, governadores ou então o presidente da República.

Isolamento

Já o isolamento é recomendado por até 14 dias, podendo ser estendido de acordo com os resultados dos exames. Neste caso, o isolamento é direcionado aos casos confirmados, ou possíveis, caso tenham tido contato próximo com casos positivos da Covid-19.

Wanderson de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, indicou que tanto o isolamento quanto a quarentena são medidas de saúde pública e que “não vai ter ninguém controlando as ações das pessoas, ele é um ato de civilidade para proteção das outras pessoas”.

Distanciamento social

No dia 20 de março de 2020, o Ministério da Saúde declarou que havia a transmissão comunitária do novo coronavírus em território brasileiro, fazendo apelo às autoridades nacionais para que promovam medidas de distanciamento social, como o cancelamento de eventos para evitar aglomerações.

Segundo especialistas, uma distância de 1.5m é segura o suficiente, sendo possível reduzir a velocidade de propagação do novo coronavírus, já que a transmissão é feita através do contato com gotículas expelidas por uma pessoa infectada.

Medidas de prevenção

O Ministério da Saúde recomenda medidas básicas de saúde para evitar a disseminação do vírus que acabam por condizer com as medidas de prevenção aconselhadas pela OMS:

  • Lavar as mãos regularmente com água e sabão ou utilizar uma solução a base de álcool;
  • Manter pelo menos 1 metro de distância de pessoas que estão espirrando ou tossindo;
  • Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel e jogá-lo no lixo;
  • Evitar tocar olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam limpas;
  • Ficar em casa mesmo se tiver sintomas leves. Caso apresente sintomas mais graves como febre, tosse e dificuldade de respirar, procurar ajuda médica.

Qual é a importância da quarentena?

Apesar da taxa de letalidade do novo coronavírus ser baixa (cerca de 3,74%), esta pandemia pode aumentar a quantidade de pessoas que precisem de atenção médica devido às complicações da Covid-19. Isso pode levar a uma sobrecarga do sistema de saúde de um país e eventualmente entrar em colapso, como é o caso da Itália.

Por isso, medidas de proteção e prevenção se demonstram muito importantes em situações como a que vivemos atualmente. Tais medidas podem ser a suspensão de aulas nas escolas e faculdades, adiar ou cancelar eventos com grande concentração de pessoas como shows, conferências e feiras, quarentena, entre outros.

A quarentena é uma ferramenta para abrandar a disseminação da doença, fazendo com que a propagação da doença deixe de ser tão rápida e seja melhor distribuída ao longo do tempo, possibilitando um atendimento mais efetivo aos infectados sem sobrecarregar o sistema de saúde.

Gráfico que mostra a relação entre infectados, tempo e medidas de proteção. Conteúdo sobre quarentena.

Gráfico do número de infectados pelo coronavirus pela variável tempo. O gráfico mostra a possibilidade de “achatamento” da curva de infectados conforme medidas de proteção são tomadas no país. Fonte: imagem retirada de reportagem do Nexo Jornal, 2020.

Tanto a quarentena quanto o isolamento diminuem a quantidade de pessoas em circulação, possibilitando às pessoas que realmente precisem sair possam circular em segurança, colocando em prática outra medida preventiva: o distanciamento social.

De acordo com o biólogo Atila Iamarino, as medidas que os governos devem adotar para a contenção da pandemia são o isolamento (quarentena, distanciamento social ou isolamento de casos confirmados) para evitar a propagação do vírus, e testes, para um melhor controle dos casos existentes.

Em quais outros casos a quarentena já foi adotada?

Como referido anteriormente, a separação de uma pessoa que possa ter sido exposta a uma determinada doença para evitar a dispersão da mesma vem desde a Idade Média.

Entre o meio do século XVIII e o meio do século XX, houve um surto de tuberculose, uma doença que ataca o sistema respiratório e é transmitida por via aérea. O afastamento passou a ser uma prática geral e altamente recomendada por médicos, por conta do crescente medo da população em ser afetado pela doença.

No início do século XX, com o avanço rápido da Gripe Espanhola, diversas autoridades de saúde tanto nos EUA quanto na Europa recomendaram a quarentena para amenizar a propagação da doença.

Durante a epidemia da SARS em 2003, Singapura adotou a quarentena para evitar a disseminação da doença e quem não a cumprisse estava sujeito a pena de prisão de 6 meses ou ao pagamento de uma fiança de US$ 5.600.

Ao longo da história, a quarentena se demonstrou uma medida eficaz no combate às doenças altamente infecciosas. Desta forma, a quarentena, juntamente com o isolamento e o distanciamento social, trabalham em conjunto para evitar a propagação do vírus.

Portanto, durante esta pandemia, a quarentena, o distanciamento social e o isolamento são essenciais para o combate à disseminação da doença. Estas medidas de prevenção acabam por auxiliar num melhor controle da doença, impedindo o colapso dos sistemas de saúde ao redor do mundo e garantindo a possibilidade de atendimento médico à todas as pessoas afetadas pela doença.

Não deixe de se informar com fontes confiáveis. Para isso, deixamos aqui alguns links essenciais para acompanhar os principais dados sobre o assunto.

Temos outros conteúdos no Politize! que podem te ajudar a se manter informado sobre o coronavírus. Visite a nossa página principal e confira!

Publicado em 26 de março de 2020.

redatora voluntária

Maria Julia Guedes

Brasileira, cursando Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Acredita que a educação política deve ser acessível à todas as pessoas” 

 

 

REFERÊNCIAS

What does quarantine mean?

About Quarantine and Isolation | Quarantine

Quarentena: o que é, como é feita e como manter a saúde

Coronavírus: aumento de casos e evolução das mortes no mundo

Q&A on coronaviruses (COVID-19)

Do coronavirus a gripe espanhola: as maiores pandemias da humanidade

Coronavírus: por que ainda não há quarentena no Brasil; entenda o que é e como pode ocorrer

Tips for Social Distancing, Quarantine, and Isolation During an Infectious Disease Outbreak

O que é distanciamento social e por que isso é importante?

Destaque do conteúdo Estado de Emergência: o que é e qual a relação com a OMS.

Estado de Emergência: o que é e qual a relação com a OMS?

Funcionários do aeroporto com máscaras de cirurgia. Conteúdo sobre Estado de Emergência.

Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil.

Diversos países como a Itália e Brasil e cidades como Nova York acabaram por declarar estado de emergência face à epidemia do novo coronavírus. A declaração tem de ser feita exclusivamente em situações fora do comum e o governo pode alterar algumas de suas funções para melhor enfrentá-la, seja esta situação causada por desastres naturais, crises políticas ou econômicas e até mesmo epidemias, como é o caso do Covid-19.

O que é o estado de emergência e quando pode ser declarado? 

O estado de emergência é um termo usado em situações extraordinárias e têm de ser declarada pelo governo, face à uma ameaça direta que pode causar instabilidade no país. Geralmente, a regulamentação para a sua declaração está na Constituição de cada Estado, sendo declarado em casos de desastres naturais, crises financeiras ou econômicas, situações de guerra ou epidemias, como é o caso do novo coronavírus.

Ao declarar estado de emergência, o governo pode suspender algumas das suas funções básicas e colocar em prática planos específicos para este tipo de situação, que acabam por limitar total ou parcialmente os direitos da sua população por conta desta situação fora do comum.

No Brasil, o governo federal pode decretar o estado de defesa ou o estado de sítio e esta declaração tem de ser feita exclusivamente pelo Presidente da República. O regulamento do estado de defesa e de sítio estão disponíveis nos artigos 136.º a 141.º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

E o que é o Estado de Defesa?

O Estado de Defesa deve ser decretado pelo Presidente da República de modo a manter ou restabelecer a ordem pública que foi desestabilizada por um acontecimento fora do normal, como por exemplo um desastre natural ou uma crise política. Neste decreto, tem de estar determinado a sua duração, as suas áreas de atuação e as possíveis medidas restritivas, tais como as restrições à alguns direitos civis e políticos.

A duração do Estado de Defesa não pode ser superior a trinta dias, mas pode ser renovada uma vez caso as circunstâncias se mantenham. Após o decreto feito pelo Presidente, é necessário a aprovação do Congresso num prazo de 24 horas e caso seja rejeitado, o estado de defesa é terminado.

O Estado de Sítio

Relativamente ao Estado de Sítio, o Presidente da República pode solicitar ao Congresso uma autorização para o decreto se as medidas tomadas durante o estado de defesa se mostrarem ineficazes ou em casos de guerra.

Ao fazer o pedido ao Congresso, o Presidente deve referir os motivos, a sua duração, as normas da sua execução e o decreto tem de ser aprovado por maioria absoluta. Durante o período de estado de sítio, alguns direitos da população também podem ficar temporariamente suspensos, como por exemplo a liberdade de livre comunicação e de reunião entre as pessoas.

Em caso de vigência tanto do estado de defesa quanto do estado de sítio, o Congresso escolherá uma comissão composta por 5 pessoas para acompanhar as ações tomadas durante estes períodos. Quando as situações anormais terminam, os efeitos do estado de defesa ou de sítio também acabam.

Âmbito estadual e municipal

Já no âmbito estadual e municipal, o governo pode decretar situação de emergência ou estado de calamidade pública, sendo decretado pelo governador ou prefeito (caso seja declarado pelo prefeito, tem de ser reconhecido pelo governador).

Quando o Estado se encontra numa situação inesperada que compromete parcialmente a capacidade de resposta do poder público, pode-se declarar uma situação de emergência. Isso aconteceu no fim de Janeiro de 2020 em MG, onde 101 cidades decretaram situação de emergência por conta das chuvas.

Já o estado de calamidade pública é decretado quando o poder público é comprometido na sua base, na sua estrutura fundamental diante desta situação fora do normal.

Quais são os elementos fundamentais para declarar o estado de emergência? 

Três agentes do ministério da saúde do Peru sentados apresentando o debate sobre o Coronavírus. Ao fundo, uma placa com as informações do vírus em espanhol. Conteúdo sobre Estado de Emergência.

Em março de 2020, o Ministério da Saúde do Peru relatou novos casos de coronavírus no país. Foto: Ministerio de Salud del Peru/Fotos Públicas.

Segundo o Centro de Genebra para Governança do Setor de Segurança (DGAF), o estado de emergência geralmente é formado por duas estruturas: uma legal, que consiste na base legislativa e constitucional; e outra operacional, ou seja, o plano estratégico que será aplicado durante o estado de emergência.

Ambas as estruturas devem ser complementares, agindo em conjunto para dar uma melhor resposta à situação de emergência. Por conta disso, a estrutura operacional deve levar em consideração a estrutura legal, incluindo ainda os princípios do Direito Internacional.

Apesar de cada país poder definir os seus parâmetros relativamente ao estado de emergência, o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos define alguns princípios que devem ser respeitados nestas situações:

  • Declaração oficial para a comunidade internacional;
  • Situação excepcional que ameace o país em questão;
  • Boa comunicação, de modo que a comunidade local saiba quais são as medidas tomadas contra a possível ameaça;
  • O plano de ação do governo durante o estado de emergência tem de ser proporcional às ameaças causadas pela situação;
  • O plano operacional não pode ser incompatível com os Direitos Humanos e não deve haver nenhum tipo de discriminação, seja por motivos de raça, cor, orientação sexual, gênero, língua, religião, entre outros.

Estado de emergência global e o papel da OMS

Mesmo que não exista uma estrutura de governo internacional, organizações relevantes na comunidade internacional como a Organização Mundial da Saúde (OMS), subsidiária da Organização das Nações Unidas (ONU), podem decretar estado de emergência nas suas respectivas áreas de atuação.

A emergência internacional de saúde é definida pela OMS no seu Regulamento Sanitário Internacional como “uma situação extraordinária que constitui um risco de saúde pública para outros Estados através da disseminação internacional de doenças e por potencialmente exigir uma resposta internacional coordenada”. Desde a sua criação em 1948, a OMS decretou algumas vezes estado de emergência de saúde global, que foram:

  • Gripe H1N1 em 2009: OMS declara estado de pandemia por conta da gripe, que causou 284 mil mortes.
  • Vírus Zika em 2016: por volta de 30 países tiveram casos de bebês nascidos com malformações que têm relação com este vírus, sendo este disseminado maioritariamente por picada de mosquito.
  • Ébola na República Democrática do Congo em 2019: apesar do risco de epidemia continuar a ser alto dentro do país e o risco de expansão para outras regiões era baixo, a OMS declarou o estado de emergência internacional já que o surto acontecia desde 2018 e “quando foi decretada emergência internacional, o surto já tinha provocado quase 1700 mortos e registrava a cada dia 12 novos casos de infecção”.

Geralmente, a Organização declara estados de emergência de saúde global somente quando é de fato necessário, e, por conta do avanço rápido nos casos relativos ao coronavírus, acabou por decretar o estado de emergência de saúde pública internacional.

Segundo o dicionário Priberam, pandemia é um “surto de uma doença com distribuição geográfica internacional muito alargada e simultânea”. De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o coronavírus (Covid-19) possui um potencial pandêmico mas como não é compatível com a definição de pandemia, o uso da palavra não é adequado.

Apesar da declaração da OMS, alguns teóricos como o professor Jimmy Whitworth da Universidade de Londres discorda, visto que a transmissão do vírus está sendo contínua em diversas partes do planeta.

E o que acontece após a declaração do estado de emergência pela OMS em relação ao coronavírus?

Com a declaração da OMS, existem diversas recomendações de prevenção e contenção do surto, entre elas:

  • Informar a população sobre a evolução da epidemia, bem como as medidas de prevenção e contenção adotadas pelo poder público.
  • Garantir a eficácia dos sistemas de saúde na contenção do surto.
  • Supervisionar as regiões mais afetadas pelo vírus e buscar possíveis novos casos
  • Colaborar com a OMS e outras organizações de modo a entender a doença e as medidas para a conter
  • Prevenir a disseminação da doença, como por exemplo fazer exames em aeroportos de modo a identificar com antecedência os sintomas e possíveis tratamentos.

A categorização da epidemia do Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional possui também um caráter político, alertando à comunidade internacional sobre as medidas de cooperação que devem ser tomadas para conter a disseminação da doença e das suas possíveis consequências, tanto na área da saúde quanto na economia e política internacionais.

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Publicado em 16 de março de 2020.

 

Maria Júlia Guedes

Brasileira, cursando Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Acredita que a educação política deve ser acessível à todas as pessoas.

 

 

REFERÊNCIAS

Folha: Para entender o que é estado de sítio, de defesa, de calamidade pública e situação de emergência

Centro de Genebra para Governança do Setor de Segurança (DGAF)

BBC: O que é uma pandemia e por que o atual surto de coronavírus ainda não é uma

Ministério Público Portugal: Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos

Observador: O que significa um estado de emergência de saúde pública internacional?

Entenda o que é estado de calamidade


Os presidentes da República, Jair Bolsonaro e do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, fazem declaração à imprensa no Planalto. (Agência Brasil)

No dia 18 de março de 2020, a Câmara dos Deputados brasileira aprovou o projeto do governo que estabelece um estado de calamidade pública por conta do coronavírus. A medida aprovada no Senado pode acarretar, entre outras coisas, o rompimento do teto de gastos.

Mas essa não é a primeira vez que ouvimos falar em estado de calamidade pública em âmbito financeiro. No Rio de Janeiro, em junho de 2016, foi feito o decreto pelas dificuldades de realizar os Jogos Olímpicos. O mesmo aconteceu no Rio Grande do Sul, que em novembro daquele mesmo ano tomou a medida para conter o rombo das contas públicas estaduais. Os decretos permitem que secretários e dirigentes da administração pública estadual adotem “medidas excepcionais necessárias à racionalização de todos os serviços públicos”.

Com certeza essa situação parece ser bastante grave, não é mesmo? Calamidades não costumam ser situações positivas: o dicionário as define como “desgraça pública; grande infortúnio; catástrofe”. Mas você sabe o que implica decretar estado de calamidade, em quais situações ele pode ser usado, e o que isso possibilita ao governante? E a calamidade financeira: quais as suas implicações? É o que vamos explicar a seguir!

Confira o nosso infográfico sobre o tema!

 

Calamidade pública: quem aciona e em que situações?

O estado de calamidade pública é decretado por governantes em situações reconhecidamente anormais, decorrentes de desastres (naturais ou provocados) e que causam danos graves à comunidade, inclusive ameaçando a vida dessa população. É preciso haver pelo menos dois entre três tipos de danos para se caracterizar a calamidade: danos humanos, materiais ou ambientais.

Agora, quem exatamente pode decretar esse estado? No Brasil, essa é uma prerrogativa reservada para as esferas estadual e municipal. Ou seja, governadores e prefeitos podem decretar uma calamidade pública. Mas e o presidente, por que não tem esse instrumento à disposição? É porque na esfera federal, podem ser decretados apenas os chamados estados de exceção. São dois tipos: o estado de defesa e o estado de sítio  que é o mais grave.

Situação de emergência e calamidade pública: diferenças

Além do estado de calamidade pública, é comum ouvirmos que algum município brasileiro decretou estado de emergência. De fato, esse é outro estado de exceção que pode ser decretado por governadores e prefeitos – e o nome usado na lei é situação de emergência. Mas qual seria a diferença entre emergência e calamidade? Segundo a lei, trata-se de uma questão de intensidade: a calamidade pública é decretada apenas nos casos mais graves, quando a capacidade do poder público agir fica seriamente comprometida.  Ou seja, o estado ou município não conseguem resolver o problema por conta própria e precisam da ajuda do governo federal. É o estado que requer mais atenção e cuidado.

Já a situação de emergência refere-se a danos menores, que comprometem parcialmente a capacidade de resposta do poder público, ou seja, menos graves que aqueles de uma calamidade pública. Nessa situação, eles também dependem de ajuda do Governo Federal, mas em um grau menor. Evidentemente, não é fácil definir essa diferença de intensidade, e isso acaba dependendo da visão do governante a respeito de cada caso.

Aprovação do Governo Federal

Situações de emergência e estados de calamidade decretados por autoridades municipais ou estaduais precisam ser reconhecidos pela União, a fim de que recursos federais sejam alocados para o ente afetado. Uma vez reconhecida a emergência ou calamidade, o governo também define o montante de recursos que destinará ao ente afetado. O Ministério da Integração Nacional mensura com precisão o tamanho de uma calamidade. É preciso haver prejuízos econômicos públicos equivalentes a pelo menos 8,33% da receita corrente líquida anual do ente afetado, ou então prejuízos privados de mais de 24,93% dessa receita.

O que pode ser feito em um estado de calamidade pública?

Situações extremas requerem medidas extremas. É por isso que, em caso de estado de calamidade pública, o governante tem à sua disposição poderes que em situações normais seriam considerados abusivos, a fim de salvaguardar a população atingida. Além disso, o governante passa a compartilhar responsabilidades com outros entes, principalmente o Governo Federal.

A Constituição permite que em casos de calamidade pública o governante tome os chamados empréstimos compulsórios, sobre os quais falamos em nossa trilha sobre tributos. Além disso, o governante pode passar a parcelar as dívidas, atrasar a execução de gastos obrigatórios e antecipar o recebimento de receitas. O estado ou município afetado também pode ficar dispensado de realizar licitação em obras e serviços enquanto durar a calamidade. Finalmente, a população atingida pode sacar parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

O Governo Federal normalmente ajuda em situações de emergência com itens de ajuda humanitária, envio da Defesa Civil ou até das Forças Armadas, além de recursos financeiros.

Existe calamidade financeira?

Observe que até agora falamos de calamidade pública, em sentido amplo. É porque o estado de calamidade financeira, decretado por Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul em 2016, é uma situação diferente – e, na verdade, bastante incomum. Não há uma referência específica ao estado de calamidade financeira na legislação brasileira. A situação é tão peculiar que os dois estados envolvidos utilizam nomenclaturas diferentes. O decreto carioca fala em “estado de calamidade pública no âmbito da administração financeira” – mesma expressão usada no projeto de lei aprovado na assembleia do estado. Já o decreto do Rio Grande do Sul (abaixo) é mais direto: menciona “estado de calamidade financeira”.

estado de calamidade

Esses casos trouxeram à tona uma discussão sobre as situações em que a calamidade pode ser decretada. Para alguns, ela vale apenas para crises decorrentes de um desastre natural – que são os casos previstos em lei. Para outros, qualquer situação emergencial que afete gravemente a capacidade do ente público justifica o decreto do estado de calamidade. O secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul afirmou que o decreto de calamidade financeira de seu estado não possui efeito legal para a liberação de recursos e que serve sobretudo para formalizar a situação de crise e sensibilizar o governo federal.

Como não se trata de um desastre natural, muitas das medidas típicas do estado de calamidade pública não se aplicam à calamidade financeira. O efeito legal mais importante para os estados em calamidade financeira é a flexibilização de algumas regras contidas na Lei de Responsabilidade Fiscal. O artigo 65 dessa lei prevê que, em caso de estado de calamidade pública, o estado ou município fica temporariamente livre de: cumprir prazos de controle de despesas de pessoal e de limites de endividamento; atingir as metas fiscais; e utilizar o mecanismo da limitação de empenho. Entretanto, para que essa regra passe a valer, é necessário que a Assembleia Legislativa Estadual aprove o decreto de calamidade do Executivo. Foi o que aconteceu no Rio de Janeiro em novembro, quando a Alerj aprovou o decreto do governo estadual expedido em junho. Porém, note que essas suspensões se aplicam a qualquer ente que tiver um decreto de estado de calamidade pública reconhecido pelo Legislativo – seja ela uma calamidade financeira ou não.

O papel do governo federal em casos de calamidade financeira também não é muito claro, mas a expectativa é que ele auxilie no que for possível. No caso do Rio de Janeiro, a ajuda veio com a liberação de crédito extraordinário no valor de R$ 2,9 bilhões, destinados à realização dos Jogos Olímpicos no Rio, que ocorreram em agosto. Agora, a expectativa do governo do Rio Grande do Sul é que o governo federal conceda auxílio financeiro semelhante. O governador Ivo Startori reivindica especificamente as multas arrecadadas pela União no programa de repatriação de recursos.

Publicado em 28 de junho de 2016. Atualizado em 19/03/2020.

Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-editor de conteúdo do portal Politize!.

 

 

Destaque conteúdo da Agenda 2063 da União Africana

Agenda 2063 da União Africana: o que significa?

Na imagem, chefes de estado e de governo posam de pé em frente ao simbolo da União Africana

30ª Sessão Ordinária da Assembléia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA). Foto: GCIS/Fotos Públicas.

Imaginem o continente Africano longe da pobreza, onde os direitos humanos sejam totalmente preservados. Imaginem um continente inteiro interligado por vias férreas, com livre circulação de pessoas e com unidade representativa no conselho de segurança das nações unidas.

Uma nação africana, próspera e profundamente preocupada com o desenvolvimento social de todos os seus habitantes. Conseguiu imaginar? Pronto, essa é a África que queremos, e também é a África que os africanos sonham, e esse sonho está na Agenda 2063 da Organização da União Africana, que será explicada detalhadamente para você, a partir de agora.

De onde Surgiu a ideia?

Podemos dizer que a ideia da Agenda 2063 é resultado de dois movimentos que foram cruciais para a visão africana enquanto unidade representativa, o Pan-Africanismo e a Organização da Unidade Africana.

O Pan-Africanismo é uma ideologia traçada por W.E.B Du Bois, sociólogo e ativista americano que lutava contra o racismo e a desigualdade. Ele tinha como principal objetivo dar voz ao continente africano em nível mundial. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o palácio de Versalhes na França foi palco de um acordo de paz entre as potências vencedoras.

Du Bois, assim como os principais líderes africanos da época – Kwame Nkrumah, presidente de Gana em 1960, Ahmed Sékou Touré primeiro presidente da Guiné, Thomas Sankara presidente de Burkina Faso, em 1983 – enxergaram na ocasião a chance de colocar os países africanos no centro dos debates sobre a ordem mundial no pós-guerra.

Assim, surgiu na França, em 1919, o primeiro congresso pan-africano, que tinha o objetivo de traçar o futuro de uma África independente do imperialismo colonial europeu. Du Bois sabia que muito dificilmente as potências europeias iriam devolver o comando das colonias africanas, mas a intenção era justamente criar um ciclo de movimentação política favorável a independência das colônias.

Mamadou Diouf, professor de estudos africanos na universidade de Columbia, em Nova Iorque, afirmou certa vez em entrevista concedida a uma rádio alemã:

Os líderes negros entendiam que a África devia estar presente durante estas discussões e que as questões africanas tinham que ser apresentadas pelos próprios, de forma a garantir a presença africana na ordem mundial do pós-guerra”

Ao final do congresso de três dias, ficaram definidas as condições exigidas pelos apoiadores do pan-africanismo:

  1. Auto-administração gradual das colônias africanas
  2. Liberdade de Expressão
  3. Direito a terra e á educação.

Com o passar do tempo, outras edições do congresso foram acontecendo pela Europa, com um maior número de participantes a cada congresso. Essa movimentação levou jovens africanos a aderir a causa e a ‘onda’ pan-africana foi ganhando cada vez mais força. O resultado mais concreto do pan-africanismo foi a criação da União Africana.

A Organização da Unidade Africana

Criada em 25 de março de 1963 por meio de uma conferência realizada na Etiópia e contando com o apoio de 32 países africanos independentes, a Organização da Unidade Africana foi uma consequência do pan-africanismo, que luta até hoje por uma África unitária.

Os objetivos da OUA, segundo a sua própria constituição, são:

  1. Promover a solidariedade africana, defendendo o fim do colonialismo;
  2. Soberania dos estados africanos, com forte integração econômica;
  3. Coordenar e Intensificar a cooperação entre os estados africanos;
  4. Intensificar a cooperação internacional, respeitando a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos;
  5. Coordenar e harmonizar as políticas dos estados membros nas esferas política, diplomática, econômica, educacional, cultural, da saúde, bem estar, ciência, defesa.

A OUA – assim como o movimento pan-africano – foi de extrema importância para a luta contra o colonialismo e contra o Apartheid. Suas ações também serviram para um plano ideológico, como um prelúdio para a União Africana. Se observarmos a linha histórica como um processo de desenvolvimento cultural, identificaremos que o pan-africanismo foi o cerne da luta por uma África mais próspera e a OUA foi a segunda etapa, em que objetivos mais precisos para o continente foram traçados. Desta forma, a Organização foi subistituida pela União Africana em 2002.

A União Africana e a Agenda 2063

Criada em 2002, a partir do desejo dos lideres da OUA em aprofundar os ideais do pan-africanismo, a União Africana hoje abrange todos os territórios do continente africano.

Atua para uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada por seus próprios cidadãos e representando uma força dinâmica na arena global.

Em abril de 2015, na cidade de Niamey no Níger, foi lançada pela União Africana a Agenda 2063. O plano tem como principal objetivo desenvolver o crescimento econômico do continente. Ao todo, são 14 iniciativas em diversas áreas, como: infraestrutura, educação, ciência, tecnologia, cultura e manutenção da paz. Com o lema, “A África que queremos”.

Podemos destacar como algumas aspirações da agenda:

  1.  Uma África prospera, baseada no crescimento inclusivo e desenvolvimento sustentável;
  1. Um continente integrado, politicamente democrático e unido com base nos ideais do Pan-Africanismo e na visão de Renascimento da África;
  2. Uma África de boa governação, Democracia, Respeito aos Direitos Humanos, Justiça e o Estado de Direito;
  3. Uma África pacífica e segura;
  4. Uma África com forte identidade cultural, patrimônio, valores, ética comum;
  5. Uma África cujo desenvolvimento seja orientado para as pessoas, confiando no potencial dos povos africanos, especialmente no potencial da mulher, da juventude e onde a criança tem tratamento digno;
  6. Uma África como um ator e um parceiro forte, unido e influente na arena mundial.

Assim, podemos dizer que a Agenda 2063 é um plano de desenvolvimento muito audacioso, com grandes desafios e metas a serem cumpridas, podemos citar alguns exemplos:

  1. Uma África unida;
  2. Tenha infraestrutura de classe mundial e integradas que atravessam o continente;
  3. Tenha Ligações dinâmicas e mutuamente benéficas;
  4. Seja um continente com fronteiras sem descontinuidades e gestão de recursos transfronteiriços, através do diálogo.

Porém os planos não são só até 2063, existem outras metas tão importantes quanto, e que tem um prazo de conclusão mais curto. Por exemplo:

  1. Até 2020: Todos os vestígios de colonialismo terão sido eliminados e todos os territórios africanos sob ocupação estarão totalmente libertados;
  2. Até 2020: Sejam silenciadas todas as armas;
  3. Até 2030: Integração política, com livre circulação de pessoas e criação de instituições continentais e a plena integração econômica;
  4. Até 2045: O crescimento comercial intra-africano saltará de 12 para 50%, e a participação africana no comércio mundial sairá da casa dos 2% para 12%;

A esperança africana, no brilho dos olhos de quem faz a África

Como podemos observar, a Agenda 2063 proposta pela UA traz consigo grandes esperanças do povo africano para que seu continente seja o mais desenvolvido e digno em todas as áreas. Gostaria de convida-los a assistir um pequeno vídeo, produzido pela UA. Se você não tiver muita familiaridade com a língua inglesa, faço uma indicação, olhem o brilho dos olhos do povo africano quando falam sobre o tema.

Para você que entende um pouco o inglês, poderá ouvir várias propostas da agenda 2063 aqui já relatadas:

A agenda 2063 é mais do que um plano para o futuro, é a esperança africana escrita e pensada cuidadosamente pelo povo africano. São mais de 70 propostas, que estão disponíveis na integra pelo Site da UA.

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Publicado em 19 de março de 2020.

Renan Lima


Antes de tudo, Pernambucano. Bacharel em Relações Internacionais e Pós-Graduado em Ciências Políticas pelo Centro Universitário ASCES-UNITA. Atualmente desenvolve pesquisas sobre acompanhamento político.  

 

 

REFERÊNCIAS: 

Infoescola

União Africana: agenda 2063

DW: 50 anos da União Africana

Destaque do conteúdo Nomeação de Ministros do STF: como funciona

Nomeação de Ministros do STF: como funciona?

Na imagem, ministros do STF sentados durante plenária. Conteúdo sobre Nomeação de ministros do STF: como funciona?

Foto: Nelson Jr/SCO/STF/Fotos Públicas.

Você já deve ter ouvido falar sobre algum ou outro Ministro do STF, certo? Eles são os responsáveis, no Supremo Tribunal Federal (STF – que é o órgão máximo do poder judiciário brasileiro), por garantir o cumprimento da Constituição da República. Mas, o que é preciso para se tornar um membro do STF? De que forma eles chegam ao cargo? Ou, o que exatamente faz um Ministro do STF? Essas são algumas das perguntas que surgem quando ouvimos falar deles.

Outra questão que será bastante discutida esse ano, visto que um dos ministros irá se aposentar, é sobre quem deverá ser seu sucessor. Qual será a indicação de Bolsonaro para ocupar uma cadeira no STF em 2020? Tem essas dúvidas e quer ficar por dentro do assunto? Então esse é o post certo pra você. Vem com a gente!

Como funciona o processo de indicação e nomeação dos Ministros do STF?

Vamos começar pelos pré-requisitos. O que é necessário para se tornar um ministro do STF? Pois bem, uma das exigências é ser brasileiro nato e ter idade entre 35 e 65 anos. É preciso seguir carreira jurídica e possuir notável saber nessa área, mas não há a necessidade de ser um juiz, um advogado ou até mesmo ter formação acadêmica na área do direito. Para se tornar um ministro do STF, também é necessário ter um reputação ilibada, ou seja, uma reputação íntegra, incorrupta e “sem manchas”. Além disso, o cargo de ministro é vitalício (que dura ou é destinado a durar a vida toda), sendo assim, só perderá o cargo por renúncia, aposentadoria compulsória (que deve acontecer até os 75 anos de idade) ou impeachment.

Tendo preenchido os pré-requisitos, o processo de nomeação para o cargo vitalício de Ministro do Supremo Tribunal Federal tem início com a indicação pelo Presidente da República (a indicação não é de caráter legal, mas sim tradicional, seguindo um ritual da justiça dos Estados Unidos, onde o presidente é quem indica um novo nome). O indicado passa por uma Sabatina no Senado, onde seus conhecimentos são testados após uma longa avaliação oral com questões sobre a Constituição Federal e outros temas políticos e jurídicos. Após a avaliação, a Comissão da Constituição e Justiça (CCJ) decide, através do voto secreto, se o indicado possui notável saber jurídico ou não. Aprovado pela CCJ, o indicado deve passar pela votação no Senado Federal e precisa ser aprovado pela maioria absoluta (dos 81 senadores, 41 precisam ser favoráveis a indicação).

Após a aprovação do Senado, o indicado é nomeado pelo Presidente da República, que assina um decreto de nomeação (publicado no Diário Oficial da União) e está habilitado a tomar posse no cargo, em sessão solene do Plenário do Tribunal, alguns dias depois. Durante a cerimônia de posse, o novo Ministro, na presença de familiares, amigos e representantes dos três poderes, assina um termo de compromisso, bem como o livro de posse; e pode, finalmente, começar a trabalhar.

Entendido o processo de indicação e nomeação dos ministros do STF, bora ver qual a função que eles desempenham na Suprema Corte?

O que faz um Ministro do STF?

O STF é composto por onze Ministros que formam o Plenário do Tribunal e tratam das questões relativas ao Estado brasileiro, julgando ações que são do interesse de todo o país. É responsável por definir se leis ou atos normativos são constitucionais, ou seja, se respeitam o que está na nossa constituição, sendo essa sua função central.

Entre as decisões historicamente julgadas pelos Ministros do STF estão a constitucionalidade das cotas raciais que, em 2012, foi aprovada por unanimidade entre os onze membros; e o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Já em 2020, uma das pautas que deve chamar a atenção é a possibilidade de homossexuais doarem sangue. Além disso, também está prevista para maio uma discussão sobre alguns pontos da reforma trabalhista, que foi aprovada em 2017.

Das funções ainda tratadas pelos ministros estão os casos de grau de recurso (um instrumento do direito que possibilita a revisão do processo de qualquer cidadão e é geralmente utilizado pela parte perdedora da causa, que deseja recorrer da decisão por acreditar que pode revertê-la) em que o STF (que é a quarta e última instância) julga, em recurso ordinário, o habeas corpus, por exemplo, e, em recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância.

Os Ministros, apesar de serem indicados pelo Presidente da República (líder do poder executivo), atuam no poder judiciário, um dos três poderes independentes de uma democracia estipulado na Constituição, que não é subordinado nem ao poder legislativo e nem ao poder executivo – outros dois.

Sendo assim, na área penal, o STF também é responsável por julgar réus com foro privilegiado que tenham se envolvido em situações inconstitucionais, como o próprio Presidente da República, o Vice-Presidente, o Procurador-Geral da República, os demais membros do Congresso Nacional e os próprios membros do STF.

A estrutura do STF: divisões internas

No STF, dentre os onze ministros, um é eleito presidente pelo Plenário do Tribunal (a votação é secreta e entre os ministros). O mandato tem duração de dois anos e sem direito a reeleição imediata. O segundo mais votado ocupa o cargo de vice-presidente. Cabe ao presidente algumas funções como: representar o STF perante outros poderes e autoridades; dirigir os trabalhos e as sessões da plenária; executar (ou ordenar executar) as ordens e decisões do Tribunal; definir questões de urgência; dar posse a outros ministros; etc.

Vale destacar que o Ministro eleito presidente do STF é também o Presidente do Conselho Nacional de Justiça (instituição pública que visa a aperfeiçoar o trabalho do sistema judiciário brasileiro, principalmente no que diz respeito ao controle e à transparência administrativa e processual).

O STF também é dividido em duas Turmas de Ministros, com exceção do presidente eleito, cada uma composta por cinco deles, e é presidida (a Turma) pelo mais antigo dentre seus membros, por um período de um ano, sem direito a presidir novamente até que todos os outros ministros hajam exercido a função (sempre na ordem decrescente de antiguidade).

Os ministros se reúnem três vezes na semana para o julgamento de processos. As duas Turmas (composta por cinco ministros cada) se encontram às terças-feiras e são responsáveis por julgar casos de grau de recurso, geralmente, que são considerados de menor importância. Nas quartas e quintas-feiras ocorrem às sessões do Tribunal Pleno, com os onze ministros presentes, que são responsáveis por julgar casos de maior importância (que envolvem membros do poder executivo, por exemplo), bem como casos em que ocorre divergência entre as Turmas e a votação dos onze ministros se faz necessária.

Os ministros do STF estão ordenados atualmente da seguinte forma:

Presidente

  • José Antonio Dias Toffoli;

Primeira Turma

  • Luiz Fux (vice-presidente);
  • Rosa Maria Pires Weber;
  • Luís Roberto Barroso;
  • Marco Aurélio Mendes de Farias Mello;
  • Alexandre de Moraes.

Segunda Turma

  • José Celso de Mello Filho;
  • Luiz Edson Fachin;
  • Gilmar Ferreira Mendes;
  • Enrique Ricardo Lewandowski;
  • Carmén Lúcia Antunes Rocha;

Sendo assim, o Plenário (onze ministros), as Turmas e o Presidente são os órgãos pertencentes ao Supremo Tribunal Federal.

Aposentadoria dos ministros

Na imagem, o ministro Celso de Mello. Conteúdo sobre Nomeação dos ministros do STF: como funciona

Ministro Celso de Mello. Foto: Nelson Jr./SCO/STF/ Fotos Públicas.

Como dito acima, o cargo é vitalício e os ministros do STF podem exercer a função até os 75 anos de idade no máximo, quando devem, por obrigação, se afastar, ou seja, a chamada aposentadoria compulsória. A partir daí começa, sem necessidade de prazos estipulados, os processos para a nomeação do sucessor do cargo.

Em 2020, o ministro Celso de Mello, que ocupa o cargo desde 17 de agosto de 1989 (quase um ano após o estabelecimento da Constituição da República de 1988 e às vésperas da primeira eleição direta para Presidente da República depois de 21 anos de ditadura militar) e foi indicado pelo então Presidente da República, José Sarney, vai deixar uma das cadeiras do STF vaga. O Ministro é atualmente o mais antigo no STF, exercendo o cargo há 30 anos.

Mas o ponto é: quem deve ser indicado ao cargo após sua saída? O responsável por indicar o próximo ministro ao STF é o atual presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, e às especulações em torno do possível nome escolhido por ele já começaram a circular. Vale salientar que, dos 11 ministros atuais, quatro foram indicados por Lula, três por Dilma, um por FHC, um por Sarney, um por Collor e um por Temer.

Leia também: existe impeachment de Ministro de STF?

O Primeiro Ministro do governo Bolsonaro: possíveis nomes para a vaga de Celso de Mello

Com a saída de Celso de Mello, Bolsonaro deve, como tradicionalmente acontece, indicar um sucessor ao cargo. O presidente já deu alguns sinais de quem serão os escolhidos por ele, porque além de Celso de Mello, Bolsonaro terá que indicar mais um ministro para substituir Marco Aurélio Mello, que completará 75 anos em 2021.

Em sessão solene no Plenário da Câmara, em homenagem aos 42 anos da Igreja Universal do Reino de Deus, o presidente católico se pronunciou sobre suas futuras indicações: “Reafirmo meu compromisso aqui: o estado é laico, mas nós somos cristãos. E entre as duas vagas que terei direito a indicar para o Supremo, um será terrivelmente evangélico”.

Há dois evangélicos a quem Bolsonaro possivelmente se refere: André Luiz Mendonça, Ministro da AGU (Advocacia-Geral da União); e Marcelo Bretas, juiz federal (de primeira instância) que conduz às operações no Rio de Janeiro. Contudo, de acordo com assessores presidenciais, há uma sinalização mais forte para que Mendonça seja o escolhido, visto que há uma resistência em indicar um magistrado de primeira instância. Bolsonaro anunciou o nome de Mendonça para comandar a AGU em novembro de 2018. Além de advogado da União desde 2000, ele também é pastor presbiteriano.

Além de Mendonça e Bretas, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, também foi citado por Bolsonaro como um bom nome para o STF; ele trabalha com o presidente há mais de dez anos e vem sendo bastante elogiado pelo mesmo.

Outro possível nome é o atual Ministro da Justiça e ex-juiz da Operação Lava-Jato, Sérgio Moro. Bolsonaro já chegou a afirmar que teria deixado uma das duas cadeiras que ficarão vagas no STF durante o seu governo reservada para o atual Ministro da Justiça, mas recentemente voltou atrás e disse que busca somente alguém com o mesmo perfil que o ex-juiz. Isso porque há especulações de que Moro só ocupe o cargo em 2021, quando outro ministro do STF se aposentar.

O motivo: a imagem desgastada do magistrado após o vazamento de mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil, em que o então juiz da Operação Lava-Jato dá conselhos a procuradores, sugere alterações na ordem das fases da operação e chega até a indicar testemunhas (ato inconstitucional). Bolsonaro já manifestou que não quer que um nome indicado por ele seja desaprovado no Senado e questionou se Moro passaria pela votação secreta após a sabatina.

Contudo, a possibilidade de Moro ser indicado para o Supremo ainda em 2020 não está descartada. Após o Presidente da República ter articulado, em janeiro desse ano, uma reunião com secretários estaduais da segurança para discutir o desmembramento da Pasta da Justiça, retirando e recriando um ministério separado para a Segurança Pública, Moro se posicionou afirmando que se tal manobra ocorresse, ele deixaria o governo. Com isso, os apoiadores do ex-juiz começaram a pressionar o presidente que, logo em seguida, recuou, afirmando que a possibilidade de dividir a pasta estaria engavetada.

De acordo com aliados de Bolsonaro, acelerar a nomeação de Moro pode evitar um possível enfrentamento entre os dois nas eleições presidenciais de 2022 – vale lembrar que a popularidade do ex-juiz é maior que a do presidente. A indicação de Moro ao STF também pode evitar outro futuro conflito com Bolsonaro, que pretende mudar o comando da Polícia Federal – o magistrado já afirmou que não apoia a decisão e defende outros nomes para o cargo. Bolsonaro busca, desde quando se elegeu, fazer mudanças nessa área e o afastamento de Moro é entendido como uma possibilidade para o presidente poder “se intrometer” mais nessas questões.

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Publicado em 18 de março de 2020.

 

Roberta Monteiro

Graduanda de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

 

REFERÊNCIAS 

Exame: Bolsonaro cita ministro Jorge de Oliveira – Politize!: 6 coisas para saber sobre o STF – STF – STF:estrutura e atribuições  – JurisWay – G1: STF decide pela constitucionalidade das cotas raciais – Mundo Advogados: você sabe o que é um recurso – Gazeta do Povo: principais julgamentos do STF – Escola Educação: o que faz um ministro do STF – STF: Celso Mello completa 30 anos – Brasil de fato: partido de Bolsonaro tenta manobras para aposentar ministros do stf  – Folha: Bolsonaro sobre vaga para ministro do stf  – Folha: Bolsonaro pode indicar Moro  – G1: Bolsonaro sobre vaga para ministro do STF  – Jornal da Gazeta: Bolsonaro diz que vai nomear ministro evangélico para o STF 

Destaque conteúdo sobre TV Escola

TV Escola: o que é e sua importância

Estúdio de TV. Em referência ao conteúdo de TV Escola.

Foto: Pexels.

Os adeptos aos canais de televisão abertos certamente, ao trocarem de canal, já se depararam com alguma programação em que uma “marca” laranja apareceu. Ela pertence à TV Escola, que está disponível via antena parabólica (digital ou analógica) em todo o país.

Nesse conteúdo, o Politize! vai falar sobre o surgimento do canal, qual a programação e a discussão atual sobre o seu futuro.

Como surgiu a TV Escola

A TV Escola surgiu em 1996 como uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso e a gestão do Ministro da Educação Paulo Renato Souza, em acordo com a Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto (Acerp). A Acerp fez parte do MEC, mas desde 2015, mantém somente um contrato de gerenciamento para produzir conteúdos.

O canal de televisão foi criado para ser um recurso de educação, auxiliar os professores e ajudar os estudantes a usar ferramentas mais modernas. Os conteúdos variam entre cursos para os alunos, reforço para os professores e até aulas preparatórias para vestibulares.

Em 1996, para incentivar a população a aderir ao novo canal, a TV Escola vinculou uma propaganda com o slogan “Acorda Brasil: está na hora da Escola”, frase que fazia parte de uma mobilização do MEC para ações que envolviam o ensino no Brasil.

As outras ações almejadas visavam o incentivo aos intercâmbios, premiações para estudantes, repasse de tecnologias, treinamento para professores, palestras e seminários.  Ainda em 1996, foi aprovada a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) que é conhecida como Lei Darcy Ribeiro, nome de um grande político e educador brasileiro. A lei possui 92 artigos que se referem ao ensino no Brasil, desde o ensino superior até a educação infantil. Entre os pontos principais contidos nesta lei, estão:

  • A afirmação que qualquer cidadão brasileiro tem direito ao acesso gratuito ao ensino fundamental, consequentemente, ensino médio;
  • Estabelece a função dos governos em relação a gestão envolvendo a educação;
  • Frisa as obrigações das escolas, universidades e faculdades;
  • Estabelece uma carga horária para cada faixa etária e nível de ensino;
  • Descreve as obrigações de professores, diretores e demais profissionais da educação.

O que é vinculado na TV Escola?

A programação do canal inclui: documentários que abordam temas sociais como meio ambiente, saúde, história do Brasil, séries de filosofia, literatura, arte, cultura popular e conteúdos voltados para o currículo escolar e treinamento de professores. Por exemplo, a série “Hora do Enem”, conhecida entre os jovens e os adolescentes, apresenta estudos com conteúdo para vestibulares e possui mais de 20 milhões de visualizações nos vídeos disponíveis na Internet.

Ao longo dos anos o canal se destacou positivamente, em razão do seu conteúdo, conquistando prêmios nacionais e internacionais.

Recentemente, a veiculação de conteúdos com um viés político circularam na programação do canal, sem a produção direta da TV Escola.  A série “Brasil, a última cruzada”, foi cedida gratuitamente para a TV Escola pela organização Brasil Paralelo, que produz séries e vídeos em seu canal no Youtube, e são considerados conservadores. A série foi adicionada pela atual direção do canal, e, posteriormente, iniciou-se uma discussão sobre o que é exibido pela plataforma.

TV Escola atualmente

O MEC, em dezembro do ano passado, não renovou o contrato de gerenciamento da TV Escola com a Acerp.  De acordo com a Acerp, isso poderia interromper por um período a veiculação não somente desta emissora, mas da TV INES – direcionada para comunidade surda – e da Cinemateca Brasileira – instituição que preserva as mídias audiovisuais brasileiras. A Acerp divulgou uma nota através do site oficial da TV Escola, relatando que o valor de um novo contrato iria comprometer somente 0,06% do orçamento do MEC, reforçando o interesse de permanecer na frente da organização do canal.

Segundo o MEC, o Ministro da Educação Abraham Weintraub estuda novas possibilidades de gestão para as emissoras. Até o momento, não ocorreu nenhum pronunciamento oficial sobre um novo contrato.

Apesar dos últimos acontecimentos, o canal de televisão, site e vídeos relacionados continuam ativos no portal do MEC e em outras plataformas. Além de estar acessível na televisão aberta, em 2015, a Acerp lançou um novo aplicativo da TV  Escola, com uma integração entre o site e o canal aberto. Em seu site oficial, os internautas podem se identificar como “aluno”, “professor”ou “geral”, e ter acesso ao conteúdo específico conforme a necessidade.

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Publicado em 13 de março de 2020.

Redator voluntário do PolitizeMilena Sant’Anna

Cristã Católica, trabalha com Educação Infantil e estuda jornalismo na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Seu  lema é: levar a informação verdadeira para o máximo de pessoas possíveis, pois acredita que o conhecimento sobre a verdade liberta.

 

 

REFERÊNCIAS

Reportagem TV Escola 10 anos

Site oficial TV Escola

LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação

Destaque sobre aquecimento global

Aquecimento global: o que está em discussão?


Pessoas estendem faixa com os dizeres "we will move ahead" no chão durante a COP 22. Imagem do conteúdo sobre Aquecimento global.

Ativistas na COP 22 em 2016. Foto: Youssef Boudlal/Reuters.

Você com certeza já ouviu falar sobre o aquecimento global, não é mesmo? Este tema vem ganhando cada vez mais espaço nos jornais, televisão, debates políticos e, até mesmo, em conversas entre amigos. Apesar da ampla discussão, o assunto ainda é cercado por discursos populistas e pelo pouco interesse pelos dados científicos de grande parte das pessoas.

Neste texto, primeiramente vamos abordar alguns conceitos básicos para entender as mudanças climáticas, o histórico de discussões deste tema e ainda vamos ver a importância da atividade humana nestas mudanças. Por fim, veremos como o Brasil e o mundo vem atuando frente ao aquecimento global.

Conceitos Básicos – Atmosfera, Gases de Efeito Estufa, Mudanças Climáticas Aquecimento Global

A atmosfera é uma camada composta pelos gases do planeta Terra que a circunda devido a força gravitacional. Ela é composta por inúmeros gases que tem a capacidade de reter o calor produzido pelo Sol.

Após o Sol aquecer a superfície terrestre, o calor tenta se dissipar para o espaço. No entanto, os gases de efeito estufa (GEE) mantém parte deste calor aprisionado na nossa atmosfera – o que é fundamental para a manutenção da vida no nosso planeta (dentro das concentrações naturais).  Os principais gases de efeito estufa são o vapor d’água (H2O), gás carbônico (CO2), metano (CH4), monóxido de nitrogênio (N2O), ozônio (O3) e outros halocarbonos.

Mas este conceito sozinho não nos diz muita coisa na discussão que queremos aqui.

Um ponto importante é sobre a diferença entre as mudanças climáticas e o aquecimento global. Bom, as mudanças climáticas são variações do clima, seja na escala global ou na escala regional, com relação a sua série histórica. Portanto, podem fazer parte das mudanças climáticas as variações na temperatura, precipitação (por exemplo, chuva), nebulosidade e fenômenos naturais. Já o aquecimento global refere-se ao aumento da temperatura média do planeta, ou de uma região de análise.

Assim, o aquecimento global faz parte das mudanças climáticas, sendo estas mais amplas do que o aumento da temperatura terrestre.

Como o mundo vem discutindo as mudanças climáticas?

Diversas organizações e cientistas vêm estudando a influência das atividades humanas no meio ambiente – como no clima, por exemplo. As discussões globais sobre o clima se intensificaram após a chamada Comissão Brundtland, em 1984, e seu respectivo Relatório Brundtland – “Nosso futuro comum”.

Resumidamente, a conclusão do relatório foi de que mesmo com os avanços tecnológicos e econômicos dos países nas últimas décadas, mais pessoas estavam empobrecendo enquanto o meio ambiente estava sendo cada vez mais degradado. Deste modo tornava-se imprescindível políticas e esforços globais para a redução dos GEE.

Embasado nos pontos destacados pelo Relatório Brundtland, foram criados dois mecanismos de extrema importância para avaliar as mudanças climáticas: o IPCC e UNFCC.

O Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, é o principal órgão internacional que estuda as mudanças climáticas. São diversos pesquisadores, de diferentes países, que analisam a produção científica e elaboram relatórios periodicamente sobre o tema.

Por sua vez, a Convenção Quadro das Nações Unidas (UNFCC) é um tratado internacional – finalizado em 1992 e ratificado por mais de 175 países – que tem como objetivo principal a estabilização de emissões dos GEEs.  Pra a implementação dos objetivos do tratado são realizadas anualmente as COPs – Conferências das Partes.

As COPs são encontros onde os líderes mundiais discutem os caminhos para uma política climática e de emissões de GEE menos agressiva ao meio ambiente. Por exemplo, o Acordo de Paris principal acordo em debate entre os países – foi elaborado na 21ª COP em Paris, na França.

Por quê ressaltamos estes pontos neste texto?

Por dois motivos principais: referências e futuro.

Para se aprofundar no tema das mudanças climáticas é fundamental consultar os relatórios do IPCC,  artigos e textos que o abordem. Assim como seus pesquisadores e autores, já que estas são as principais referências da área. Além disso, para entender os rumos da política do clima internacional e como isto pode impactar nos investimentos, meio ambiente e padrões de consumo é importante o acompanhamento das discussões das COPs.

Aquecimento Global: consenso científico!

Apesar de alguns líderes políticos e cientistas afirmarem o contrário, o planeta Terra está ficando mais quente! Dentre as evidências, podemos destacar por exemplo:

  • Em 2016, 16 das 17 temperaturas médias anuais mais altas já registradas eram do século XXI;

  • Estudos da Berkeley Earth, organização científica de análise das mudanças climáticas criada para refutar os argumentos dos negacionistas do aquecimento global, fizeram um comparativo das médias de temperatura de 1850 a 2018, evidenciando o claro aquecimento recente das últimas décadas;

  • Estudos da Universidade de Siegen, na Alemanha, destacam a crescente taxa de aumento do nível médio dos oceanos. Por exemplo, enquanto a média anual de elevação dos oceanos foi de 1,1 mm por grande parte do século XX, entre 1993 e 2012 a média de elevação foi de 3,1 mm;

  • A redução da espessura de gelo permanente no Ártico. Em 2018, por exemplo, foi a primeira vez registrada que houve o rompimento do gelo mais espesso da região do norte da Groenlândia com a camada mais antiga do Hemisfério Norte;

  • Também podemos destacar a morte das comunidades de corais, a diminuição das camadas de geleiras em montanhas, a perda das geleiras continentais, entre outras.

Então, qual é a discussão?

As discussões que permeiam o aquecimento global e as mudanças climáticas são sobre a influência da atividade humana nestas mudanças! Entende-se atividade humana como as modificações que os seres humanos fazem no meio ambiente – principalmente, a liberação dos Gases de Efeito Estufa (GEEs) na atmosfera.

Atualmente, a grande maioria dos estudiosos consideram que a aceleração do aquecimento global e os impactos das mudanças climáticas estão sendo potencializados pela atividade antrópica. Mas há também uma minoria que acredita que a atividade humana não implica em alterações substanciais para o macroclima do planeta.

O que você deve ficar atento nesta discussão?

Desde o início de pesquisas de climatologia, estudos sobre a influência dos vulcões, El Niños, raios e poeira cósmica, vulcões submarinos, aerossóis, variações na constante solar e as mudanças na composição atmosférica (com a influência da atividade humana) são os principais componentes de estudo para entendimento das mudanças climáticas.

Percebe-se que o aquecimento registrado nos últimos 150 anos não é restrito para os núcleos urbanos, mas é observado em todos os pontos do planeta – em especial nas regiões mais sensíveis como as geleiras. Além disso, os estudos de modelagem de atribuição de causas para o aquecimento global dos últimos 150 anos indicam a mudança de composição atmosférica como o principal fator de tal – a concentração de CO2 na atmosfera atingiu seu maior nível de concentração desde os primeiros registros da existência humana no planeta Terra.

Para os que defendem que não há certeza que o aquecimento global é causado ou intensificado pela atividade humana, vale ressaltar também que não há certeza que não é causado! Muito pelo contrário, com o passar dos anos a probabilidade e os indícios de que a atividade humana tenha relevância para o aquecimento global é cada vez maior!

As projeções futuras são recheadas de incerteza. Como será a população mundial e o seu uso de energia? E a quantidade de CO2 emitida por unidade de energia? Como o oceano e a vegetação sequestrariam o excesso de carbono? Como reagirão a circulação oceânica, os padrões de vegetação, as calotas polares, etc? Importante destacar que as incertezas não excluem a importância dos modelos e suas variações. Eles são importantes para nos alertar e avaliarmos cenários.

Mas o que diz então o principal documento sobre as mudanças climáticas – o último Relatório do IPCC?

Como falado anteriormente, o IPCC conta com os maiores especialistas e estudiosos do clima de diversos países. O último relatório, de abril de 2019, destaca que:

  • Áreas continentais tem a temperatura maior do que a média do planeta. A média global é de um aumento em 1°C – quando comparamos com o período pré-industrial – já nos continentes o aumento já chegou a 1,5 °C;
  • Para que se tenha um aumento máximo de 1,5 °C na média global de temperatura, é necessário o investimento em projetos e tecnologias de sequestro de carbono da atmosfera, o que envolve mudanças nos padrões de consumo e produção atuais, bem como a manutenção e recuperação das florestas tropicais;
  • Caso o desmatamento da Amazônia atinja 40% da floresta, tanto as metas de aumento da temperatura média global, quanto a sobrevivência do ciclo da floresta não serão possíveis;
  • A diversificação da dieta para reduzir as emissões é fundamental, haja vista que produção de carne, agricultura e desmatamento representam 22% das emissões de GEE na atualidade;
  • As safras de milho, por exemplo, podem sofrer redução de 5,5% para cada grau Celsius de aquecimento, sendo que este percentual pode variar para 10,3% nos EUA;
  • Estudos apontam que 50% da Caatinga, por exemplo, já sofreu com processos de desertificação devido ao aquecimento global.

O aquecimento global é real… e agora?

O aquecimento global é real e precisa ser combatido. Projeções dos principais cientistas do planeta alertam que um aquecimento médio maior que 2°C trará consequências perigosas para a manutenção da vida de algumas espécies, diminuição da capacidade agrícola, ampliação da seca em diversos pontos do globo, entre outros. Vale ressaltar que do período que antecedeu a Revolução Industrial até os dias atuais, a temperatura média global já aumentou em 1°C.

Um dos princípios que rege a política/direito ambiental é o Princípio da Precaução! Mesmo os cientistas que não confirmam a atividade antrópica como a impulsionadora do aquecimento global, em sua maioria alertam para a necessidade de diminuir as emissões de Gases de Efeito Estufa, haja vista a possibilidade existente e também outras implicações desse gases, como a poluição atmosférica.

A questão é que os países tem que priorizar a pauta climática! Desde o início das discussões ambientais outro princípio que sempre esteve em pauta foi da responsabilidade comum, porém diferenciada. Ou seja, países que emitiram mais GEEs tem o dever de maiores investimentos e metas mais ambiciosas de redução para auxiliar os países em desenvolvimento.

Na COP 25, realizada em dezembro de 2019, poucos avanços práticos e políticos foram alcançados. Se por um lado a mobilização social para o evento foi o grande destaque, um grande progresso seria a regularização do mercado de carbono, que não aconteceu. Além disso, países fundamentais para avanços na política do clima global vem na contramão do esperado – o que é o caso do Brasil. O governo federal desistiu de sediar a COP 25, alegando falta de orçamento, e travou 82% do investimento para o Fundo Clima em 2019, que tem o intuito de auxiliar no combate as mudanças climáticas e seus impactos na população.

Por último, o importante é que através da ciência busquemos os dados e as discussões que permeiam este tema. O próprio IPCC já errou. No entanto, foi refutado pela ciência e seus especialistas. O meio ambiente é complexo e grandes alterações podem trazer riscos para a manutenção da vida no planeta. Combater que as atividades humanas modifiquem a terra, as águas e o ar é essencial para o nosso principal objetivo – possibilitar o mundo para as futuras gerações!

E você, o que já ouvir falar sobre mudanças climáticas e aquecimento global? Conhece alguma boa referência? Compartilha com a gente aqui nos comentários!

Publicado em 09 de março de 2020.

Redator Voluntário

Gabriel Pontes Bueno Guerra

Engenheiro Ambiental pela Universidade Federal de Viçosa – UFV, e  Pós-Graduando em Avaliação de Impactos Ambientais e Processos de Licenciamento Ambiental – SENAC. Um defensor do meio ambiente, do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos. Acredita que com conhecimento, empatia e vontade de fazer a diferença, mudaremos o Brasil!

 

REFERÊNCIAS

BBC: 7 gráficos que mostram em que ponto estamos – Nações Unidas: 2016 foi o ano mais quente já registrado – Folha: aquecimento do planeta desde o século 19 – DW: ritmo de aumento do nível do mar – DW: Ártico se rompe pela primeira vez – Exame: níveis de CO2 na atmosfera – G1: relatório do IPCC – Exame: aquecimento na Terra – G1: COP 25 – Veja: COP 25 – G1: orçamento para enfrentar mudança climática – G1: IPCC

Destaque conteúdo MP da Liberdade Econômica

MP da Liberdade Econômica: o que é?

Imagem interna do Congresso Nacional durante sessão. Conteúdo sobre MP da Liberdade Econômica.

A MP de Liberdade Econômica foi aprovada em setembro de 2019 pelo Congresso Nacional. Foto: Roque de Sá/Agência Senado.

A Medida Provisória nº 881 de 2019, apelidada de “MP da Liberdade Econômica”, foi um ato normativo expedido pelo Presidente da República e transformado em lei no ano passado. Segundo a presidência, seu objetivo é facilitar o exercício de atividades econômicas no Brasil, alterando a mentalidade de forte regulamentação estatal nos negócios particulares.

Neste artigo, apresentaremos os principais pontos da Medida Provisória, e ao final exporemos alguns argumentos contrários e favoráveis às suas inovações!

O que é a MP da Liberdade Econômica?

Uma explicação completa do que são Medidas Provisórias pode ser encontrada neste artigo. Em poucas palavras, são normas que possuem força de lei, aplicação instantânea e só podem ser expedidas pelo Presidente da República. São, basicamente, “leis” que o Presidente pode publicar sem autorização do Poder Legislativo. No entanto, são leis temporárias. Após sua publicação, o Congresso Nacional precisa decidir se a Medida Provisória será convertida em lei permanente. Também é importante dizer que o Congresso pode alterar o texto original antes de aprová-lo. 

A MP da Liberdade Econômica (MP nº 881/2019), foi publicada pelo Presidente Jair Bolsonaro em abril de 2019, e entrou em vigor no mesmo ato. Cinco meses depois, em setembro, a medida foi aprovada com algumas alterações pelo Congresso Nacional, dando nascimento à Lei nº 13.874/2019.

Seu apelido, “da liberdade econômica”, deve-se ao seu objetivo: diminuir a intervenção estatal nas atividades econômicas brasileiras, uma das grandes bandeiras da nova gestão. 

Segundo o Governo, estudos científicos sobre o desenvolvimento econômico do século XX demonstram que o aumento de liberdade econômica gera progresso. Deste modo, o Brasil, que ocupa posições muito altas em rankings de liberdade econômica (quanto maior a posição, menor a liberdade neste setor), precisaria de mais liberdade e segurança para contratar, negociar e investir, se quisesse se desenvolver. Ainda segundo o Governo, a intervenção excessiva dificulta a atividade econômica, gerando insegurança e entraves aos particulares, que precisam lidar com sistemas jurídicos complexos e caros.

“Existe a percepção de que no Brasil ainda prevalece o pressuposto de que as atividades econômicas devam ser exercidas somente se presente expressa permissão do Estado, fazendo com que o empresário brasileiro, em contraposição ao resto do mundo desenvolvido e emergente, não se sinta seguro para produzir, gerar emprego e renda.” Exposição de motivos da MP nº 887/2019.

Assim, buscando estimular o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico, a presidência apresentou regras para mudar a mentalidade no setor, minimizando a atuação estatal na economia e dando mais poder aos particulares para realizarem negócios entre si.

Entre as medidas empregadas, encontramos diretrizes de interpretação normativa que favorecem a autonomia do empreendedor, uma “Declaração de Direitos da Liberdade Econômica”, e demais regras que garantem o exercício do livre-mercado, diminuem burocracias e procedimentos administrativos.

O conteúdo da Medida Provisória

Como a Medida Provisória já foi convertida em Lei, comentaremos apenas o texto aprovado (Lei nº 13.874/2019) pelo Congresso Nacional, com todas as suas alterações. Para verificar o texto original da MP, editado pela Presidência da República e não mais em vigor, basta clicar aqui.

A Lei da Liberdade Econômica deve ser tratada sobretudo como um conjunto de princípios e normas gerais que incidem sobre as atividades econômicas brasileiras. Há, sim, regras específicas em seu texto, como a criação da Carteira de Trabalho Digital, mas o seu verdadeiro foco foi estabelecer direitos, dar diretrizes interpretativas e desburocratizar.

Passemos à análise de alguns de seus principais aspectos.

Os principais norteadores

Desde o art. 1º, a lei avisa que sua aplicação se estenderá aos mais diversos ramos do direito que envolvam atividades econômicas, bem como a todas as relações jurídicas aplicáveis, inclusive na regulamentação estatal do exercício de profissões, comércio e meio-ambiente. 

Isto porque ela pretende ser a base de interpretação e criação de normas que incidam sobre atividades econômicas. Neste sentido, ela estabelece os seguintes princípios (art. 2º):

  • A liberdade como uma garantia no exercício de atividades econômicas; 
  • A boa-fé do particular perante o poder público;
  • A intervenção subsidiária e excepcional do Estado sobre o exercício de atividades econômicas; e
  • O reconhecimento da vulnerabilidade do particular perante o Estado.

Fixar princípios é importante pois são eles que guiam a atuação da Administração Pública. Na dificuldade de se interpretar uma lei, por exemplo, pode-se voltar aos princípios para saber que direção a interpretação deve tomar. 

É interessante notar que estes princípios estabelecem a precedência do particular sobre o Estado. Tentou-se inverter um pensamento, julgado tradicional no Brasil, de um Estado forte, exigente e interventor. Se antes a regra era a regulamentação da atividade econômica, deixou-se claro, agora, que é a exceção.

A Declaração de Direitos da Liberdade Econômica

Na mesma linha dos princípios está a declaração de direitos. Não são ainda normas específicas, concretas, mas estabelecem diretrizes de interpretação para outras normas, e sua aplicação pode ser exigida pelo particular quando seu direito é ferido. 

Além disso, quando uma conduta é definida como direito, outras regras que inviabilizem o seu exercício podem até mesmo deixar de ser aplicadas.

A declaração de direitos está contida no art. 3º da Lei, e possui muitos incisos e parágrafos. Comentaremos apenas alguns dos principais, para dar uma ideia de seu conteúdo. 

Passam a ser direitos dos particulares:

Desenvolver atividade econômica de baixo risco sem prévia autorização.

Passa a ser direito do particular começar um negócio de “baixo risco” sem prévia autorização, concessão, credenciamento, expedição de alvará e demais atos públicos. É um direito perfeitamente alinhado com a ideia de desburocratização. Os entes federativos devem definir o que são negócios de “baixo risco”. A União já produziu uma lista com mais de 280 atividades econômicas, mas os Estados, Municípios e Distrito Federal podem, se quiserem, alterar estas atividades e incluir outras em seus respectivos territórios.

Entre as atividades consideradas de baixo risco estão desde comércio varejistas em geral, até bares e atividades de psicologia. Vale lembrar, no entanto, que os estabelecimentos devem seguir outras regulamentações da atividade exercida.

Desenvolver atividade econômica em qualquer horário ou dia da semana, inclusive feriados, sem encargos adicionais.

A lei, no entanto, exige o cumprimento das leis trabalhistas, normas de proteção ao meio-ambiente (como o respeito ao sossego público), e obrigações advindas de contratos condominiais. 

Liberdade para definir preços segundo a oferta e demanda em mercados não regulados.

Mercados regulados são aqueles fiscalizados e ordenados por agências governamentais, como o mercado de telecomunicações (pela Anatel) ou o mercado de medicamentos (Anvisa).

 Livre estipulação de contratos empresariais.

Passa a ser direito de empresas pactuarem livremente o modo como regularão as suas relações, de forma que a legislação empresarial seja aplicada apenas subsidiariamente. 

As garantias da livre iniciativa

Um terceiro grupo de normas foi criado para proteger o particular da burocracia e regulamentação excessiva por parte do Estado. A lei exige que a Administração Pública e suas agências reguladoras evitem o “abuso de poder regulatório” (art. 4º). 

Assim, agências reguladoras de atividades econômicas como Anvisa, Anatel, Anac, Ancine, em todas as suas regulações, devem evitar criar reservas de mercado de modo a favorecer um grupo em detrimento de outro; dificultar a entrada de novos competidores em um ramo; exigir laudos técnicos sem nenhuma utilidade; obstaculizar a criação e introdução no mercado de novas tecnologias, entre outras condutas prejudiciais  ao livre mercado. 

Todas estas regras coadunam-se com os princípios e direitos previamente expostos. Algumas outras ações que a Administração deve evitar, para garantir a livre iniciativa, são: 

  • Aumentar os custos de transação sem demonstração de benefícios;
  • Criar demanda artificial ou compulsória de produto, serviço ou atividade profissional, inclusive de uso de cartórios, registros ou cadastros;
  • Introduzir limites à livre formação de sociedades empresariais ou de atividades econômicas;
  • Restringir o uso e o exercício da publicidade e propaganda sobre um setor econômico, ressalvadas as hipóteses expressamente vedadas em lei federal.

Demais regras

A lei possui outras regras, que incidem sobre pontos específicos. Entre elas está a criação da Análise de Impacto Regulatório (art. 5º). A partir de agora, as propostas de edição e alteração de atos normativos, realizados por órgãos federais, que incidam sobre agentes econômicos ou usuários de serviços deverão ser acompanhadas de um relatório sobre seus possíveis efeitos no mercado, para verificar a razoabilidade do impacto econômico.   

Também foram flexibilizadas algumas leis trabalhistas. Alguns exemplos são a substituição da Carteira de Trabalho física pela Carteira de Trabalho Digital e a não obrigatoriedade do registro de ponto em empresas com menos de 20 funcionários. Passou também a ser permitido o funcionamento de bancos e instituições financeiras aos sábados. 

Além disso, foram criadas regras específicas de desburocratização. Agora, por exemplo, há limite de prazo para que a Administração expeça autorizações de abertura de um negócio (art. 3º, IX). Se o prazo for ultrapassado, a autorização será presumida. 

Outra regra interessante sobre desburocratização é a da equiparação de documentos físicos e digitais. Para economizar espaço e facilitar a organização, a lei permite que documentos físicos sejam digitalizados e, após isto, descartados, sem nenhum prejuízo ao seu valor comprobatório (art. 3º, X).

Argumentos contra e a favor

Algumas das regras previstas na MP (ou Lei) da Liberdade Econômica descontentaram os defensores de direitos sociais e econômicos que dependem da regulamentação estatal, principalmente no âmbito trabalhista. Por outro lado, os defensores do liberalismo econômico a consideraram um marco necessário e muito bem-vindo à realidade brasileira. Vamos analisar alguns argumentos contra e a favor da MP.

Argumentos a favor

  • Tornou-se comum ouvir que “é difícil fazer negócios no Brasil, pois há muita burocracia”. De fato, segundo dados do Banco Mundial, nosso país é um dos mais burocráticos do mundo, e isto dificulta a realização de atividades econômicas. A lei acertou ao determinar regras para evitar exigências e regulamentações excessivas sobre empreendedores.
  • O excesso de regulamentação cria insegurança ao fazer negócios, pois o particular se vê diante de sistemas muito complexos, cheios de pormenores e exigências difíceis de entender e suprir. Empreender, o que gera empregos e renda, torna-se caro e complicado.
  • Estabelecer princípios como a boa-fé dos particulares ou a vulnerabilidade do particular em relação ao Estado reforça o direito fundamental de liberdade, que prioriza a autonomia do indivíduo ante os possíveis abusos de um governo interventor.  
  • Não é mentira que há uma relação positiva entre liberdade econômica e progresso, como afirma o Governo. Há, de fato, coincidência entre os índices de desenvolvimento e liberdade econômica nos mais diversos países do mundo, como demonstram os relatórios da Heritage Foundation, do Banco Mundial e do Frasier Institute.

Argumentos contra

  • Mesmo depois da reforma trabalhista, a classe dos trabalhadores assalariados parece ter sofrido mais restrições de direitos, como mudanças de regras sobre o trabalho aos domingos e feriados. É possível afirmar que a MP incluiu em seu texto uma “minirreforma trabalhista”. 
  • Estabelecer um princípio de intervenção mínima do Estado é interpretado por alguns como uma derrota para as conquistas sociais e econômicas alcançadas nas últimas décadas, que dependem da intervenção estatal
  • Algumas das regras estabelecem que, em conflitos contratuais, a autonomia das partes deverá ser priorizada em relação às normas legais. Segundo alguns especialistas, no entanto, isto pode trazer prejuízos à segurança jurídica, pois a lei fica desvalorizada.
  • Muitos juristas afirmam que a ideia da MP é boa, mas mal executada. Além de instituir regras próprias, ela altera diversas leis e artigos do Código Civil, tendo, por isso, uma articulação confusa. Outros a acusam de modificar assuntos distantes da liberdade econômica. Há, por exemplo, um artigo que fornece orientações para a Procuradoria da Fazenda deixar de recorrer em alguns processos judiciais, o que tem pouco a ver com o tema da lei.

Conseguiu entender o que é a MP de Liberdade Econômica? Qual a sua opinião? Compartilha com a gente nos comentários!

Publicado em 05 de março de 2020.

Bridje

BRIDJE

O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Justiça e Equidade  é uma associação criada para resolver injustiças entre o Estado e o cidadão. Alguns dos nossos objetivos são o fim dos privilégios públicos e uma administração mais transparente e acessível ao cidadão brasileiro.

 

 

REFERÊNCIAS

Congresso Nacional: Sumário Executivo da Medida Provisória nº 881, de 2019

Congresso Nacional: Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 881, de 2019

Poder 360: “Pontos obscuros na MP da Liberdade Econômica”

 

 

Retrospectiva Politize: Fevereiro 2020

Achou que não ia ter retrospectiva esse mês? Calma, que o Politize! não te deixa na mão! Vem com a gente relembrar os principais acontecimentos de fevereiro.

O que aconteceu na Política Nacional?

1) Polêmica na CPMI das Fake News

Criada em setembro do ano passado com o principal intuito de investigar ataques cibernéticos e o uso de perfis falsos para influenciar as eleições de 2018, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News deu o que falar em fevereiro (confira o que faz uma CPI). Isso aconteceu por conta do depoimento de Hans River do Nascimento, ex – funcionário da empresa de marketing digital Yacows (investigada por sua atuação nas eleições).

Hans afirmou que a empresa fazia uso não autorizado de dados (como o nome e CPF de pessoas) para a compra e cadastro de chips de celular, com o intuito de disseminar conteúdo político no whatsapp. Mas a parte mais polêmica de seu depoimento foi quando negou ter sido fonte de uma matéria escrita pela jornalista Patrícia Campos Mello em dezembro de 2018, que denunciava o caso e o apontava como fonte. Hans afirmou ainda que a repórter teria se insinuado sexualmente para ele na tentativa de obter informações. Confira mais detalhes no resumo da Câmara.

Em resposta, a Folha de São Paulo publicou, no dia 11 de fevereiro, matéria com todas as trocas de mensagens envolvendo Hans River, que comprovariam que ele teria mentido em suas declarações na CPMI. Centenas de mulheres jornalistas, por sua vez, fizeram um abaixo assinado repudiando os ataques à Patrícia Campos Mello. A CPMI segue seus trabalhos, com previsão de se encerrar em 13 de abril, mas podendo ser estendida.

E por falar em Fake News, você sabia que, de acordo com uma pesquisa  de 2018 do Instituto Ipsos , 62% dos brasileiros entrevistados declararam já ter acreditado em alguma notícia falsa? Mas calma, aqui no Politize! a gente te explica o que são Fake News e como combatê-las.

2) Dança das cadeiras no governo

Dois postos importantes no governo tiveram seus comandos alterados em fevereiro: a Casa Civil e o Ministério da Cidadania. O deputado federal licenciado Onyx Lorenzoni, até então o chefe da Casa Civil, substitui o também deputado federal Osmar Terra no Ministério da Cidadania.

Isso acontece em meio a investigações no Ministério da Cidadania sobre a contratação de uma empresa acusada de desviar R$ 50 milhões dos cofres públicos entre 2016 e 2018. Conforme trazido pelo Estadão, a empresa assinou um contrato com o Ministério em 19 de julho de 2019, na gestão de Osmar Terra. Confira a matéria completa do Estadão.  Já a Casa Civil vinha se enfraquecendo desde o final de janeiro com a transferência do Programa de Parceria de Investimentos, importante função da pasta, para o Ministério da Economia.

Para assumir a Casa Civil, foi convidado o general Walter Braga Netto. Braga Netto é o quarto militar no governo, ao lado do general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional),  general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e do major da Política Militar Jorge Oliveira (Secretaria – Geral).

 

3) A greve dos petroleiros

Com início no dia 1º de fevereiro, a greve dos petroleiros do Brasil durou 20 dias até a construção de um acordo entre os grevistas e a Petrobras. Durante esse período, mais de 20 mil petroleiros, em 13 estados e mais de 118 unidades da Petrobras ficaram paralisados. Conforme trazido pelo Nexo, a greve foi motivada por conta do fechamento de uma fábrica de fertilizantes e subsidiaria da Petrobras (Araucária Fertilizantes), que resultou em centenas de demissões, contestadas pelos sindicatos. Você pode ver todos os detalhes sobre isso nesta matéria do Nexo.

No dia 21 de fevereiro foi feito um acordo entre a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Petrobras, com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).  Você pode ver todos os detalhes nessa reportagem da Folha.

Que tal aproveitar esse contexto para entender o que é e a importância da Petrobras

Petroleiros em manifestação em 2020. (Fotos Públicas)

Petroleiros em manifestação em 2020. (Fotos Públicas)

4) O caso Adriano

Foi morto, no dia 9 de fevereiro, na Bahia, o ex-policial do Bope Adriano de Nóbrega, acusado de interagir com as milícias do Rio de Janeiro. Adriano estava foragido há mais de um ano. A polêmica em torno do caso se deu por conta de ele ter sido morto pela polícia, levantando hipóteses de “queima de arquivo” (quando alguém é morto para evitar que preste depoimento que possa incriminar outras pessoas”).

Conforme trazido pelo G1 “De acordo com o Ministério Público, Adriano era um integrante da organização criminosa que agia no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro. E recebia parte de recursos vindos da rachadinha. Segundo as investigações, o esquema seria operado pelo amigo de Adriano dos tempos da PM, Fabrício Queiroz”. Você pode conferir tudo no matéria completa do G1 sobre o caso. 

Não sabe o que é uma milícia? Confira nosso texto sobre isso! 

 

5) Greve da PM e Cid Gomes

A Polícia Militar do Ceará iniciou uma paralisação (ou motim) no dia 18 de fevereiro, que durou por todo o restante do mês. Durante esse período, pessoas encapuzadas ocuparam batalhões, esvaziaram pneus de viaturas, determinaram fechamento do comércio, entre outros, agravando a situação da Segurança Pública no estado. A paralisação teve início em meio a negociações por um reajuste de salário para a categoria. O projeto de lei em tramitação na Assembléia Legislativa do Ceará falava em um aumento em três etapas que elevaria o salário dos atuais 3.475 para 4.500 até 2022.

É importante lembrar que, pela Constituição de 1988, policias militares não possuem direito à greve. Quer entender melhor o direito à greve? Confira nosso texto sobre ele!

Outro ponto polêmico nesse tema foi quando, no dia 19 de fevereiro, o senador Cid Gomes (PDT -CE) foi baleado ao avançar com uma retroescavadeira contra as grades que protegiam os PMs grevistas em um quartel. O senador vem se recuperando desde então. No dia 20, as forças armadas foram enviadas ao Ceará para tentar acalmar a situação. Você pode conferir com mais detalhes toda a cronologia do caso nesta matéria do G1.

6) Censura nos clássicos em Rondônia

Um acontecimento inusitado nesse mês foi a circulação de um memorando da Secretaria de Educação de Rondônia, no dia 06, que determinava o recolhimento, nas escolas de Rondônia, de uma série de livros clássicos da literatura brasileira, por terem “conteúdos inadequados” à crianças e adolescentes. Dentre os 43 títulos citados, apareciam “Macunaíma”, de Mário de Andrade e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, frequentemente exigidas em vestibulares. Autores como Caio Fernando Abreu, Carlos Heitor Cony, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca também apareciam na lista. Você pode conferir todos os títulos nesta matéria da Folha.  Após a divulgação e repercussão da medida, a Secretaria voltou atrás em sua decisão.

O recolhimento de livros tem nome, e é censura. Confira tudo sobre o que é censura e o que diz a lei brasileira!

7) Bolsonaro e as manifestações

No dia 25, a jornalista Vera Magalhães, do Estadão e do Brasil político, publicou uma matéria na qual apontava que o presidente Jair Bolsonaro teria compartilhado dois videos que convocavam para manifestações pró governo previstas para acontecer no dia 15 de março. A polêmica em torno dessas manifestações está no fato de alguns grupos enxergarem nelas um caráter anti-Congresso e anti-STF.

O presidente Jair Bolsonaro, em uma live, afirmou que o vídeo divulgado pela jornalista teria sido compartilhado em 2015. Em resposta, a jornalista publicou no twitter prints dos vídeos, que mostrariam o contrário.

Em meio ao clima de polarização política no país, ataques de ambos os lados são cada vez mais frequentes e é cada vez mais difícil dialogar. De acordo com pesquisa do Instituto Ipsos, para 32% dos brasileiros entrevistados ““Não vale a pena tentar conversar com quem pensa diferente de mim”. Levando em conta que o diálogo é fundamental na democracia, o Politize! criou o Despolarize, um projeto que incentiva e fornece ferramentas para o diálogo mesmo com quem pensa diferente de você. Confira!

E o que aconteceu na Política Internacional?

 

1) Brasil “desenvolvido” e no TPI

Começamos pelos acontecimentos ligados ao Brasil! No dia 10, os Estados Unidos publicaram uma medida que altera o status do Brasil, assim como de outros 24 países, de “em desenvolvimento” para “desenvolvido”. Os critérios utilizados no caso brasileiro foram a participação em 0,5% do comércio mundial e a presença no G20 (entenda o G20), desconsiderando aspectos sociais. Essa mudança traz tanto ganhos como perdas. Você pode conferir todos os detalhes nesta matéria do Nexo.

Outro ponto relacionado à política externa brasileira foi o alinhamento com Israel no Tribunal Penal Internacional (confira tudo sobre o TPI) para se opôr à investigação de crimes cometidos no território ocupado da Palestina  por Israel. A medida foi tomada no dia 14, por meio de ofício encaminhado ao TPI pela embaixadora brasileira na Holanda, Maria Regina Cordeiro.

Não é de hoje que a relação entre Israel e Palestina movimenta tensões. Confira mais dessa história.

 

2) Encontro entre Lula e Francisco

Outro acontecimento que dividiu o país nesse mês foi o encontro do ex-presidente Lula com o Papa Francisco, no Vaticano, no dia 13. Lula afirmou no twitter que “encontrou o Papa para conversar sobre um mundo mais justo e fraterno”. Além da questão social, a questão ambiental também foi tratada na conversa com o Papa. Conforme relatado pelo Notícias Uol, Lula disse que “Há uma má vontade, apesar dos discursos, dos governantes preocupados com a questão ambiental. (…) Enquanto a gasolina for barata, enquanto o petróleo for barato, não há interesse em mudar a matriz energética da maioria dos países“.

O general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional do governo, por sua vez, conforme trazido pelo OTempo, ironizou o encontro. “Parabéns ao Papa Francisco pelo gesto de compaixão. Ele recebeu Lula, no Vaticano. Confraternizar com um criminoso, condenado, em 2ª instância, a mais de 29 anos de prisão, não chega a ser comovente, mas é um exemplo de solidariedade a malfeitores”.

Lula e Francisco. (Fotos Públicas)

3) Primárias nos Estados Unidos

Esse é um ano de eleição presidencial nos Estados Unidos e os Democratas se organizam para decidir quem será o candidato que irá enfrentar o Republicano Donald Trump em sua tentativa de se reeleger. Após uma série de primárias e retiradas de candidaturas, a disputa fica cada vez mais entre Joe Biden e Burnie Sanders. Biden é advogado e foi o vice-presidente de Barack Obama em seus does mandatos. Sanders, por sua vez, é senador pelo Estado de Vermont e tem a alcunha de ser um candidato mais radical.

Confira neste texto do El País quem está ganhando as primárias democratas.

Bandeira dos Estados Unidos

 

4) Novos conflitos na Síria

Após 9 anos de guerra, novos conflitos continuam aparecendo na Síria. Desta vez, o final de fevereiro foi marcado pelo aumento de tensões entre Síria, Rússia e a Turquia na região de Idlib, no noroeste da Síria, último reduto da oposição de Bashar Al-Assad. No dia 27, 33 militares turcos foram mortos em um ataque na região e especulações apontam que o ataque vindo de forças de Assad e russas (que apoiam o governo Assad).

Em resposta, no dia 02 de março, a Turquia lançou uma ofensiva à Idlib e derrubou dois aviões Sírios. Confira mais sobre os últimos acontecimentos nas análises do G1 e do El País, e caso queira entender um pouco mais das origens do conflito na Síria, confira nosso texto sobre ele.

 

5) FMI e Argentina: novo capítulo de uma antiga relação

No último ano, nós te explicamos a crise econômica na Argentina. Pois bem, em 2020 ela continua longe de um fim. No dia 19 de fevereiro, o Fundo Monetário Internacional (entenda o FMI) declarou que a dívida da Argentina é insustentável e pediu a colaboração de credores internacionais para evitar um nova moratória (o país já soma 8 em sua história). Ao FMI, a Argentina deve US$ 44 bilhões, mas o total de sua dívida externa chega na casa dos US$ 311 bilhões.

6) MIT e as eleições na Bolívia

A Bolívia é outro país que vem enfrentando uma crise desde o final do ano passado. Nesse caso, no entanto, a crise é mais política que econômica. No ano passado, as eleições que elegeram Evo Morales em primeiro turno para mais um mandato tiveram suspeitas de fraudes levantadas pela oposição e Evo acabou sendo forçado a renunciar e sair do país. Confira tudo sobre a Crise na Bolívia.

Um dos principais argumentos que sustenta a tese da fraude nas eleições foi um relatório da OEA (Organização dos Estados Americanos) que apontava indícios de que elas haviam sido fraudadas, divulgado em dezembro. Confira o relatório.

No dia 27 de fevereiro, por sua vez, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), divulgaram um estudo que contesta os resultados apresentados pela OEA, apontando que não é possível identificar fraude estatística na eleição, reacendendo os debates sobre a questão. Confira o resumo do estudo nesta matéria do Washington Post.

 

Alguns outros acontecimentos marcantes …

1) Oscar 2020

O Oscar 2020 aconteceu no dia 9 de fevereiro e surpreendeu a muitos. O filme sul-coreano “Parasita” foi o grande vencedor, sendo o primeiro filme longa metragem na história a ganhar nas categorias de melhor filme estrangeiro e melhor filme. Você pode conferir os vencedores em todas as categorias nesse post do Omelete.

O representante brasileiro no Oscar, o documentário Democracia em Vertigem, acabou não levando a estatueta de melhor documentário, que ficou com o filme “Indústria Americana”.

Ficou curioso com Parasita? O Politize! tem um vídeo comentando sobre esse e outros filmes, confira!

2) SuperBowl

Um dos maiores eventos esportivos do mundo, a final da Liga de Futebol Americana (NFL), popularmente conhecida como “SuperBowl”, aconteceu no dia 02 de fevereiro. O grande vencedor foi o Kansas City, derrotando os 49ers, e conquistando a taça após 50 anos. O evento, como de costume, também contou com a apresentação de artistas consagrados em seu intervalo. Os nomes da vez foram as cantroas Shakira e Jennifer Lopez, que dividiram o palco e fizeram um grande show.

3) Carnaval 2020

Pra terminar, não poderíamos deixar de falar da maior festa brasileira, o Carnaval. Aqui no Politize! nos te falamos um pouco da relação entre a política e o carnaval, que tal dar uma olhada? O G1, por sua vez, fez uma análise dos principais números do carnaval de rua em 6 cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Olinda e Belo Horizonte).

Nos dois principais desfiles de escolas de samba no país (no Rio de Janeiro e em São Paulo), as vencedoras foram as escolas Águia de Ouro (SP) e Viradouro (RJ). Mesmo não sendo vencedora, a Mangueira (RJ) foi bastante comentada e dividiu opiniões sobre seu desfile que trouxe a figura de Jesus Cristo representando minorias sociais.

Viradouro, campeã do carnaval no Rio 2020

É coisa que não acaba mais, não é? E pra você, como foi fevereiro? Lembra de algum acontecimento importante que não foi citado? Deixe nos comentários!

Publicado em 03 de março de 2020.

 

Danniel Figueiredo

Coordenador do Portal e da Rede de Redatores. Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonado por política internacional e pelo ideal de tornar a educação política cada vez mais presente no cotidiano brasileiro.

 

 

Referências

Folha (Matéria de Patrícia Campos Mello em 2018) – Câmara (Sobre o depoimento de Hans River) – Folha (Print de conversas com Hans) – Instituto Ipsos (Pesquisa sobre Fake News) – Estadão (Sobre a troca de Ministros) – Folha (Sobre o esvaziamento da casa civil) – G1 (Militares no governo) – Nexo (Sobre a greve de petroleiros) – Folha (Sobre o acordo com os petroleiros) – G1 (Sobre o caso Adriano) –  G1 (Cronologia da greve da PM no Ceará) – Folha (Sobre a censura de clássicos) – BRPolítico (Matéria de Verã Magalhães sobre o compartilhamento de vídeos por Bolsonaro) – Correio Braziliense (Live de Bolsonaro sobre a matéria) – Nexo (Brasil com status de desenvolvido)Folha (Alinhamento Brasil – Israel no TPI) – Uol (Declaração de Lula sobre encontro com Francisco) – OTempo (Declaração de Heleno sobre o encontro) – ELPais (Quem está ganhando as primárias nos EUA)G1 (Conflito em Idlib) – ElPais (Resposta da Turquia em Idlib) – G1 (FMI sobre dívida argentina) – OEA (Relatório sobre eleições na Bolívia) – Washington Post (Resumo de estudo do MIT sobre eleição na Bolívia)Omelete (Vencedores do Oscar 2020) – Folha (SuperBowl) – Folha (Shakira e Jennifer Lopez) – G1 (números do carnaval de rua)