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Este é o terceiro texto de uma trilha de conteúdos sobre esquerda e direita políticas e aborda os valores individuais e coletivos na direita e esquerda. Veja os demais textos desta trilha: 1 – 2 – 3 – 4

Os valores políticos e o papel do Estado que são defendidos por direita e esquerda têm bases filosóficas distintas e advêm de visões diferentes de mundo e da natureza humana. Estas visões promovem relações sociais diferentes e indivíduos com virtudes específicas. A esquerda tem um caráter essencialmente coletivista, enquanto a direita é essencialmente individualista. Mas essa constatação é apenas um norte, pois em algumas esferas da vida social e política, um pensamento político de direita pode ser coletivista e um de esquerda pode ser individualista.

Exemplos de pensamentos políticos com essa característica são a social democracia – que é coletivista na esfera econômica, mas individualista na esfera social e moral (e que por isso acolhe bem os movimentos progressistas) – e o conservadorismo – que é individualista na esfera econômica, mas coletivista na esfera social e moral. Essas comparações são exploradas na trilha de conteúdos sobre correntes de pensamento político.

O QUE É INDIVIDUALISMO?

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O individualismo é uma ideia ou visão que enfatiza o valor moral do indivíduo e entende que os objetivos e interesses de cada um devem prevalecer sobre os interesses dos grupos e do Estado. O individualismo – e a direita na maioria dos assuntos – valoriza a independência, a autonomia, a responsabilidade sobre si mesmo e a tolerância aos outros indivíduos. Nesse contexto, cada um deve se responsabilizar por suas ações e colher o sucesso ou o fracasso de suas decisões.

O QUE É COLETIVISMO?

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Já o coletivismo é uma ideia ou visão que enfatiza o valor dos grupos e entende que os objetivos e interesses do grupo devem prevalecer sobre os interesses dos indivíduos. O coletivismo – e a esquerda na maioria dos assuntos – valoriza a igualdade, a coesão dos grupos e o altruísmo. O grupo oferece segurança aos indivíduos em troca de lealdade.

Esquerda, direita e centro segundo valores individuais e coletivos

Essas virtudes e valores defendidos por cada lado do eixo levam a visões diferentes de como deve ser a sociedade. Poderiam ser definidas de maneira ampla como:

Esquerda: valoriza os indivíduos altruístas e dispostos a se conformar à coletividade. A sociedade deve oferecer segurança social aos indivíduos, independentemente de sua condição ou ações. Promove a igualdade social, opondo-se a qualquer tipo de desigualdade considerada injusta, principalmente as desigualdades econômicas. Considera que a sociedade, como um coletivo, deve agir em benefício daqueles em desvantagem relativa a outros dentro da mesma sociedade.

Direita: valoriza os indivíduos independentes e responsáveis pelas suas ações. Cada indivíduo deve conviver com os resultados de suas decisões, sejam eles positivos ou negativos. Promove a igualdade político-jurídica, que é entendida como suficiente para garantir as mesmas oportunidades aos indivíduos da sociedade. Considera a desigualdade social inevitável e natural, advinda da competição entre indivíduos livres. A ajuda às pessoas em necessidade na sociedade deve ser uma decisão dos indivíduos e não uma imposição do Estado ou da coletividade.

Centro: promove equilíbrio entre os graus de desigualdade social, opondo-se a mudanças políticas significativas para a direita ou para a esquerda. Tenta conciliar, onde possível, as duas visões de sociedade. Algumas doutrinas de centro intitulam-se como “terceira via” e uma alternativa para os conflitos.

LIMITAÇÕES DO EIXO DIREITA E ESQUERDA

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É importante ainda enfatizar um conceito já abordado anteriormente: o eixo de direita e esquerda tem um significado mais estreito do que normalmente se imagina. Esse eixo não determina se um governo é autoritário ou libertário, por exemplo. É possível haver governos autoritários tanto na esquerda quanto na direita, da mesma forma que é possível haver ideias de sociedades anárquicas (sem Estado) tanto na direita (anarco-capitalismo) quanto na esquerda (anarco-comunismo).

Outras questões políticas também não cabem nesse eixo, como, por exemplo, as discussões sobre a liberalização das drogas ou a legalização do aborto. É “sabedoria popular” que a direita é contra algumas destas ideias, mas isso não está correto. O que acontece é que tanto os pensamentos conservador e libertário individualista são considerados de direita, mas o conservadorismo é contra essas propostas e o libertarianismo é a favor delas. Ou seja, no mesmo lado do eixo esquerda-direita existem posições políticas diferentes, o que é completamente compreensível, visto que esses assuntos não estão contidos nesse eixo do espectro político. Portanto, caro leitor, não tente atribuir aos termos “direita e esquerda” mais significado do que eles conseguem carregar.

Por fim, é importante entender que as posições políticas não têm valores absolutos no eixo esquerda-direita. Uma visão política que nos Estados Unidos é chamada de “liberal” é considerada como de esquerda, enquanto que em países como a França ou Brasil a palavra “liberal” está associada à direita. Nesses países, a esquerda geralmente refere-se a posições socialistas.

No próximo texto, vamos entender como esquerda e direita costumam se manifestar em relação à economia. 

E agora, conseguiu entender um pouco melhor os valores de direita e esquerda?

Nota: este conteúdo foi extraído e adaptado do Livro Urgente da Política Brasileira. Baixe agora mesmo o eBook gratuito para ficar por dentro dos principais conceitos da política! 

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