Êxodo rural: o que é, o que causa e quais as consequências?

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Foto: Pixabay/Gianni Crestani

O êxodo rural é um processo de movimentação populacional entre o meio rural e urbano. Este processo se deve a diversos fatores que vão desde a busca por oportunidades melhores a causas climáticas.

Ele está associado diretamente à modernização do processo produtivo, urbanização das cidades, aumento populacional nas áreas urbanas e problemas no campo, resultado da industrialização do país, entre 1930 e 1950.

Neste texto a Politize! irá explicar o que é este processo, o que causa e quais são suas consequências.

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O que é e quais são as causas do êxodo rural?

A palavra “Êxodo” vem do grego e significa saída, partida ou caminho, e se refere sempre ao movimento de um grande número de pessoas durante certo período. O êxodo rural é um processo de migração das pessoas do campo em direção às cidades, necessariamente neste sentido.

A ida de um grande número de pessoas das áreas rurais em direção aos centros urbanos pode acontecer de forma espontânea ou forçada, assim como qualquer migração. Os motivos são diversos, porém todos estão associados à reestruturação produtiva do território rural.

Essa reestruturação pode ser intencional, devido a modernização do processo produtivo no campo, ou natural, como secas e desastres naturais. Nas duas situações, as pessoas acabam sendo levadas a buscar oportunidades nos centros urbanos.

Alguns dos maiores causadores do êxodo rural são:

  • Processo de mecanização: ao industrializar o processo produtivo, a necessidade de empregos cai e deixa inúmeros moradores desempregados. Por falta de oportunidade de trabalho no meio rural, estes moradores se vêem na necessidade de buscar trabalho em novos lugares, como nas cidades. Com isso, eles deixam a zona rural com menos volume populacional e mão de obra.
  • Concentração fundiária: esse é um dos problemas estruturais mais antigos do Brasil e é definido como a posse de grandes extensões de terras por um pequeno número de proprietários. Esses territórios são comumente usados para o plantio de monoculturas destinadas à exportação. Esses proprietários de grandes terras também conseguem melhor utilização das terras quando tomam decisões baseadas na maior produtividade, o que gera a troca de trabalho manual por máquinas e, assim, aumentam seu poder de compra de outras terras. Então, muitos pequenos e médios produtores rurais que não conseguem incorporar o modelo produtivo do agronegócio acabam vendendo suas propriedades aos grandes proprietários e se mudam para as cidades.
  • Falta de acesso a saneamento básico e hospitais: a busca por melhores condições e oportunidades nas áreas urbanas não são apenas de interesse financeiro, mas também de acesso a serviços básicos, que muitas vezes não abrangem a zona rural, como saneamento e hospitais. Muitos moradores da zona rural não têm acesso a saneamento e outras necessidades básicas, o que os leva a crer que a emigração às cidades ofereça melhores condições de vida, porém nem sempre a busca por estas condições são favoráveis. Ao contrário do que muitos acreditam, as cidades também sofrem do mesmo mal. O saneamento básico, por exemplo, é limitado a um número de pessoas, deixando milhares de casas sem o apoio necessário.
Foto: Pexels/Mark Stebnicki

Outros processos que causam o movimento do êxodo rural são:

  • Climáticos, como a falta d’água que afeta diretamente a vida na zona rural;
  • Políticos, como quando os moradores das zonas rurais não encontram suporte local para continuar a vida nessa área;
  • Ambientais, como tragédias naturais que atingem as zonas rurais, obrigando os habitantes a procurarem outra moradia.

O êxodo rural sempre existiu, mas avançou no século XX com a modernização dos processos produtivos. Pequenos produtores não conseguem mais competir com grandes latifundiários e acabam em desvantagem no mercado. Com isso, buscam novas oportunidades na cidade.

Quais são as consequências do êxodo rural?

Ao ter um movimento em massa de pessoas da zona rural para a urbana, há um desequilíbrio populacional importante. Na zona rural, existe um processo de esvaziamento do campo, uma diminuição considerável da população rural. Com isso, a concentração fundiária pela aquisição de terras deixadas por emigrantes cresce excessivamente.

No meio urbano ocorre o oposto, gerando um fenômeno chamado macrocefalia urbana, que é o crescimento rápido e desordenado das áreas urbanas. As consequências desse processo são variadas:

  • Aumento da pobreza: devido à escassez de empregos e à baixa qualificação profissional daqueles que chegam à cidade; há um aumento do número de pessoas trabalhando no mercado informal;
  • Poluição urbana: a chegada de novos habitantes e o aumento da área urbana causa uma quantidade maior de poluição atmosférica. Isso se deve ao aumento de fábricas, veículos e outras fontes de gases CO2, CO e fuligem;
  • Aumento das doenças: problemas de saúde decorrentes da falta de saneamento e, consequentemente, da higiene
  • Crescente número de moradias informais e em locais de risco (favelização).

Vale lembrar que dos efeitos citados acima, a maioria poderia ser solucionada por meio de um planejamento urbano adequado. Esse é um estudo do funcionamento e do crescimento das cidades para o desenvolvimento de programas a fim de melhorar a qualidade de vida da população. Isso se deve por meio de ações políticas, sociais, ambientais e outras.

Transformações nas cidades

A migração desenfreada do campo para as cidades aumenta a taxa de desemprego e o mercado de trabalho informal, o que reduz os padrões de vida. Então, o que o morador da zona rural vai buscar nas cidades muitas vezes não é encontrado.

Com o êxodo rural, há uma concentração de serviços na cidade, sobrecarregando o espaço urbano e dificultando o desenvolvimento do campo, que é deixado para trás. Com o aumento populacional acelerado, os espaços urbanos passam por um processo de especulação imobiliária e um crescimento desordenado.

Dessa forma, os migrantes com menores condições econômicas – que são maioria dos migrantes de êxodo rural – são empurrados para as margens das cidades, causando problemas na qualidade de vida desses moradores e provocando dificuldades na mobilidade urbana.

Foto: Pexels/Mart Production

Êxodo rural no Brasil

A produção de açúcar, que aconteceu entre a metade do século XVI e a metade do século XVIII, foi uma das principais causas do êxodo rural, pois deslocou as populações entre os engenhos e regiões mais produtivas. Em seguida veio a mineração que atraiu muitos camponeses para a região das minas durante o século XVIII. No século XIX, com o ciclo do café, os agricultores se deslocaram para a região sul e sudeste. Já no final deste século e início do XIX, o fluxo de camponeses se voltou para a Amazônia da borracha.

A partir de 1930, quando o processo se intensificou, houve um aumento do interesse nas cidades e elas começaram a crescer cada vez mais, atraindo moradores do campo. O processo se acelerou na década de 1950 e até hoje está no processo de se estabilizar.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de urbanização no Brasil em 1940 era de 26,3%, ou seja, pouco mais de 26% da população brasileira morava em áreas urbanas. Quarenta anos depois, em 1980, esse índice estava próximo de 70%, mais do que dobrando a população urbana em relação à população rural.

O Brasil se tornou um país urbanizado na década de 1970, quando 55,98% da população se encontrava nas cidades. Nessa época foi formada a Região Concentrada no Sudeste e Sul do Brasil e um processo de modernização conservadora do campo condicionaram a aceleração da saída de pessoas dos campos em direção às cidades entre as décadas de 1970 e 1980.

Repovoamento do campo

Com as novas tecnologias, como a internet e os aparelhos eletrônicos, nas áreas rurais, as oportunidades de negócio estão aflorando e permitindo que haja um movimento de repovoamento do campo. Diferentemente do êxodo rural anterior, esse fluxo migratório é caracterizado por uma mão de obra altamente qualificada que busca um estilo de vida mais sustentável.

O êxodo rural, apesar de parecer um problema das décadas passadas, continua acontecendo devido aos problemas citados acima, mas especialmente devido a impossibilidade de um proprietário de pequenas terras conseguir competir com um grande proprietário. Este é um problema a ser resolvido com planejamento rural e industrial, já que a grande vantagem do grande proprietário é a modernização dos seus processos.

Além disso, causas naturais, como falta d’água e desastres naturais, afetam os moradores da zona rural de forma que podem destruir sua terra, os forçando a deixá-la e buscar novas oportunidades nas cidades.

Você sabia que o êxodo rural pode ser causado pelos motivos listados aqui? E sabia das consequências que ele causa na sociedade? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Comente aqui embaixo!

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Jornalista e defensora dos direitos humanos, acredito que uma boa comunicação e acesso a informação podem mudar o mundo. Sou paulista e descendente de árabe. Meu coração dividido por essa duas culturas é inteiramente apaixonado pelas pessoas e pelas artes.

Êxodo rural: o que é, o que causa e quais as consequências?

20 jul. 2024

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