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O que mudou depois de um ano da Guerra na Ucrânia?

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Em fevereiro de 2022, a Guerra na Ucrânia teve início e os confrontos já duram um ano, mas engana-se quem pensa que os conflitos entre a Rússia e a Ucrânia são recentes. Desde 2014, os países colecionam desavenças e o estouro da guerra revela o ápice de um conflito que já vinha sendo construído devido a uma série de acontecimentos.

Saiba mais: Ucrânia e Rússia: 3 pontos para entender a crise

Neste texto, a Politize! narra para você como tudo começou e o que mudou depois de um ano da Guerra na Ucrânia

Veja também nosso vídeo sobre a política da Rússia de Putin!

Guerra na Ucrânia: por que tudo começou

A Guerra na Ucrânia teve início em fevereiro de 2022, as tensões entre Rússia e Ucrânia cresceram devido à aproximação do governo ucraniano com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), pois o presidente da Rússia, Vladimir Putin, tinha receio de que essa aproximação ameaçasse a integridade territorial de seu país. Por isso, no dia 24 de fevereiro, o presidente russo enviou suas tropas à Ucrânia. 

Porém, os motivos desse confronto vão além desses eventos recentes. Para compreender as origens dos conflitos, precisamos retornar há  alguns anos. Entre 2013 e 2014, o presidente ucraniano da época, Viktor Yanukovych, seguia uma linha pró-Rússia, entretanto, se recusou a assinar um acordo de associação com a União Europeia (UE)

Essa ação levou ao “Euromaidan”, um movimento político ucraniano em que os cidadãos exigiam maior integração da Ucrânia com a União Europeia. A pressão causada pelas manifestações resultou na Revolução de Fevereiro de 2014, evento que tirou Yanukovych do poder.

A destituição do presidente ucraniano não encerrou os atos de protesto, pelo contrário, surgiram mais ações de ativistas e forças pró-Rússia e anti-revolução, sobretudo no leste e no sul da Ucrânia, como a península da Crimeia, Donetsk, Luhansk, Kharkiv e Odessa.

Avançando um pouco mais no tempo, no fim de 2021, o governo ucraniano pediu para ser incluído na OTAN, devido às movimentações do governo russo na fronteira ucraniana. Os Estados Unidos se ofereceram para mediar os conflitos com os russos quanto a essas ações.

A partir de então, as brigas e ameaças por parte da Rússia se intensificaram até o momento em que o governo russo reconheceu formalmente como países independentes as auto-proclamadas República Popular de Luhansk e a República Popular de Donetsk, duas áreas separatistas pró-Rússia instaladas na Ucrânia, e, por fim, ordenou que tropas russas entrassem nas regiões com tanques de guerra.

Veja também: Separatismo: será que você entende o que é isso?

Por causa da ordem de invasão no leste da Ucrânia, o presidente do país, Volodymyr Zelensky, declarou lei marcial no país, ou seja, as leis e os direitos civis estavam suspensos e, a partir daquele momento, a imposição de medidas e leis seriam baseados na legislação militar. 

Desde então, o confronto veio se estendendo até completar um ano de conflito. Cada país possui uma perspectiva distinta sobre as motivações da guerra, veja a seguir.

O que diz a Rússia

Já no final de 2021, a força militar russa estava presente em torno da Ucrânia com tropas, veículos e equipamentos. Nesse período, Vladimir Putin apresentou à Otan uma lista de exigências de segurança, sendo a principal delas aquela que pedia que a Ucrânia nunca integrasse o bloco militar ocidental, já que a Rússia interpretava a expansão do grupo como uma ameaça à sua integridade territorial.

Veja também nosso vídeo sobre Vladimir Putin!

Quando os ataques ao território ucraniano se iniciaram, o presidente russo justificou as ações dizendo que, entre diversos fatores, estaria ocorrendo um “genocídio” no Leste da Ucrânia pelas mãos de tropas neonazistas do país contra os russos étnicos e separatistas.

“Era preciso pôr fim imediatamente a esse pesadelo: um genocídio voltado contra milhões de pessoas que lá vivem e cuja única esperança está na Rússia, pessoas que só têm esperança em nós, ou seja, em mim e em vocês”, justificou  Vladimir Putin em discurso em 24 de fevereiro, dia da invasão da Ucrânia

Além disso, outras exigências eram feitas, como:

  • Neutralidade militar, o que manteria a Ucrânia fora da Otan;
  • Desmilitarização e “desnazificação” da Ucrânia;
  • Reconhecimento da independência de Donetsk e Luhansk;
  • Entendimento de que a Crimeia fazia parte do território russo desde 2014, momento em que a península teria sido anexada no primeiro movimento militar de Putin no país.

O que diz a Ucrânia

Zelensky na região de Donetsk / 17/2/2022. Imagem: CNN Brasil.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, negou a atuação de grupos neonazistas em seu território e solicitou a outros países que executassem sanções contra a Rússia, além de pedir o envio de equipamentos militares para a defesa de seu país. Este último pedido foi atendido, porém sem armas de ataque.

Na ocasião, uma das propostas de Zelensky foi  a criação de uma nova aliança internacional, cujo objetivo seria assegurar a paz em territórios invadidos. 

Por fim, com o andamento do conflito, o governo ucraniano acusou a Rússia de atacar deliberadamente cidadãos de seu país e de cometer crimes contra os direitos humanos

Evolução da guerra um ano após o início

Um ano já se passou desde o início dos conflitos e, para que você saiba em números, o que mudou, a Politize! sistematizou essas informações para você.

Esse é o mapa da Ucrânia antes da invasão Russa. 

Imagem: BBC News

Ao longo dos meses, o mapa ucraniano foi se alterando.

Imagem: BBC News

Nota-se que, um ano após a invasão, a Rússia já controla menos território do que no mesmo período de 2022, entretanto, o governo russo ainda domina grandes áreas no leste e no sul da Ucrânia.

Outra constatação feita é que a Guerra da Ucrânia registra a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Na imagem abaixo, é possível ver o número de refugiados ucranianos distribuídos nos países europeus.

Imagem: BBC News

Antes da Guerra, a população total da Ucrânia era de aproximadamente 44 milhões de pessoas, porém, um ano depois, estima-se que cerca de sete milhões de ucranianos estejam morando longe de suas casas, a maioria em países como Rússia, Polônia, Alemanha e República Tcheca. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), esse foi o movimento populacional mais rápido desde a Segunda Guerra Mundial.

Ao longo desse um ano de guerra, já somam milhares de mortes, porém os dados oficiais não estão sendo divulgados pelas forças militares dos países envolvidos. Em fevereiro de 2023, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgou que haviam sido registradas na Ucrânia cerca de 7.199 mortes de civis e 11.756 feridos

Apesar da contabilização desses números, a organização acredita que os números reais possam ser ainda maiores, pois as informações recebidas dos locais onde ocorreram os confrontos chegavam com atraso.

Ao todo, desde o início da guerra, o alto-comissariado da ONU para refugiados (Acnur) já registrou mais de 7,7 milhões de refugiados ucranianos, muitos deles buscando abrindo até mesmo na Rússia.

Os países europeus, inicialmente, ofereceram suporte aos refugiados ucranianos, sobretudo mulheres e crianças, porém, com o avanço da guerra somado a crise inflacionária global, autoridades europeias se questionavam por quanto tempo conseguiriam abrigar os refugiados.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, disse em comunicado que  “a guerra continua causando morte, destruição e deslocamento diário, e em uma escala impressionante”. Além dele, o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, também se pronunciou em fevereiro deste anos, pedindo aos líderes da União Europeia reafirmassem a solidariedade e apoio aos refugiados.

Veja também: O direito humanitário e os limites da guerra

Consequências da Guerra na Ucrânia para o mundo

A Guerra na Ucrânia instalou uma grave crise humanitária e de refugiados, mas além de atingir os países envolvidos no conflito, a guerra tem implicado consequências para a Europa e para o mundo.

Recursos energéticos e suprimentos de alimentos tem se tornado cada vez mais escassos, o que tem prejudicado a economia desses países, porém, apesar das dificuldades econômicas, países ao redor do mundo se mobilizaram para proteger o patrimônio cultural ucraniano e arquitetar um plano de reconstrução do país.

Veja também nosso vídeo sobre o que é nacionalismo!

Posição do Brasil em relação à Guerra na Ucrânia

Em março de 2023, o atual presidente Lula (PT) realizou uma videoconferência com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. O objetivo da reunião foi reforçar a intenção do Brasil em  reunir países do mundo para mediar um diálogo e propor o fim da guerra. O grupo de países que estariam envolvidos na proposta seriam Índia, Indonésia e China.

Ainda nessa conversa, Lula ressaltou que o Brasil tem defendido a integridade territorial da Ucrânia e, por este motivo, votou a favor da resolução da ONU que pede o fim da guerra e a retirada das tropas russas do território ucraniano.

Apesar da conversa estar sendo feita com o presidente da Ucrânia, o governo russo informou, ainda em fevereiro, que estuda as propostas de paz do presidente Lula. 

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, agradeceu o apoio brasileiro na ONU através de suas redes sociais e destacou a importância da defesa do princípio da soberania e integridade territorial dos estados.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Galuzin, valorizou a posição de equilíbrio do Brasil no conflito. O diplomata se referia ao acontecimento de janeiro de 2023, quando Lula negou o envio de munições para a Ucrânia, afirmando que “o Brasil não tem interesse em passar munições para que elas não sejam utilizadas na guerra”.

A Guerra na Ucrânia está perto de acabar?

Apesar da Rússia dizer que está analisando a proposta de paz do presidente Lula, o diplomata Galuzin afirma que a negociação de paz só será possível se a Ucrânia aceitar se render. O vice-ministro diz que somente depois disso será possível conduzir um debate com base em novas realidades geopolíticas.

Uma série de drones ucranianos caídos dentro das fronteiras da Rússia em março de 2023 indicam que a guerra começaria a se aproximar do território russo. A entrada de um grupo armado da Ucrânia na região de Bryansk fez o governo russo ficar alerto em relação às ações ucranianas. O presidente ucraniano nega que as ações tenham sido deliberações de seu governo.

As exigências da Rússia para a Ucrânia são que o país:

  • Cesse a ação militar;
  • Mude sua Constituição para resguardar neutralidade;
  • Reconheça a Crimeia como território russo;
  • Reconheça as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.

Sendo assim, caso a Ucrânia cumpra estas condições, a Rússia estaria pronta para interromper sua ação militar.

E aí, conseguiu entender tudo o que aconteceu dentro de um ano da Guerra na Ucrânia? Conta pra gente nos comentários!

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Conteúdo escrito por:
Faço parte da equipe de conteúdo da Politize!. Cientista social pela UFRRJ, pesquisadora na área de Pensamento Social Brasileiro, carioca e apaixonada pelo carnaval.

O que mudou depois de um ano da Guerra na Ucrânia?

17 jun. 2024

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