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Ucrânia e Rússia. Imagem: Dhārmikatva / Wikimedia Commons.
Protestos de 15 de março de 2014 em Moscou um dia antes do referendo da Crimeia. Imagem: Dhārmikatva / Wikimedia Commons.

Se o grande centro das atenções da política internacional no início de 2021 girava em torno da Invasão do Capitólio por apoiadores de Trump nos EUA e, posteriormente, a esperada tomada de posse de Joe Biden duas semanas depois, o ano de 2022 coloca no radar da política internacional uma velha disputa de fronteiras na Europa: a crise entre a Ucrânia e Rússia.

Como tudo começou? O que causou as tensões nesse início de ano que estão deixando o mundo em estado de alerta para um conflito?

Para entender melhor toda essa história, o Politize! separou 3 pontos que elencam as principais questões envolvidas nesse que é um dos primeiros focos de tensão internacional do ano.

1. Qual a história entre Ucrânia e Rússia?

O legado de russos e ucranianos – e também dos bielorrussos – está intimamente ligado a um mesmo povo: os Rus. Foi no ano de 862 que um príncipe viking chamado Rurik iniciou a união entre tribos eslavas e finlandesas que consolidaria a Rússia Quievana, uma confederação que duraria até 1240, quando a Invasão Mongol na Europa colocaria um fim nessa união. Era o fim do primeiro elo de proximidade entre Rússia e Ucrânia.

Com a queda da Rússia Quievana, o território que compõe a Ucrânia moderna acabou sendo dividido em duas esferas: a primeira, oriental, controlada e, em seguida, anexada pela Rússia; a segunda, ocidental, controlada inicialmente pela República Polaco-Lituana e, a partir de 1772, pelo Império Austro-Húngaro até o fim da Primeira Guerra Mundial.

É daí que surge um dos elementos que marcam as discussões sobre o desejo russo de anexar a Ucrânia (ou ao menos parte dela): enquanto o lado oriental manteve íntimas ligações com a cultura russa, o lado ocidental desenvolveu traços culturais próprios, que fundamentam a ideia da Ucrânia como uma nação própria e independente.

Outro momento histórico deve ser compreendido antes de passarmos para os eventos mais recentes nas relações entre os dois países: o fim da Primeira Guerra Mundial marcou uma rápida sucessão de eventos para os ucranianos. Começa com a conquista da independência da República da Ucrânia através da assinatura do Tratado de Brest-Litovski em 1918, e termina abruptamente com a conclusão da Guerra Soviético-Ucraniana em 1921, que firmaria a República Socialista Soviética da Ucrânia como uma das repúblicas constituintes da União Soviética.

Foi só em 1991, com a dissolução da União Soviética, que Rússia e Ucrânia voltariam a estar em caminhos antagônicos – e desde então, os elos para a conflito, que ameaça se concretizar de vez em 2022, se intensificaram cada vez mais.

Leia também: Você conhece a história da União Soviética?

2. A Anexação da Crimeia à Rússia em 2014

Em 2014, o governo russo de Vladimir Putin lançou uma campanha militar para anexar o território da Crimeia em meio às tensões causadas pela Revolução Ucraniana e a eventual saída do então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, conhecido por sua proximidade com os russos e por ser crítico da consolidação de um acordo de associação entre União Europeia e Ucrânia.

A Crimeia havia sido uma porção autônoma dentro da República Socialista Federativa Soviética da Rússia (uma das repúblicas que compunham a União Soviética) até 1954, quando o então líder soviético Nikita Khrushchev (1894-1971) decretou a transferência da região para a República Socialista Soviética da Ucrânia.

A rápida tomada militar russa, apoiada por ativistas separatistas e políticos pró-Rússia, enfrentou pouca oposição local, tendo em vista que a maior parte dos soldados ucranianos da Crimeia eram veteranos das forças armadas soviéticas que eram conhecidos por serem céticos em relação à independência da Ucrânia.

A reação da comunidade internacional não tardou: a Resolução 68/262 da Assembleia Geral das Nações Unidas requisitou da Rússia o respeito à integridade territorial da Ucrânia em suas fronteiras reconhecidas internacionalmente; a invasão acelerou as relações entre União Europeia e Ucrânia; e, por fim, os EUA passaram a aumentar a sua ajuda militar à Ucrânia desde então.

Com a tomada da Crimeia por parte do país de Vladimir Putin sendo um sucesso para os interesses russos, a situação que se iniciou em 2021 e que cada vez mais parece estar próxima de atingir o seu pico parece inevitável. O que inflamou as tensões atuais?

Leia também: Rússia: como funciona o país de Vladimir Putin?

3. O pleito ucraniano para fazer parte da OTAN

São duas as alegações do governo russo para justificar uma invasão à Ucrânia:

  • Primeiro, Putin enxerga o crescente apoio da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à Ucrânia como uma ameaça à sua própria segurança. Com a fuga do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych em 2014 e a formação de governos pró-União Europeia e pró-OTAN desde então, as relações entre OTAN e Ucrânia se tornaram mais sólidas, com uma emenda constitucional em 2019 consolidando o desejo ucraniano de fazer parte da organização.
  • Em segundo lugar, a Rússia teme que a Ucrânia se fortaleça significativamente com a adesão à OTAN, com o presidente Putin acusando o “Ocidente” de estar se preparando para um ataque ao fortalecer os ucranianos, o que pode ser tratado como um discurso de Putin em que ele busca justificar uma ação bélica preventiva por parte do exército russo.

Com a estimativa de mais de 100 mil soldados posicionados nas regiões fronteiriças, a situação parece cada vez mais uma bomba relógio difícil de ser desarmada, com a esperança de uma solução diplomática se tornando mais distante ao horizonte.

Enquanto os EUA, uma das potências mundiais interessadas no conflito, adota um discurso ambíguo com relação à sua resposta caso a Rússia inicie algum tipo de ataque, o resto do mundo prende a respiração na espera de uma solução pacífica.

Leia também: OTAN: explicamos a aliança militar em 5 pontos!

Conseguiu entender as origens e a situação atual do conflito entre Ucrânia e Rússia? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários!

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Rafael Vieira da Silva

Made in Bahia, fã de cultura pop, graduando em Relações Internacionais e apaixonado pela cultura e o estudo do Oriente Médio.

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