5 pontos sobre a importância do voto

Impressões sobre o webinar do Politize! com Humberto Dantas

Humberto Dantas, cientista político. Foto: Visão do Oeste,

importância do voto

Em 29 de setembro de 2016, o cientista político Humberto Dantas participou de um webinário do Politize!. Durante cerca de 70 minutos, ele comentou diversos pontos importantes do processo eleitoral brasileiro e defendeu a importância do voto na democracia. Veja algumas das principais ideias que Dantas expôs no webinar.

Que tal ouvir na íntegra a conversa com o Humberto?

Listen to “#024 – A importância do voto com Humberto Dantas” on Spreaker.

1) O jovem se interessa cada vez mais pela política, mas rejeita sistema partidário

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

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Nos últimos 13 anos, Humberto Dantas ministrou aulas em cerca de 400 cursos livres de formação política para jovens das periferias de São Paulo. Mais de 30 mil pessoas já participaram. A partir dessa imensa experiência prática, ele garante: os jovens estão cada vez mais interessados pela política no Brasil. Cada vez mais, eles buscam conhecimento e engajamento. Além disso, a juventude de hoje vê a política de outra forma que as antigas gerações. Eles se importam mais com causas políticas do que ideologias ou partidos.

Isso ajuda a explicar a descrença na política partidária e nas eleições. Mesmo interessados em política, os jovens têm demonstrado pouco interesse em votar. Como lembrou Dantas, o Brasil é um dos poucos países no mundo que oferecem o voto a jovens de 16 e 17 anos, mas a cada nova eleição, menos pessoas dessa faixa etária tiram título de eleitor.

2) O voto é mesmo obrigatório?

144 milhões de eleitores brasileiros foram convocados a votar em 2016. Caso não possam comparecer, eles devem justificar sua ausência junto à Justiça Eleitoral. Apesar disso, Dantas defende que o voto não pode ser considerado obrigatório no país. “Obrigatório é o comparecimento à Justiça Eleitoral para prestar contas sobre a sua existência”, afirmou. Algumas pessoas podem simplesmente nunca votar e justificar sua ausência à Justiça Eleitoral.

Dantas também esclareceu que o dinheiro das multas eleitorais é totalmente revertido para o Fundo Partidário, que financia atividades dos 35 partidos políticos brasileiros. Ou seja, pagar a multa como forma de boicote à eleição é inútil, pois elas financiam o sistema político-partidário que se procura boicotar.

Por fim, o convidado lembrou que o voto obrigatório é instituto bastante antigo no país e que não foi aprovado pelo Congresso na reforma política de 2015.

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3) Brancos e nulos crescem cada vez mais

O professor Dantas ainda explicou as tendências da participação dos eleitores nas últimas eleições. Segundo ele, as abstenções continuam estáveis. As faltas próximas a 20% são tendência histórica das eleições brasileiras. Há chances de que as ausências deliberadas tenham crescido, no lugar das involuntárias (por exemplo, eleitores que morreram e cujos parentes não deram baixa na Justiça Eleitoral).

Mas o destaque de Dantas vai para a tendência de aumento dos votos em branco e nulos. Ambos são inválidos, ou seja, não contam para eleger nenhum dos candidatos. Segundo o entrevistado, o eleitorado de 2014 era 5% maior do que no pleito anterior. Mesmo assim, o número de votos válidos para deputado federal caiu 1%. Ou seja, mais eleitores participam, mas cada vez menos elegem os novos representantes.

4) As fragilidades da urna eletrônica

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A segurança da urna eletrônica está em debate há alguns anos. Em relação ao sistema de captação de votos nas eleições brasileiras, o convidado lembrou que a votação por cédulas era extremamente propícia a fraudes, mais do que as urnas eletrônicas utilizadas atualmente. Por outro lado, ele afirmou que essas urnas são mais frágeis do que quer fazer crer a Justiça Eleitoral. Dantas mencionou o trabalho do professor da Unicamp Diego Aranha, que expôs falhas das urnas como proteção inadequada do sigilo do voto, cifração inadequada e processo de desenvolvimento defeituoso.

De todo modo, Dantas elogiou avanços como a biometria e o voto impresso, que continuam a aprimorar a lisura do processo de votação.

5) Cada voto conta: não subestime seu direito

Questionado sobre como os eleitores podem se motivar a votar se seu voto, individualmente, tem pouco peso no resultado final, Dantas lembrou dos muitos casos de eleições empatadas ou decididas por um voto. No primeiro turno de 2016, que aconteceu apenas três dias depois da conversa com Dantas, seis cidades brasileiras tiveram o novo prefeito definido por apenas um voto.

Além disso, ele atentou para o fato de que, se todos não valorizassem seu voto e se ausentassem na eleição, ninguém votaria, a não ser os maiores interessados no resultado, como candidatos e seus familiares. Portanto, o ato de não votar tem grande impacto – e o eleitor pode se arrepender de não exercer plenamente seu direito.

Veja tudo isso e muito mais na conversa completa do Politize! com Humberto Dantas:

Publicado em 20 de outubro de 2016.

Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e editor de conteúdo do portal Politize!.