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Imagem ilustrativa para Inclusão e Diversidade Digital para um futuro saudável sustentável. Imagem: pxhere.com.
Imagem: pxhere.com.

Neste texto, vamos falar um pouco sobre inclusão e diversidade digital, principalmente no contexto da pandemia. Vem conosco!

O caos de um mundo offline

Em 4 de outubro de 2021, uma parte do mundo parou depois que os serviços de comunicação digital ofertados pelo Facebook ficaram fora do ar, no que foi considerado um dos maiores apagões da história do grupo. A queda, além de comprometer a comunicação entre amigos (as) e familiares, fez a empresa perder 47,3 bilhões de dólares e teve efeito imediato sobre pequenos e grandes negócios, que cada vez mais se apoiam nas redes sociais como canal de vendas. Tudo isso em apenas 7 horas

É provável que, assim como nós, a maioria das pessoas leitoras deste artigo – que é divulgado em uma plataforma virtual – tenham, em alguma medida, sentido os efeitos dessa crise e refletido a respeito da sua dependência das redes sociais. Uma reflexão importante neste contexto é a seguinte: enquanto algumas vivenciaram, por somente algumas horas, os efeitos nefastos de uma abstinência temporária das redes sociais, outras experienciam diariamente as consequências da exclusão digital

Quem são as pessoas excluídas digitalmente?

Pelo mundo, o número de pessoas excluídas da comunicação online, de acordo com a União Internacional de Comunicações (UIT), chegou, em 2019, a 3.6 milhões de pessoas (46,4% da população global), sendo que mais da metade da população feminina global (52%) ainda não estão usando a internet. Na América Latina, 60% das mulheres utilizam a rede, enquanto 64% dos homens têm acesso.

De acordo com o UNICEF, 2.2 bilhões de pessoas menores de 25 anos continuam sem acesso à internet em casa e as meninas são a maior parte desse grupo. Além da dificuldade de acessar os aparelhos, devido ao alto custo, o preço da conectividade, a menor segurança dos dados delas e o menor incentivo aos estudos e ao desenvolvimento de habilidades nas áreas STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática), faz com que as mulheres e meninas sejam menos incluídas digitalmente.

De acordo com o IBGE, em 2019, no Brasil, apesar dos avanços feitos nos últimos anos, 40 milhões de pessoas não tinham acesso à internet. Esse número representa 21,7% da população maior de 10 anos de idade, sendo que mais de 60% delas não sabem utilizar o serviço ou não têm condições financeiras de acessá-lo. Nas zonas rurais, que até 2015 compunham 15% das residências brasileiras, um dos principais motivos para a não utilização continua sendo a indisponibilidade do serviço. 

No Brasil, apesar de no geral, em 2019, 79,3% das mulheres terem utilizado a internet, um pouco acima do percentual apresentado pelos homens (77,1%), as desigualdades na qualidade de acesso continuam atingindo mais duramente as negras e periféricas, que continuam na base da desigualdade de renda no Brasil, especialmente no momento pandêmico, com 38% delas vivendo abaixo da linha da pobreza em 2021. Vale lembrar que as mulheres e meninas transgêneras, vulneráveis das vulneráveis, têm ainda menos acesso e estão mais excluídas digitalmente. 

Quais as consequências dessa exclusão?

As pessoas excluídas do mundo digital têm menos chance de desenvolvimento educacional, menos acesso à informação de qualidade e menos capacidade de inserção no mundo do trabalho. Por esses e outros motivos, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a inclusão digital deve ser considerada como um caminho necessário para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para que os ODS sejam cumpridos, é imperativo que todas elas não apenas tenham acesso, mas também saibam utilizar as ferramentas digitais para estudo e trabalho. 

A crise sanitária interrompeu a educação de mais de 70% das pessoas jovens no mundo. De acordo com o Youth Employment Report 2020 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao mesmo tempo em que as dificuldades de estudar aumentaram, a educação superior continua sendo a que proporciona salários mais altos e oportunidades de emprego com menos chance de automatização. Ou seja, o nível educacional é, frequentemente, um fator decisivo para garantir um futuro decente, saudável, especialmente em uma sociedade impactada pela Quarta Revolução Industrial –  com uma economia cada vez mais baseada em tecnologia. 

A pandemia de COVID-19 evidenciou o que há muito tempo as pessoas que pesquisam e trabalham para promover o desenvolvimento social sabiam: saúde, educação, inclusão digital e empregabilidade andam juntas, uma vez que alcançar esse estado de bem-estar social significa ter uma boa moradia, alimentação, escolaridade, renda e emprego.  

Porém, no Brasil, a situação – que, antes da pandemia, já estava bem distante do ideal – foi agravada: ao mesmo tempo em que a geração de empregos tem sido comprometida devido à ausência de habilidades digitais de grande parte da população, dados do Unicef indicam que os índices educacionais regrediram 20 anos, como consequência das escolas fechadas e das dificuldades de promover o ensino à distância, especialmente para as pessoas estudantes da rede pública.

No segundo semestre de 2021, mais de 14 milhões de pessoas estão desempregadas (14,1%). A taxa de desemprego foi de 11,7% para homens e 17,1% para mulheres. As pessoas mais jovens e com baixa escolaridade continuaram sendo as mais vulneráveis, com desemprego para a faixa etária de 18 a 24 anos de 29,5%, enquanto que para o grupo dos 25 a 39 anos foi de 13,8%. Para trabalhadores com ensino médio incompleto, a taxa de desemprego foi de 23%, enquanto que para profissionais com ensino superior completo foi de apenas 7,5%; para o grupo com ensino superior incompleto ficou em 16,5%.

Verificar que uma parte da juventude brasileira continua analfabeta ou não concluiu o ensino médio, significa compreender que o futuro dessas pessoas está em perigo e, consequentemente, o desenvolvimento do país; pois, não ter acesso à educação plena e de qualidade significa que essa parcela da população tem menos oportunidades de alcançar e de reverberar para a sociedade uma vida saudável – considerada, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma vida em “um estado completo de bem-estar físico, mental e social”.

Empregabilidade e inclusão digital para um futuro saudável e sustentável

De acordo com o Banco Mundial, como consequência da pandemia, entre 88 e 115 milhões de pessoas cairão na extrema pobreza, o que significa dizer que, caso nada seja feito, elas terão menos oportunidades de futuro e os países terão falhado na missão de “não deixar ninguém para trás”. Por esse motivo, o alívio da pobreza deve ser o centro do esforço de todas as pessoas, governos e organizações comprometidas com o desenvolvimento sustentável.

Para que haja a erradicação da extrema pobreza e seja trilhado o caminho para a prosperidade compartilhada sonhada para 2030, a criação de empregos e a inclusão produtiva são fundamentais. Não basta apenas que novas oportunidades de trabalho sejam criadas, é necessário que essas ocupações sejam dignas e inclusivas, que boas oportunidades estejam disponíveis para todas as pessoas, sejam equânimes.  

Inclusão significa não apenas convidar a pessoa para uma festa, mas dançar com ela. Dessa maneira, dizer que a oportunidade de trabalho e renda é inclusiva significa que não apenas as pessoas com perfis diversos (raça, etnia, gênero, deficiência, idade…)  e ou em situação de pobreza ou vulnerabilidade social serão convocadas, mas também que elas terão todos os meios para conseguir manter-se no trabalho. Para isso, elas precisam de respeito, educação formal e inclusão digital.

E esse caminho para inclusão não está distante da realidade. De acordo com a ONU, o mundo precisará de 428 bilhões de dólares para conectar todos à internet até 2030, aproximadamente 9 vezes mais do que o Facebook perdeu nas 7 horas que ficou fora do ar. Parece muito, porém a permanência da exclusão digital fará com que os governos mundiais percam oportunidades de inserção em uma nova economia digital e as consequências disso têm valor incalculável. 

As vantagens de investir em ações de inclusão digital são enormes, tanto em termos econômicos quanto e principalmente, em termos de desenvolvimento social para a promoção de uma vida mais saudável e sustentável. Sendo assim, no Brasil e no mundo, o esforço conjunto de todos os atores e atrizes sociais envolvidos demonstra ser um caminho para todas, todos e todes, especialmente para a juventude.

Possui alguma dúvida? Deixe sua opinião nos comentários!

REFERÊNCIAS:

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Flora Fonseca

Baiana, Líder de projetos no YVB, comunicadora popular e gestora de projetos de desenvolvimento inclusivos, saudáveis e sustentáveis. Formada em Relações Internacionais na UFS, fez MBA em gestão de negócios na USP. Na Fundação Oswaldo Cruz fez especialização em Governança Territorial para o Desenvolvimento Saudável e Sustentável e é Mestranda em Políticas Públicas em Saúde. Tem um gato chamado Macaxeira e adora o mar.

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