Quênia, Nepal, Filipinas e Peru são apenas alguns dos países que durante o ano de 2025 foram pegos de surpresa com mobilizações que reuniram milhares de pessoas, especialmente aquelas nascidas entre 1995 e 2009, conhecidas popularmente como “Geração Z“.
Esses protestos possuem motivações diversas, mas possuem em comum dois pontos: o protagonismo jovem, com intenso uso das redes sociais, e o caráter multicultural, já que estão ocorrendo em diversas partes do mundo, da Ásia à América.
Quer entender mais sobre os protestos da geração Z? Continue lendo e deixa que a Politize! te explica.
Contexto e motivações por trás dos protestos da Geração Z
A geração identificada pela letra “Z” corresponde aos nascidos entre o final dos anos 90 e primeira década dos anos 2000. Reconhecidos por serem a primeira geração da história totalmente nativa digital e com contato com a tecnologia desde cedo, essa intimidade com o mundo da internet e das redes sociais se tornou uma verdadeira arma de luta política nas mãos desses jovens.

A indignação surge devido a corrupção, autoritarismo, desigualdade social e desemprego com taxas alarmantes que vêm sendo vivenciados em vários locais do mundo. Alguns exemplos:
Quênia
No final de junho de 2025, um protesto marcado pela presença de centenas de pessoas dominou a cidade de Nairóbi, capital do Quênia, para se posicionar contra o assasinato de Albert Ojwang, professor e blogueiro de 31 anos que foi morto na prisão após ser detido por supostamente difamar Eliud Lagat, vice-chefe de polícia do país.
Nepal
Já no Nepal, país do continente asiático, a motivação por trás das manifestações ocorridas em setembro de 2025 foi a desigualdade social acentuada em que vive a nação. Segundo dados divulgados pelo Banco Mundial, cerca de 22% dos jovens nepaleses entre 15 e 24 anos estão desempregados, enquanto a hashtag “#nepokids” viralizou na rede social TikTok com vídeos de herdeiros de autoridades do país ostentando uma vida luxuosa.
Peru
Passando para a América Latina, no Peru, os protestos começaram na segunda semana de dezembro de 2025, motivados pela reforma da previdência realizada durante o atual governo da presidente Dina Boluarte que tornou obrigatória a contribuição de todos os maiores de 18 anos.
Além disso, outras demandas se juntaram ao clamor popular, como pedidos pelo fim da corrupção, insegurança econômica e criminalidade.
Marrocos
Nesse país do norte da África, os jovens questionam os altos gastos investidos na infraestrutura para sediar a copa do mundo de 2030, algo que se assemelha ao que ocorreu no Brasil em 2014. A mobilização ocorrida em setembro de 2025 foi liderada por um grupo online conhecido como “GenZ 212″, e pedia por mais investimentos em áreas essenciais, como Saúde e Educação.
O papel das redes sociais
Apesar dos motivos e culturas diferentes, esses atos públicos possuem mais uma característica em comum, além do protagonismo dos mais jovens: a mobilização através do mundo digital.
Se antigamente era necessária toda uma organização prévia feita por organizações como sindicatos, ONGs, movimentos estudantis, entre outros, os protestos da geração Z são especialmente únicos e diferentes porque nascem de forma mais autônoma e descentralizada em redes sociais como TikTok, Discord e X.
Por meio desses espaços, os jovens conseguem criar comunidades para compartilhar ideias e frustrações em comum, vencendo a barreira física que por muito tempo dificultou a comunicação em massa. Isso torna a mobilização social muito mais rápida e dinâmica, sem depender de burocracias e estruturas mais tradicionais.
Consequências dos protestos
Os protestos da geração Z, apesar fazerem parte de um fenômeno recente, têm gerado resultados variados e respostas imediatas da sociedade. No Brasil, por exemplo, podemos citar o vídeo do influenciador Felca, que viralizou no ano de 2025 e denunciava a adultização de menores de idades nas redes sociais.
Apesar de não ter sido uma mobilização presencial nas ruas, o vídeo causou uma repercussão tão grande nos meios de comunicação que acabou por pressionar a Câmara dos Deputados a pôr em regime de urgência o andamento de um projeto de lei para combater a adultização infantil na internet.
Em outros países, as mudanças sentidas foram ainda maiores. No Nepal, os protestos causaram a derrubada do primeiro-ministro KP Sharma Oli e a convocação de eleições para março de 2026. No Peru, o Congresso aprovou com unanimidade o afastamento do presidente Dina Boluarte, e José Jerí assumiu interinamente.
Essas consequências mostram que, apesar de nem sempre atingirem todos os objetivos iniciais, as mobilizações dos jovens têm causado impacto ao redor do mundo.
O que dizem os apoiadores e opositores?
Os argumentos favoráveis a esses protestos ressaltam o caráter pacífico da maioria das manifestações, e a defesa de ideais humanitários, como o fim da corrupção, respeito à democracia, fim dos privilégios para famílias da elite política, igualdade social, entre outros.
Além disso, a participação política dos mais novos tem sido vista como motivo de orgulho, já que mostra um engajamento social precoce dessa parcela da população.
Por outro lado, há quem não veja com bons olhos essas movimentações. No México, por exemplo, a presidente Claudia Sheinbaum chegou a sugerir que parte da organização dos protestos tinha apoio de bots e interesses políticos externos, insinuando que os movimentos da Geração Z não seriam totalmente espontâneos, mas sim manipulados por interesses ocultos.
Além disso, alguns protestos tiveram uma abordagem mais agressiva, com registros de feridos e confrontos diretos com a polícia e demais autoridades locais.
Quais são os desafios futuros?
Apesar das vitórias, especialistas enfatizam a necessidade da criação de planos a longo prazo. Segundo Janjira Sombatpoonsiri, especialista do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais entrevistado pela BBC, a falta de um líder fixo para essas mobilizações devido à fragmentação das redes sociais passa uma sensação de democracia e igualdade entre os membros, mas, na verdade, pode ser um ponto desfavorável.
Isso porque, na visão de Sombatpoonsiri, a falta de uma liderança centralizada “pode deixar os grupos mais vulneráveis a infiltrações, violência ou mudanças de agenda”. Além disso, um estudo feito em 2020 pela Universidade de Havard indicou que, entre as décadas de 1980 e 1990, 65% das mobilizações sociais não violentas foram bem-sucedidas em atingir seus objetivos, enquanto que, entre 2010 e 2019, essa taxa caiu drasticamente para 34%.
Esses fatores mostram que, apesar das internet e meios digitais terem facilitado reunir grupos com interesses em comum para protestar atualmente, é preciso adotar medidas para que essas reivindicações não se dispersem e se tornem mais uma informação no meio de milhares de outras.
Para fechar com chave de ouro, queremos saber: você apoia ou até mesmo já participou de algum dos protestos da Geração Z? Deixe a sua opinião aqui nos comentários, e siga acompanhando a Politize! para ficar por dentro das atualidades.
Referências
- BBC News Brasil – Geração Z está derrubando governos — mas protestos nas redes sociais geram mudanças duradouras?
- Brasil247 – Claudia Sheinbaum condena violência em protesto da geração Z no México
- CNN Brasil – Manifestações da Geração Z estão levando milhares de jovens às ruas
- Folha de Pernambuco – Geração Z: o que está por trás dos protestos que estão levando jovens às ruas
- G1 – ‘Primavera dos novinhos’: como a tecnologia e a frustração com o poder público espalharam protestos da Geração Z pelo mundo
- G1 – Primeiro-ministro do Nepal renuncia em meio a protestos contra o governo; manifestantes incendeiam Parlamento e casas de ministros
- The New Humanitarian – Protestos mortais da Geração Z expõem décadas de podridão sistêmica no Nepal