Quem não fez biometria pode votar?

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Quem não fez a biometria pode votar? Essa é a dúvida de muitos brasileiros, sobretudo em períodos eleitorais, quando mensagens falsas sobre o assunto costumam circular nas redes sociais e em aplicativos de mensagem.

A biometria vem sendo introduzida nas eleições brasileiras desde 2008. No entanto, com o avanço da pandemia de Covid-19 no país, uma das medidas sanitárias implementadas foi a suspensão do cadastramento das digitais em respeito ao distanciamento social.

Dessa forma, as eleições de 2020 dispensaram a identificação biométrica com o objetivo de diminuir o contato e evitar contágios até que a situação sanitária se normalizasse.

Já em 2022, mesmo com a vacinação em massa e um cenário pandêmico mais controlado, não foi divulgada a tempo uma previsão para o retorno do cadastramento. Portanto, aqueles que não conseguiram realizar o processo antes, não tiveram a oportunidade de fazê-lo antes da votação. Sendo assim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) logo esclareceu que nenhum eleitor ou eleitora seria proibido de votar.

Em 2026, o cenário é outro: o cadastramento foi retomado e cerca de 89% do eleitorado já tem as digitais registradas e neste texto, explicamos o que é a biometria, como ela surgiu, como foi implementada nas eleições brasileiras e o que fazer se você ainda não cadastrou suas digitais.

Leia também: O que pode e o que não pode fazer no dia da eleição

Mas, afinal, o que é a biometria?

Incorporada para tornar o processo eleitoral mais seguro e eficiente, a biometria permite a identificação dos eleitores a partir de suas impressões digitais. Os sistemas biométricos como um todo se baseiam em diversas regiões do corpo que expressam características que são únicas de cada indivíduo, possibilitando a identificação através da voz, face, olhos, digitais e outros meios, de acordo com características comportamentais e/ou fisiológicas.

O recurso vem demonstrando eficiência e tem auxiliado de modo significativo na segurança de vários setores de empresas, instituições governamentais e outras organizações. O instrumento é utilizado em diversas aplicações, como para reconhecimento, controle de acesso e até mesmo identificação criminal.

Já no sistema eleitoral, o meio de verificação são as impressões digitais do polegar. Através da captação das linhas das digitais, o leitor biométrico compara a informação com um banco de dados, dessa forma ninguém consegue votar por você.

Veja também: Tribunal Superior Eleitoral e Tribunais Regionais: o que fazem?

Como surgiu?

Fonte: Brasil de Fato.

A palavra biometria vem do grego “medida biológica”, trata-se da aplicação de métodos estatísticos a fatos biológicos, é o ramo da ciência que se ocupa das medidas dos seres vivos. Os primeiros registros dessa ciência estão no Oriente com povos que utilizavam suas impressões digitais para associar suas identidades às obras que produziam.

Dessa forma, ao longo da história, figuras como Francis Galton, que criou o primeiro sistema moderno relacionado às digitais, por meio de pesquisas analisando as individualidades e traços genéticos de gêmeos idênticos(1892), e William Herschel, que utilizava as digitais para fechar contratos com parceiros de negócios durante a colonização inglesa, foram fundamentais para a difusão da utilização desses fenômenos biológicos.

Em 1903, as digitais já passavam a ser coletadas sistematicamente para a formação de um banco de dados que facilitava a identificação de criminosos. Ao fim da década de 60, com a difusão dos computadores, foi possibilitada a automatização dessa identificação e, nos anos 70, com os avanços comerciais, surgiu um sistema de segurança chamado “Identimat” que foi instalado em locais secretos para o controle de acesso.

O programa consistia em medir a forma da mão, utilizando principalmente o tamanho dos dedos como forma de identificar o usuário, de modo a permitir ou não a entrada do indivíduo. Esse tipo de utilização foi pioneira e abriu caminho para a tecnologia biométrica na segurança como um todo.

Paralelamente, em 1975, o FBI fundou uma tecnologia de desenvolvimento para “escaneamento” de impressão digital, que originaria a invenção de um protótipo de leitor e em 81, a AFIS (Automated Fingerprint Identification Systems) já havia criado cinco sistemas automáticos de identificação digital.

Mediante a expansão dos diversos bancos de dados e métodos de identificação, foi necessária a criação de normas para padronizar as inúmeras informações e realizar trocas entre esses bancos. Inicialmente, essa tecnologia se manteve restrita à comunidade de justiça criminal dos EUA, até que em 1999 começaram a surgir os primeiros produtos comerciais de identificação biométrica para controles de acesso, login e funções de verificação.

Implementação da biometria no Brasil

Desde os anos 2000, toda a população brasileira escolhe através da urna eletrônica quem irá representá-la. Apesar de ter sido um sucesso para as eleições desde o início, o procedimento de identificação desse eleitorado ainda dependia integralmente da intervenção humana. Eram os mesários que verificavam os dados, digitavam o número da inscrição da urna e liberavam para a votação.

Com o objetivo de tornar esse processo mais seguro e reduzir a intervenção humana, a Justiça Eleitoral deu início ao projeto de identificação biométrica. A biometria foi testada pela primeira vez em 2008 em três pequenos municípios do país: São João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado do Oeste (RO).

Após o sucesso do projeto, ele foi expandido em 2010 para outros 57 municípios. Já em 2014, mais de 20 milhões de cidadãos de 764 municípios de todos os estados e do Distrito Federal utilizaram a biometria, em 2018, o número de pessoas biometrizadas passou de 85 milhões, enquanto em 2020 já chegava aos 120 milhões. Atualmente, de acordo com o TSE, cerca de 75% dos eleitores tem sua biometria cadastrada.

O avanço foi interrompido pela pandemia de Covid-19. Em respeito ao Plano de Segurança Sanitária elaborado pelo TSE em parceria com a Fiocruz, a identificação biométrica não foi utilizada nas eleições de 2020 e os novos cadastros foram suspensos para evitar contato. Nas eleições de 2022, o TSE também garantiu que ninguém seria impedido de votar por não ter a biometria cadastrada.

Com a retomada dos atendimentos, o cadastramento voltou a crescer. Nas Eleições 2026, cerca de 89% do eleitorado já tem as digitais registradas. Além disso, a Justiça Eleitoral pode importar dados biométricos de outros órgãos públicos, como a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e os órgãos de identificação das secretarias de Segurança Pública, por meio do Projeto de Importação de Biometria de Órgãos Externos (Bioex). Isso significa que mesmo quem nunca coletou as digitais em um cartório eleitoral pode já ter biometria disponível no sistema.

E quem não cadastrou a biometria, como faz?

Pode ficar tranquilo. Embora a biometria seja obrigatória para tirar o título no Brasil (com exceção de quem se alista no exterior), a exigência para votar é outra: estar regularmente inscrito no Cadastro Eleitoral.

O essencial mesmo é a presença de um documento de identificação oficial com foto, sendo aceito:

  • carteira de identidade
  • identidade social
  • passaporte
  • certificado de reservista
  • carteira de trabalho
  • CNH

Segundo a Resolução nº 23.759/2026 do TSE, esses documentos podem ser aceitos mesmo com a validade vencida, desde que permitam comprovar a identidade de quem vai votar. Por outro lado, certidão de nascimento, certidão de casamento e e-Título de quem não tem coleta biométrica não são aceitos. O e-Título só funciona como documento de identificação quando exibe a foto, o que acontece apenas para quem já tem biometria cadastrada.

Na seção eleitoral, a diferença está no procedimento. Para quem não tem biometria, a urna é liberada depois que o ano de nascimento é digitado no terminal da mesa receptora. Quem é identificado pela digital não assina o caderno de votação, enquanto quem não tem biometria cadastrada precisa assinar. Depois de votar, a pessoa sem biometria será orientada a procurar a Justiça Eleitoral, após o fim do pleito, para coletar seus dados. 

Vale lembrar que o prazo para cadastrar a biometria antes das Eleições 2026 terminou em 6 de maio, e os serviços eleitorais só serão retomados depois do segundo turno. Antes de ir votar, você pode conferir sua situação eleitoral de forma rápida e gratuita pelo site do TSE ou pelo aplicativo e-Título.

Então agora você já sabe! A biometria tem uma história antiga, que vai muito além das digitais e das urnas eletrônicas. E, se você ainda não fez o cadastro, isso não vai atrapalhar o seu voto em 2026. O primeiro turno acontece em 4 de outubro e, se houver necessidade, o segundo será em 25 de outubro. Com seu título regular e um documento oficial com foto, pode deixar as preocupações em casa. O importante é exercer seu direito e votar consciente! 

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Publicado em 13 de novembro de 2022. Atualizado em 24 de setembro de 2026.

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Conteúdo escrito por:

Ana Paula Furtado

Licenciada em geografia pela UFRJ, brincante e comprometida com a educação pública de qualidade e por isso se debruça no Letramento Científico e em estratégias de empregabilidade para educadores. Nascida e criada em Arraial do Cabo (RJ), apaixonada pela cultura popular, carnaval e as encantarias da Rua.

Maria Clara Paiva

Carioca e curiosa. Estudante de jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro e vê na educação política acessível o primeiro passo pra mudança. Se a política está em tudo, ela tem que ser pra todos.
Furtado, Ana; Paiva, Maria. Quem não fez biometria pode votar?. Politize!, 28 de setembro, 2026
Disponível em: https://www.politize.com.br/quem-nao-fez-biometria-pode-votar/.
Acesso em: 10 de out, 2026.
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