Navegue por categria

Reunião do G7: o que os países mais industrializados planejam

Publicado em:
Compartilhe este conteúdo!
Na imagem estão chefes de Estado e de Governo de diferentes países.
Sustentabilidade e desarmamento nuclear serão debatidos em reunião do G7. Imagem: Economic News Brasil.

A 49ª reunião do G7, marcada para o dia 21 de maio de 2023, tem como país sede o Japão. O Grupo dos Sete representa as sete economias mais avançadas do planeta e, para esta edição, o Brasil foi convidado para acompanhar a reunião da cúpula.

Você sabia que os países do G7 possuem, juntos, cerca de 10% da população mundial e 45% da renda nacional bruta mundial? Não? Acompanhe este texto que a Politize! preparou para saber tudo o que está envolvido na reunião do G7.

Veja também nosso vídeo sobre como os EUA se tornou um país poderoso!

O que é a reunião do G7?

O G7, ou grupo dos Sete, é o agrupamento dos países com as maiores economias do planeta de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O grupo representa os países mais desenvolvidos industrial e economicamente e é composto por:

  • Estados Unidos;
  • Japão
  • Alemanha;
  • Reino Unido;
  • França;
  • Itália;
  • Canadá.

Este fórum composto por sete países representa metade da economia mundial e reúne-se  periodicamente para debater questões relacionadas à economia. Esses são os países que possuem grande influência estratégica, política e militar no mundo.

A primeira reunião ocorreu em 1975, por iniciativa do então primeiro-ministro da Alemanha, Helmunt Schmidt, e do presidente francês daquele ano, Valéry Giscard d’Estaing.

E o G8?

A sigla G8 correspondia aos oito países mais ricos e influentes do mundo, sendo todos os que integram o G7, mais a Rússia. O grupo passou a ser chamado de G8 a partir de 1998, com o ingresso da Rússia. 

Apesar disso, o grupo deixou de ser G8 em 2014, quando a Rússia foi expulsa do agrupamento após o país ter anexado a Crimeia ucraniana ao seu território, o que foi considerado “ilegal” pelos países do Ocidente. O argumento foi de que essa teria sido a primeira violação das fronteiras de um país da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Portanto, o governo russo não pode mais ser convidado para participar das reuniões da cúpula.

Como o G7 foi criado?

Em algum momento da história, notou-se a necessidade de discutir temas de economia em um ambiente mais informal. Esse período foi nos anos 1970 quando os presidentes de cinco países mais ricos do planeta passaram a se encontrar.

A crise do petróleo em 1973, despertou no então presidente francês Valéry Giscard d’Estaing, a importância dos presidentes das sete nações mais ricas do mundo promoverem encontros para discutir temas econômicos.

Veja também: Nova crise do petróleo e Bolsa de Valores: qual a relação?

Dessa forma, a primeira reunião do G7 ocorreu em 1975, na França, e contou com a participação de seis países, considerados os mais industrializados do mundo: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália. A conferência de 1976 incorporou o Canadá no grupo.

A Rússia passou a fazer parte da cúpula em 1998, o que transformou o grupo no G8. Entretanto, foi expulsa em 2014, devido a anexação da Crimeia em seu território.

Devido às decisões e propostas do grupo, considera-se que os representantes desses países possuem uma visão mais liberal da economia e, além disso, propõem rumos para a economia dos demais países do mundo.

Saiba mais: O que é neoliberalismo?

A União Europeia também participa das reuniões do G7, ocupando uma posição de observadora e é representada pelo Presidente da Comissão Europeia e pelo Chefe de Estado ou de Governo do país que estiver na presidência da UE.

Qual é o objetivo da reunião do G7?

Anualmente, os países membros do G7 se reúnem em uma cúpula para debater questões urgentes do cenário global e, enfim, coordenar políticas para o mundo. Dessa forma, por possuírem economias consolidadas, os países discutem quais caminhos o mundo deve seguir. 

Esses países exercem grande influência em instituições e organizações mundiais, como a ONU, FMI e OMC.

A discussão gira em torno de temas como:

  • Processo de globalização
  • Abertura de mercados
  • Questões ambientais
  • Ajudas financeiras para economias em crise
  • Segurança internacional
  • Conflitos militares
  • Crises globais, como foi o caso da pandemia de Covid-19

O que é discutido nas reuniões?

O G7 exerce um papel de coordenação, nas discussões do Grupo do Sete já foram produzidas decisões de importância global. Exemplo disso é que no encontro de 2023, está previsto o debate sobre a importância de garantir segurança alimentar, principalmente, entre as nações mais pobres do mundo. Além disso, no documento  em questão, a ideia é que a guerra entre russos e ucranianos seja citada.

Os temas em pauta, no geral, serão: desarmamento nuclear e a não proliferação de armas nucleares; resiliência e segurança econômica; mudanças climáticas e transição energética; segurança alimentar; saúde; gênero; direitos humanos; ciência e tecnologia; e os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

Leia mais: A guerra nuclear ainda é uma ameaça?

A reunião do G7 de 2023 acontecerá em Hiroshima, no Japão, e terá dois documentos finais: o primeiro será apenas do grupo dos sete e o outro será do G7 e dos países convidados. A expectativa para o documento exclusivo do grupo é o anúncio de novas sanções contra a Rússia. 

Mudança do clima, transição energética, saúde e inflação mundial serão destaque na reunião do G7. Por isso, foram convidados: Brasil, Índia, Indonésia, Austrália, Coreia do Sul, Vietnã, Ilhas Cook, Comores, dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco mundial, Organização Mundial do Comércio (OMC), Agência Internacional de Energia (AIE), OCDE, União Europeia e Organização Mundial da Saúde (OMS).

Participação do Brasil na reunião do G7

Na 49º cúpula do G7, o Brasil foi um dos países convidados pelo primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida.

No encontro, Lula (PT) irá tratar de dois temas prioritários: o desenvolvimento sustentável de países em desenvolvimento e a paz mundial, tema que já vem sendo defendido pelo presidente brasileiro em reuniões que tem participado em sua agenda no exterior.

O Brasil não faz parte do G7, mas já participou de edições anteriores dos encontros. Entretanto, o país, que esteve presente na reunião pela primeira vez em 2003, teve um intervalo de 14 anos sem ser chamado novamente para as reuniões do grupo. Antes do convite de 2023, a última participação do país foi em 2009, durante o segundo mandato presidencial do Lula (PT).

A avaliação do ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, é de que a política externa brasileira “voltou ao seu normal” após 11 anos de crises nos governos Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro (PL). E diz, ainda, que no cenário de pós pandemia da Covid-19, tem ocorrido um realinhamento no mundo e na área econômica.

“Portanto, é normal que o Brasil, como tem esses três itens econômicos que estão na agenda global (meio ambiente, segurança alimentar e energia renovável), esteja de volta como convidado depois de tantos anos, porque o país tem o que dizer.”, acrescentou Rubens Paiva ao Correio Braziliense. 

Além de tudo isso, o Brasil é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, e também possui um território com grandes florestas e fontes de energia renovável.

A diplomacia brasileira pretende fazer com que a declaração final da reunião do G7 não se transforme em um ato contra a Rússia, já que a declaração sobre segurança alimentar reflete no acesso a alimentos diante do conflito ucraniano.

Dessa forma, o governo brasileiro negocia a linguagem da declaração para que seja próxima à linguagem adotada pelo Brasil sobre o tema.

O que dizem os críticos ao G7

O argumento principal das críticas ao G7 é o que considera que o grupo é culpado pelos problemas como a pobreza na África e nos países em desenvolvimento

A fundamentação disso se dá pela análise à política de comércio dos países-membros do G7, ao aquecimento global devido à não implementação de soluções eficazes no combate a emissão de dióxido de carbono, problemas relacionados à síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA) em razão da política de patentes de medicações e demais problemas relacionados à globalização. 

A pressão é para que os líderes do G7 se responsabilizem pelos problemas que eles são acusados de criar.

Outra crítica é a não inclusão da China ao grupo, apesar de ser a segunda maior economia do mundo. Desse modo, diz-se que o G7 não representa mais o poder econômico, como diziam no momento de sua fundação.

Veja também nosso vídeo sobre a economia chinesa!

Além da China, a ausência de representantes do hemisfério sul causa inúmeras críticas que afirmam que o G7 pretende manter seu poder e influência sobre o mundo.

E aí, conseguiu compreender o que é a reunião do G7? Qual é a sua opinião sobre o Grupo dos Sete? Diga nos comentários!

Referências:

GoCache ajuda a servir este conteúdo com mais velocidade e segurança

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe este conteúdo!

ASSINE NOSSO BOLETIM SEMANAL

Seus dados estão protegidos de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

FORTALEÇA A DEMOCRACIA E FIQUE POR DENTRO DE TODOS OS ASSUNTOS SOBRE POLÍTICA!

Conteúdo escrito por:
Faço parte da equipe de conteúdo da Politize!. Cientista social pela UFRRJ, pesquisadora na área de Pensamento Social Brasileiro, carioca e apaixonada pelo carnaval.

Reunião do G7: o que os países mais industrializados planejam

17 jun. 2024

A Politize! precisa de você. Sua doação será convertida em ações de impacto social positivo para fortalecer a nossa democracia. Seja parte da solução!

Pular para o conteúdo