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União Soviética

Você conhece a história da União Soviética?

 

Pôster de propaganda da União Soviética.

Pôster de propaganda da União Soviética de 1920. Foto: Wikimedia Commons.

Rússia, Letônia, Lituânia, Estônia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Moldávia, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Usbequistão. Ufa! Muitos países, não é? Pois bem, iremos abordar todos eles, mas calma! Somados, todos esses quinze países formavam o que conhecemos como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a URSS.

Criada em 30 de dezembro de 1922 e dissolvida em 26 de dezembro de 1991, a URSS configurou-se durante sessenta e nove anos de existência como um dos países mais poderosos do mundo e também como a segunda maior potência militar. Portanto, para entendermos como se deu tamanho desenvolvimento, iremos abordar nos próximos parágrafos a ascensão, o apogeu e a queda de uma das maiores nações já existentes na história mundial.

Antecedentes e a Revolução Russa

União Soviética

Na imagem: Vladmir Lenin e os bolcheviques.

Até o ano de 1917, a Rússia era governada por um czar que exercia o poder através de um regime absolutista autoritário e sem uma constituição definida. A população passava por sérios problemas, sendo um dos principais a fome.

O principal partido que lutava pelos interesses sociais era o POSDER – Partido Operário Social Democrata Russo, que baseava suas ideias a partir do pensamento de Karl Marx e tinha como principal liderança a figura de Vladmir Lenin. Devido a uma discussão interna, o POSDER acabou se dividindo em dois: entre os Bolcheviques (maioria) e os Mencheviques (Minoria) – sendo os bolcheviques liderados por Lenin e os mencheviques por Julius Martov.

É interessante lembrar que anteriormente, em 1904, a Rússia havia vivido uma guerra contra o Japão pelo território da Manchúria – da qual saiu totalmente defasada, com problemas sociais agravados e humilhada por uma derrota massacrante diante dos japoneses. Ao fim desta guerra, a população fez uma passeata pacífica e marchou até o Kremlin, palácio do czar. A resposta do governo veio através do exército, que fuzilou os manifestantes em plena praça pública, matando cerca de noventa pessoas em um episódio que ficou conhecido como o Domingo Sangrento.

Tal ato passaria a ser considerado pelos revolucionários de 1917 como o ensaio da revolução, pois lutariam pelos que perderam a vida naquela passeata.

Com o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, a Rússia enfrentava novamente graves problemas internos, entre eles soldados que eram mandados para o front de guerra sem mantimentos, a população que voltou a passar fome e o descontentamento com o czar que já era enorme, tornou-se insuportável.

Assim, em 1917, ocorrem novas manifestações. No episódio, o exército russo volta-se contra o czar – negando que mais um massacre ocorresse contra a população – o que leva o czar a abdicar do trono.

Com o vácuo no poder, Lenin que estava exilado volta ao país com dois lemas: “Pão, Paz e Terra” e “Todo poder aos Sovietes”. Vale lembrar que sovietes eram os grupos de trabalhadores que se reuniam em busca de melhor qualidade social pós domingo sangrento. Assim, os bolcheviques – liderados por Lenin – invadem o palácio do Kremlin em 25 de outubro de 1917, concretizando assim a Revolução Russa. 

Leia também: Revolução Russa de 1917!

O governo Lenin e o início da URSS

Assim que assumiu o poder, Lenin passou a governar a Rússia com autoritarismo. Ainda assim, o período também foi marcado por melhorias para a população, por exemplo, a crise de abastecimento que solapava o país por décadas chegou ao fim e terras foram concedidas para quem não tinha onde plantar seus alimentos.

Um dos marcos mais importantes do governo Lenin foi a retirada do país da Primeira Guerra Mundial, a partir do tratado de Brest Litovski. Ainda assim, houveram muitas críticas ao tratado, pois a Rússia entregou vastas áreas territoriais para a Alemanha – territórios que hoje correspondem a países como Polônia e Bielorrússia.

Além disso, boa parte da população russa desaprovava o forte autoritarismo do governo bolchevique. Assim, como forma de oposição ao governo foi criado o exército branco, que passou a lutar contra o exército vermelho do governo, dando início a guerra civil (1918-1921).

Após milhões de mortes, o exército vermelho de Lenin saiu vencedor do combate, porém novamente o país ficou em estado crítico.

Para voltar a desenvolver a economia russa, Lenin criou a Nova Política Econômica (NEP). Uma política que caracterizou-se pela nacionalização da economia e pela luta contra a desigualdade social, a miséria e a fome. Também dentro dessas medidas, estava a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS.

O governo de Josef Stalin e o apogeu soviético

Após a morte de Lenin em 1924 – no auge desenvolvimentista da nova política econômica – Josef Stalin ascendeu ao poder. Considerado como seguidor fiel de Lenin e apoiado pelo exército, Stalin lançou no início de seu governo os “planos quinquenais“. Basicamente, os planos quinquenais ajudaram a URSS a alcançar um forte processo de industrialização, que deu sustentação para diversos avanços no campo da saúde, educação, ciência e tecnologia.

É desta forma que a URSS de Stalin se solidifica como um dos países mais desenvolvidos do mundo, até mesmo depois do fim de seu governo em 1953, período conhecido como “era stalinista”. O que deu força também para o país disputar com os EUA quem teria a liderança militar, econômica e social, durante o período conhecido como Guerra Fria (1947-1991).

Outra medida implementada no governo Stalin foi a coletivização forçada das terras, ou seja, uma política que excluía a propriedade privada e obrigava os trabalhadores a produzirem para o governo. Devido a essa política, a URSS se desenvolveu em vários setores e tornou-se o maior exportador de grãos do mundo. Em contrapartida, entretanto, sua população começou a passar fome, já que o Estado passou a controlar e exportar toda a produção agrícola.

Dessa forma, cresceu então o descontentamento da população com Stalin, que respondeu com uma série de ações que ficaram conhecidas como o período do grande terror e dos processos de Moscou. Nesse período, Stalin passou a perseguir e matar opositores, enviando-os a campos de concentração de trabalho forçado, onde os cidadãos eram obrigados a trabalhar até a morte para sustentar os planos quinquenais.

De forma semelhante, julgamentos em Moscou serviram para a tortura de quem fosse pego por protestar contra o governo. Por isso, Stalin ficou conhecido – ao lado de Hitler – como um dos maiores assassinos do século XX.

Assim, acredita-se que o governo Stalin estava ancorado em três pontos: melhoria da qualidade de vida e industrialização através dos planos quinquenais, propaganda política que passava a imagem de um Stalin “herói soviético” e o grande terror de ser pego pelo regime Stalinista.

Fim de uma Era: cai a União Soviética

A URSS chegou ao fim oficialmente no dia 26 de dezembro de 1991. Vários foram os fatores que contribuíram para a sua queda, assim vamos ver alguns deles.

Para começar, a década de 70/80 ficou conhecida como a “era da estagnação”. Vamos entender por quê?

Nesse período a URSS estava sendo comandada por Nikita Kruschev e Leonid Brezhnev. Kruschev ficou conhecido por  planificar toda a produção agrícola soviética e por implementar políticas liberais com o objetivo de melhorar a economia. Já Brezhnev foi o responsável por suprimir várias reformas politico/administrativas que Kruschev tinha colocado em prática, o que causou forte descontentamento interno e várias manifestações contrárias ao governo.

A bandeira política de Brezhnev era a bandeira militar, pois temia que um ou mais países da união soviética almejasse independência. Tal temor o levou a criar a Doutrina Brezhnev, uma diretriz de política externa que autorizava a URSS a utilizar apoio militar para garantir suas fronteiras e manter a URSS unida.

A doutrina fez com que a URSS interferisse politicamente no Afeganistão em 1979, em um episódio que ficou conhecido como o Vietnã Soviético. Isso porque se tratou de uma guerra muito semelhante a travada pelos EUA, na qual as guerrilhas vietnamitas causaram enormes baixas no exército americano.

No ano de 1980, Brezhnev por problemas de saúde precisou deixar o poder, vindo a falecer em 1982. Assim, entre 1980 à 1985, a União Soviética foi  governada por uma junta militar. Até que em 1985, chega ao poder, com o apoio dos militares, Mikhail Gorbachev.

As primeiras medidas de Gorbachev à frente do governo soviético foram a retirada das tropas do Afeganistão, a aproximação da URSS com a União Européia e o encerramento da doutrina Brezhnev. Além disso, iniciou as negociações com os Estados Unidos da América para o controle das armas nucleares.

No campo interno, criou em 1986 a política conhecida como Perestroika (reestruturação), que tinha por objetivo permitir a volta do multipartidarismo na URSS e a volta do investimento no empreendedorismo. Em 1988, a política conhecida como Glasnost (abertura) veio para promover a liberdade de expressão e de imprensa, além de libertação de presos políticos.

Todas essas medidas tiveram forte aprovação externa. Entretanto, dentro da URSS, Gorbachev enfrentou criticas de todos os lados.

O partido dos liberais – liderados por Boris Yeltsin – acreditavam que as medidas eram brandas demais, e já o núcleo duro do exército soviético considerava as medidas liberais demais. Tal efervescência interna levou a grandes protestos em várias unidades federativas da URSS que demandavam a independência.

Assim, o “golpe final” à URSS pode ser considerado a declaração de independência da Ucrânia, em 24 de agosto de 1991. Afinal, após tal episódio, várias outras unidades da URSS começaram a desenvolver processos de independência em cascata.

Para tanto, em 25 de dezembro de 1991, Gorbachev renunciou e transferiu o poder político da URSS para Yeltsin, e assim a Rússia foi declarada o estado sucessor da URSS.

Apesar de ter se tornado uma das grandes nações do século XX, como você pôde perceber a história da União Soviética é marcada por diversas disputas políticas e momentos de crise. Ficou alguma dúvida? Deixa para gente nos comentários!

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Publicado em 27 de dezembro de 2019.

 

Renan Lima

Antes de tudo, Pernambucano. Bacharel em Relações Internacionais e Pós-Graduado em Ciências Políticas pelo Centro Universitário ASCES-UNITA. Atualmente desenvolve pesquisas sobre acompanhamento político.  

 

 

REFERÊNCIAS

ARMSTRONG, J. A. 1982: nations before nationalism.

BRUBAKER, R. 1994: “nationhood and the national question in the Soviet Union and Post-Soviet Eurasia: an institutionalist account”.

Hércules Corrêa: memórias de um stalinista.

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Comunismo

Comunismo: 4 pontos para entender este conceito

Comunismo

Este é o sétimo texto de uma trilha sobre correntes de pensamento político e trata especificamente sobre o comunismo. Veja os demais textos desta trilha: 1 – 23 – 4 5 6 8 9

Ao terminar de ler este conteúdo você terá concluído 77% desta trilha 🙂

O comunismo é uma ideologia política e socioeconômica que pretende estabelecer uma sociedade igualitária, por meio da abolição da propriedade privada, das classes sociais e do próprio Estado. Embora a ideia de igualdade baseada no fim das classes tenha sido defendida por filósofos desde a antiguidade, o comunismo está associado sobretudo à teoria dos pensadores Friedrich Engels e Karl Marx. Entenda como surgiu o comunismo e quais são as principais ideias defendidas pelos adeptos a essa ideologia.

Se você preferir, também pode conferir esse conteúdo em formato de vídeo:

Os ideais de igualdade na antiguidade e na era medieval

Embora Marx e Engels sejam apontados como os precursores do comunismo, os ideais de uma sociedade igualitária podem ser encontrados desde o período da antiguidade clássica. Em uma de suas obras mais importantes, intitulada A República, Platão formula um modelo de sociedade ideal, baseada na extinção da propriedade privada e da família. Segundo o filósofo, o fim da propriedade privada causaria o fim do conflito entre o Estado e o cidadão em particular, e a abolição da família teria como resultado uma maior devoção do indivíduo ao bem público.

Na sociedade idealizada por Platão, não existiriam vínculos matrimoniais e os filhos gerados pelos cidadãos, além de desconhecerem os seus pais, ficariam sob o cuidado permanente do Estado, que garantiria seu sustento e educação.

Com o passar do tempo, esses mesmos ideais foram constantemente reformulados. Entre os séculos XII e XV, grupos dissidentes da Igreja Católica pregavam o repúdio à propriedade privada e aos bens materiais em geral, a convivência humana em padrões de uma vida simples e a necessidade de uma vida comunitária, onde todos deveriam trabalhar e conviver em igualdade. Destacaram-se nessa corrente o abade Joaquim de Fiore, o franciscano frei Dolcino e o protestante Thomas Munzer.

O comunismo na idade contemporânea

No século XIX, a Revolução Industrial transformou o contexto econômico e social dos países europeus. Ao mesmo tempo em que ocorria um pleno desenvolvimento do novo sistema capitalista, boa parte da população vivia em condições de miséria e exploração. Buscando uma solução para os diversos problemas que atingiam as sociedades na Europa, intelectuais da época passaram a propor sistemas políticos e econômicos que fossem uma alternativa ao sistema capitalista. Uma dessas proposições foi o comunismo, que está no cerne da teoria marxista.

Situado dentro do socialismo científico, o marxismo é uma corrente de pensamento criada por Karl Marx e Friedrich Engels. Para eles, em todas as épocas da história a sociedade foi marcada por uma luta de classes, sendo essa relação caracterizada pelo antagonismo entre uma classe opressora e uma oprimida. Na sociedade capitalista, essas classes são representadas respectivamente pela burguesia, que detém os meios de produção e por consequência boa parte da riqueza gerada, e o proletariado, que nada possui além da própria mão de obra, vendida como mercadoria ao proprietário do capital.

De acordo com a teoria marxista, os trabalhadores são tidos como uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial, submetidos à concorrência e às oscilações do mercado. Nas fábricas, são amontoados e vigiados, tratados como servos da classe burguesa, do Estado burguês e do proprietário da fábrica, que possui como único objetivo o lucro.

O socialismo marxista propõe a abolição da propriedade privada, a socialização dos meios de produção, o fim da divisão de classes e a abolição da exploração do trabalho. Para Marx e Engels, quando a classe proletária fosse capaz de tomar consciência da sua situação e buscar uma organização de luta, assumindo o poder e administrando o sistema de forma justa e em prol de todos, as classes sociais seriam abolidas e com ela chegaria ao fim também o Estado. A partir desse momento, a sociedade estaria preparada para o sistema comunista.

Você sabe o que é o socialismo?

Qual a diferença entre socialismo e comunismo?

Comunismo

Embora o socialismo e o comunismo sejam frequentemente tratados como sinônimos, existem algumas diferenças entre eles. Na teoria marxista, o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo.

No sistema socialista, o Estado e o governo se mantêm no controle da vida social. Contudo, diferente do capitalismo, o Estado seria conduzido pelos trabalhadores e a produção e distribuição de bens controlados nas mãos do governo, que organizaria um sistema de igualdade e cooperação.

O comunismo, por sua vez, trata-se de um estágio posterior ao socialismo, quando já havendo igualdade absoluta entre os cidadãos, o Estado poderia ser abolido, eliminando as formas de opressão social, e a sociedade encontraria formas de se auto regulamentar. Assim, os trabalhadores se tornariam proprietários do seu trabalho e dos bens de produção.

Qual a diferença entre comunismo e anarquismo?

Já entendemos que a sociedade sem classes, a abolição do Estado e o fim da propriedade privada são importantes objetivos dos adeptos ao comunismo. Mas esses princípios podem ser vistos também em uma outra corrente de pensamento: o anarquismo. Por apresentarem propostas semelhantes do que seria uma sociedade ideal, pode ser um pouco difícil distinguir as duas correntes ideológicas. Vejamos a principal diferença.

O anarquismo é uma filosofia política que busca a eliminação total de todas as formas de coerção. Seus adeptos são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja socialmente aceita e defendem uma organização baseada na livre associação.

A principal diferença entre o comunismo e o anarquismo está no processo por onde se atingirá a sociedade ideal. No anarquismo, isso ocorreria de forma abrupta, em uma passagem direta do capitalismo para o novo sistema. Alguns autores, como o russo Mikhail Bakunin, defendem que essa mudança através de uma revolução violenta. Para Pierre-Joseph Proudhon, a passagem deveria ser pacífica, baseada na fraternidade e na cooperação entre os homens.

Já no comunismo, a sociedade ideal seria alcançada por meio de um processo de transição formado por três etapas: primeiro a superação do capitalismo através da revolução, decorrente da tomada de poder pelo proletariado; em seguida, o socialismo seria estabelecido; e por fim se chegaria ao comunismo. O comunismo só pode existir após o estabelecimento do sistema socialista.

Aqui você confere tudo sobre o Anarquismo!

A sociedade idealizada por Marx e Engels nunca chegou a ser implementada em nenhum país. Embora o sistema socialista tenha sido adotado por algumas nações, até então nenhuma delas conseguiu atingir a etapa final, que é o comunismo. Muito se discute se esse modelo seria possível ou apenas uma idealização. E você, acha que o comunismo pode ser implementado? Comente!

Publicado em 26 de janeiro de 2017. Última atualização em 07 de abril de 2019.

 

Isabela Souza

Estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

 

 

 

Referências:

MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Martin Claret; 2014.

O que é socialismo?

O socialismo surgiu durante a Revolução Industrial como uma alternativa ao sistema capitalista da época. Entenda o que defende essa ideologia, seus pensadores e países que aderiram ao sistema.