Posts

Destaque conteúdo sobre Bolsonaro e Congresso em 2019

Bolsonaro e o Congresso em 2019: 5 dados para entender a relação

O presidente, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em pé sorrindo. Conteúdo sobre bolsonaro e congresso em 2019

O presidente, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Foto: Fotos Públicas.

A governabilidade é parte fundamental do exercício do poder numa democracia. Afinal, qualquer governo precisa de apoio de outras instituições para implantar suas políticas. Entre os apoios mais importantes está o do Poder Legislativo, que é quem deve aprovar as propostas que o Executivo planeja pôr em prática.

Neste artigo, vamos entender e verificar alguns indicadores sobre a relação entre o governo de Jair Bolsonaro e o Congresso, comparando esses indicadores com aqueles do primeiro ano de mandato de presidentes anteriores.

É importante ressaltar que esses dados não esgotam o tema nem dão um retrato perfeito do desempenho do Executivo. Porém, eles ajudam a entender uma parte dessa história.

1. Número de medidas provisórias editadas

Medidas provisórias são editadas pelo presidente e passam a ter força de lei assim que publicadas, mas precisam ser aprovadas por Câmara e Senado em até 120 dias. Caso isso não seja feito, elas caducam e perdem a validade. Por conta disso, a frequência do uso de MPs dá uma pista sobre a estratégia do governo na hora de se relacionar com o Congresso.

Medidas provisórias editadas

Collor (1990) – 94
FHC I (1995) – 51
FHC II (1999) – 42
Lula I (2003) – 58
Lula II (2007) – 70
Dilma I (2011) – 36
Dilma II (2015) – 43
Bolsonaro (2019) – 48

2. Aprovação de medidas provisórias

Como dito acima, para que virem leis definitivas, medidas provisórias precisam ser votadas e aprovadas pela Câmara e pelo Senado. O prazo de votação é de sessenta dias, prorrogáveis por mais sessenta. A porcentagem de aprovação de MPs é importante para entender se o Legislativo está alinhado com as ideias do Executivo.

Porcentagem de aprovação de MPs

Lula I – 65%
Lula II – 70%
Dilma I – 39%
Dilma II – 39%
Bolsonaro – 23%*

*até o dia 24 de dezembro de 2019

3. Derrubada de vetos

Quando o Congresso aprova uma lei, o presidente pode vetar certas partes dela, ou mesmo todo o seu conteúdo. Porém, o Congresso é quem dá a palavra final e pode derrubar esses vetos, ou seja, fazer com que os dispositivos vetados passem a valer novamente. Por isso, a porcentagem de derrubadas de vetos é um número que também ajuda a entender como o governo se relaciona com Câmara e Senado.

Porcentagem de vetos presidenciais derrubados pelo Congresso

FHC – 1,6%
Lula – 0%
Dilma – 0%
Temer – 6,5%
Bolsonaro – 29%

4. Número de ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) sofridas pelo Executivo

o Presidente da República Jair Bolsonaro e o Presidente do Senado Davi Alcolumbre se abraçam. Conteúdo sobre a relação bolsonaro e o congresso em 2019

o Presidente da República Jair Bolsonaro e o Presidente do Senado Davi Alcolumbre.

A ação direta de inconstitucionalidade é um instrumento utilizado para pedir ao STF que analise se uma lei ou ato normativo contraria a Constituição. Ela pode ser feita pelo presidente do Brasil, pelo procurador-geral da República, por governadores, pelas mesas diretoras da Câmara e do Senado, por partidos políticos com representação no Congresso, entre outros.

Em seu primeiro ano de mandato, o governo Bolsonaro foi alvo de 58 ADIs. Levantamento feito pelo jornal Estado de S. Paulo em setembro de 2019 mostrava que a maior daquelas feitas até então (27) tinham autoria de partidos de oposição.

Ações diretas de inconstitucionalidade contra o governo

Lula – 5
Dilma – 2
Temer – 14
Bolsonaro – 58

5. Número de decretos presidenciais editados

Decretos presidenciais servem para regular e detalhar leis que já existem. Eles não precisam ser aprovados pelo Legislativo – ou seja, uma vez publicados, já passam a valer. Por conta disso, podem ser usados por governos que precisam implantar suas políticas mas não têm base sólida no Congresso.

Decretos editados nos primeiros 365 dias de mandato

Collor (1990) – 1057
FHC I (1995) – 407
FHC II (1999) – 403
Lula I (2003) – 382
Lula II (2007) – 329
Dilma I (2011) – 239
Dilma II (2015) – 244
Bolsonaro (2019) – 536

Conclusões

Os números acima indicam certas tendências e opções feitas pelo governo de Jair Bolsonaro. Ele, por exemplo, não tem uma base de apoio oficial, com partidos aliados, como seus antecessores fizeram. Nem mesmo o partido pelo qual o presidente foi eleito, o PSL, entra nessa conta, uma vez que Bolsonaro assinou sua desfiliação em novembro de 2019, após disputas internas contra Luciano Bivar, presidente da legenda.

Se o caminho tomado é o mais correto e mais eficiente, se tem mais pontos positivos do que negativos, é algo que deve ser analisado e julgado por cada cidadão, de acordo com suas ideias e concepções sobre política.

Ficou fácil entender o que aconteceu em 2019 entre Bolsonaro e o Congresso, certo? E para 2020, o que você acha que poderá mudar? Compartilha com a gente nos comentários!

Publicado em 24 de fevereiro de 2020.

Redator voluntárioLuiz Vendramin Andreassa 

Formado em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduado em Ciência Política pela FESP-SP. Sonha com um mundo em que o acesso ao conhecimento e ao conforto material deixem de ser privilégios para se tornarem algo acessível a todos.

 

 

REFERÊNCIAS

Exame: fracasso em aprovar medidas provisórias marcou governo Bolsonaro

Planalto.gov.br: lista de decretos presidenciais

Planalto.gov.br: lista de medidas provisórias

Senado: primeiro ano de governo teve 48 medidas provisórias editadas

UOL:  Congresso revê quase 30% dos vetos de Bolsonaro

Valor: Sobrevivemos (?)

Destaque do conteúdo de disciplina partidária

Disciplina partidária: por que é fundamental para a política brasileira?


Na imagem, deputados em pé em sessão na Câmara. Conteúdo sobe disciplina partidáriaPara governar e implementar suas medidas, o governo federal precisa do apoio do Legislativo. À primeira vista, essa parece uma missão difícil, por conta da quantidade de deputados (513) e o alto número de partidos políticos representados no Congresso – na Câmara, são vinte e quatro. O que torna essa tarefa menos complicada é a disciplina partidária.

Entender a disciplina partidária é importante para compreender como funciona a política brasileira, especialmente após o retorno à democracia, e como os poderes se equilibram. E é isso que vamos fazer a seguir.

O que é a disciplina partidária

Nos primeiros dias de 2020, o jornal Valor divulgou um estudo sobre o comportamento dos parlamentares em diferentes votações nominais (em que cada um vota individualmente) na Câmara dos Deputados. A ideia era saber o quanto cada um deles seguia a orientação de seu partido nas votações.

O levantamento apontou que em 93% das vezes os deputados votaram em conjunto, de acordo com o que foi decidido por suas legendas e orientado por seus respectivos líderes. O número indica um alto grau daquilo que é chamado na ciência política de disciplina partidária.

Esse comportamento facilita o trabalho do governo federal porque, ao invés de ter de negociar com cada parlamentar separadamente, ele pode buscar o apoio dos partidos, representados na figura de seus líderes, e garantir votos em atacado. A disciplina partidária se torna, dessa forma, um dos componentes fundamentais da governabilidade no Brasil.

Na matéria do Valor, o pesquisador Bruno Carazza ressalta que, apesar da avaliação negativa dos partidos políticos perante a sociedade, eles ainda têm papel muito relevante na política nacional. Segundo pesquisa Datafolha de julho de 2019, 58% dos entrevistados diziam não confiar nos partidos, enquanto apenas 4% responderam que confiavam muito.

Do Novo ao PDT

Analisando o estudo mais detalhadamente, é possível perceber que o alto grau de disciplina partidária é comum a todas as legendas, a despeito de suas posições políticas e de sua relação com o Executivo.

Dezenove partidos da Câmara dos Deputados conseguiram fazer com que seus parlamentares votassem de acordo com as orientações em mais de 90% das votações. No caso de dez desses partidos, esse número foi maior que 95%.

O partido mais disciplinado foi o Novo, que chegou à Câmara pela primeira vez em 2019. Seus oito deputados votaram de acordo com as orientações quase 100% das vezes. Em seguida, vieram Republicanos, Solidariedade, DEM e PC do B.

Já as legendas com mais discordâncias foram Pros, PSB, Podemos e PDT. Mas, mesmo assim, a taxa de adesão às ordens partidárias foi alta. O PDT, “campeão de indisciplina”, por exemplo, teve uma taxa de 83%.

Não foi apenas em 2019

Painel eletrônico na Camara dos Deputados mostra a orientação das lideranças partidárias durante votada da PEC da Reforma da Previdência. Conteúdo refere a disciplina partidária.

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa extraordinária. Votação dos destaques para a proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019, da reforma da Previdência. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado.

O alto grau de disciplina partidária não foi exclusividade de 2019. Na verdade, este é um padrão observado por pesquisadores desde a volta da democracia, em 1985.

Em artigo de 1998, os cientistas políticos Fernando Limongi e Argelina Figueiredo analisaram dados de votações na Câmara dos Deputados para concluir que havia uma “forte e marcante preponderância do Executivo sobre um Congresso que se dispõe a cooperar e vota de maneira disciplinada”.

O blog Leis e Números, de Bruno Carazza, traz um gráfico sobre as taxas de disciplina nas votações nominais de 2001 a 2014. É possível acessar o post aqui e ver como elas se mantiveram altas e, na maioria das vezes, superiores a 85%.

No Senado Federal, a tendência é a mesma, apesar de as porcentagens de disciplina serem ligeiramente menores, se comparadas às da Câmara. Neste estudo, os partidos analisados (DEM, PMDB, PSDB e PT) tiveram um índice de disciplina entre 79% e 93% entre 1999 e 2007.

Mas, afinal, por que parlamentares obedecem às ordens dos partidos?

A política funciona na base dos incentivos. Se muitos atores – no caso, os parlamentares – se comportam de forma parecida ao longo do tempo, é sinal de que os incentivos apontam nessa direção. Ou seja: é mais vantajoso a eles agir de forma coordenada, seguindo as diretrizes partidárias, do que individualmente.

Figueiredo e Limongi, no mesmo artigo que citamos acima, afirmam que “a melhor estratégia para a obtenção de recursos visando retornos eleitorais é votar disciplinadamente”.

Na Câmara e no Senado, as regras são determinadas pelo regimento interno, que regulamenta direitos, deveres e possibilidades dos deputados. A possibilidade de discursar no plenário e participar de comissões, por exemplo, não está disponível a qualquer um a todo momento.

O regimento dá uma importância especial aos líderes partidários, eleitos pelos membros de cada legenda para representá-los. Os líderes têm diversos poderes: indicar membros de seus partidos para comissões, pautar a agenda de votações por meio do Colégio de Líderes, representar seus colegas em votações simbólicas, requerer votações nominais, entre outros.

Os senadores e, principalmente, os deputados, portanto, têm possibilidades limitadas enquanto agem individualmente. É mais vantajoso fazer isso em bloco, sob a orientação dos partidos, do que sozinho ou sozinha.

Além disso, existem as punições àqueles que se tornam “rebeldes”. Os partidos políticos podem aplicar penas aos membros que não seguirem suas orientações ou suas linhas de pensamento.

Um caso recente de grande repercussão foi o dos oito deputados do PDT que votaram a favor da reforma da previdência, contrariando a determinação da legenda. Por conta disso, foram suspensos por 90 dias, o que lhes tirou a possibilidade de participar das atividades partidárias.

Os deputados punidos pelo PDT foram Alex Santana (BA), Flávio Nogueira (PI), Gil Cutrim (MA), Jesus Sérgio (AC), Marlon Santos (RS), Silvia Cristina (RO), Subtenente Gonzaga (MG) e Tabata Amaral (SP).

Ficou surpreso com as taxas de disciplinas dos partidos? Compartilha com a gente a sua opinião nos comentários!

Publicado em 17 de fevereiro de 2020.

Redator voluntário

 

Luiz Vendramin Andreassa 

Formado em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduado em Ciência Política pela FESP-SP. Sonha com um mundo em que o acesso ao conhecimento e ao conforto material deixem de ser privilégios para se tornarem algo acessível a todos.

REFERÊNCIAS

Figueiredo e Limongi: bases institucionais do presidencialismo de coalizão

Jairo Nicolau: Disciplina Partidária e Base Parlamentar na Câmara dos Deputados no Primeiro Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998)

Leis e Números: “Leve-me ao seu líder”: o que esteve em jogo na eleição…

Melo e Batista: Diferentes, mas iguais? Padrões de disciplina partidária na Câmara e no Senado

O Estado de S. Paulo:  Entenda: O que significa a suspensão de Tabata Amaral e outros sete deputados do PDT

Politize!: Mudança de partido durante o mandato: é permitida?

Politize!: O que faz um líder partidário?

Imagens

 

Destaque texto tribunal de contas da união

TCU: entenda o Tribunal de Contas da União?

Fachada do prédio do Tribunal de Contas da União.

Fachada do Tribunal de Contas da União. Foto: Senado Federal.

No Brasil, assim como em outros países, os governo lidam com orçamentos bilionários e, na hora de fazer investimentos e aplicar recursos, devem seguir diversas regras. Por aqui, por exemplo, ele é obrigado a gastar uma determinada porcentagem da arrecadação em saúde e educação.

Porém, quem avalia se essas e outras regras estão sendo seguidas? E quem garante que não há desvios ou desperdícios nesse complexo processo? Esse é o papel do Tribunal de Contas da União, que vamos conhecer mais a fundo agora.

Afinal, quais são as funções do TCU?

O TCU é quase tão antigo quanto a própria República brasileira. Ele foi criado em 1891, dois anos após a proclamação. A intenção, à época, era ter um órgão para controlar a execução do orçamento público.

E essa é a principal função que o Tribunal mantém até hoje: “acompanhar a execução orçamentária e financeira do país”, como está definido em seu site oficial. Essa atuação se dá em nível federal, enquanto os Tribunais de Contas dos Estados e, em alguns casos, de Municípios o fazem em estados e municípios.

Uma característica importante do TCU é que, assim como o Ministério Público, ele é um órgão externo e não é subordinado a nenhum dos três poderes, apesar de estar ligado ao Legislativo. Essa opção se justifica pela necessidade de autonomia para analisar e julgar a atuação de agentes públicos.

Vamos conhecer com mais detalhes algumas das funções dessa instituição e como ela as desempenha.

Analisar a execução do orçamento público

Após receber do governo federal os balanços dos gastos do orçamento, o TCU faz uma análise para checar se tudo foi feito de acordo com a Constituição.

Pode ser o caso da regra dos investimentos obrigatórios em determinadas áreas, que citamos acima, ou a proibição de tomada de empréstimos para despesas correntes, isto é, pagamento de funcionários e manutenção de serviços públicos.

Após a análise, o órgão emite um parecer com a aprovação ou reprovação das contas, que é enviado ao Congresso.

Responsabilização de servidores

Uma vez feitas as análises das contas, o Tribunal pode impor penas a funcionários que forem julgados culpados por mau uso do dinheiro público. No caso de chefes do Executivo, ou seja, presidente, governadores e prefeitos, o TCU pode apenas enviar seu parecer para os órgãos equivalentes do Legislativo, que tomarão a decisão final – como o impeachment, por exemplo, que veremos adiante.

Acompanhar licitações e privatizações

O Tribunal é responsável por analisar e fiscalizar licitações e privatizações feitos pela União, a fim de descobrir possíveis irregularidades e garantir o seguimento de todas as regras.

Fiscalizar os repasses da União a estados e municípios

É o TCU quem analisa as transferências de recursos do governo federal para os estados, municípios e ao Distrito Federal.

Atender a pedidos do Congresso sobre fiscalizações feitas

Tanto o Senado quanto a Câmara dos Deputados, ou qualquer uma de suas comissões, podem pedir informações a respeito de fiscalizações realizadas pelo Tribunal.

Averiguar denúncias sobre irregularidades

Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato pode apresentar ao TCU denúncias de irregularidades e ilegalidades no uso de recursos públicos. Essas denúncias precisam seguir algumas regras e formalidades para serem analisadas em sigilo e, caso acolhidas, apuradas pelo órgão.

Como é a organização do Tribunal de Contas da União?

O Tribunal é composto por nove ministros. O Congresso Nacional é responsável pela escolha de seis deles, o presidente da República indica um e os outros dois são escolhidos por membros do Ministério Público.

As decisões são tomadas de forma colegiada, ou seja, coletiva, em reuniões dos ministros. Eles fazem isso em reuniões no Plenário ou em uma das duas Câmaras nas quais eles se dividem.

Os outros integrantes do órgão se dividem em cargos como auditores e técnicos federais, que são escolhidos por meio de concurso público.

A atuação do TCU na prática

Ministro da Economia, Paulo Guedes, de pé em discurso no Tribunal de Contas da União.

Ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento no TCU sobre Administração Pública.

O trabalho do Tribunal de Contas da União é essencialmente burocrático e complexo. Por isso, para compreender melhor sua atuação, vamos lembrar dois casos que influenciaram a política brasileira.

Vamos começar pelo mais recente. Em outubro de 2018, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, por meio de post em seu perfil no Facebook, que excluiria a Folha de S. Paulo da licitação que escolheria os veículos de imprensa a serem assinados por órgãos do governo.

“Para a Folha de S.Paulo, a eleição [presidencial, de 2018] não acabou. Agora, se a gente ferir qualquer norma ética ou legal, a gente volta atrás. Sem problema”, afirmou o presidente na ocasião.

E foi isso mesmo que aconteceu. O subprocurador-geral do Ministério Público Lucas Furtado solicitou ao TCU que fosse adotada uma medida cautelar para impedir a exclusão do periódico paulista. Segundo Furtado, a decisão do chefe do Executivo ofenderia “princípios constitucionais da impessoalidade, isonomia, motivação e moralidade”.

Uma semana depois, Bolsonaro anunciou que voltaria atrás e permitiria à Folha participar da licitação.

O segundo caso remonta a outubro de 2015, quando o Tribunal de Contas da União reprovou, de forma unânime, as contas de 2014 da gestão de Dilma Rousseff. Segundo o parecer da decisão, o governo teria usado manobras contábeis para esconder um rombo de 106 bilhões de reais nas contas públicas.

A votação foi acompanhada por líderes de partidos da oposição e seu resultado foi usado como justificativa para o impeachment da presidente, acusada justamente de ferir regras orçamentárias classificadas como “crime de responsabilidade”.

Dois meses depois da decisão do TCU, Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, aceitou o pedido de destituição que seria aprovado pelo Senado no ano seguinte, tirando a petista do cargo.

Ficou com alguma dúvida sobre o que faz o TCU? Compartilha com a gente nos comentários!

Publicado em 03 de fevereiro de 2020.

Redator voluntário

Luiz Vendramin Andreassa 

Formado em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduado em Ciência Política pela FESP-SP. Sonha com um mundo em que o acesso ao conhecimento e ao conforto material deixem de ser privilégios para se tornarem algo acessível a todos.

 

 

REFERÊNCIAS

Exame: Bolsonaro revoga edital que excluiu Folha de licitação da Presidência

G1: TCU rejeita por unanimidade as contas de Dilma Rousseff de 2014

Jurisway: para que serve o Tribunal de Contas da União?

Política no Papel (YouTube): TCU, TCE,TCM -O que fazem os Tribunais de Contas e qual o papel deles no combate a corrupção?

Site oficial do TCU

Tribunal de Contas da União (YouTube): o TCU

 

 

O que é Monarquia

O que é uma monarquia?

O que é Monarquia

A rainha Elizabeth II ao lado do príncipe Phillip durante discurso no palácio de Westminster. Foto: Roger Harris-UK Parliament/Fotos Públicas.

Talvez você não saiba o que é a Monarquia, mas certamente já ouviu falar a respeito, direta ou indiretamente. Mas você já parou para se perguntar por que o Brasil tem Presidente e a Inglaterra Rainha? E o Primeiro Ministro, o que é que faz? O que difere o Estado Brasileiro do Inglês?

Todos esses questionamentos serão abordados neste conteúdo, que apresentará aspectos históricos e políticos da Monarquia, suas vantagens e defeitos para que você entenda como funciona esse sistema.

O que é a Monarquia?

A Monarquia é uma forma de governo onde o Rei (monarca) exerce um papel político, podendo ser mais ativo, governando o Estado, ou mais passivo, cerimonial, em que cumpre meras funções de representação.

Monarquia pela História

Estima-se que a Monarquia tenha surgido juntamente com a organização da própria sociedade, ou seja, com a aglomeração de pessoas e a formação das primeiras cidades. O poder daqueles que tinham mais recursos começou a se acumular, e para perpetuá-lo nas mãos concentradas de poucos, seus detentores começaram a passar para os filhos e descendentes. Esses grupos poderosos começaram a indicar líderes que por sua vez acabavam por administrar os recursos e o restante da sociedade.

Assim como a própria sociedade, a monarquia foi se aperfeiçoando e evoluindo de acordo com o passar do tempo para formas mais organizadas. As civilizações antigas de Israel, Roma, Egito e os Astecas experimentaram um modelo de monarquia com características que se aproximam da Monarquia Absoluta vivenciada na Idade Moderna nos países europeus. Porém, os Reis e Imperadores das civilizações antigas eram ainda mais poderosos, considerados portadores de ”divindade”, ou seja, suas atitudes e decisões eram inquestionáveis.

Monarquia Feudal

Surge então, após a Antiguidade, a Idade Média e com ela o Feudalismo, o que fez com que a monarquia sofresse com algumas alterações. Neste cenário o Rei já não detinha poder divino e dependia dos senhores feudais que tinham tanto ou até mais poder que o próprio monarca.

Isso porque os senhores feudais detinham a posse das terras, ou seja, comandavam os vassalos, cavaleiros e servos, deixando a monarquia totalmente vulnerável e submissa aos seus interesses. Durante este período, a monarquia juntamente com o clero e a nobreza ostentavam benefícios, porém, sem autoridade de fato, sendo esta exercida pelos senhores feudais.

Sem muito poder e com a enorme expansão da Igreja Católica – que já conquistava a autoridade suprema –  a coroa decidiu tornar-se mais poderosa e tomar absolutamente o poder. Assim, no momento de surgimento dos Estados Nacionais, com o apoio da Igreja, as primeiras Monarquias Absolutistas nascem, fortes e poderosas assim como seus monarcas.

Monarquia Absolutista

O que é Monarquia

Rei Luís XIV da França.

Com o fortalecimento dos Estados Nacionais na Europa, as monarquias se tornaram fortes e impiedosas, grandes reis e rainhas surgiram e reinaram superando inclusive o poder da Igreja. Afinal, nesse regime o Rei representava todo o poder político, econômico e social.

Em toda a existência da monarquia absolutista, os reis exerceram sobre o seus reinos poder absoluto – sendo chefes de seus exércitos e líderes da nobreza. Entretanto, conforme a burguesia crescia o desejo pelo poder político além do econômico também começava a crescer. Assim, é possível observar as consequências do autoritarismo presente no absolutismo monárquico: a Revolução Francesa que simbolizou o fim do absolutismo monárquico na França.

Uma após a outra, as monarquias foram caindo e dando espaço para as Repúblicas – o que simbolizava na época uma democratização do poder – apoiadas pela Burguesia, que finalmente viu a chance de conquistar o poder que lhes era negado pela realeza, nobreza e clero.

Durante este período de revoluções burguesas, alguns países que chegaram a experimentar o regime republicano, acabaram retornando a Monarquia, já em sistema constitucional, com o poder do monarca extremamente reduzido como é no caso da Inglaterra e Espanha. Entretanto, a grande maioria dos países do globo decidiram por abolir de vez o regime monárquico, como Portugal, Itália, Alemanha e o Brasil.

Monarquia Parlamentarista

A tirania, o autoritarismo, a violações aos direitos das pessoas, crueldade e egoísmo dos monarcas, muito presente na Idade Moderna degradou a sociedade de inúmeras formas. A única preocupação do Estado era manutenção e o ostento da coroa, tornando assim insustentável o absolutismo e gerando revolta no povo. Ideias foram surgindo, entre elas o parlamentarismo, que pregava a eleição de representantes para governar o Estado e defender assim os interessas da sociedade, garantindo melhores condições de vida para os indivíduos.

Como já mencionado a pressão popular e burguesa para o fim do autoritarismo fez com que aqueles países que não se tornaram República alterassem o regime de seus reinos de absolutos para constitucionais parlamentaristas.

Mas o que é o Parlamento? A diretriz e principal órgão do parlamentarismo é uma Assembleia, ou seja, conjunto de cidadãos que são eleitos para atuarem e representarem politicamente os seus eleitores e o seu Estado. Tal Assembleia exerce o Poder Legislativo e acumula funções como a criação, alteração e revogação de leis, assim como de fiscalizar o Poder Executivo. Os parlamentares serão eleitos para um mandato o qual cumprirão até que seja convocada novas eleições.

A depender do Estado o Parlamento pode assumir diferentes nomes, entre eles Assembleia, Congresso e Dieta, mas todos representam o poder Legislativo. Pode se organizar de diferentes formas, com uma casa (câmara), duas, três ou quatro – embora atualmente só existam Parlamentos uni e bicamerais, ou seja, que são compostos por uma única Assembleia ou por duas.

Hoje encontramos ao redor do globo grandes Estados Monárquicos Parlamentares (pois é o parlamento que nomeia o chefe do Executivo) e Constitucionais (pois os poderes do monarca estão fixados em Constituição) onde a soberania popular é respeitada. Nesses sistemas a Chefia de Estado e Governo se separam e são exercidas por diferentes cargos.

Um importante marco que simboliza a limitação do poder do monarca é a Carta Magna de 1215, resultado de um conflito entre o Rei João da Inglaterra e o Papa Inocêncio III. Após a morte de seu irmão, João assumiu o trono, mas não era querido pela nobreza. Assim, elaborada pelos barões ingleses insatisfeitos com o reinado de João, a Carta estabelecia a subordinação do rei a lei, a liberdade da Igreja Católica e reformava aspectos legais, políticos e judiciais da época, visando restringir os poderes do monarca.

Os barões por fim conseguiram com que João reconhece-se a carta. Dos mais relevantes dispositivos lá firmados destacam-se:  o artigo 39 que garantia que a liberdade do homem não poderia ser cerceada se não diante de julgamento pelos seus pares e o artigo 40 que estabelecia ‘‘a ninguém venderemos, a ninguém recusaremos ou atrasaremos, direito ou justiça.”

Quem é que governa na monarquia? 

Na hipótese da Monarquia Absolutista, além da Chefia de Estado (representação do país perante a comunidade internacional) o monarca também exerce a Chefia de Governo, que é o governar propriamente dito, administrando o poder Executivo. São adeptos desse sistema: Catar, Brunei, Arábia Saudita, Suazilândia, Emirados Árabes Unidos, Omã e o Vaticano, sendo que na maioria desses casos os monarcas nem mesmo se submetem as instituições e leis do próprio Estado.

Já na Monarquia Constitucional Parlamentarista, o rei ou imperador tem seu poder restringido e será somente Chefe de Estado – ou seja, o Rei reina, mas não governa –– cabendo normalmente ao Primeiro Ministro a Chefia de Governo. Sendo assim, quem governará e administrará o país será o Primeiro Ministro, escolhido dentre os representantes do Legislativo. São exemplos de Monarquias Parlamentaristas:  Reino Unido, Noruega, Japão, a Dinamarca entre outros.

Em ambas as hipóteses o poder é hereditário (passado de pai para filho) após a morte ou abdicação, mantendo-se a família real ou imperial na linha de sucessão.

Uma exceção a hereditariedade presente nas Monarquias convencionais são as Monarquias Eletivas que se organizam de forma diferenciada. Nesse caso o monarca é eleito para servir como Chefe de Estado e/ou Governo, e após a morte ou abdicação é realizada outra eleição e nomeado um novo monarca, tal como no caso do Papa.

Mas quem é o Primeiro Ministro? 

Após tantas informações a respeito da Monarquia, é natural que tenha surgido alguns questionamentos, como por exemplo: quem é o Primeiro-Ministro?

O Primeiro-Ministro é aquele que atua como governante nas Monarquias Constitucionais, ou seja, o Primeiro Ministro é o Chefe de Governo. Na maioria dos casos, ele é o líder da coligação de partidos políticos, ou líder do partido mais forte dentro do parlamento, a variar de acordo com cada país.

Como o Primeiro Ministro é fruto do Legislativo, o Parlamento acaba por exercer grande influência no governo de Monarquias parlamentaristas. De acordo com alguns críticos, essa proximidade é tamanha que fica difícil identificar a separação entre Executivo e Legislativo – o que ofenderia a separação de poderes. Já para os  apoiadores é justamente essa intimidade que propicia a estabilidade e fomenta o poder que a monarquia garante.

Como foi a monarquia no Brasil?

O que é Monarquia

Dom Pedro I.

Em 1822 a independência do Brasil é conquistada e surge o Império do Brasil que, até o golpe da Proclamação da República, foi um Estado Monárquico Constitucional e durante o Segundo Reinado assume características parlamentaristas. Tivemos como monarcas Dom Pedro I e Dom Pedro II, também na Chefia do Império houveram regentes que chefiaram o Estado durante o crescimento de Dom Pedro II.

Vale ressaltar que naquela época o Brasil era uma monarquia constitucional, mas o imperador ainda tinha diversos direitos e  poderes reservados. Na Carta Magna de 1824 – que vigorou durante todo o império – era previsto o poder Moderador, isso significa que, no Brasil durante o Império, além da tripartição de poderes proposta por Montesquieu (Executivo, Legislativo e Judiciário) tínhamos além disso um quarto, o Poder Moderador, que tinha como função promover e manter harmonia entre os demais poderes.

Além dessas atribuições competia ao Imperador a chefia do Poder Executivo, sendo assim o monarca acumulava em suas mãos os poderes de duas esferas, sendo chefe do Executivo e do Moderador simultaneamente.

O Imperador do Brasil tinha entre seus poderes: dissolver a câmara de deputados se necessário fosse para salvar o país, nomear e demitir Ministros de Estado, nomear e demitir magistrados, nomear embaixadores, nomear os senadores entre os pré eleitos, entre outras providências de responsabilidade exclusiva do monarca.

Entretanto, o Estado brasileiro ainda era democrático, pois a Assembleia Geral (congresso) tinha seus poderes reservados na Constituição. Cabia ao Legislativo a criação, interpretação e revogação das leis, a definição do tamanho das Forças Armadas, além de todo cuidado orçamentário do Estado. A Assembleia também deveria ser consultada para matéria de guerra, conflitos e condução das relações internacionais, portanto, o Imperador não possuía plena autonomia política.

Já durante o Segundo Reinado (1840-1889) houve uma fortificação do poder Legislativo, já que em 1847 o Presidente do Conselho de Ministros (Primeiro Ministro) assumiu maiores responsabilidades e poderes, assemelhando-se assim a um parlamentarismo, embora ainda hierarquicamente subordinado ao Imperador.

Quais as diferenças entre a República e a Monarquia?

Por fim, vamos comparar a República e a Monarquia presente em tais países como Inglaterra, Noruega e Japão. Já que ambas as formas de governo existem nos dias de hoje.

Chefia de Estado

Na monarquia será representada pelo Rei que poderá acumular algumas funções estabelecidas pela lei, porém, sem interferir diretamente no governo. Já na República será exercida pelo Presidente.

Chefia de Governo

Na monarquia será exercida pelo Primeiro Ministro, escolhido dentre os parlamentares. Já na República poderá acontecer de três formas: a primeira delas é nas Repúblicas presidencialistas como no Brasil, nesse caso a Chefia de Governo será exercida pelo Presidente que será simultaneamente Chefe de Estado e Governo; a segunda é a República semi-presidencialista, como no caso da França, nesse caso serão juntos chefe de governo o Presidente e o Primeiro Ministro; e na terceira, sendo a República parlamentarista o Primeiro Ministro será o Chefe do Executivo e o Presidente apenas Chefe de Estado, como no caso da Alemanha.

Nobreza

Na monarquia existe a realeza é composta pelo monarca e sua família, assim como existe uma nobreza que possuem títulos como Duque, Marquês, Conde, Barão entre outros. Normalmente são descendentes de famílias poderosas. Porém, hoje, na maioria dos casos, os títulos não conferem mais poder algum, ou seja, são apenas para ”status”. Na República não existe realeza, tampouco nobreza.

Por que alguns países mantem a monarquia como sistema de governo?

Nos Estados em que a monarquia ainda sobrevive, a preferência por manter o Reino ao invés da República deriva da ideia de estabilidade propiciado por esse sistema, gera no seu povo identidade nacional e propicia que o governo trabalhe de forma mais rápida e prática tendo em vista a proximidade entre o governo e o parlamento.

Em oposição, os republicanos argumentam que a República representa aquilo que a contemporaneidade exige: liberdade e igualdade. Nesse sentido, todos deveriam possuir as mesmas oportunidades para ocupar todos os âmbitos da política, não sendo guardada a Chefia de Estado somente a uma pessoa e seus descendentes.

Conseguir entender como funciona uma monarquia?

banner

Publicado em 08 de janeiro de 2020.

redator voluntário

Leonardo Theodoro

Graduando em Direito pelo Centro Universitário Toledo (UniToledo) e voluntário na Associação Internacional de Lions Clube. Acredito que o remédio para todas as enfermidades de uma sociedade se encontra no conhecimento, difundido e compartilhado.

 

 

REFERÊNCIAS

Constituição do Império

JusBrasil: monarquia parlamentarista

Brasil escolha: O que é monarquia

Brasil Escola: o que é república

Politize!: diferenças da monarquia e república

Tribunal Constituicional

quiz da justiça eleitoral nas eleições

Quiz: Justiça Eleitoral e sua influência nas eleições

Qual é o papel da legislação eleitoral no futuro da nação? Teste seus conhecimentos neste quiz da Justiça Eleitoral!

PL 28: a regulamentação dos aplicativos de transporte

O PL 28, também conhecido como o projeto de lei que visava a regulamentar os aplicativos de transporte, sofreu mudanças por conta de protestos de motoristas do uber, 99, cabify. Veja mais!

ideia legislativa

A Ideia Legislativa como ferramenta de participação política

Quer sugerir um projeto de lei ao Congresso Nacional? Que tal às Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais? Em todos estes casos, a Ideia Legislativa é a ferramenta certa. Saiba mais sobre ela!

quiz camara e senado

Quiz: Câmara vs. Senado

O nosso sistema legislativo tem duas Casas Legislativas: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Você sabe o que faz cada uma? Teste seus conhecimentos!

tres-niveis-de-governo

Três níveis de governo: o que faz o federal, o estadual e o municipal?

Entenda as principais responsabilidade dos níveis de governo, suas formas de financiamento e as diferenças entre federal, estadual e municipal. Boa leitura!

quiz separação dos três poderes

Quiz: a separação dos três poderes

O governo brasileiro funciona em um sistema tripartite, ou seja, com a separação dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas afinal, você sabe como funciona essa separação? Teste seus conhecimentos neste quiz.