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4 pontos para entender o comunismo

Bandeira do Partido Comunista do Vietnã. Foto: Beto Conte

Comunismo

Este é o sétimo texto de uma trilha sobre correntes de pensamento político. Veja os demais textos desta trilha: 1 – 23 – 4 5 6 8

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O comunismo é uma ideologia política e socioeconômica que pretende estabelecer uma sociedade igualitária, através da abolição da propriedade privada, das classes sociais e do próprio Estado. Embora a ideia de igualdade baseada no fim das classes tenha sido defendida por filósofos desde a antiguidade, o comunismo está associado sobretudo à teoria dos pensadores Friedrich Engels e Karl Marx. Entenda como surgiu o comunismo e quais são as principais ideias defendidas pelos adeptos a essa ideologia.

Os ideais de igualdade na antiguidade e na era medieval

Embora Marx e Engels sejam apontados como os precursores do comunismo, os ideais de uma sociedade igualitária podem ser encontrados desde o período da antiguidade clássica. Em uma de suas obras mais importantes, intitulada A República, Platão formula um modelo de sociedade ideal, baseada na extinção da propriedade privada e da família. Segundo o filósofo, o fim da propriedade privada causaria o fim do conflito entre o Estado e o cidadão em particular, e a abolição da família teria como resultado uma maior devoção do indivíduo ao bem público.

Na sociedade idealizada por Platão, não existiriam vínculos matrimoniais e os filhos gerados pelos cidadãos, além de desconhecerem os seus pais, ficariam sob o cuidado permanente do Estado, que garantiria seu sustento e educação.

Com o passar do tempo, esses mesmos ideais foram constantemente reformulados. Entre os séculos XII e XV, grupos dissidentes da Igreja Católica pregavam o repúdio à propriedade privada e aos bens materiais em geral, a convivência humana em padrões de uma vida simples e a necessidade de uma vida comunitária, onde todos deveriam trabalhar e conviver em igualdade. Destacaram-se nessa corrente o abade Joaquim de Fiore, o franciscano frei Dolcino e o protestante Thomas Munzer.

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O comunismo na idade contemporânea

No século XIX, a Revolução Industrial transformou o contexto econômico e social dos países europeus. Ao mesmo tempo em que ocorria um pleno desenvolvimento do novo sistema capitalista, boa parte da população vivia em condições de miséria e exploração. Buscando uma solução para os diversos problemas que atingiam as sociedades na Europa, intelectuais da época passaram a propor sistemas políticos e econômicos que fossem uma alternativa ao sistema capitalista. Uma dessas proposições foi o comunismo, que está no cerne da teoria marxista.

Situado dentro do socialismo científico, o marxismo é uma corrente de pensamento criada por Karl Marx e Friedrich Engels. Para eles, em todas as épocas da história a sociedade foi marcada por uma luta de classes, sendo essa relação caracterizada pelo antagonismo entre uma classe opressora e uma oprimida. Na sociedade capitalista, essas classes são representadas respectivamente pela burguesia, que detém os meios de produção e por consequência boa parte da riqueza gerada, e o proletariado, que nada possui além da própria mão de obra, vendida como mercadoria ao proprietário do capital.

De acordo com a teoria marxista, os trabalhadores são tidos como uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial, submetidos à concorrência e às oscilações do mercado. Nas fábricas, são amontoados e vigiados, tratados como servos da classe burguesa, do Estado burguês e do proprietário da fábrica, que possui como único objetivo o lucro.

O socialismo marxista propõe a abolição da propriedade privada, a socialização dos meios de produção, o fim da divisão de classes e a abolição do trabalho. Para Marx e Engels, quando a classe proletária fosse capaz de tomar consciência da sua situação e buscar uma organização de luta, assumindo o poder e administrando o sistema de forma justa e em prol de todos, as classes sociais seriam abolidas e com ela chegaria ao fim também o Estado. A partir desse momento, a sociedade estaria preparada para o sistema comunista.

Veja também: o que é socialismo?

Qual a diferença entre socialismo e comunismo?

Partido Comunista Chileno. Foto: Coletivo Bandeira Vermelha

Comunismo

Embora o socialismo e o comunismo sejam frequentemente tratados como sinônimos, existem algumas diferenças entre eles. Na teoria marxista, o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo.

No sistema socialista, o Estado e o governo se mantêm no controle da vida social. Contudo, diferente do capitalismo, o Estado seria conduzido pelos trabalhadores e a produção e distribuição de bens controlados nas mãos do governo, que organizaria um sistema de igualdade e cooperação.

O comunismo, por sua vez, trata-se de um estágio posterior ao socialismo, quando já havendo igualdade absoluta entre os cidadãos, o Estado poderia ser abolido, eliminando as formas de opressão social, e a sociedade encontraria formas de se auto regulamentar. Assim, os trabalhadores se tornariam proprietários do seu trabalho e dos bens de produção.

Qual a diferença entre comunismo e anarquismo?

Já entendemos que a sociedade sem classes, a abolição do Estado e o fim da propriedade privada são importantes objetivos dos adeptos ao comunismo. Mas esses princípios podem ser vistos também em uma outra corrente de pensamento: o anarquismo. Por apresentarem propostas semelhantes do que seria uma sociedade ideal, pode ser um pouco difícil distinguir as duas correntes ideológicas. Vejamos a principal diferença.

O anarquismo é uma filosofia política que busca a eliminação total de todas as formas de coerção. Seus adeptos são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja socialmente aceita e defendem uma organização baseada na livre associação.

A principal diferença entre o comunismo e o anarquismo está no processo por onde se atingirá a sociedade ideal. No anarquismo, isso ocorreria de forma abrupta, em uma passagem direta do capitalismo para o novo sistema. Alguns autores, como o russo Mikhail Bakunin, defendem que essa mudança através de uma revolução violenta. Para Pierre-Joseph Proudhon, a passagem deveria ser pacífica, baseada na fraternidade e na cooperação entre os homens.

Já no comunismo, a sociedade ideal seria alcançada através de um processo de transição formado por três etapas: primeiro a superação do capitalismo através da revolução, decorrente da tomada de poder pelo proletariado; em seguida, o socialismo seria estabelecido; e por fim se chegaria ao comunismo. O comunismo só pode existir após o estabelecimento do sistema socialista.

Continue aprendendo: tudo sobre o Anarquismo!

A sociedade idealizada por Marx e Engels nunca chegou a ser implementada em nenhum país. Embora o sistema socialista tenha sido adotado por algumas nações, até então nenhuma delas conseguiu atingir a etapa final, que é o comunismo. Muito se discute se esse modelo seria possível ou apenas uma idealização. E você, acha que o comunismo pode ser implementado? Comente!

Referências:
MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Martin Claret; 2014.

Publicado em 26 de janeiro de 2017.

Isabela Souza

Estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e assessora de conteúdo do Politize!.