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Energia renovável: por que esse debate é importante?

Foto: Pixabay.

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Você provavelmente já ouviu falar de energia solar e eólica, sobre como o preço da gasolina aumenta ou diminui por conta das variações nos estoques de petróleo. Você também deve saber sobre a crise hídrica e energética de 2015 no Brasil, devido à falta de água das represas e hidrelétricas. Mas o que tudo isso tem em comum?

Tudo isso que citamos tem relação com as fontes de energia que usamos em casa ou nas indústrias. As fontes de energia podem ter origens e consequências diferentes para o planeta. As fontes de energia renovável têm recebido especial atenção nos últimos tempos. Quais são essas fontes e o que elas têm a ver com a política e economia dos países? Vamos esclarecer esses pontos e a relação delas com o futuro do planeta.

Fontes de energia: tipos e consequências

As fontes de energia podem ser de dois tipos: (a) convencionais (também chamadas de fósseis) e (b) renováveis. As convencionais são fontes esgotáveis, pois suas reservas são formadas muito lentamente em comparação com o seu ritmo de consumo, como petróleo, carvão, gás natural e urânio. Já as fontes de energia renovável – ou limpas – são inesgotáveis, pois se renovam constantemente na natureza, sem um limite. É o caso da energia solar, eólica, de biomassa, de maré, entre outras.

Hoje, a matriz energética mundial ainda se baseia, principalmente, nas fontes convencionais (dados de 2013), como mostra o gráfico abaixo (dados em toneladas):

Fonte: BP Energy Statistical Review 2014.

Percebemos que houve um aumento do uso de fontes de energia renovável ao longo do período 2000-2013, mas o mesmo aconteceu com as fontes tradicionais, o que se deve ao aumento da demanda por energia no mundo todo.

O que as fontes de energia têm a ver com a política e o futuro global?

Ok, você pode estar se perguntando: e qual a importância disso para a política, seja no Brasil ou no mundo? Além de finitas, as fontes convencionais de energia trazem muitos outros problemas para a sociedade, principalmente ambientais. E isso demandará da humanidade a tomada de decisões muito difíceis no médio e longo prazos, que afetarão a todos.

Ainda usando o gráfico acima como base, como consequência do aumento de uso de combustíveis fósseis, as emissões de gases de efeito estufa para geração de energia cresceram 38% entre 2000 e 2013, chegando a 35 GtCO2 (gigatoneladas) ou 65% das emissões globais totais (envolvendo outras atividades poluidoras). A partir de 2011, o crescimento das emissões começou a desacelerar, mas ainda crescem 2% ao ano.

Essas emissões, quando acumuladas, geram uma camada na atmosfera, parecida com uma nuvem de gases que impede que os raios solares saiam da superfície terrestre, como seria o caminho natural deles.

Os raios solares atingem a Terra atravessando a camada de ozônio e chegando até nós. Parte deles é refletida e retorna para fora da Terra e outra parte se mantém aqui dentro, aquecendo o planeta e permitindo a vida como nós a conhecemos. O problema é quando há um bloqueio nesse processo natural e a parte que deveria sair fica armazenada aqui dentro por conta do excesso de gases e poluentes presentes na atmosfera. O excesso de calor armazenado na Terra gera o efeito estufa, fenômeno que aumenta as temperaturas de um modo geral e causa desequilíbrios em eventos naturais. É um dos principais fatores relacionados ao aquecimento global.

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De um modo contínuo, esse processo anormal pode gerar consequências graves e definitivas para o mundo, como extinção de espécies animais e vegetais, mudança na frequência e intensidade de chuvas (que afeta diretamente a agricultura e disponibilidade de alimentos), elevação do nível do mar, intensificação de desastres meteorológicos (tempestades, inundações, vendavais, ondas de calor, secas prolongadas), proliferação de doenças, epidemias e espécies invasoras, desequilíbrios nas cadeias alimentares naturais, migração em massa de populações litorâneas, entre outros. Além, é claro, da poluição do ar, que gera problemas de saúde em médio e longo prazo e ainda por cima deixa as cidades muito mais cinzas.

Também é importante saber que, enquanto a temperatura média global subiu 5°C em 10 mil anos (desde o fim da última glaciação até 10 mil anos atrás), é possível essa temperatura aumente outros 5°C em apenas 200 anos, caso o ritmo do aquecimento global se mantenha. Os dados são do IPCC (Painel Internacional de Mudanças Climáticas) após análise de cenários de emissões de gases de efeito estufa para os próximos 100 anos.

Para mudar esse cenário, as principais potências mundiais poluidoras precisam tomar medidas efetivas em direção a energias mais limpas. O gráfico abaixo mostra os maiores emissores de CO2 para o ano de 2011.

Fonte: Boden, T.A., Marland, G., Andres, R.J. (2015). National CO2 Emissions from Fossil-Fuel Burning, Cement Manufacture, and Gas Flaring: 1751-2011, Carbon Dioxide Information Analysis Center, Oak Ridge National Laboratory, U.S. Department of Energy.

A China, o maior emissor de poluentes (28%), se mostrou determinada em mudar sua realidade. O país se comprometeu a investir R$360 bilhões em fontes de energia renovável até 2020, e a utilizar fontes como energia eólica e solar em metade da sua nova matriz energética, segundo a agência de energia chinesa. Atualmente, o carvão é a principal fonte de energia, contribuindo para as altas taxas de poluição que ocorrem em todo o país.

Já os Estados Unidos representam hoje uma incógnita para o mundo, com a chegada do novo presidente, Donald Trump. No início de 2017, o presidente anunciou o deputado Ryan Zinke como secretário do interior, responsável pelo manejo de parques importantes, como Yellowstone. Zinke é defensor do fim do bloqueio à extração de carvão em terras do governo americano até 2019, o que havia sido imposto por Barack Obama na gestão anterior. Além disso, Trump também nomeou para a Agência de Proteção Ambiental Scott Pruitt, que é conhecido por defender legalmente várias empresas que utilizam combustíveis fósseis acusadas de poluição e por questionar o real impacto do aquecimento global.

Mundialmente, já foram firmados alguns acordos ambientais para tentar frear a emissão de gases do efeito estufa (GEE). O mais famoso foi o Protocolo de Kyoto, firmado em 1997 e colocado em prática efetiva em 2005. Mesmo responsável por um grande volume de emissões, os Estados não assinaram o acordo, que tinha como objetivo a redução em 5,2% das emissões de gases estufa entre 2008 e 2012. Porém, essa diminuição não foi alcançada; pelo contrário, as emissões aumentaram 16,2% nesse período. Mas estudiosos apontaram alguns pontos importantes sobre o acordo, como a maior conscientização da população e o uso de energias renováveis. Ele ainda segue em vigor até 2020, quando a meta de redução passou para 18% abaixo dos níveis de 1990 (MMA).

O acordo climático global mais recente foi o acordo de Paris (COP-21), aprovado pelos 195 países participantes da UNFCC (Conferência das Nações Unidas pelas Mudanças Climáticas) e assinado inclusive por Estados Unidos e China. O acordo diminui os GEE e pretende restringir o aumento da temperatura média global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, além de garantir que países ricos invistam um total de U$100 bilhões por ano para alcançar seus objetivos. Foi a primeira vez que um acordo gerou um consenso global de que é preciso desacelerar as emissões e posteriormente, diminui-las.

Energia renovável no Brasil

Mas e o Brasil? Você pode se surpreender, mas nesse quesito nos destacamos muito positivamente em relação ao resto do mundo! O setor de energia renovável foi um dos poucos que cresceu mesmo com a atual crise econômica. Em 2015, nossas fontes renováveis tiveram participação de 41,2% na matriz energética brasileira, quase três vezes mais do que a média global, de 13,8%. Também nos destacamos especificamente na participação de fontes renováveis na matriz de geração elétrica, com 74% do total em 2015, enquanto no mundo, essa porcentagem foi de 23,8%.

O governo federal, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), investiu mais de R$ 155 bilhões em financiamentos para 769 iniciativas de energias renováveis entre 2003 a 2015. Somente na energia eólica, foram mais de R$ 18 bilhões em financiamento, que passou de 2% para 3,5% de participação na geração total de energia, no período de 2014 a 2015.

Dentro dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil é o maior produtor de energia renovável para o ano de 2013, como mostra o relatório dos BRICS, com 79% de participação na geração total de energia, seguido pela China, com 20%.

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Gráfico comparando a porcentagem das fontes renováveis na geração de energia elétrica entre os países que fazem parte dos BRICS, no ano de 2013.

No Acordo de Paris, o Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de gases em 37% abaixo dos níveis de 2005, até 2025, e reduzir as emissões de gases em 43% abaixo dos níveis de 2005, até 2030. Para tanto, precisa aumentar a produção de bioenergia sustentável na matriz energética em 18% até 2030, reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, e alcançar 45% de energias renováveis na matriz energética em 2030 (de acordo com o Ministério do Meio Ambiente).

Ainda há um longo caminho pela frente, mas mantendo-se o compromisso global firmado e aumentando os investimentos em energia renovável, é possível ver um futuro menos poluído.

Conseguiu entender por que energia renovável é um tema cada vez mais importante para a política brasileira e mundial? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários! 

Publicado em 18 de abril de 2017. Última atualização em 05 de maio de 2017.
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Adriana Cravo

Bióloga recém-formada, mas que ainda não largou a academia. Faz mestrado profissional em Conservação de Fauna pela UFSCar. Redatora voluntária do Politize!. Está tentando fazer algo que tenha sentido pra Adriana de 25 anos, e pra de 70 também.