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Tudo sobre o Estado Islâmico

Foto: Wikimedia Commons

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Se preferir, ouça nosso episódio de podcast sobre esse assunto!

Listen to “#027 – Estado Islâmico” on Spreaker.

Este é o quinto texto de uma trilha de conteúdos sobre grupos terroristas. Confira os demais posts da trilha: 1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 6 – 78 – 9 – 10 – 11

Ao terminar de ler este conteúdo, você terá concluído 46% desta trilha

O Estado Islâmico é um grupo terrorista e extremista que age em torno da religião islâmica. Surgiu de outra célula terrorista, pois se intitulava “Al Qaeda no Iraque” – e estava presente lutando contra as tropas estadunidenses que invadiram o país em 2003. Depois desse grupo quase se dissolver, ele renasceu em 2006 com o nome de Estado Islâmico.

É considerada a organização terrorista mais poderosa e perigosa no mundo hoje. Seu surgimento se relaciona diretamente à “Guerra ao Terror”, política externa do governo do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush. Tal política foi uma resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001 cometidos pela organização terrorista Al Qaeda. Nesse contexto, quando os EUA invadiram o Iraque, vários movimentos se organizaram em entidades terroristas, que queriam combater as invasões – e o Estado Islâmico foi uma delas.

Em 2010, com o novo líder Abu Bakr al-Baghdadi, o grupo passou a ser reconhecido como “Estado Islâmico do Iraque e da Síria” (Islamic State of Irak and Syria – ISIS). Entre 2011 e 2013, devido aos conflitos na Síria no pós-primavera árabe, o ISIS  ganhou força, conforme foi aumentando o número de rebeldes lutando contra o regime.

Em 2014, o E.I. estava tão forte que dominou algumas áreas na Síria e no Iraque, as quais chamou de califados – o termo se refere aos antigos impérios islâmicos depois de Maomé, que seguiam rigorosamente as leis islâmicas. Esse é o principal objetivo do E.I.: tomar territórios para chamar de seu, criar esse Estado que tem como princípio as leis islâmicas e destruir tudo o que remeter ao Ocidente – em termos políticos, culturais, religiosos e históricos.

COMO AGEM E COMO SE FINANCIAM?

O Estado Islâmico toma posse de bases militares, bancos, campos de petróleo, em todas as áreas que conquista, a fim de dominar tudo o que existe no território. Dessa forma, também exerce controle sobre a população que reside ali, uma vez que agem como um verdadeiro Estado, com o líder (o califa), governo próprio, com ministérios, cortes islâmicas, segurança. Cobram impostos e taxas da população, também, além de vender petróleo ilegalmente.

O E.I. é conhecido por querer destruir a história – monumentos, estátuas, templos históricos -, mas também pela truculência com que age com civis, realizando sequestros e extorsões. A venda ilegal de petróleo, os sequestros e as extorsões garantem ao E.I. uma renda diária estimada em 2 milhões de dólares.

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ATENTADOS E ATAQUES DO ESTADO ISLÂMICO

O Estado Islâmico é conhecido por suas estratégias de mortes coletivas. Ou seja, a organização promove execuções, decapitações, enforcamentos e amputações em massa e divulga os vídeos na internet. Eles fazem isso com os grupos que consideram infiéis – as minorias étnicas e religiosas, além de ocidentais – e os apóstatas – muçulmanos que teriam renegado a religião.

Os últimos ataques mais reverberados na mídia, em escala mundial, tiveram a autoria assumida pelo Estado Islâmico. Essas ações, que tomaram lugar na Europa, nos Estados Unidos, além de outros países na Ásia e na África, mostram o poder de capilarização que a organização tem no mundo.

Os atentados foram:

  • O ataque no Bataclan, uma casa de shows em Paris, num bairro com vários restaurantes, cafés e boates do tipo, em 13 de novembro de 2015. Foram 130 pessoas mortas e 352 feridas, com tiros ou explosões – que não se limitaram ao Bataclan, e atingiram pessoas em outros locais da região. Especula-se que a ação foi uma retaliação aos ataques da França e dos EUA na região dominada pelo E.I. na Síria e no Iraque. Depois dos ataques na França, discutiu-se sobre a questão da segurança na União Europeia e, também, sobre as várias pessoas recrutadas pelo Estado Islâmico no continente. Alguns dos autores eram da Bélgica, mas haviam viajado diversas vezes à Síria naquele ano.

  • A bomba que atingiu e derrubou o avião russo da companhia Metrojet no Egito, em 31 de outubro de 2015. Estavam a bordo e morreram 224 pessoas.

  • Um ataque de homens-bomba matou 44 pessoas em Beirute, no Líbano.

  • Nos EUA, um casal que se disse integrante do Estado Islâmico atirou contra uma residência de apoio e tratamento a pessoas com deficiência. Deixaram 14 pessoas mortas.

PODER DE RECRUTAMENTO

A organização ganhou força em 2011, quando a guerra civil na Síria, contra o ditador Bashar Al-Assad começou a se intensificar. Assim, desenvolveu um enorme poder de mobilização e uma capacidade operacional muito eficiente, com alto treinamento e muitos aparatos militares.

Não existem números exatos sobre a quantidade de pessoas que são parte da organização Estado Islâmico. Estima-se que são cerca de 35 mil pessoas, mas outras avaliações colocam números próximos a 100 mil. A organização utiliza desde vídeos no YouTube a posts nas redes sociais ou revistas online, em que profere discurso religioso que instiga o ódio para convidar pessoas a se juntar a eles.

As formas de recrutamento do E.I. são extremamente eficazes em diversas partes do mundo. Na Europa, por exemplo, existem muçulmanos decepcionados com a xenofobia que sofrem e com a falta de oportunidades e que, por isso, aceitam fazer parte do E.I. Já em lugares como a Síria, onde a guerra civil contra o ditador é extremamente violenta, alguns rebeldes se juntam ao grupo a fim de ganhar mais força na luta contra o governo.

Publicado em 07 de outubro de 2016.

Carla Mereles

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), colunista do Uma Boa Dose e assessora de conteúdo do Politize!.