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O que é inflação e para que servem as metas de inflação

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

tripé macroeconômico

Grande parte das pessoas pensa, de maneira equivocada, que a inflação é apenas o aumento dos preços dos produtos e serviços de uma economia. Na verdade, o aumento de preços pode ser uma das consequências da inflação, mas não a única e não está necessariamente vinculado com ela.

O aumento de preços, de maneira isolada, pode ser decorrência de uma série de fatores, entre eles um problema específico do setor/ produto em questão. Por exemplo quando a safra de um produto agrícola é prejudicada por seca, alguma praga, ou até mesmo excesso de chuvas, afetando assim a quantidade do produto ofertado no mercado e consequentemente afetando seu preço.

O aumento pode ser também decorrente do excesso de procura ao bem ou serviço, fazendo com que a oferta fique sobrecarregada e então seu preço suba. Por exemplo: quando o tempo está muito quente, aumenta o consumo de gelo; sem aumento da sua produção, o preço aumenta. Numa economia de mercado, como é classificada nossa economia hoje, os preços estão em constante mudança devido às leis de oferta e demanda, por isso não podemos utilizar apenas aumento ou diminuição de preços para medir os índices de inflação.

A inflação, na verdade, tem mais relação com a quantidade de dinheiro que está circulando em uma economia, com o aumento anormal e descontrolado do acesso ao crédito ou crescimento desordenado dos meios de pagamento.

Afinal, o que é inflação?

Existem diversos tipos de inflação, mas de maneira bem resumida é quando há muito dinheiro circulando na economia e seu valor começa a se deteriorar, fazendo com que a mesma quantidade de dinheiro compre cada vez menos mercadorias. A inflação também agrava alguns problemas sociais, como a distribuição de renda, uma vez que os trabalhadores em geral não têm seu salário aumentado na mesma velocidade que o aumento dos preços, fazendo com que seu poder de compra diminua.

Outra consequência negativa é a deterioração dos preços das exportações brasileiras, visto que as nossas mercadorias ficam mais caras que as de outros países. Existem também alguns contratos, de aluguel por exemplo, que são reajustados de acordo com os índices de inflação, ficando mais caros à medida que a inflação sobe. A população, seu poder de compra e consequentemente seu bem-estar são diretamente afetados quando os índices de inflação estão muito altos ou estão crescendo demais. Por isso, é muito importante para a saúde econômica do país que o governo controle a inflação para que isso não resulte em uma crise econômica.

Mas por que há o aumento do dinheiro na economia?

Isso pode acontecer basicamente de duas formas: o governo (representado pelo Banco Central) pode emitir mais papel moeda para cumprir suas obrigações financeiras, ou facilitar o acesso ao crédito e financiamentos para a população em geral e empresas através de empréstimos nos bancos comerciais e instituições financeiras, que possuem permissão para multiplicar a base monetária que circula na economia. Os bancos, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo governo, conseguem “criar dinheiro” de maneira virtual, fazendo com que mais dinheiro circule. Quando mais dinheiro circulando, mais ele perde seu poder de compra, sendo necessário cada vez mais dinheiro para comprar o mesmo bem ou serviço.

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O que é o regime de metas de inflação brasileiro?

O Brasil tem um histórico traumático com relação a inflação, que já bateu 764% entre os anos de 1990 e 1994. Por isso desde o ano de 1999 foi criado o regime de metas de inflação, que tem por objetivo estabelecer um limite máximo para a inflação medida no ano, chamado de teto da meta inflacionária.

Quem determina a meta é o Conselho Monetário Nacional e hoje o limite está em 6,5%, sendo assim o Banco Central deve sempre orientar sua oferta de moeda e controlar o acesso ao crédito em acordância com a meta. O Brasil fechou o ano de 2014 com a inflação em 6,41%, ou seja, dentro da meta estabelecida.

Principais índices de inflação:

Para medir a inflação e checar se o país está dentro da meta de inflação, existem alguns índices de preços, que hoje são medidos por instituições como a Fundação Getúlio Vargas e como a Universidade de São Paulo. Seguem abaixo os principais índices utilizados hoje:

IPA – Índice de preços no atacado;

INPC – Índice nacional de preços ao consumidor;

IPCA – Índice de preços ao consumidor amplo;

INCC – Índice nacional do custo da construção;

CUB – Custo unitário básico;

IPC – Índice de preços ao consumidor.

Mais: saiba tudo sobre o ajuste fiscal!

Publicado em 28 de outubro de 2015.

Ingrid Barth

Economista e quase engenheira civil, com especialização em finanças nos EUA e MBA em gestão de empresas na FIA-USP. Trabalha no mercado financeiro há 11 anos, mas o que fala mais alto é a vontade de ajudar a despertar a participação e conscientização política na sociedade, e com isso aprender cada vez mais.