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Nazismo: você conhece a política disseminada por Hitler?

Foto: Elzbieta Sekowska

nazismo

É muito difícil nunca ter visto uma suástica nem ter ouvido falar de Nazismo ou de Adolf Hitler. Há uma história bastante densa e complexa sobre o que veio a ser o regime nazista dentro da Alemanha, além de nutrir uma filosofia política muito controversa. Vamos entender o que foi o nazismo?

O que é nazismo?

O Nazismo, abreviação de Nacional Socialismo, é o nome de uma ideologia política essencialmente racista disseminada amplamente pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que foi criado em 1920 por Anton Drexler na Alemanha. Como muitos já sabem, essa ideologia logo se espalhou por toda a Alemanha sob o comando de Adolf Hitler e foi um dos fatores que levaram a vários marcos históricos, como o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial. Há todo um contexto por trás desses momentos e ideologias. Vamos entendê-los?

Como o nazismo surgiu na história?

Para compreender o surgimento do Nazismo e a sua posterior disseminação por toda a Alemanha, é necessário entender o contexto do país e do mundo naquela época.

A Primeira Guerra Mundial foi muito prejudicial a todo o continente europeu, causando mais de 10 milhões de mortes e 30 milhões de feridos, territórios devastados e um rombo na economia. Ao seu fim, os derrotados assinaram o Tratado de Versalhes, que os responsabiliza pelo conflito, sendo eles o Império alemão e a Austro-Hungria. No tratado, estão previstas uma série de medidas punitivas para o pós-guerra.

A Alemanha, uma das nações derrotadas, foi obrigada a abrir mão de 13% do seu território, 75% das suas reservas de ferro e 26% das de carvão. O país teve seu exército reduzido, sua indústria de armas foi controlada – assim como a produção de tanques e aviões – , perdeu todas as suas colônias e pagou uma indenização pelos prejuízos da guerra aos países vencedores.

A Alemanha pós-guerra

Além do sentimento negativo em ter perdido uma guerra e ter de cumprir todas as exigências do Tratado de Versalhes, a Alemanha estava num caos econômico, seu território estava destruído e sua população enfrentava graves problemas. Foi instituída, em 1919, a República de Weimar. A Alemanha era antes um Império – ou seja, uma forma de monarquia – e passava a ser um país republicano. A República de Weimar que visava a resolver esses problemas, dando prioridade à reestruturação política e econômica do país.

Houve melhora econômica por conta de um acordo entre a Alemanha e os Estados Unidos com a instituição do Plano Dawes, que dava incentivos econômicos para a reconstrução e reestruturação alemã. Mas, por conta da crise da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, não foi mais possível obter ajuda externa. A Alemanha continuou a passar por enormes dificuldades: a inflação só crescia, o desemprego se alastrava e os comandos políticos eram vistos com descrédito e desconfiança por parte da população. Foi a partir desses sentimentos e desse contexto que o Nazismo começou a tomar forma…

A História do Nazismo e de Adolf Hitler

O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães foi o principal vetor do Nazismo. No início da década de 1920, Adolf Hitler assume a liderança e dá outro nome a ele: Partido Nacional Socialista, ou Partido Nazista. Hitler era austríaco – fato desconhecido por muitas pessoas –, nascido em 1889. Foi soldado durante a Primeira Guerra Mundial e, ao seu fim, associou-se ao Partido dos Trabalhadores Alemães, assim como muitas outras pessoas: jovens, estudantes, agricultores, soldados; pessoas de todas as classes sociais.

Os principais objetivos do partido eram o de união dos alemães, a expulsão de estrangeiros e tornar a Alemanha um país poderoso e com muitos territórios. Hitler e seus aliados tentaram fazer um golpe de Estado em 1923 e, por ser o líder do movimento, Hitler foi preso. Em sua biografia, denominada Mein Kampf (Minha Luta, em alemão) e escrita durante seu tempo na cadeia, no cerne de sua filosofia política Hitler delineou o antissemitismo – o preconceito e ódio contra os judeus – e o anticomunismo – a negação do comunismo e de seus seguidores.

Aos poucos, o Partido Nazista foi colocando pessoas no governo, já na República de Weimar – receberam 38% dos votos na eleição para o Parlamento em 1932. A partir de então, Hitler tomou o poder por meio de um golpe de Estado e declarou-se: presidente, chanceler e Führer – o líder.

Foto: Larah Vidotti / Creative Commons / Pixabay

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O Regime Nazista e suas características

O Regime Nazista durou de 1933 a 1945, e foi instituído por Hitler por meio do Terceiro Império – ou Reich. Foi marcado por uma série de características muito próprias da filosofia política nazista. Uma das questões mais importantes do regime era a propaganda feita pelo Nazismo, dentro e fora da Alemanha.

Como em todo regime autoritário, o governo censurava e controlava emissoras de rádio, a imprensa, produtos artísticos – músicas, artes visuais, teatro – e buscava também utilizar esses meios como uma forma de impulsionar a imagem do próprio regime. O famoso ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, foi utilizado como referência para diversos regimes totalitários que vieram depois do nazista.

Uma das maiores características do nazismo foi a militarização. Acreditava-se no uso do poder militar, que era assumido pela polícia, chamada SS, e pela Gestapo, uma polícia secreta do regime. A Gestapo era uma polícia política que decidia as penas que iria aplicar, sem o intermédio de um tribunal. Investigavam também possíveis afrontas ao regime por meio de agentes infiltrados em fábricas e lugares comuns e, quando queriam descobrir certas informações úteis ao regime ou mesmo sabiam de pessoas que eram ideologicamente contra ele, essas pessoas eram presas e torturadas.

É importante salientar que no início do regime, o povo alemão apoiava o regime nazista e acreditava na ideologia pregada por Hitler – que sempre entoava um discurso de salvação nacional, de melhorias na economia, de superioridade racial e cultural germânica. Portanto, quanto à perseguição da polícia com comunistas e judeus, a própria população por vezes contribuía ao delatar uma ou outra pessoa. Conforme os anos foram evoluindo, principalmente no início da Segunda Guerra Mundial, o terror gerado pela polícia foi generalizado.

Foto: Getty images / Creative Commons

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As características do nazismo

O nazismo é considerado um regime fascista por contar uma série de similaridades, como: ser autoritário, prever a concentração total do poder, glorificação de um líder, exaltação da coletividade nacional, expansão de territórios, controle dos meios de comunicação. O nazismo é, portanto, uma forma de manifestação do fascismo. Algumas das principais características da filosofia nazista desenvolvida por Hitler era o racismo, a xenofobia, o nacionalismo e o antissemitismo. Vamos entender como e por quê?

Unidade nacional

Por meio do nazismo, buscava-se uma unidade nacional, contendo também características do nacionalismo. Criaram uma “comunidade do povo”, com o intuito de unir todos os alemães e excluir os povos estrangeiros. Essa ideia se aplicava a todas as pessoas que não fossem germânicas e, por isso, ela era xenofóbica: visava a afastar todas as pessoas, culturas, ideais e pensamentos diferentes do germânico. Buscava-se a criação de uma sociedade homogênea. Além disso, defendia-se uma hierarquia racial, em que povos germânicos eram vistos como uma “raça superior”, a chamada “raça ariana”.

Antissemitismo

Outro ponto elementar para entendermos o nazismo é compreender a importância do antissemitismo dentro desse regime, isto é, o preconceito e ódio contra judeus. Uma lei que separava os “arianos” dos judeus foi criada, chamada Leis de Nuremberg, que determinavam institucionalmente essa segregação racial. O regime perseguiu, torturou, expulsou do território alemão e matou judeus – além de muitas outras pessoas, como homossexuais, ciganos e pessoas com deficiência. Os negros, alemães ou não, mas residentes no país, também sofreram com a segregação, foram hostilizados e expulsos.

Essa perseguição se tornou um extermínio sistemático organizado pelo regime nazista na Alemanha, que veio a se chamar Holocausto – o assassinato de milhões de judeus num verdadeiro genocídio. Na época do nazismo, foram criados campos de concentração para colocar quem se opunha ao regime e para lá foram muitos judeus, mortos então pela polícia. Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de judeus foram deportados do país para guetos e campos de extermínio. Lá, eram levados a câmaras de gás, em que morriam por asfixia. Em 1945, dois em cada três judeus europeus tinham sido mortos, em torno de 6 milhões de pessoas. Foram assassinadas mais de 1,5 milhão de crianças com idade inferior a 12 anos, sendo mais de 1,2 milhões de crianças judias, dezenas de milhares de crianças ciganas e milhares de crianças deficientes.

Teoria do Espaço Vital

A Teoria do Espaço Vital é uma ideia que surgiu da revolta pela Alemanha ter perdido territórios depois da Primeira Guerra Mundial. É uma ideia relacionada a todas as outras, de que a raça ariana deveria ter um único território e expandi-lo ao máximo, formando “um guia, um império, um povo”, conforme dizia Hitler. Foi um dos pontapés para a invasão da Polônia em 1939, fato que eclodiu na Segunda Guerra Mundial.

O Nazismo é de direita ou de esquerda?

No blog do jornalista Guga Chacra no site do Estadão, o professor Michel Gherman, da Universidade Hebraica de Jerusalém e coordenador do Centro de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, escreveu a respeito, buscando esclarecer dúvidas das redes sociais acerca do espectro ideológico do Nazismo. Confira um trecho da coluna que resume bem essa questão!

“O Nazismo não acreditava em políticas universalistas e descentralizadas. O Estado Nazista, contrário a (sic) luta de classes, se aproximava de grandes empresas, tinha um discurso anti especulativo (sic) e tinha como objetivo a expansão racial, militar e territorial.

Mais uma vez, ao contrário de perspectivas social-democratas, socialistas ou marxistas, a centralização estatal não tinha intenções distributivas, não pretendia combater a desigualdade econômica ou diferenças sociais. Ao contrário, a razão de existência do Estado era manter as diferenças, diferenças raciais. Estabelecer um estado racialmente hegemônico, escravizar e eliminar raças inferiores. Combater e exterminar a oposição que falava em classes sociais.

(…) Mas não se enganem, nada mais distante, também, de qualquer posição de direita liberal. O nazismo era um movimento de extrema–direita, o que em sua natureza é distinto da direita liberal e democrática.”

Depois de polêmicas nas redes sociais, a BBC Brasil fez uma reportagem buscando elucidar essa questão: afinal, o nazismo é de esquerda ou de direita? Em entrevista para o veículo, a professora de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), Denise Rollemberg, afirma o seguinte:

“Não era que o nazismo fosse à esquerda, mas tinha um ponto de vista crítico em relação ao capitalismo que era comum à crítica que o socialismo marxista fazia também. O que o nazismo falava é que eles queriam fazer um tipo de socialismo, mas que fosse nacionalista, para a Alemanha. Sem a perspectiva de unir revoluções no mundo inteiro, que o marxismo tinha. (…)

Eles rejeitavam o que era a direita tradicional da época e também a esquerda que estava se estabelecendo. Eles procuravam se mostrar como um terceiro caminho”.

Na mesma reportagem da BBC Brasil, há também o ponto de vista da antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, que estuda os movimentos neonazistas.

“Os comícios hitleristas eram profundamente antimarxistas. (…) O nazismo e o fascismo diziam que não existia a luta de classes – como defendia o socialismo – e, sim, uma luta a favor dos limites linguísticos e raciais. As escolas nacional-socialistas que se espalharam pela Alemanha ensinavam aos jovens que os judeus eram os criadores do marxismo e que, além de antimarxistas, deveriam ser antissemitas.”

Mas o nome do partido nazista não é Nacional-Socialista? Não seria, portanto, de uma ideologia de esquerda? Bom, na reportagem da BBC Brasil, Izidoro Blikstein, professor de Linguística e Semiótica da USP e especialista em análise do discurso nazista e totalitário, busca responder essa indagação:

“Me parece que isso é uma grande ignorância da História e de como as coisas aconteceram. (…) O que é fundamental aí é o termo ‘nacional’, não o termo ‘socialista’. Essa é a linha de força fundamental do nazismo – a defesa daquilo que é nacional e ‘próprio dos alemães’.”

Sobre essa questão, Thiago Tanji, editor na revista Galileu, escreve um texto sobre o fenômeno de notícias falsas, da pós-verdade e de como é importante conhecer a história por trás do regime nazista. Um trecho sobre a dicotomia esquerda x direita:

E é justamente a partir desse ponto que desfazemos o nó entre a ideologia nazista e sua associação às palavras “socialista” e “trabalhadores”. Inspirado em ideiais ultra-nacionalistas e de supremacia racial, Adolf Hitler se mostrava como a figura política que lutava “contra tudo o que está aí”. Ao mesmo tempo em que expunha as ameaças de uma revolução comunista em território alemão, atacava o sistema financeiro e a ganância dos bancos — personificados na população judaica.”

Gostou de saber sobre o Nazismo? O que pensa dessa ideologia? Deixe seu comentário!

Publicado em 04 de outubro de 2017.  Última atualização em 09 de outubro de 2017.

Carla Mereles

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize!.