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Você sabe o que é antipetismo?

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Lula e Dilma se abraçando
Lula e Dilma em Paris. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Nos últimos anos, o antipetismo exerceu um papel decisivo no cenário político brasileiro. Mesmo assim, ainda há dúvidas sobre o que esse movimento representa e como ele se comporta.

Por isso, a Politize! preparou um material especial para esclarecer o assunto e contribuir para a sua formação política. Confira:

Como as pessoas votam?

Para definir o que é o antipetismo, é preciso antes compreender como funciona o processo de escolha e o comportamento político nos eleitores brasileiros. Existem três principais correntes de modelo de pensamento. Confira:

  • O modelo sociológico;
  • O modelo psicossocial;
  • O modelo da escolha racional.

Em resumo, o modelo sociológico defende que as escolhas são feitas com base no contexto histórico e social. Já o modelo psicossocial, além de analisar esse contexto, acrescenta os fatores individuais, como opiniões de amigos próximos, a mídia e outros. No modelo da escolha racional, o eleitor é considerado como um indivíduo que não é afetado pelas suas crenças, fazendo um cálculo de qual candidato trará o maior benefício pessoal.

Independente de qual será o modelo utilizado para observar um grupo de eleitores, é preciso considerar que esses comportamentos exercem estímulos tanto positivos quanto negativos na mesma intensidade. Ou seja, ocorre uma polarização de ideias que dividem os eleitores em pelo menos duas frentes de voto.

Leia também: Comportamento eleitoral: como os eleitores decidem seu voto?

O PT no contexto histórico brasileiro

O PT surgiu na mesma época em que o regime vigente, a Ditadura Militar, se enfraquecia e perdia apoiadores.

Até aquele momento, o Brasil contava com um sistema político bipartidário, ou seja, no qual apenas dois partidos podem existir legalmente. Isso significa que, no contexto histórico da época, apenas a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) eram autorizados a exercer suas funções políticas.

Saiba mais: Bipartidarismo: entenda o que foi este sistema político no Brasil

Com alguns fatores da época, como a crise econômica e o apoio dos movimentos estudantis e grupos da esquerda armada, o MDB registrou um aumento eleitoral significativo. Além disso, houve uma mudança de imagem no partido, que passou a ser considerado combativo contra as repressões dos militares do Arena.

Depois, o cenário político foi se alterando e, eventualmente, o bipartidarismo foi extinto. Assim, em fevereiro de 1980, o Partido dos Trabalhadores (PT) foi fundado. Desde então, a agremiação foi uma protagonista de diversos momentos da história do país.

Veja também: História do PT: conheça o maior partido da esquerda no país

A ascensão e a queda: como surgiu o antipetismo

Com a volta do processo democrático brasileiro, o Partido dos Trabalhadores, após de ter participado ativamente do movimento ‘Diretas Já’, marcou presença nas eleições presidenciais.

Em 1989, Luís Inácio Lula da Silva, que já tinha sido eleito o deputado federal mais votado do Brasil (1986), foi lançado como candidato ao cargo da presidência da República e, mesmo que tenha alcançado ao segundo turno, perdeu as eleições para o candidato Fernando Collor de Mello.

A candidatura de Lula se repetiu em outras duas eleições presidenciais marcadas por derrota para o PT. Em ambos os pleitos, Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB, garantiu o cargo no primeiro turno.

Os mandatos de FHC consolidaram a oposição do PT aos ideais tucanos. Iniciava-se, assim, a principal polarização política brasileira do início do século 21. Em 2003, Lula conseguiu sua primeira vitória na corrida presidencial e garantiu seu cargo como presidente da República. Com a reeleição, permaneceu na presidência até 2011, quando foi substituído por Dilma Rousseff, também do PT.

O Mensalão e a perda de credibilidade

O antipetismo começou a se consolidar no início dos anos 2000, com o Mensalão. O crime, descoberto em 2005, envolveu muitas figuras importantes dentro do Partido dos Trabalhadores. O esquema consistia no pagamento de propina para que políticos e partidos apoiassem o PT. Todo o dinheiro era desviado de empresas de publicidade contratadas pelo Governo Federal.

Segundo um artigo do Insper, de 2015, o PT sofreu um grande impacto interno com o Mensalão:

“Líderes petistas entendem que, ao assumir publicamente a defesa de seus dirigentes envolvidos no escândalo, o partido agravou o desgaste diante da população”

Entre as eleições de 2012 (quando o julgamento dos suspeitos foi realizado) e 2016, o partido perdeu cerca de 60% das prefeituras, principalmente para partidos com legendas conservadoras.

Dilma e o antipetismo

Durante o segundo mandato de Dilma Roussef que o antipetismo começou a ganhar força significativa. O PT tinha acabado de perder espaço nos municípios, e o julgamento e as prisões do Mensalão ainda pairavam sobre o imaginário da população brasileira.

O artigo “A Direita Vai às Ruas: o antipetismo, a corrupção e democracia nos protestos antigoverno”, de Helcimara Telles, explora dados coletados durante um dos muitos protestos realizados em Belo Horizonte, durante o ápice da insatisfação com o governo Dilma:

“Os manifestantes eram, em sua maioria, indivíduos brancos, com alto grau de escolaridade, renda média superior a 5 salários mínimos, muito interessados na política e usam, especialmente, a Internet para se informar sobre a política.”

Helcimara foi além de traçar o perfil dos manifestantes e também pesquisou sobre os assuntos discutidos durante os protestos. Além da indignação com a corrupção e o sentimento de insatisfação com a política nacional, o que mais conectou os participantes do movimento foi o antipetismo.

“Para eles, os principais males do Brasil são atribuídos aos governantes identificados como petistas. 91% declararam que o PT fez um grande mal ao país e 82% deram nota 0 ao PT”.

Vale ressaltar que, mesmo que a pesquisa tenha sido realizada em 2016, Jair Bolsonaro já se mostrava como uma alternativa escolhida pelos antipetistas, sendo que 24% dos entrevistados apontaram o nome como um possível “bom presidente”.

Os protestos não se limitaram só em Belo Horizonte. Outros estados e o Distrito Federal foram palco para diversas manifestações durante todo o período em que o Impeachment de Dilma aconteceu.

Entenda: Impeachment de Dilma: uma retrospectiva

O antipetismo pós Impeachment

Mesmo sem o PT no governo, o antipetismo não acabou. Em 2018, antes da eleição presidencial, Lula, que era o maior nome do Partido dos Trabalhadores, foi preso, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pelo juiz Sérgio Moro. Com a prisão de Lula, o candidato de direita, Jair Bolsonaro, foi eleito usando o antipetismo como principal plataforma eleitoral.

Ele não foi o único: diversos partidos de direita surgiram após o segundo mandato de Dilma, como o MBL e o Novo, por exemplo.

Leia também: História do Partido Novo: entre a renovação e o pragmatismo político

O antipetismo pós Bolsonaro

O primeiro ano de governo do terceiro mandato de Lula não foi suficiente para acabar de vez com o antipetismo. Duas pesquisas divulgadas em dezembro de 2023, mostram que ainda há uma parcela da população que repudia o PT e preferem o governo de Bolsonaro:

  • Na Genial/Quaest, 54% da população aprova o trabalho realizado. Enquanto isso, 43% desaprova completamente;
  • No DataFolha, o percentual de grupos que se identificam como bolsonaristas ou petistas, não mudou desde dezembro de 2022.

Em geral, os números mostram que ainda há um caminho a ser percorrido para que o PT consiga extinguir o antipetismo. E você, acha que é possível? Deixe seu comentário!

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Conteúdo escrito por:
Por ser apaixonada por leitura desde pequena, escrever se tornou minha profissão e parte da minha identidade. Sou caiçara, jornalista e curiosa sobre como as relações sociais e políticas funcionam.

Você sabe o que é antipetismo?

13 jul. 2024

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