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Aristocracia: a nobreza de sangue azul

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Aristocracia representada no seriado britânico Downton Abbey. Pinterest

Assistindo a algum seriado de época ou mesmo lendo um livro, você provavelmente já se deparou com a imagem daquela família real que está constantemente inserida na rede de poder. Indubitavelmente, isso ocorre devido ao contorno do poder governamental da Aristocracia que se desenha em diversas fases da história.

Entender essa forma de governo é, portanto, entender a dinâmica social de poder e privilégio ao longo dos séculos. Por isso, hoje a Politize! te explicará o conceito por trás dessa forma de governo. Vamos lá?

O que é Aristocracia?

A palavra Aristocracia tem origem grega e “aristos” significa melhor e “cracia“, poder. Concebida na Grécia Antiga pelo filósofo Aristóteles, a Aristocracia é definida como o “governo dos melhores”.

Na visão aristotélica, os melhores seriam os nobres, aqueles que detém um nível de superioridade moral e intelectual. Isso significa que, para Aristóteles, apenas os mais sábios deveriam governar, que, nesse caso, eram os filósofos.

Nesse sentido, Aristóteles defendia que a nobreza, isto é, a capacidade intelectual, poderia ser transmitida geneticamente pelas linhas familiares. Essa transferência hereditária da virtude nobre é uma característica mutuamente excludente dos governantes desse tipo de governo.

É nesse parâmetro que surge então o termo “sangue azul”, utilizado para se referir à nobreza aristocrática como forma de distingui-la dos demais estratos sociais. Tal diferenciação só poderia ser alcançada por meio da linhagem e, posteriormente, tornou-se um símbolo da superioridade social desse grupo.

Esse regime político consolidou-se, portanto, a partir das linhagens de parentesco, e é nesse domínio que surge a figura idealizada do “filho primogênito”, corporizando a continuidade do domínio social, onde perpetuavam-se as bases materiais do grupo aristocrático – tais como terras, fortunas e bens socialmente valorizados.

Veja também nosso vídeo sobre monarquia e república!

Aristocracia, Oligarquia e Plutocracia: são farinha do mesmo saco?

É comum confundir os termos Oligarquia, Aristocracia e Plutocracia, já que esses conceitos são, essencialmente, semelhantes. No entanto, é preciso considerar as particularidades de cada um.

Quando pensamos em um governo dirigido pelas classes mais ricas da população, dizemos que esse é um governo plutocrático – a palavra plutocracia vem do grego e é a junção de “plouto” que significa riqueza e “kratos”, governo. Sendo assim, “governo dos ricos”.

Mas, quando pensamos em um grupo pequeno de pessoas no poder, dizemos que esse é um governo oligárquico. A palavra oligarkhía (de origem grega) corresponde a junção de “oligos” (poucos) e “arck” (governo), isto é, o “governo de poucos”.

A principal diferença entre plutocracia e oligarquia reside na ideia de que não necessariamente o grupo oligárquico que está no poder pertencerá à elite econômica.

Agora, quando pensamos em um grupo da nobreza no poder por conta de sua linhagem parental, recorremos rapidamente à ideia de Aristocracia. Logo, a principal característica desse regime que o difere da oligarquia e da plutocracia é a ideia da linhagem, da riqueza e da herança dos aristocráticos.

Mas e aí, quais são as principais críticas a essa forma de governo?

Uma das principais críticas à Aristocracia como um sistema prático de governo reside na dificuldade de encontrar qualquer princípio sólido e justo de seleção pelo qual os mais aptos, politicamente falando, possam ser segregados dos menos aptos.

Além disso, quando essa separação é feita, há um segundo impasse: o de fornecer segurança adequada contra a tentação da classe mais apta de exercer seu poder em seu próprio interesse, tornando-se um governo de poucos tal como na forma de governo oligárquico.

No mundo contemporâneo, no entanto, é geralmente reconhecido que os mais capazes e aptos da população não podem ser selecionados conferindo o poder de governar a certas famílias e a seus descendentes, pois a capacidade política e a honestidade são virtudes que nem sempre são transmitidas de pai para filho.

Aristocracia Rural no Brasil

A partir do século XVIII, com a consolidação do Império Português no Brasil, a obtenção de títulos nobiliárquicos passou a ser uma forma de legitimação da Aristocracia no país.

A chamada política de Aristocracia Rural era dirigida principalmente pelo Imperador Pedro II, que cedia esses títulos de nobreza para os grandes proprietários rurais de grande extensão de terra como forma de angariar apoio político a partir de uma concessão de títulos de barões, viscondes e condes.

Conceder títulos de nobreza aos grandes proprietários de terra intensificou um dos grandes problemas do Brasil durante a sua transição para a República: o acúmulo de terras na linhagem hereditária, algo presente ainda nos dias de hoje.

Leia mais sobre o que foi o período Aristocrático do Brasil Império

Afinal, o que foi o regime aristocrático ao longo da história?

Em um paralelo histórico, à medida que as sociedades se tornaram maiores e economicamente diversas durante o final da Idade Média, as pessoas começaram a exigir mais do que uma simples liderança de suas classes governantes.

Na esteira de eventos monumentais como a Guerra dos Cem Anos e o Renascimento Italiano, virtudes como a bravura, a nobreza e a civilidade cresceram em importância para o status social com foco no indivíduo.

Eventualmente, o poder e os privilégios concedidos à Aristocracia foram reservados para alguns líderes sociais e heróis militares de destaque.

Já na Revolução Francesa, em 1789, também houve um marco do início do fim das aristocracias mais poderosas do mundo, já que muitos aristocratas perderam suas terras e formas de poder.

E, no final do século XIX, as aristocracias ainda mantinham um alto controle político na Grã-Bretanha, Alemanha, Áustria e Rússia. No entanto, até 1920, esse controle em grande parte evaporou quase que por completo como resultado da Primeira Guerra Mundial.

Percebe que, portanto a Aristocracia é, de alguma forma, um princípio que todos os Estados admitiram em certa medida e o mundo sempre foi governado por um número pequeno de pessoas. Nas assembleias, grupos e corpos organizados, as decisões sempre estiveram nas mãos de uma pequena porcentagem de indivíduos.

E aí, compreende melhor o que é Aristocracia e essa forma de governo? Ficou alguma dúvida? Compartilhe com a gente aqui nos nossos comentários!

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Conteúdo escrito por:
Estudante, cursando o terceiro ano do Ensino Médio. Apaixonada por política, impacto social e trabalho voluntário. Acredita na educação política como um meio de emancipação social.

Aristocracia: a nobreza de sangue azul

15 jun. 2024

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