É bem provável que, ao assistir algum noticiário, você já tenha ouvido falar sobre a bolsa de valores. Aqui, no Politize!, já escrevemos sobre o tema e é possível conferir o texto aqui. Mais e mais se discute sobre o assunto, o qual não é mais limitado ao pequeno círculo de economistas e investidores qualificados.

Nesse cenário, o fluxo de CPFs na bolsa de valores em 2020 (de 1,6 milhão de cadastros em 2019, saltou para 3,2 milhões em 2020) surpreendeu os economistas brasileiros e recebe novos investidores pessoas físicas todos os dias. Mas o que explica tal fenômeno acontecer em plena crise econômica?

Uma possibilidade plausível é que a população mais jovem se sente cada vez menos atraída pelo ciclo “trabalhar-contribuir compulsoriamente com o INSS por anos-aposentadoria”. A bolsa de valores se apresenta como uma alternativa possível – porém arriscada e perigosa –  para mudar tal cenário. 

Sendo assim, isso explicaria a estratégia que está ficando cada vez mais popular entre a população predominantemente mais jovem: conseguir a independência econômica por meio da alocação em ativos financeiros, como em produtos de investimentos, preferencialmente de renda variável.

Dessa forma, o grande fluxo de CPFs entrando na bolsa de valores em plena pandemia nos mostrou que o brasileiro não quer mais esperar a velhice para ter uma renda passiva, como a aposentadoria.

Investimentos: uma alternativa ou um risco?

Em maio de 2020, o site institucional da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), a bolsa de valores brasileira, traçou o perfil dos novos investidores pessoa física: mais jovem, com menos patrimônio investido e com uma carteira de investimentos mais diversificada. 

Em adição, de acordo com o portal Valor Investe, a B3 apontou que o número de pessoas físicas na bolsa de valores cresceu 82,37%, se comparado com dados do fechamento de 2019. Os dados mostram que o brasileiro está procurando alternativas mais atrativas como métodos de investimentos, a exemplo de investir em ações ou fundos imobiliários, ambos produtos de renda variável e de alta volatilidade – para cima e para baixo.

Apesar dos investimentos em renda variável (todo investimento que não garante um retorno fixo, tampouco a devolução do capital aplicado, pois o montante irá oscilar positiva e negativamente) trazerem um risco considerável e intrínseco, o levantamento da B3 prova que o brasileiro está disposto a se expor ao perigo, com a promessa de um retorno considerável no longo prazo.

Mas, o que explica esse fluxo no cenário adverso de 2020? Segundo Fábio Coelho, presidente da Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais), em entrevista para o site UOL, os juros baixos contribuem para que o investidor escolha o caminho da renda variável na bolsa de valores, uma vez que os produtos da renda fixa não possuem uma rentabilidade expressiva, como era na década passada.

É preciso apontar que quem investe faz isso para aumentar o seu patrimônio. Muitas pessoas decidem investir na bolsa de valores devido à baixa rentabilidade que os investimentos em aplicações de baixo risco proporcionam, por conta dos cortes recentes nas taxas de juros, como a Selic.

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Aumentar o patrimônio na renda fixa tem ficado mais difícil recentemente. Isso justifica o número de pessoas físicas que começaram a aplicar capital na bolsa de valores no catastrófico ano de 2020. O cenário é desanimador, mas muitos brasileiros decidiram arriscar. Só que sem as informações corretas e conhecimento, a tendência é perder dinheiro no Mercado Financeiro e ainda disseminar a má experiência para outros pequenos investidores.

Renda variável: O outro lado da moeda da bolsa de valores

Considerando que de 2018 para a atualidade, o número de pessoas físicas entrando na bolsa de valores aumentou exponencialmente, não podemos esquecer que o jovem investidor brasileiro ainda não havia vivido a experiência de uma crise financeira. 

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Em contrapartida, 2020 mostrou que o mercado de capitais está sempre sujeito a enfrentar crises econômicas que venham a surgir de acordo com os novos contextos históricos e ciclos socioeconômicos.

Muitos jovens investidores viram seu patrimônio desvalorizar dia após dia, depois da crise do petróleo, em fevereiro, e o aparecimento do coronavírus no Brasil e no mundo, a partir de março. Em 2020, a bolsa de valores brasileira – que vivia seu pico histórico – amarga na desvalorização de seus ativos. O Ibovespa, principal índice de renda variável no Brasil, caiu 30% em março de 2020, após o agravamento da questão do coronavírus. Cenários como esse não são incomuns no mundo dos investimentos. Desse modo, os jovens que decidiram correr o risco para garantir um futuro mais atraente, questionam-se se tomaram a decisão certa.

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Como aponta essa entrevista do UOL com pequenos investidores, é extremamente torturante assistir seu patrimônio derreter por conta de uma situação que é impossível controlar, como a crise sanitária e econômica atual. Muitos desses investidores entendem os riscos desse tipo de investimento e optam pela continuidade do investimento, mas que jamais poderiam imaginar o que o futuro iria trazer. É como “regredir várias casas no jogo da vida” e perder a motivação de outrora.

Conhecimento: o remédio ao risco na bolsa de valores 

Mais uma vez citando a entrevista de Fábio Coelho concedida ao portal UOL, a entrada de novos CPFs da bolsa deve ser celebrada, uma vez que nossa bolsa é dominada por investidores institucionais e estrangeiros. O pequeno investidor traria maior volatilidade e liquidez nas negociações, o que é extremamente interessante à economia nacional.

Devemos considerar que, por conta das redes sociais e outras plataformas de diálogo, diversos educadores e influenciadores financeiros, bem como economistas, encontram voz e público para instruir acerca investimentos, seja em renda fixa ou variável. Isso explica o aumento considerável dos investidores pessoa física na bolsa.

Sendo assim, esse advento não seria possível em outro cenário, pois pouco (ou nada) se discute sobre educação financeira e investimentos em escolas. A internet preenche uma lacuna nesse sentido, como uma verdadeira difusora de conhecimento, exposto os riscos e benefícios ao investidor iniciante.

Atualmente, na era digital, mais e mais se discute sobre como alcançar a independência financeira e como isso está intrinsecamente entrelaçado com o fato de saber investir. Graças aos influenciadores digitais e a própria B3, a nossa Bolsa de Valores, ao disponibilizar conteúdo gratuito, oferecem ao brasileiro o que lhe foi negado na escola. 

Finalmente, a bolsa de valores brasileira tem muito espaço para crescimento. Se a média de investidores em ações em países emergentes, tal como o Brasil, é de 5%, nos Estados Unidos a porcentagem ultrapassa os 40%, de acordo com o site UOL. Contudo, convém ressaltar que investir sem o devido conhecimento pode ser tão prejudicial quanto a falta de investidores na economia. Há muito espaço para crescer, mas também há muito o que aprender. 

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REFERÊNCIAS

Politize!: bolsa de valores: o que é e como funciona?

B3: B3 divulga estudo sobre o perfil dos investidores pessoa física na bolsa

B3: hub de Educação Financeira

B3: histórico Pessoas Físicas

Valor Investe: investidores pessoa física são mais de 3 milhões na B3 pela 1ª vez.

UOL: empresas têm de falar melhor com o pequeno investidor da Bolsa.

UOL: “dói ver o dinheiro derreter”: os jovens que foram da euforia ao prejuízo na Bolsa

UOL: bolsa cai 30% e dólar sobe 16%, a R$5,194, em mês de pandemia de covid-19

 

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