3 pontos importantes para entender o desemprego no Brasil - Politize!

Foto: Valdecir Galor/SMCS

Falar de desemprego no Brasil atualmente é muito difícil, tendo em vista o atual momento de nossa economia. A cada três novas pessoas desempregadas no mundo, em 2017, uma será brasileira. Enfrentando a maior taxa de desocupação do país, somos a população que aguardará a reviravolta deste quadro apenas em 2020, quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê o retorno do crescimento de postos de trabalho no Brasil, junto com a economia. Enquanto isso, o governo federal aposta em prazos mais curtos.

Para entender o que significam as diversas maneiras de estar desempregado (sim, existe mais de uma!), como está o o desemprego no Brasil no cenário global e como a Reforma Trabalhista ajudaria a gerar empregos, vamos passar ponto por ponto sobre o desemprego no Brasil.

1) O QUE DEFINE MILHÕES COMO DESEMPREGADOS?

Até 2012, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizava uma Pesquisa Mensal de Emprego (PME) com definições bem simples sobre o assunto. Sob orientação da OIT, o instituto reformulou o mapeamento do mercado de trabalho e iniciou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), chamada de PNAD Contínua, por ser realizada mensalmente e divulgada com dados do último trimestre da análise. Na prática, é dessa maneira que se identifica o aquecimento ou esfriamento dos números de carteira assinada, trabalho informal e demais resultados de políticas públicas anunciadas.

Nos primeiros meses do ano, é comum perceber um leve aumento no número de desempregados, devido ao fim do contrato de trabalhos curtos de férias de verão ou temporários como no Natal e no Ano Novo. Ainda assim, em relação ao cenário de pleno emprego em 2014 com apenas 6,5% de taxa de desocupação, os registros de 2017 apontam mais do que o dobro (13,7%) e o começo da estabilização no meio do ano.

Sabemos que são muitos dados e muitas informações de uma vez só, certo? Para entender melhor, entenda quem são os brasileiros desocupadossubocupadosdesalentados. E força de trabalho potencial, já ouviu falar? Se não, conheça as maneiras de viver o desemprego e que você sequer imaginava.

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Foto: Camila Domingues / Palácio Piratini

O que é ser desempregado?

O mesmo que ser desocupado: o IBGE contabiliza como desempregado aquele que está sem emprego, mas em busca proativa de um novo, como enviar currículos ou responder anúncios de vagas nos 30 dias anteriores à pesquisa.

O que é ser subocupado?

O mesmo que ser subutilizado: é aquele indivíduo que trabalha menos de 40h por semana e sente-se disponível para trabalhar mais, estando abaixo do seu potencial produtivo ou buscando complementar renda.

O que é ser desalentado?

Talvez o termo já diga algo, mas é o mesmo que não estar procurando trabalho. Normalmente, são pessoas que perderam o emprego e desistiram de buscar vagas, seja por estarem mudando de carreira, seja por não conseguirem retorno em processos seletivos.

O que é ser uma força de trabalho potencial?

Existem duas maneiras de estar abaixo do seu potencial de trabalho: procurar emprego, mas não estar disponível; ou estar desocupado, sem buscar proativamente um trabalho.

Leia mais: seis princípios fundamentais do direito do trabalho.

2) O DESEMPREGO DO BRASIL NO CENÁRIO MUNDIAL

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Se considerarmos essas definições do IBGE, o número de pessoas economicamente ativas fora do cenário ideal de emprego ultrapassaria 20 milhões. “Mas a crise não é mundial?”, você deve estar se perguntando. Para responder essa dúvida, existem dois estudos periódicos sobre o mercado global.

No relatório anual sobre emprego e economia, lançado todo mês de janeiro pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), as taxas são analisadas por região e países emergentes versus países desenvolvidos. Já o estudo comparativo do banco Credit Suisse incluiu a taxa do desemprego ampliado, que seria a soma dos desalentados, subutilizados e os que fazem outros serviços no lugar do trabalho desejado, por falta de opção. Com isso em mente, chegamos aos seguintes pontos sobre o Brasil em comparação com o mundo:

  • Os setores mais produtivos da economia realizaram as maiores demissões: construção, serviços de informação e financeiro. Isso significa que a recuperação da força produtiva do país pode ser mais lenta do que o planejado. Por outro lado, as áreas de administração pública, saúde e educação quase não tiveram cortes;
  • Desocupação: Brasil está atrás apenas de China e Índia no número de desocupados, com o maior crescimento da taxa entre as 20 maiores economias do mundo (G-20);
  • Desemprego ampliado: na lista dos 31 países emergentes e desenvolvidos, o Brasil encontra-se atrás das seis nações mais afetadas pela crise, como Grécia e Espanha;
  • Na ponta do lápis: para uma comparação rápida dos números, o mundo está em 5,7%, países desenvolvidos em 6,2%, América Latina e Caribe em 8,4% e Brasil em 13,7% de desemprego na PEA. Enquanto EUA, Canadá e Europa estabilizam, os emergentes (Brasil, Colômbia, Índia, México, Peru e Rússia) sobem as taxas, segundo a OIT.

Uma das análises, em relação aos emergentes, aponta para a força de trabalho jovem crescer mais do que a criação de postos de trabalho. No caso do Brasil, o governo federal tem investido principalmente na Reforma Trabalhista como maneira de incentivar a geração de empregos. Vamos compreender melhor?

Para acompanhar todos os países em tempo real, o ranking do portal Trading Economics apresenta os números de desemprego no Brasil e no mundo, sendo estes atualizados constantemente.

3) A REFORMA TRABALHISTA GERA EMPREGOS?

Revisar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), propor uma Reforma da Previdência e alterar a relação com os sindicatos são algumas medidas propostas pelo governo Temer para solucionar a crise econômica e o alto desemprego no país. Com as novidades, vieram as polêmicas e o debate público sobre a eficácia desses planos a longo prazo.

No infográfico a seguir, reunimos argumentos contra e a favor, a partir das análises do governo e de especialistas em economia. Confira e fique por dentro do assunto.


Que tal baixar esse infográfico em alta resolução? Clique aqui

Nos próximos meses, muito será debatido sobre as políticas públicas para a geração de empregos. Recentemente, o Senado entrou com pedido de urgência para votar a Reforma Trabalhista, enquanto o governo anuncia estabilização da taxa do desemprego e retomada dos postos de trabalho ainda neste ano.

Conhece pessoas desocupadas, desalentadas ou subutilizadas? Tem alguma opinião sobre o desemprego no Brasil? E você é do time do “sim” ou do “não” na reforma trabalhista? Entenda os detalhes do assunto na trilha sobre a reforma.

Fontes: Portal G1; Correio Braziliense; Folha de S. Paulo; OIT; BBC Brasil; Estadão de São Paulo; Politize!.

4 comentários

  1. […] cerca de 33% maior do que a média salarial no país. Entre os idosos até 64 anos, 52,3% têm uma ocupação (isto é, um emprego nos três meses anteriores à […]

  2. […] Em linhas gerais, são ideias políticas e econômicas que defendem a não participação do estado na economia e a liberdade total de comércio, para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento social do país. Iniciado no Governo Fernando Collor, o neoliberalismo teve continuidade na gestão do Presidente Fernando Henrique Cardoso.O diretor Silvio Tendler conta com a participação de vários intelectuais, professores e líderes de sindicatos para explanar a lógica do capitalismo no processo de privatização e da desconstrução da política que era implementada até então, iniciada pelo Governo de Vargas, de estatização de empresas.O filme se constrói em uma série de entrevistas demonstrando como as privatizações contribuíram para desestatizar (tirar da tutela do Estado) os serviços brasileiros, gerando apagões, crises e desemprego. […]

  3. O QUE É PREVIDÊNCIA SOCIAL? – Curso de Redação em 8 de abril de 2019 às 7:26 pm

    […] ela sempre apresentou déficit. E com a crise econômica dos últimos anos, que aumentou o desemprego no Brasil, é provável que volte a registrar déficits nos próximos […]

  4. O QUE É CRISE ECONÔMICA? – Curso de Redação em 8 de abril de 2019 às 7:32 pm

    […] a lucrar menos, muitas delas acabam demitindo funcionários e isso leva ao aumento de taxas de desemprego. Com mais pessoas desempregadas, a renda diminui, o que leva a um menor consumo das […]

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