No estudo “World Scientists’ Warning of a Climate Emergency” (em português, “Aviso dos cientistas mundiais sobre a emergência climática”), publicado em janeiro de 2020, foi declarado que o Estado de Emergência Climática é uma nova realidade.

De acordo com o estudo, com o desenvolvimento industrial, os seres humanos passaram a emitir cada vez mais poluentes no meio ambiente, e isso, por sua vez, potencializou o efeito estufa e consequentemente as mudanças climáticas. Essas mudanças, que influenciam diversos aspectos desde o habitat de espécies em extinção até a saúde mental dos humanos, exigem uma medida preventiva: a declaração do Estado de Emergência Climática para evitar que essas alterações no clima saiam do controle. Que tal conferir agora o que esse novo termo significa e como ele se relaciona com as nossas vidas?

Primeiro, o que são as mudanças climáticas?

De acordo com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), as mudanças climáticas podem ser definidas como 

“uma mudança de clima que é atribuída direta ou indiretamente à atividade humana que altera a composição da atmosfera global e que se soma à variabilidade climática natural observada ao longo de períodos de tempo comparáveis”.

Além disso, a UNFCCC diferencia as mudanças climáticas— que alteram a atmosfera e são causadas pela atividade humana— das variações climáticas — que são provenientes de causas naturais. Ou seja, as mudanças climáticas são causadas pela alta emissão de poluentes na Terra que acabam intensificando processos como o aquecimento global e o efeito estufa.

No século XVIII, esses processos foram intensificados com a Revolução Industrial, que promoveu o surgimento das indústrias e, consequentemente,  o crescimento do consumo, gerando uma alta emissão de poluentes na atmosfera. E qual o impacto disso? Em uma escala global, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que o aumento da emissão de gases, como CO₂, metano e óxido nitroso, é acompanhado da elevação da temperatura global que acarreta o desaparecimento de gelo nos polos e, desse modo, um aumento do nível e da temperatura do mar. Assim, grande parte da vida marítima, como corais, plânctons e peixes, é ameaçada. 

Você pode conferir o nosso post, aqui, para mais informações sobre as mudanças climáticas.

Além disso, as consequências das mudanças climáticas são intensificadas com o desmatamento das florestas. A floresta amazônica, por exemplo, com sua área de mais de 421 milhões de hectares, ao realizar fotossíntese libera vapor d’água para o ambiente, e fomenta a precipitação e a umidade nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil — ainda, por ser a principal floresta tropical do mundo, ao emitir H₂OH auxilia na manutenção do clima na totalidade do nosso planeta. Segundo o relatório da Imazon, com o aumento de 30% do desmatamento em 2020, foram derrubados mais de 8 mil quilômetros de floresta.  Assim, o processo de evapotranspiração da floresta é prejudicado, potencializando as mudanças climáticas. Afinal, ao sequestrar menos carbono e emitir menos quantidade de vapor de água na atmosfera, que aumentaria a quantidade de chuvas, há o aumento das temperaturas locais e de secas.

Para reverter essa situação, a declaração de Emergência Climática é um primeiro passo. Vamos entendê-la?

O que é o Estado de Emergência Climática?

Agora que já entendemos o que são as mudanças climáticas, vamos entender o conceito de Estado de Emergência Climática. O Estado de Emergência Climática é uma ação que autoridades, governantes ou cientistas declaram como forma de reconhecer publicamente que o estado atual climático requer novas medidas contra as mudanças climáticas, afirmando que as medidas utilizadas até o momento não estão sendo efetivas para evitar a intensificação dessas mudanças no clima.

Para se ter uma ideia, 2020 foi um dos três anos mais quentes da história — houve o aumento de 1,2 °C — e, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial, OMM, a chance da temperatura global aumentar 1,5°C nos próximos 5 anos cresce cada vez mais.

Os números parecem pequenos, mas eles têm um grande impacto! Por exemplo, furacões ficam mais intensos com o aumento da temperatura global, além disso, com o aumento da temperatura marítima, as algas marinhas que produzem mais de 50% do oxigênio do planeta Terra tem sua existência ameaçada.

Os primeiros governos a declarar Emergência Climática foram cidades na Austrália (2016), Estados Unidos (2017) e Canadá (2018).  E o que isso significa? Ao fazer essa declaração, os governos reconhecem a gravidade do problema, ou seja, é o primeiro passo para entender que medidas precisam ser tomadas contra o avanço das mudanças climáticas. Mas não só isso! Essa declaração também serve como um aviso para a população, já que informa que alguns hábitos e comportamentos precisam se tornar o mais eco-friendly para que o problema seja erradicado.

Criado por ativistas, o termo ‘Emergência Climática’ é de extrema importância para o futuro da humanidade. De acordo com os autores da obra “World Scientists’ Warning of a Climate Emergency”, que apoiam medidas mais sustentáveis e igualitárias para o futuro do planeta, declarar esse estado é essencial, pois sem ele será impossível sustentar a vida humana em nossa única casa, o planeta Terra. 

No texto, os autores ainda ressaltam como esse problema é consequência de distintos setores- desde a ação das indústrias até mesmo dos costumes da população. Vamos entender mais sobre quais medidas podem influenciar o nosso meio ambiente?

Quais medidas posso adotar para reduzir meu impacto ambiental?

Antes de explicar como podemos reduzir nosso impacto no planeta, iremos explicar um importante conceito: Pegada de Carbono. A Pegada de carbono é utilizada para realizar a medição do impacto das ações do homem no ambiente por meio da quantidade de gases que sua ação emite na atmosfera – ou seja, por meio desse cálculo, podemos entender como impactamos o ambiente.

Como às vezes imaginamos, não são somente ações como atividades industriais e se locomover de carro que possuem pegada de carbono. Por exemplo, ao almoçar, a comida que você consumiu teve que ser plantada, colhida, transportada e preparada para chegar a sua mesa, e todas essas etapas dos processos são considerados para calcular a pegada de carbono. Inclusive, ao comprar algum produto que teve que ser transportado por longa distância, ou fabricado em alguma indústria, a sua pegada de carbono é maior.

Você pode calcular sua pegada de carbono aqui no site da ONU, em inglês, espanhol ou francês. Ou neste site em português.

No relatório que mencionamos, algumas alternativas para diminuir nosso impacto no meio ambiente são propostas, como: substituir o uso de combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia; reduzir a emissão de poluentes como metano e hidrofluorocarbonetos; reduzir o consumo de produtos de origem animal; e promover uma integração da sociedade em prol de alternativas sustentáveis para haver futuro para a Terra.

Assim, um exemplo a partir desses pontos listados seria a redução do consumo de carne, leite, queijo e manteiga. Isso porque, de acordo com um estudo produzido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, durante a produção desses alimentos, há diversas etapas que emitem carbono na atmosfera, ou seja, que intensificam a emergência climática. 

E quais ações estão sendo realizadas pelos principais atores globais?

Tendo em vista que nossos hábitos individuais, enquanto isolados, não conseguem obter o impacto efetivo em relação ao combate às mudanças climáticas, é necessário considerar como as estruturas da nossa sociedade são responsáveis também por essas mudanças. Nessa perspectiva, diversos países já declararam o Estado de Emergência Climática, ou seja, eles assinaram um compromisso afirmando a pretensão de reduzir a zero a emissão de carbono até 2050, segundo o que já havia sido firmado também no Tratado de Paris.

Além disso, diversas empresas privadas, como a L’Oreal, declararam que pretendem também alcançar o mesmo feito. Vale mencionar que essas medidas em prol de solucionar a Emergência Climática são frequentemente reiteradas pela ONU, principalmente por meio dos ODS. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são medidas propostas para que os governos alcancem, até 2030, resultados positivos contra os efeitos das mudanças climáticas.

Para saber mais sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável, acesse nosso conteúdo!

E como está o Brasil nesse assunto?  Em 2020, o Secretário-geral da ONU solicitou que todos os países declarassem Estado de Emergência Climática, contudo, até agosto de 2021, o Brasil ainda não declarou a situação no país. Em julho de 2020, o Deputado Federal Alessandro Molon (PSB-RJ) propôs o Projeto de Lei 3961/20, que reconhece a emergência climática no país – o projeto segue ainda em tramitação no Congresso. 

E qual a sua opinião sobre o assunto? Você acredita que o Brasil deveria declarar o Estado de Emergência Climática? Conta nos comentários!

REFERÊNCIAS

Colm Gorey:  What does declaring a climate emergency actually mean?

Deutsche Welle: Cidades declaram estado de emergência climática. 

Ian Jesus Ribeiro: Como reduzir os efeitos das mudanças climáticas na saúde humana?

INTERNATIONAL Energy Agency: Global Energy Review 2020

IPPC: Strengthening and Implementing the Global Response

IPPC: Glossário do Relatório Aquecimento global de 1,5 ºC

Lindsay Brown: Climate change: What is a climate emergency?

Murilo Souza: Projeto reconhece estado de emergência climática no Brasil

William J Ripple, et al.: World Scientists’ Warning of a Climate Emergency

1 comentário

  1. Alexandro Rodrigues em 20 de agosto de 2021 às 4:56 pm

    Texto pertinente para interpretar as questões climáticas atuais. Muito bom!

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