Como um facilitador pode ajudar na educação política?

Workshop de facilitação com o Ensina Brasil. Foto: Maxwill Braga.

O papel de facilitador é reconhecido pelo mercado como algo que agrega valor, mas ainda poucas pessoas sabem o que um facilitador faz exatamente. Este post traz uma explicação geral do que é facilitação, introduz algumas formas de implementação no Brasil e  por fim discorre sobre a importância de ampliar a sinergia da política com o mundo da facilitação. Ao concluir este texto, você saberá que existem diversas vertentes de facilitação e que o trabalho ainda é influenciado de forma única pela personalidade e experiência de cada facilitador.

Este post é uma parceria entre o  Politize! e a Kaordico Facilitação. Juntos, formaremos jovens líderes cívicos responsáveis pela transformação da política brasileira. Conheça mais sobre o Programa Embaixadores Politize!.

O que faz um facilitador?

Imagine uma linha contínua, onde em um extremo está o conteúdo e no outro a forma. Profissionais como professores e consultores estão principalmente focados no conteúdo que as partes precisam adquirir. Por outro lado, os facilitadores direcionam atenção, mas não exclusivamente, para a forma que as pessoas interagem.

Facilitadores são importantes na elaboração de perguntas norteadoras, desenho de metodologias de trabalho em grupo e no manejo do fluxo dos trabalhos. Esse profissionais partem do conceito de que um processo bem coordenado atinge ótimos resultados ao mesmo tempo que cuida das relações entre as pessoas.

Leia mais: o que é educação política?

O papel do facilitador em uma organização

III Encontro Formativo ProBNCC. Foto: Maxwill Braga.

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Em um mundo mais complexo e com a infinidade de informações e tecnologias, é cada vez mais raro um “chefe” possuir todas informações necessárias para tomar uma decisão de forma segura e guiar seu time.  Diante desse desafio, o facilitador ajuda a liderança das organizações a engajar equipes e atores envolvidos no processo além de suas funções para emergir informações de todas as partes.

É necessário que todos se envolvam de alguma forma na compreensão do propósito e do planejamento estratégico da organização. Assim, as pessoas passam a ter clareza sobre os grandes objetivos da organização que fazem parte. A partir desse cenário, fica viável motivar as pessoas a trabalharem de maneira cooperativa, uma vez que com a percepção do todo, o foco torna-se mais tangível, norteando as pequenas decisões do dia a dia de cada colaborador: o que é de fato importante para organização e o que é trivial?

Conscientes e mais empoderados a partir desse processo, os colaboradores conseguem identificar o que da cultura organizacional é trivial e estava atrapalhando ou atrasando o alcance dos resultados. Simultaneamente, não se perde tanto tempo resolvendo conflitos, pois é muito mais ágil alinhar as divergências. No trabalho cooperativo, os resultados são maximizados, porque há uma complementaridade de habilidades, competências e conhecimentos entre as partes envolvidas, gerando círculos virtuosos.   

É mais fácil facilitar processos entre pessoas de uma organização do que da sociedade, porque o número de pessoas é reduzido e há um alinhamento com contorno bem definido. Felizmente, há inúmeras iniciativas que buscam levar os conceitos, técnicas e metodologias do mundo da facilitação para a esfera pública apoiando iniciativas municipais, regionais, estaduais e nacionais. Esse é um intuito desse post, ao compartilhar informações com pessoas que estão engajadas com o aprimoramento das relações na sociedade.

O Foco do facilitador

Existem várias vertentes de facilitação.  Podemos, por exemplo, discernir a facilitação “voltada para pessoas” da facilitação “voltada para resultados”. No primeiro tipo, o ponto focal é a experiência das pessoas, observando os sentimentos, a linguagem não verbal dos participantes e a qualidade da conversa. Esse perfil de facilitador tem mais flexibilidade para fazer ajustes na agenda, buscando adequá-la à experiência dos participantes. Não há um resultado definido, parte-se da premissa de que pessoas presentes, engajadas e motivadas com o processo vão encontrar significado no que fazem e alcançar resultados mais sustentáveis. Esse tipo de trabalho colaborativo flui mais no campo do caos com suas características predominantes: criatividade, inovação, espontaneidade, emergência, liberdade, abstração, imprevisibilidade, instabilidade e divergência.

No segundo tipo, está explícito quais são os resultados esperados e o facilitador define qual metodologia utilizar para alcançar os objetivos. O fluxo de trabalho é desenhado antecipadamente, com roteiros, metas, prazos e entregáveis bem definidos. Esse segundo tipo de trabalho do facilitador flui mais no campo da ordem com suas características predominantes: padronização, regularidade, estabilidade, rigidez, monotonia, previsibilidade, segurança, concretude e convergência.

As qualidades de um facilitador experiente

O que define um facilitador experiente? A seguir, você encontra algumas habilidades necessárias a esse profissional:

Que tal baixar esse infográfico em alta resolução?

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Você utiliza habilidades de facilitação no seu dia a dia?

Abaixo, encontra-se uma lista de algumas formas pelas quais você pode identificar se já exerce, ou não, o papel de facilitador no seu cotidiano.

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Por que a facilitação é importante para a educação política?

A educação tradicional cujos alunos ficam enfileirados cria um ambiente passivo que o aprendiz só precisa escutar, anotar e fazer perguntas. Já a facilitação se encarrega de criar ambientes ativos de aprendizagem, nos quais os participantes são corresponsáveis pelas respostas. Assim, os jovens que têm mais contato com metodologias ativas de aprendizagem, tornam-se mais proativos para encontrar soluções para o país. Por um lado começam a se informar melhor, engajam-se e se articulam para cobrar e inspirar uma administração pública mais eficiente e honesta, ao mesmo tempo se tornam mais colaborativos para cocriar as soluções em vez de apenas reclamar dos serviços públicos de baixa qualidade.

O facilitador, ao utilizar metodologias ativas, inspira os participantes a se relacionarem respeitando princípios como colaboração, escuta ativa, fala com intenção, diálogo empático, criatividade e pragmatismo. Espera-se que ao prover experiências com esses princípios para mais pessoas, principalmente os jovens, elas levarão consigo para o mundo do trabalho, inclusive na esfera pública.

Debates que envolvem diferentes pontos de vista nem sempre são fáceis. Veja dicas de como discutir política de forma saudável.

Metodologias ativas úteis para a educação política

Qual metodologia usar para uma melhor experiência de educação política? Confira algumas opções abaixo.

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Depois de os participantes serem expostos a um certo conteúdo com algum grau de complexidade, como uma palestra de um especialista ou apresentação de uma proposta de projeto, essa metodologia é bem útil para fazer a transição de uma posição passiva para ativa.

1 – Primeiro cada indivíduo faz uma autorreflexão, a partir de uma pergunta norteadora feita pelo facilitador para resolver um desafio comum, e anota num papel as reflexões relevantes.

2 – Em duplas, as pessoas compartilham suas impressões pessoais e ideias para resolver o desafio.

4 – Em quartetos, avançam no desenvolvimento das ideias ao encontrar semelhanças e elucidar diferenças.

Todos – Uma pessoa por quarteto compartilha com todos no espaço um pensamento, ideia, questionamento que se destacou. Os próximos a falarem contribuem de forma complementar sem serem repetitivos.

Facilitador

Aquário Aberto

Em alguns momentos quando estamos atuando politicamente, é necessário que aconteça uma conversa de todos com todos. Uma conversa dessa, sem estrutura, pode desencadear alguns comportamentos não produtivos, por exemplo uma pessoa monopolizar a fala ou algumas conversas em paralelo não chegando o conteúdo para todos, gerando ruído e atrapalhando a compreensão limpa e com clareza da fala principal no momento.

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Essa metodologia serve para organizar uma conversa com muitas pessoas para emergir o conhecimento coletivo. A estrutura é formada por uma arena circular com um círculo de poucas cadeiras no centro. Ao longo da conversa, pelo menos uma cadeira deve estar sempre vazia no círculo interno. Quem quiser participar da conversa precisa sentar-se ao centro. Assim, o círculo externo torna-se um espaço de escuta ativa e o círculo interno um espaço de fala com intenção. O facilitador inicia a metodologia com uma pergunta norteadora da conversa para servir de contorno, se não houver a pergunta, a conversa pode desandar para qualquer caminho pois não tinha um foco. Qualquer pessoa que quiser contribuir com a conversa se desloca para o centro.

Observe que o intuito é sempre emergir e construir o entendimento do conhecimento coletivo e não uma colcha de retalhos de percepções individuais. Ou seja, é bem-vindo que aconteça uma conversa entre as pessoas que se sentam no círculo interno, em vez de falas avulsas. Assim as pessoas entram num espírito proativo e colaborativo para identificar os pontos mais relevantes de uma questão.

Café Mundial

Essa metodologia serve para mapear o conhecimento e gerar polinização de ideias. O número de participantes mínimo é de 20 pessoas e não tem máximo. Essa metodologia já foi utilizada com milhares de pessoas, conhecida como a conversa de 1000 mesas.

Os participantes sentam-se em grupos de 5-7 pessoas por mesa. Haverá três rodadas de conversa de 15-20 minutos cada. Cada mesa tem um anfitrião que permanece na mesma mesa até o final. Cada rodada se inicia com uma pergunta norteadora. Quando termina cada rodada, todos os participantes se deslocam para outras mesas, exceto o anfitrião. Antes de responder a nova pergunta, o anfitrião resume a conversa anterior para os novos integrantes da mesa. Todos os participantes ajudam a registrar a conversa na folha disponível na mesa. Ao final, os anfitriões socializam o que foi conversado buscando identificar similaridades e divergências. Apresentam para todos os participantes o que se destacou, tomando o cuidado de as falas serem complementares e não repetitivas.  

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Nesse post, foi possível entender um pouco mais o mundo da facilitação, como o campo de atuação do facilitador, o perfil do profissional, sinergias com a educação política e alguns exemplos de metodologias. Quer saber mais sobre facilitação? Conheça o modelo caórdico.

Tem alguma dúvida sobre facilitação e o papel do facilitador? Comente abaixo!

Referências do texto: confira aqui onde encontramos dados e informações!

Publicado em 6 de março de 2019.
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Maxwill Braga

Fundador da Kaordico, atua como facilitador harmonizando caos e ordem nas organizações. É mestre em Educação e Globalização pela Universidade de Oulu na Finlândia e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Faz parte da rede de talentos da  educação da Fundação Lemann.

Larissa Garcia

Designer no Politize! e graduanda em Design pela Universidade Federal de Santa Catarina. Que levar conhecimento político de forma simples e divertida, utilizando o Design como ferramenta.