Foto: Volodymyr Hryshchenko/Unsplash.
 

Todo mundo já viu por aí algumas palavras escritas de uma forma curiosa, como “amigxs” ou “tod@s”. Talvez você também já tenha escutado alguém dizer “todes” ou “iles” em uma frase quando se referia a um grupo diverso de pessoas. Essas novas formas de expressão estão relacionadas a movimentos que buscam transformar nossa comunicação para que seja mais tolerante e inclusiva.

Nesse texto, vamos explicar as diferenças e semelhanças entre os conceitos da linguagem não sexista e linguagem neutra, porque existem e o que dizem as pessoas que estão à favor e contra essas propostas.

O que é linguagem inclusiva e linguagem neutra?

A linguagem inclusiva ou não sexista é aquela que busca comunicar sem excluir ou invisibilizar nenhum grupo e sem alterar o idioma como o conhecemos. Essa linguagem propõe que as pessoas se expressem de forma que ninguém se sinta excluído utilizando palavras que já existem na língua. Um exemplo é algo que escutamos bastante hoje em dia de pessoas que começam seus discursos ou apresentações dizendo “Boa noite a todos e todas”. O objetivo aí é abranger tanto homens como mulheres na conversa.

A linguagem neutra ou não binária, embora tenha o mesmo propósito de incluir a todas as pessoas, apresenta propostas para alterar o idioma e aqui entram por exemplo as novas grafias de palavras como as que mencionamos no início desse texto: amigxs, tod@s, todes. Os maiores defensores dessas mudanças são ativistas do movimento feminista e LGBTQIA+, que veem na nossa língua uma ferramenta a mais para perpetuar desigualdades.

Uma das pessoas nessa luta é o ativista Pri Bertucci, que se considera uma pessoa trans não binária há pelo menos 15 anos. Em seu processo para encontrar seu lugar no mundo e se sentir aceito, ele fundou o instituto SSEX BBOX que há 10 anos trabalha realizando campanhas, eventos e consultorias para promover equidade social e fomentar a diversidade. Uma das ações que o instituto lidera no Brasil é incentivar a comunicação inclusiva de várias formas, como através da criação de um manual de linguagem inclusiva em parceria com a HBO. Em entrevista para o Politize!, Pri conta que sua motivação em trabalhar nesses projetos nasceu de sua trajetória e das dificuldades que enfrentou para se sentir parte da sociedade.

“Quando eu tentava explicar meu gênero para minha família e amigos, ninguém entendia nada. Tive que criar essa linguagem para me explicar, pra dizer quem eu era e como queria ser chamado. Pra eu me sentir visto e respeitado”, relata ele. 

A comunicação inclusiva e o padrão da língua portuguesa 

O português, assim como o espanhol e outros idiomas provenientes do latim, possui fortes marcadores de gênero. Isso quer dizer que mudamos a forma como escrevemos ou falamos algumas palavras do nosso idioma de acordo com o gênero em questão. Isso acontece com os substantivos, adjetivos, artigos e pronomes: falamos meninas e meninos, bonitas e bonitos, eles e elas, e por aí vai. Assim, temos palavras consideradas masculinas e femininas, porém quando queremos falar de forma genérica ou no plural, é o gênero masculino que se considera o correto para representar o todo. Logo, se estamos falando de um grupo composto de meninos, meninas ou mesmo crianças de outros gêneros, o correto segundo a norma da língua é usar “eles” ou “todos” para se referir ao coletivo.

O uso do masculino quando queremos falar de forma genérica é uma regra que foi determinada nos anos 60, por um linguista chamado Joaquim Mattoso Câmara Jr. Nessa matéria do Nexo, a jornalista fala sobre como esse profissional definiu o que até hoje é conhecido como a norma culta da língua portuguesa. Em entrevista ao Politize!, a doutora em linguística Ana Pessotto contou que desde 2016 tem pesquisado sobre a comunicação inclusiva graças ao interesse de suas alunas, que queriam aprender mais sobre a marcação de gênero e o masculino generalizante.

“Foi uma grande descoberta pra mim, como pesquisadora, porque percebi o quanto a linguística formal brasileira estava defasada no que diz respeito ao estudo e descrição da marcação de gênero, pautada ainda no trabalho do Mattoso Câmara que, apesar de genial, é da década 70, quando o trabalho experimental em linguística não era tão difundido como hoje e, principalmente, o debate sobre linguagem inclusiva, se existia, não tinha essa visibilidade toda”, conta a pesquisadora. 

Segundo ativistas da comunicação inclusiva, a forma como falamos, escrevemos e nos comunicamos reproduz nossos valores e crenças. Então, muitos dos estereótipos que conhecemos são validados e perpetuados de forma quase inconsciente. O que afirma esses ativistas é que embora a língua em si não seja sexista, nossa realidade é, logo a forma como nos expressamos reproduz essas desigualdades. Uma frase como “eles são os melhores trabalhadores que temos” não reflete de forma correta a diversidade que o grupo de trabalhadores pode apresentar. Como podemos saber se há mulheres, pessoas não-binárias ou que se identificam de outra forma neste grupo? Será que essas pessoas se sentem representadas por essa generalização? Esses são alguns dos questionamentos que apresentam.

A realidade em outros países

Outras línguas possuem regras distintas quando o assunto é gênero. Alguns idiomas não apresentam gênero, como o turco e o finlandês, já que não usam marcadores de gênero nem em seus substantivos, nem em seus pronomes pessoais. Já o inglês é considerado um dos idiomas de gênero neutro, já que quase não possui marcadores: seus substantivos, artigos, adjetivos e pronomes no geral são palavras únicas que representam a todos; somente seus pronomes pessoais se regem pelo gênero.

Em 2015, a Academia Sueca adotou o gênero neutro “hen” ao seu idioma para identificar as pessoas não binárias. Quando anunciaram a incorporação da palavra ao dicionário, sua justificativa foi que o uso da palavra e sua evolução na sociedade por muitos anos demonstrava que ela cumpre uma função e que por isso deveria ser adicionada à norma da língua. 

Quais são os argumentos a favor da comunicação inclusiva?

Aqueles que defendem o uso da linguagem neutra e inclusiva acreditam que isso colabora para:

  • Denunciar o machismo e a intolerância de gênero;
  • Visibilizar e identificar todos os gêneros, inclusive aqueles que se identificam com gêneros neutros;
  • Valorizar, respeitar e acolher a diversidade;
  • Não privilegiar algumas pessoas em detrimento de outras;
  • Gerar reflexão sobre a desigualdade de gênero em outros âmbitos para além da linguagem.

Algumas pesquisas inclusive demonstram que o uso do masculino genérico influencia a forma como as pessoas pensam. Por exemplo, esse artigo fala sobre uma investigação científica de 2005 na qual realizaram perguntas somente com o masculino genérico como “Quem é seu músico preferido” ou “Quais são os atletas que mais admira?” e a maioria das pessoas entrevistadas respondeu homens. Quando a mesma pergunta era formulada com linguagem inclusiva (“Quem é seu artista musical preferido ou preferida?”), mais mulheres foram mencionadas.

Seguindo esse propósito, muitas soluções têm sido apresentados ao longo dos anos para trazer maior inclusão ao nosso idioma. Alguns exemplos:

Uso de linguagem inclusiva:

  • Dar preferência a palavras que representam a coletividade, por exemplo usar “a juventude” ao invés de “os jovens”, “pessoas beneficiárias” ao invés de “beneficiários”, “diretoria” ao invés de “os diretores”, etc.
  • Escolher substantivos que representam instituições ao invés de indivíduos: “classe política” ao invés de “os políticos”, “população indígena” ao invés de “os índios”, “poder judiciário” ao invés de “os juízes”, etc.
  • Reformular tempos verbais para que as frases sejam mais inclusivas e menos sexistas: “se tiver uma melhor formação, a polícia será menos racista” ao invés de “se os policiais tivessem uma formação melhor, o racismo diminuiria”, etc.

Uso de linguagem neutra:

  • Utilizar os símbolos “@” ou “x” no lugar dos marcadores de gênero identificados por “o” ou “a”. Também colocar o sufixo “-e” ao invés de “-o” ou “-a”, já que marcam unicamente a dois gêneros, enquanto o “@”, “x” e o “e” abrangem maior diversidade.
  • Utilizar outros pronomes de gênero neutro, como o “ile”, desenvolvido por Pri Bertucci e pela psicóloga Andrea Zanella em 2015. Esse pronome é uma proposta para substituir o uso do “ele”/”eles” no caso de pessoas não-binárias e foi desenvolvido tomando como referência pronomes demonstrativos neutros do latim.

Quais são os argumentos contra essas mudanças?

Muitas pessoas defendem que usar essas palavras ou expressões torna a comunicação mais longa e repetitiva. Por exemplo, dizer “todos e todas” leva mais tempo que dizer simplesmente “todos”. Além disso, comentam que as mudanças de grafia com “x” ou “@” tornam a leitura difícil e muitas pessoas com deficiência visual que utilizam programas de leituras de texto se veem afetadas, pois esses softwares não conseguem ler palavras escritas assim.

Da mesma forma, a compreensão também poderia ficar comprometida com o uso de palavras com o sufixo “-e” ou os pronomes exemplificados anteriormente. Textos ou falas que usam essas palavras poderiam ser mais difíceis de entender ou confusos para alguém que não está acostumado.

Em definitiva, os argumentos contrários se baseiam no fato de que o gênero masculino é considerado neutro pela maioria dos órgãos responsáveis por regular os idiomas, como a Academia Brasileira de Letras e a Real Academia Espanhola, logo o masculino inclui a designação de todos os gêneros e nenhuma mudança seria necessária.

É possível mudar o português?

A comunicação inclusiva surge para confrontar as determinações da língua com o argumento de que não são representativas de todos os gêneros e que na realidade excluem e fomentam uma visão centrada no padrão de homem branco, cisgênero e heterossexual. Seus ativistas defendem que a linguagem é a forma que temos para aprender sobre o nosso entorno, e também para interagir com ele e gerar nossa visão de mundo.

Segundo o manual de linguagem não sexista do Observatório do Gênero, as línguas são “produtos sociais em constante mudança”: estão vivas e em constante evolução já que com o passar do tempo novos conceitos são incorporados à nossa vida. Logo, assim como com o advento da internet palavras que não existiam em português foram incorporadas ao nosso dicionário, como e-mail, chat e web, novas formas de expressar igualdade e aceitação aos distintos gêneros e grupos minoritários também deveriam ser incorporados pela língua. “O que antigamente se considerava como um erro gramatical hoje aparece como algo cotidiano e aceitável”, diz o manual, que você pode ler na íntegra aqui.

Ana explica que todas as línguas humanas mudam frequentemente e, mesmo em um mesmo idioma, podemos observar como pessoas de diferentes lugares, classes sociais, escolaridade e comunidades distintas usam formas particulares para se expressar. Embora em nossa comunicação diária encontremos exemplos diversos de como cada grupo se manifesta, normalmente o padrão de cada idioma é imposto pelo grupo dominante. “Em toda a história das línguas há formas menos privilegiadas e estigmatizadas, que estão associadas a grupos inferiorizados, estigmatizados, invisibilizados, etc, formas que sempre vão sofrer mais resistência para serem aceitas, ou reconhecidas como legítimas”, diz a linguista, que acredita que as discussões e questionamentos sobre como podemos melhorar a forma como nos comunicamos são necessários para que a língua evolua.

“Como a língua(gem) premeia tudo, é legítimo que as pessoas queiram se sentir representadas nela, e achem um jeito pra encontrar representatividade nela. (…) A linguagem inclusiva não é para si. É para ‘o outro’. É preciso aprender a olhar e reconhecer ‘o outro’. O ponto não é se você está à vontade com a linguagem inclusiva, mas sim se você está disposto a acolher ‘o outro’ com a linguagem”, finaliza a linguista.

Embora a língua esteja viva e em constante mudança, sem dúvida propor mudanças a um idioma como o português implica vários desdobramentos que precisamos levar em consideração. Quando falamos de modificar “alunos” por “alunes”, por exemplo, temos que ser conscientes de que não estamos mudando uma palavra isolada: cada alteração reflete no conjunto de todas as frases nas quais essa palavra for inserida, já que nosso idioma exige concordância de gênero gramatical. Isso significa que uma frase como “todos os alunos são bem-vindos” ficaria “todes es alunes são bem-vindes”.

Para Ana, é importante ter consciência do que as mudanças representam, não para evitá-las, mas sim para “contribuir e estimular as pessoas a pensarem mais e mais sobre isso, aprimorar as propostas, divulgar e educar para uma linguagem inclusiva”, afirma.

Há outras formas de ser mais inclusivo?

Para praticar uma comunicação mais inclusiva é importante considerar as demais pessoas na roda e praticar a empatia: se você se colocar no lugar dos demais, como acha que se sentiriam com a forma como você se dirige a eles? A partir desses questionamentos vemos outras demandas surgirem, de movimentos como o anti-racista, o anti capacitista, anti-gordofobia e muitos outros, que defendem que comunicação inclusiva também é abolir expressões preconceituosas e pejorativas que são parte do nosso dia a dia.

Algumas dicas extras que podemos aplicar são as seguintes:

  • Perguntar às pessoas como querem que se dirijam a elas e com qual pronomes se sentem mais identificadas.
  • Não utilizar adjetivos ou palavras que qualifiquem os indivíduos com base em seu gênero ou que transmitam convenções sociais estereotipadas. Alguns exemplos: “essa pessoa chora como uma mulher”, “tinha que ser mulher”, etc.
  • Não utilizar expressões consideradas preconceituosas, racistas ou capacitistas: “denegrir”, fazer algo “nas coxas”, “a coisa tá preta”, entre outras, são expressões racistas que temos incorporadas ao nosso dia a dia. Você pode ler mais conteúdos sobre isso desenvolvidos pela organização Indique uma Preta no Instagram. Da mesma forma, expressões como “aleijado”, “mongoloide” ou “inválido”, são consideradas ofensivas a pessoas com deficiência.

E você sabe até onde vai a sua liberdade de expressão? Confira nosso vídeo sobre o assunto!

Outro ponto importante que Pri alerta como desafio para alcançar uma comunicação verdadeiramente inclusiva é a apropriação do trabalho realizado por pessoas trans ou de grupos marginalizados. Em entrevista, o ativista comentou ao Politize! que em várias ocasiões foi vítima ou presenciou situações nas quais pessoas se apropriaram da pesquisa de pessoas trans e/ou não binárias sem dar o devido crédito. Segundo ele, essas identidades são continuamente apagadas: “A luta pela comunicação inclusiva não é algo novo, não é uma moda de agora. É uma recuperação de um processo histórico que foi distorcido pelo processo de colonização que deriva de duas vertentes: a branquitude e a cis-hetero-patriarquia”, explica. 

Para Pri, o bum das discussões sobre diversidade e a inclusão geraram situações nas quais pessoas que não estão capacitadas se utilizam dos conceitos criados pelos movimentos pró-diversidade e igualdade para se promoverem. Por isso, alerta que é importante questionar as pessoas que estão por trás das atividades ou publicações que vemos por aí para estar seguros de que possuem embasamento teórico.

“Não basta fazer um treinamento de diversidade e inclusão, é preciso problematizar quem é a pessoa dando esse treinamento. Ela está no seu lugar de fala? Ainda dentro da pauta a gente sofre esse processo de apagamento. Imaginem como as pessoas trans pretas se sentem. Não sendo representadas e sendo vociferadas por pessoas que não as representam”, lamenta ele.

Recomendações de leitura da autora

Se você gostaria de continuar lendo sobre a comunicação inclusiva, a linguagem neutra e inclusiva, pode dar uma olhada nesses manuais:

Entendeu a diferença entre linguagem inclusiva e linguagem neutra? Qual a sua opinião? Conta para gente nos comentários!

REFERÊNCIAS

Revista Ártemis: “Língua para todes: um olhar formal sobre a expressão do gênero gramatical no Português e a demanda pela língua(gem) inclusiva”

Jornal Nexo: Todxs contra x língua: os problemas e as soluções do uso dx linguagem neutrx

Jornal El País: “O ativismo dos ‘amigues’ da linguagem inclusiva”

Observatório do Gênero: “Manual para o uso não sexista da linguagm”

Agência EFE: La Academia sueca admite un nuevo pronombre para el género neutro

Portal Diversity Box: Um guia para promover a linguagem inclusiva em português

Portal Escrever é praticar: Linguagem inclusiva

Portal Psyciencia: “Yo, tú, elle, nosotres, vosotres, elles. El lenguaje inclusivo: ¿tiene algo que ofrecer?”

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12 comentários

  1. Pricila Elspeth em 10 de março de 2021 às 10:28 am

    Nós pessoas não binárias não usamos mais x e @, justamente porque essas letras tornam as palavras impronunciáveis e pessoas que usam leitores de tela não conseguem lê-las.
    A linguagem neutra opta sempre por palavras adaptadas que sejam legíveis.

  2. Diego Aragão em 6 de julho de 2021 às 2:11 pm

    “denegrir”, “nas coxas” e “a coisa tá preta” não tem significado racista. Não sei porque as pessoas teimam em espalhar isso…

    denegrir – vem do latim “denigrare”, séculos antes da colonização na América (fonte: Michaelis).
    nas coxas – não se sabe ao certo a origem, provavelmente é uma referência a escrever algo nas coxas (no improviso, sem um suporte adequado). Não tem nada a ver com fabricação de telhas nas coxas (uma coxa é muito pequena pra isso).
    a coisa tá preta – claramente é muito mais uma referência à presença ou ausência de luz – como em “uma luz ao fim do túnel” – e não à cor da pele de alguém. Inclusive, eu iniciei essa frase com a palavra “claramente”, que indica que algo está claro, para todo mundo ver.

    É certo que existem muitas expressões cotidianas de origem racista, mas não é o caso destas. Ou talvez agora elas até tenham, porque simplesmente impuseram essa falsa origem sem nenhum respaldo histórico ou científico.

  3. Aldino em 16 de julho de 2021 às 1:12 pm

    Um bom exemplo de linguagem neutra é que linguagem neutra não é exemplo.

  4. Gustavo em 18 de julho de 2021 às 11:18 am

    A FARSA DA INCLUSÃO COM PRONOMES NEUTROS

    (Não sei quem é o autor, mas vale a pena a leitura)

    Outro dia sentei em um restaurante com um amigo e a garçonete veio nos atender com um sorriso:

    – “Olá Amigues!”

    – “Amigues?”, eu disse, também com um sorriso.

    – “Isso mesmo, somos um restaurante inclusivo!”, ela respondeu com orgulho.

    – “Olha que bom! Isso é ótimo porque em pouco tempo chegará um amigo que é cego. Você tem o cardápio em Braille?”

    – “Não, não temos isso.”

    – “Ok, mas minha esposa também vem com minha afilhada que é autista. Menu com pictogramas otimizado para pessoas autistas, vocês têm?”

    – “Não, desculpe…”, ela disse visivelmente nervosa.

    – “Não tem problema, isso geralmente acontece. Imagino que libras para clientes surdos você deve saber certo?”

    – “A verdade é que você está me encurralando”, responde sorrindo de nervoso.

    Ela não estava mais confortável…

    Então eu disse:

    “- Lamento dizer que vocês não são um lugar inclusivo, vocês só querem estar na moda. Quer ser inclusivo, inclua aqueles que o sistema não dá oportunidade. Um É, X, ou @ no final não faz de você inclusivo. Atentar contra a língua portuguesa não lhe torna inclusivo, lhe torna burro.

  5. edison em 18 de julho de 2021 às 7:57 pm

    É muita falta do que fazer, me pergunto onde atitudes come esta nos levará.

  6. Jocelmar Corante em 22 de julho de 2021 às 10:24 am

    Sem comentários, simplesmente RIDÌCULO, onde vamos parar desse jeito….realmente essas pessoas não tem o que fazer ,temos muita coisa para se preocupar, em vez de perder tempo com essas babaquices… estão passando dos limites faz tempo já, está dando nojo essas coisas…hhhssssjjjsggtttr

  7. Renato Quintanilha em 24 de julho de 2021 às 4:49 pm

    “Boa noite a todos e todas”. O objetivo aí é abranger tanto homens como mulheres na conversa.” – Esse texto já está errado, pois vai sim contra o português. Quando você fala “TODOS” são TODOS, sem exceção. Homens e mulheres já são incluídos em “TODOS”. A Autora do artigo como Jornalista deveria saber disso.

  8. Edmilson Alves de Azevêdo em 29 de julho de 2021 às 6:15 pm

    Muito bom, principalmente por sua clareza.

  9. Tânia Meneses em 31 de julho de 2021 às 11:17 pm

    Ótimo! A matéria me convence ainda mais do nonsense que é essa proposta da linguagem inclusiva.

  10. Lucas em 11 de agosto de 2021 às 2:50 pm

    Um ponto que achei enteressante é que o texto fala que se usar por exemplo “eles” não tem como saber se há homens, mulheres, não binários e qualquer outra classificação de sexualidade atual. Mas queria que alguém me dissesse onde “iles”, “elxs” e “el@s” me mostra se há homens, mulheres não binários ou qualquer outro gênero no local. Vcs simplesmente trocaram uma expressão pela outra sem nenhuma necessidade, e ainda por cima, vão fazer mais de 100 milhões de pessoas ter que alterar o ensino da língua portuguesa que tiveram a vida toda, alterará os conteúdos de concurso, dicionários, livros, e todo material didático e ainda por cima vai causar uma revolta, na verdade os professores e outras pessoas que precisam da “nova” língua culta vão ter que se virar pra poder aprender e ensinar esse tipo de linguagem que na verdade ninguém além dos que lutam por isso entendem. Literalmente é a atual política da lacração e todas essas empresas que apoiam essa palhaçada, e não estão interessadas em nada mais do que dinheiro e clientes, pq eles não terão que mexer na língua, não terão que ensinar ninguém, alterar dicionários, livros didáticos, eles só põe lenha na fogueira e os cegos que são a favor dessa propaganda se sentem beneficiados, quando na verdade tudo não passa de uma jogada de marketing pra vender mais que o concorrente.

  11. Lucas em 11 de agosto de 2021 às 2:56 pm

    O legal é que a comunidade LGBT em sua maioria, eu acho, pois nao são todos que concordam com isso, só estão nessa besteira pq lá fora um monte de países “aderiram” a linguagem neutra, sendo que a língua já era neutra. A comunidade LGBT tá tão cega querendo privilégios no próprio nome, que não vê a cagada que faz, e cada vez mais se afundando, e perdendo apoio que já tinha ganhado, até no seu próprio meio.

  12. Luiza Fernandes em 25 de agosto de 2021 às 3:42 pm

    E é por pessoas pensarem que estamos atentando contra lingua portuguesa, somente para que todes se sintam inclusos, que me deixa mais chateada nisso tudo. É claro que temos problemas maiores, como o aquecimento global, mas duvido que qualquer uma das pessoas que comentou nesse post falando coisas como “a proposta de lingua inclusiva é nonsense” ou como a palavra “todos” já inclui homens e mulheres sendo que não se atém ao fato de que, mesmo que em um grupo de 20 mulheres e 1 homem, por ter esse homem, as pessoa vão usar a forma gramatical “todos” para se referir o grupo. Enfim, vim fazer pesquisa para o TCC e me vi, mais uma vez, decepcionada com o senso de inclusão e parceria do ser humano.
    Matéria maravilhosa. Vou utiliza-la como referencia para minhas pesquisas.

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