Marketing de conteúdo: por que ele será essencial nas próximas eleições?

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Uma das principais mudanças sociais causadas pelos avanços da tecnologia é a facilidade do acesso à informação. Hoje, além de chegar a lugares que dificilmente chegaria através do ambiente offline, a informação tem velocidade praticamente instantânea.

Dentre vários outros impactos, tais mudanças causaram uma transição a respeito de quem está no controleHouve épocas em que o vendedor era detentor único do conhecimento a respeito do produto, sua aplicação, preços e concorrentes. E, portanto, utilizava isso a seu favor, controlando descontos, limitando as possibilidades e o acesso a informações de seus compradores.

Essa não é mais a realidade. Qualquer consumidor (ou eleitor) consegue acesso rápido a informações sobre concorrentes (candidatos), pesquisa de preços (promessas vs. realizações), reputação da empresa (histórico, ficha limpa) e muito mais.

Isso fez com que o conhecimento fosse distribuído visando atrair clientes (ou eleitores) e não mais como forma de controle. Como a transparência se tornou praticamente inevitável, é através dela que o marketing de conteúdo se sustenta: compartilhando conhecimento (informações)!

Chamamos nossos parceiros da Contentools para explicar por que essa é uma tendência irreversível.

Afinal, o que é marketing de conteúdo?

Segundo o Content Marketing Institute,

Marketing de Conteúdo é uma abordagem estratégica de marketing focada em criar e distribuir conteúdos de valor, relevantes e consistentes para atrair e reter uma audiência claramente definida, e, ultimamente, para levar os clientes a ações lucrativas ou eleitores a ações positivas.

A seguir, apresentamos alguns dos motivos que farão do marketing de conteúdo uma ferramenta indispensável para qualquer campanha política nos próximos anos:

1) Os millenials em breve serão tão numerosos quanto gerações anteriores

Nos Estados Unidos, o potencial de votos da chamada geração “millenial”, pessoas que nasceram mais ou menos entre 1980 e 2000, já alcançou um nível semelhante ao da geração “baby boomer”, nascida nas décadas após a Segunda Guerra Mundial. A mesma coisa já está se concretizando no Brasil.

O que isso significa, em termos eleitorais? Que os candidatos precisam estar antenados em diferenças relevantes de hábitos que essa nova geração apresenta em relação aos seus pais e avós, como os meios pelos quais eles se informam. A diferença mais evidente é que a maior parte dos millenials tem acesso à internet e está acostumada a navegar na grande rede, ao contrário de boa parte dos baby boomers.

Para os millenials, usar um smartphone e acessar o Facebook é tão simples e corriqueiro quanto era telefonar, ouvir rádio ou escrever cartas antigamente.

Se para tomar decisões de compra, os millenials passam 90% do processo sem entrar em contato com ninguém, apenas lendo, pesquisando e comparando, esse número deve ser ainda maior no caso de tomada de decisão de voto, o que torna essencial que políticos tenham uma presença efetiva no ambiente online.

2) Redes sociais são importante fonte de notícias sobre política

s millenials usam a internet e redes sociais para ficar informados. Uma pesquisa revelou que, nos Estados Unidos, 61% dessa geração usa o Facebook para se informar sobre política. Isso é uma prova concreta de que a internet está disputando com  mídias tradicionais, como a televisão e o rádio, o papel de fonte de informação.

É fato reconhecido que o uso das redes sociais foi crucial para o sucesso das duas campanhas presidenciais do ex-presidente estadunidente, Barack Obama. Sua campanha de 2008 é considerada pioneira, por ter sido a primeira que efetivamente usou essas redes para angariar votos e engajar seu eleitorado. Já em sua campanha de reeleição, em 2012, as redes sociais foram consideradas por muitos analistas como decisivas para sua vitória.

Fenômeno semelhante já é observado também na vida política do Brasil. Atualmente, 45% dos brasileiros acessam o Facebook todos os meses, número que pode continuar a aumentar ao longo dos anos, tornando imprescindível uma boa estratégia de comunicação para as redes sociais em qualquer campanha política.

O engajamento de usuários em redes como o Facebook e o Twitter foram cruciais para que as manifestações de junho de 2013 tomassem proporções gigantescas. Naquela ocasião, notícias sobre a violência policial usada contra manifestantes e jornalistas em São Paulo viralizaram nas redes e indignaram milhares de pessoas.

O uso das redes sociais também se fez presente na campanha presidencial de 2014 e na convocação dos protestos contra e a favor do governo Dilma, em 2015 e 2016. Além disso, importantes figuras políticas brasileiras já utilizam suas contas em redes sociais para se comunicar com a população.

3) Mais engajamento a um custo menor

Campanhas pela internet podem sair muito mais em conta do que aquelas feitas pela televisão, por exemplo. Com o uso inteligente das ferramentas online, um candidato pode se comunicar com muito mais pessoas a um custo muito menor. Um bom conteúdo nas redes tem o potencial de se espalhar rapidamente, atingindo muitas pessoas em pouquíssimo tempo.

Além disso, ao fazer uma propaganda para televisão, o seu poder personalização é limitado: você pode escolher apenas o canal e o horário. Já nas redes sociais, você consegue direcionar a sua mensagem para o público-alvo que efetivamente lhe trará maiores resultados. Por exemplo: posso restringir meu alcance a jovens de 20-30 anos, de ambos os sexos, na região sul-sudeste e que tenham demonstrado interesse em política.

O fator custo será essencial nas eleições municipais de 2016, já que a reforma eleitoral de 2015 tornou as campanhas mais enxutas. A propaganda na TV, para a qual mais de 50% dos recursos de campanha eram destinados, terá período reduzido e as doações empresariais foram proibidas. Assim, terá vantagem quem fizer mais com menos.

4) Não basta usar a internet: você precisa de uma boa estratégia

O que faz um conteúdo viralizar nas redes sociais? Quais tipos de posts as pessoas são mais propensas a compartilhar com seus amigos? Acertar a mão no tipo de conteúdo que você compartilha, com a mensagem mais adequada para o seu público envolve a elaboração de um bom plano de content marketing. Certamente não adianta postar apenas por postar, afinal são grandes as chances de se cometer gafes – e não raro viram motivo de chacota.

Um exemplo de boa estratégia de marketing de conteúdo veio do pré-candidato a presidência dos EUA em 2016, Bernie Sanders. Dentre várias estratégias de campanha para a internet, lançou um blog com conteúdos de forte apelo para seu eleitorado. Um detalhe crucial a respeito desse blog é que nenhum dos posts publicados contém referências diretas ao candidato. O foco era um conteúdo valioso para as pessoas. Que as convencessem de que as bandeiras políticas de Sanders merecessem ser levadas adiante.

Isso se mostrou muito efetivo, já que as pessoas se sentem mais à vontade para compartilhar um texto desse tipo com seus amigos do que textos que apenas exaltem as qualidades de um candidato.

Muitas vezes, o formato do conteúdo importa: vídeos e infográficos viralizam muito facilmente, por exemplo. Essas pequenas calibragens na estratégia de marketing de conteúdo podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma campanha nas redes sociais.

Por esses motivos, acreditamos que as eleições de 2018 serão marcadas pelo uso intenso das redes sociais como parte efetiva das estratégias de campanha. Observe como os candidatos se comportarão nos meios online!

Aviso: mande um e-mail para contato@politize.com.br se os anúncios do portal estão te atrapalhando na experiência de educação política. 🙂

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Publicado em 12 de julho de 2016.

Contentools é a primeira Plataforma de Marketing de Conteúdo do Brasil – auxiliando empresas a se comunicarem de forma efetiva e gerarem oportunidades de negócio através do ambiente online.

Pedro Clivati é co-founder e atual responsável pela área de aquisição da Contentools. Formado em administração, já deu consultoria em inside sales e inbound marketing, já trabalhou em pequenas e grandes empresas e encontrou na tecnologia e no empreendedorismo a sua satisfação profissional.

Bruno Blume é formado em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e editor do Politize.